Setor de leilão de imóveis deve continuar a crescer

Oferta elevada de propriedades, mudança no perfil dos compradores e expectativa de melhora nas condições de crédito indicam continuidade do avanço

O mercado imobiliário brasileiro conquistou, em 2025, um crescimento recorde no volume de leilões. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Arrematantes de Imóveis (Abraim), apenas no primeiro semestre, cerca de 116,6 mil propriedades foram ofertadas no país, quantidade 25,1% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

O aumento ocorre em um ambiente marcado por inadimplência acima de 3% e juros básicos em torno de 15% ao ano, fatores que ampliam o número de ativos disponibilizados por instituições financeiras e fortalecem essa modalidade de compra. Para os especialistas, a tendência é de continuidade de crescimento em 2026.

A leiloeira e presidente da Comissão de Leilões da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção RJ (OABRJ), Juliana Araújo, explica que, além da inadimplência e do cenário econômico, há também a necessidade de alternativas mais estratégicas de investimento e a mudança no perfil dos investidores.

“Famílias e jovens investidores estão cada vez mais participativos, especialmente em cenários onde os preços do mercado tradicional se mostram menos acessíveis e os descontos em leilões são mais expressivos”, destaca em seu perfil no Instagram.

Em grandes centros, como no leilão de imóveis no Rio de Janeiro, a presença desse novo perfil é de um público mais novo. De acordo com pesquisa da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), a compra da casa própria este ano será prioridade para mais de 50% dos cariocas, com destaque para jovens de 18 a 24 anos.

A tendência também pode ganhar impulso caso se confirme o cenário de redução gradual da taxa Selic ao longo deste ano. E há ainda a vantagem de fazer portabilidade. Se a pessoa financiou um apartamento em um leilão de imóveis do banco Santander, por exemplo, e quer aproveitar os juros mais baixos da Caixa Econômica Federal, é preciso que tenha realizado pelo menos um ano de pagamento na instituição anterior para conseguir a avaliação da portabilidade.

Digitalização amplia acesso e acelera disputas

Outro vetor apontado como decisivo para o avanço do setor é a digitalização das plataformas, que reduz barreiras geográficas, aumenta a visibilidade do processo e atrai participantes familiarizados com o ambiente on-line.

“A expansão dos leilões eletrônicos e o ganho de velocidade nas plataformas digitais tornam o processo mais acessível, transparente e competitivo, atraindo um público novo e mais conectado”, explica Araújo.

Interessados em um leilão de imóveis em São Paulo, por exemplo, conseguem localizar oportunidades, comparar condições e acompanhar etapas da disputa de forma remota, o que contribui para aumentar o número de participantes.

Compradores devem ter atenção redobrada

Segundo Juliana Araújo, 2026 será o ano em que o mercado de leilões irá se consolidar dentro do ciclo imobiliário. No entanto, para obter vantagens estruturais, ela recomenda participar com estratégia, técnica e apoio especializado.

Entre as indicações mais frequentes dos especialistas está a verificação da autenticidade das plataformas. O Jusbrasil orienta que compradores utilizem canais oficiais e leiloeiros reconhecidos, uma vez que páginas fraudulentas podem simular disputas e induzir depósitos indevidos.

Mas, é preciso atenção: nem todo preço reduzido é sinônimo de oportunidade. Quando o imóvel possui uma ação anulatória já com decisão favorável, mas a informação ainda não chegou formalmente ao leiloeiro. O comprador que faz a verificação prévia nos tribunais pode identificar o problema antes do lance, mas quem ignora essa etapa corre o risco de arrematar, efetuar o pagamento e, posteriormente, ter a venda cancelada.

Nessas situações, o arrematante precisa solicitar a devolução dos valores e aguardar os trâmites de restituição, o que implica tempo, recursos imobilizados e a frustração de desfazer um negócio que parecia concluído. Embora o procedimento seja seguro, a reversão da compra tende a gerar desgaste e atrasos no planejamento do investidor.

Também é imprescindível examinar cuidadosamente o edital, documento que reúne regras da disputa, condições de pagamento, eventuais débitos e informações sobre ocupação do imóvel. A leitura detalhada permite dimensionar riscos e custos adicionais, inclusive a necessidade de medidas judiciais para desocupação.