Quanto ganha quem trabalha com aluguel por temporada: 7 funções e faixas reais
Quando se fala em aluguel por temporada, a conversa quase sempre gira em torno de quem é dono do imóvel. Só que por trás de cada apartamento anunciado existe uma cadeia de trabalho que praticamente ninguém mapeia — e que hoje absorve muita gente vinda de outros setores.
Este guia mostra sete funções que esse mercado contrata de verdade no Brasil, quanto cada uma paga, que formação exige e como entrar sem experiência prévia.

Por que o setor está contratando
Os números explicam o movimento. O mercado brasileiro de aluguel por temporada movimentou cerca de R$ 14,5 bilhões em 2024, com crescimento de aproximadamente 43% — mais de três vezes o avanço da locação tradicional no mesmo período. Em 2025 o país já superava 600 mil imóveis ativos em plataformas, ocupando a terceira posição mundial em número de anfitriões.
O detalhe relevante para quem procura trabalho é outro: a ocupação média caiu nos últimos anos, o que empurrou proprietários para a gestão profissional. Quando um imóvel deixa de ser administrado pelo próprio dono e passa para uma empresa, ele deixa de consumir zero hora de trabalho remunerado e passa a consumir várias — limpeza, manutenção, atendimento, fotografia, vistoria.
A demanda se concentra nas capitais com fluxo turístico e corporativo constante. São Paulo e Rio de Janeiro lideram em volume; Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Florianópolis formam o segundo grupo. Brasília tem uma característica própria que interessa a quem busca estabilidade: a demanda é majoritariamente corporativa e distribuída ao longo do ano, sem os vales de baixa temporada dos destinos de lazer — razão pela qual empresas de gestão de imóveis por temporada que operam em Brasília mantêm equipes com volume mais previsível de trabalho do que em cidades de praia.
As 7 funções e quanto pagam
1. Limpeza e preparação entre hóspedes
É a função de maior volume do setor e a porta de entrada mais acessível.
O que faz: limpeza completa entre uma estadia e outra, troca de enxoval, reposição de amenidades, conferência de itens e registro fotográfico do estado do imóvel.
Faixas em 2026: a diária de faxina no Brasil varia entre R$ 100 e R$ 400 conforme cidade, tamanho e tipo de serviço. Em São Paulo, faxinas convencionais costumam ficar entre R$ 150 e R$ 250; no Rio de Janeiro, entre R$ 140 e R$ 240; em Belo Horizonte, entre R$ 120 e R$ 200; em Brasília, serviços básicos partem de cerca de R$ 100.
A diferença que quase ninguém aproveita: a limpeza de turnover é mais rápida do que uma faxina residencial pesada — o imóvel foi ocupado poucos dias — mas exige padrão fotográfico e prazo rígido entre check-out e check-in. Profissionais que dominam esse ritmo conseguem encaixar duas ou três unidades no mesmo dia e faturam bem acima da média de quem faz faxina residencial comum.
Formação: não exige. Exige método, pontualidade e celular com câmera decente.
2. Co-anfitrião
O que faz: cuida do anúncio, das mensagens com hóspedes, do check-in e da coordenação operacional em nome do proprietário. É função oficialmente reconhecida pelas plataformas, com permissões próprias no aplicativo.
Faixas em 2026: três modelos coexistem. Por percentual, a remuneração típica vai de 15% a 30% da receita líquida do imóvel, conforme o escopo — quem cuida de tudo fica na faixa de 20% a 30%, quem cuida apenas de mensagens fica entre 10% e 15%. Por reserva, os valores vão de R$ 50 a R$ 150 no escopo completo. Em modelo fixo, a faixa comum é de R$ 800 a R$ 2.500 por mês por imóvel.
Formação: não exige diploma. Exige disponibilidade para responder rápido e boa escrita.
3. Fotógrafo de imóveis
O que faz: ensaio fotográfico do imóvel para anúncio. Cada vez mais inclui vídeo curto e tour virtual.
Como se cobra: por pacote, variando conforme o número de fotos entregues, o tamanho e a complexidade do imóvel (áreas externas, piscina e jardim aumentam o escopo), a cidade e a experiência do profissional. Sessões noturnas e de fim de semana têm valor superior.
Por que é um bom nicho: é fotografia técnica, não autoral. Aprende-se em semanas — grande angular, correção de verticais, tratamento de janelas estouradas — e a demanda é recorrente, porque anúncio precisa de refoto a cada reforma ou troca de mobília.
Formação: curso técnico ou autodidatismo. Equipamento de entrada resolve.
4. Vistoriador de imóveis
O que faz: laudo do estado do imóvel na entrada e na saída, registro fotográfico padronizado, apontamento de avarias.
Faixas em 2026: no regime CLT, as médias nacionais reportadas ficam em torno de R$ 2.000 a R$ 3.100 mensais, dependendo da empresa e da região. Como autônomo, cobra-se por laudo.
Formação: técnico em edificações é o perfil mais requisitado, mas há muita gente atuando com formação em construção civil ou treinamento próprio das empresas de vistoria.
5. Manutenção e pequenos reparos
O que faz: hidráulica leve, elétrica leve, montagem e reparo de móveis, troca de fechaduras — inclusive fechaduras eletrônicas, hoje padrão em check-in digital.
Como se cobra: por chamado, com valor mínimo de deslocamento. É a função com melhor relação entre valor por hora e barreira de entrada de todo o setor.
O diferencial que multiplica o preço: disponibilidade fora do horário comercial. Um vazamento às 21h com hóspede no imóvel é uma emergência com prazo, não um orçamento a comparar. Quem atende esse tipo de chamado cobra outro patamar.
6. Atendimento ao hóspede
O que faz: responde mensagens, resolve problemas durante a estadia, coordena entrada e saída. Em operações maiores é função remota, em escala.
Por que está crescendo: o atendimento 24/7 virou padrão de mercado e não escala com o dono do imóvel respondendo do celular. Empresas de gestão precisam de turnos.
Formação: não exige. Inglês ou espanhol elevam a remuneração de forma significativa, especialmente em Rio de Janeiro, São Paulo e destinos de turismo internacional.
7. Enxoval e rouparia terceirizada

O que faz: coleta, lavagem industrial e devolução de roupa de cama e banho, geralmente com estoque rotativo.
Por que é um negócio, não um emprego: funciona por contrato mensal com volume garantido. É a função desta lista com maior potencial de virar empresa própria, porque o cliente não quer trocar de fornecedor — quer previsibilidade.
CLT, MEI ou autônomo: qual formato escolher
A maior parte do setor opera fora da CLT, e isso tem consequências que vale entender antes de aceitar trabalho.
Autônomo sem registro é o mais comum e o mais frágil: sem nota fiscal, sem previdência, sem comprovação de renda para crédito ou aluguel.
MEI custa cerca de R$ 75,90 por mês em 2026 e resolve quase tudo: você emite nota, comprova renda, contribui para a previdência e passa a ter acesso a auxílio-doença e aposentadoria. Os CNAEs mais usados no setor são 9700-5/00 (serviços domésticos) e 8121-4/00 (limpeza em imóveis).
Um alerta importante para quem contrata e para quem é contratado: a Lei Complementar 150/2015 estabelece que trabalhar mais de dois dias por semana para o mesmo contratante, de forma contínua, pode configurar vínculo empregatício. Em alta temporada isso acontece com facilidade. Para o profissional, é um direito. Para o contratante, é um passivo. O formato MEI resolve a questão para os dois lados, porque a relação passa a ser comercial.
Uma dica prática de negociação: se um cliente pede nota fiscal, use isso a seu favor. É razoável cobrar de R$ 10 a R$ 20 a mais por serviço em troca da emissão — muitos contratantes aceitam sem discussão, porque o custo é menor do que o risco trabalhista.
Como conseguir os primeiros clientes
Comece pelas empresas de gestão, não pelos proprietários. Uma empresa com dezenas de imóveis contrata volume recorrente; um proprietário individual contrata duas vezes por mês. Procure as administradoras que atuam na sua cidade e ofereça-se diretamente.
Ofereça teste gratuito ou com desconto na primeira unidade. É o setor mais avesso a risco que existe, porque uma limpeza malfeita vira avaliação ruim permanente no anúncio. Reduzir o risco da primeira contratação vale mais que qualquer preço baixo.
Monte um portfólio fotográfico do seu próprio trabalho. Vale para todas as funções, não só para fotógrafo. Antes e depois de limpeza, antes e depois de reparo. É o que substitui currículo neste mercado.
Seja obsessivo com prazo. No aluguel por temporada existe um intervalo fixo entre check-out e check-in, e ele não é negociável. Profissional que cumpre horário sem exceção é retido e indicado; profissional que atrasa uma vez em dia de virada não é chamado de novo.
Aprenda a operação, não só a tarefa. Quem entende por que a foto do anúncio importa, por que a avaliação importa e por que o prazo importa deixa de ser fornecedor e vira parceiro. É assim que se sai da diária e se chega à coordenação.
Fontes: dados de mercado do setor de aluguel por temporada no Brasil (2024–2026); pesquisas salariais CAGED/eSocial e plataformas de emprego; Lei Complementar 150/2015; Portal do Empreendedor (valores MEI 2026); observação direta da operação HostnJoy.
Créditos das imagens: Trường Trung Cấp Kinh Tế Du Lịch TP. HCM (CET) / Unsplash; Lasse Møller / Unsplash. Ambas sob Unsplash License, livres para uso comercial, sem exigência de atribuição.
Sobre o autor
Robin Dehouck é CEO da HostnJoy, empresa de gestão de imóveis para aluguel por temporada que mantém equipes próprias de limpeza, manutenção e atendimento em capitais brasileiras.


