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André Rouillé, o francês “carrioca”

12 de abril de 2010 por Paulo Marcos

André Rouillé é um sério e profícuo pesquisador  francês de fotografia. É também professor de arte e filosofia da Universidade de Paris. Monsieur Roillé está lançando o livro ” Fotografia : entre documento e arte conteporânea”". É uma obra de fôlego  que analisa, com rara profundidade, os valores mais identificados com a fotografia: obra de arte e documento.

Hoje à noite, às 19hs, acontecerá, na Faculdade Candido Mendes da Rua da Assêmbleia, um seminário com a presença dele. É imperdível.

Participam do seminário: Andreas Valentin (fotógrafo, professor e Diretor do Instituto de Humanidades/UCAM); Milton Guran (fotógrafo, pesquisador e coordenador do FotoRio);
Patricia Gouvêa (fotógrafa, artista visual e diretora do Ateliê da Imagem); e Paulo Sergio Duarte (crítico de arte e Diretor do Centro Cultural Candido Mendes).

Hoje de manhã Rouillé foi de taxi do Leblon ao centro da cidade pela orla. Com o olhar flutuando pela paisagem disse que gosta mais da arquitetura do Rio do que a arquitetura modernista e fria de Brasília, onde esteve na semana passada. Quando passou em frente ao edífcio onde está o escritório do arquiteto Niemeyer quis saber se tinha sido desenhado por ele. Não foi mas poderia ter sido já que é uma construção dos anos 40 e Oscar Niemeyer está com 102 anos de idade. ”Quero trabalhar até os 90 anos”, disse Roillé.  Adora o Leblon (”tem um clima de certos bairros de Paris”) e acha alguns prédios da Avenida Atlântica joias arquitetônicas. Ao longo dos poucos quilômetros da praia de Copacabana disse uma boa meia dúzia de vezes que ela era “très jollie”, a mais bonita de todas. Este francês está querendo virar carioca…

Fotos Raras de Famosos

5 de fevereiro de 2010 por Paulo Marcos

Quer ver como era a Madonna com 18 anos? Tem

Quer ver Kennedy e Marilyn num chamego? Tem

Quer ver a Angeline Jolie criancinha? Tem.

Este aí da foto? George Clooney!!

Vai lá que é divertido!

http://www.cracktwo.com/2010/01/rare-photos-of-famous-people-125-pics.html

SAARA - Rio de Janeiro

26 de janeiro de 2010 por Paulo Marcos

Livro “SAARA Rio de Janeiro”

Alunos do curso de pós graduação “Fotografia: imagem, memória e comunicação” do Instituto de Humanidades da Universidade Candido Mendes realizaram uma ampla documentação do cotidiano e das relações sociais da SAARA, o maior mercado aberto do Rio de Janeiro. Esse trabalho coletivo resultou em uma exposição apresentada em junho de 2009 na Galeria do Convento durante o FotoRio 2009 e agora será lançado o livro com 150 imagens produzidas por 12 fotógrafos.

A curadoria e a edição fotográfica foram realizadas por Paulo Marcos de Mendonça Lima e Andreas Valentin, coordenador do curso e que também assina o texto. A apresentação é de Paulo Sergio Duarte, diretor do Centro Cultural Candido Mendes. O design é de Claudia Zarvos, a edição é da Francisco Alves/Barléu e a produção da Via Napole. O livro teve o patrocínio da Light através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio de Janeiro e contou com o apoio da SAARA – Sociedade dos Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega. Serviço Lançamento do livro “SAARA Rio de Janeiro” 2 de fevereiro de 2009, 18:30 h Livraria da Travessa, Centro Cultural Banco do Brasil Rua Primeiro de Março 66, Centro.

Abaixo algumas fotos que estão no livro:

foto de Cris Torres

foto de Cris Torres

foto José Diniz

foto José Diniz

foto Kitty Paranaguá

foto Kitty Paranaguá

Prêmio ESSO

5 de janeiro de 2010 por Paulo Marcos

O Prêmio Esso chega à sua 54ª edição.
Tive o imenso prazer de ser um dos dois relatores da parte de fotografia.
O processo é o seguinte: todas as fotos inscritas são divididas em dois lotes distintos e cada um dos relatores faz uma apresentação das que achou melhores, sendo entre 7 e 12 o número ideal. Este processo se repete em todas as categorias sendo a fotografia a única que tem dois relatores em vez de um.
Depois das apresentações há um debate entre todos os vinte e três relatores e se escolhe as cinco que serão votadas por 50 editores de fotografia brasileiros. Ganha a que tiver mais votos. Abaixo estão as cinco deste ano. A ganhadora foi a “Exilados da Fome’ de Arnaldo Carvalho do Jornal do Comércio de Recife. Em qual você votaria?


Resumo: O fotógrafo Moacyr Lopes Junior, da FOLHA DE S. PAULO, retratou a dor dos sobreviventes de um dos piores desastres climáticos ocorridos no Brasil nos últimos tempos. A fotografia intitulada A DOR DA PERDA exibe a expressão de desolação de habitantes de Santa Catarina que perderam, além de suas casas, amigos e familiares.

Resumo: Marcelo Carnaval, com o trabalho CRISE, QUE CRISE?, publicado no jornal O GLOBO, registra o momento em que o presidente Lula está posicionado à frente de uma torre de exploração de petróleo, dando a ilusão de que as chamas emergem de seu capacete.

Resumo: Daniel Mobilia, com o trabalho FALA QUE EU NÃO TE ESCUTO, publicado no DIÁRIO DE S. PAULO, mostra o momento exato em que o governador de São Paulo e presidenciável, José Serra, coloca as mãos nos ouvidos durante o discurso do presidente Lula, na cerimônia de inauguração no Hospital Israelita Albert Einstein.

Resumo: Ao percorrer os pavilhões do Presídio Central de Porto Alegre, o fotógrafo Daniel Marenco, da ZERO HORA, revela no conjunto de fotos intitulado NO CORREDOR DO INFERNO algumas ocorrências curiosas, além da situação degradante em que vivem os presos na maior cadeia do país.

Resumo: Depois de percorrer nove estados do Nordeste, o fotógrafo Arnaldo Carvalho, ilustrou com fotos o trabalho EXILADOS NA FOME, publicado no JORNAL DO COMMERCIO (Recife). Numa das fotos mais marcantes, ele captou o sofrimento de uma menina de pouco mais de um ano de idade que ficou cega por inanição.

Imagens do Sagrado

29 de agosto de 2009 por Paulo Marcos

Fernando de Tacca está lançando o livro “Imagens do Sagrado” que conta a história, um verdadeiro imbroglio, do embate midíatico entre Paris Match e o Cruzeiro em 51.

Veja a entrevista com o autor:

http://www.youtube.com/watch?v=kxLQdw6HDf4

Resumo
O livro trata do embate midiático de imagens de candomblé realizadas na cidade de Salvador, Ba, e publicadas nas revistas O Cruzeiro e Paris Match no ano de 1951, envolvendo personagens importantes do jornalismo, da antropologia e do cinema, e também intelectuais de outras áreas (José Medeiros, Henri-George Clouzot, Roger Bastide, Alberto Cavalvanti, Pierre Verger, Odorico Tavares, entre outros). O fato implicou em forte polêmica no meio religioso e entre a intelectualidade brasileira, e teve conseqüências para a mãe-de-santo Riso da Plataforma. A partir de fontes documentais, pesquisa de campo das memórias vivas, levantamento de material iconográfico, e bibliografia original e inédita, essa pesquisa analisa o fato midiático do enfrentamento entre as duas revistas na documentação fotográfica do ritual de iniciação no candomblé sob os vários pontos de vistas de seus atores.
 
 
Milton Guran, do texto de apresentação do livro
                   Imagens do Sagrado - Entre Paris Match e O Cruzeiro nos traz uma significativa contribuição para a construção de uma metodologia de trabalho que alia técnicas de reportagem jornalística às melhores práticas de pesquisa de campo da antropologia. Partindo de um conflito de interesses e disputas jornalísticas que abrangeram tanto questões éticas  quanto comerciais, Fernando de Tacca colocou na boca da cena, com status de atores principais, personagens que até então funcionavam apenas como objetos de curiosidade. De seres exóticos, esses personagens e, através deles, o próprio culto, passaram a sujeito e interlocutores graças às entrevistas e, sobretudo, à leitura acurada das imagens publicadas.

cartaz_imagens_do_sagrado

“Amigos…Uma História…”

7 de agosto de 2009 por Paulo Marcos

Durante a inauguração da exposição “Amigos…Uma História…”, no museu da República, no dia 30julho2009, fiz um video onde 25 grandes fotógrafos brasileiros, baseados no Rio de Janeiro, dão conselhos a um amigo fotógrafo iniciante.

Fiz, basicamente, a mesma pergunta : “O que você diria - pode ser uma frase, um ditado, uma expressão, o silêncio..-  para um fotógrafo amigo que estivesse começando agora?”
Tem Walter Firmo, Rogerio Reis, Marcos Bonisson, Antonio Guerreiro, Cafi, Milton Montenegro, Bruno Veiga, dizendo no pé do ouvido de um fotógrafo que está começando o que esperar da carreira. Tem depoimento curtinho, longo, hermético, alegre, desiludido, incisivo, suave…
A ideia, organização e curadoria da exposição são dos dois amigos de mais de 30 anos, Luis Garrido e Humberto Cesar.
 As respostas foram as mais diversas. Assista  aqui : http://www.youtube.com/watch?v=kxLQdw6HDf4

Semanas Nacionais de Fotografia

30 de julho de 2009 por Paulo Marcos
A conferência final do FotoRio2009 (“Passando a história a limpo: As Semanas Nacionais de Fotografia da Funarte (1982-1989)”), com Nadja Peregrino e Ângela Magalhães aconteceu ontem, 28jul2009. Quem não foi perdeu uma ótima oportunidade de ouvir, de duas protagonistas, como foi lançada a semente de uma fotografia brasileira mais nacional, menos regional.

Na platéia umas 30 pessoas embarcaram no relato emocionado e emocionante das duas amigas e parceiras de 30 anos em inúmeros e importantes projetos de fotografia brasileira.

Nadja e Ângela fizeram uma descrição detalhada, sem ser longa ou saudosista, do que foi este importante movimento que ocorreu irradiado do Rio de Janeiro, em várias regiões do Brasil, durante boa parte dos anos 80.

Nesta época o Brasil voltava a ter uma vida mais democrática, impulsionado pelos movimentos sociais. Surgiam as agências brasileiras de fotografia e uma maior articulação entre os fotógrafos estava em curso. As Semanas Nacionais de Fotografia da Funarte foram o cimento que consolidou e solidificou estas diferentes peças.

A partir delas fotógrafos de inúmeras regiões do país passaram a se conhecer e trocar experiências e impressões.

- As Semanas foram a ponta de lança de um movimento que venho a dar frutos mais tarde. Tudo era feito e pensado calcado nas necessidades dos fotógrafos, dos artistas. Tempos bons. disse Nadja.

As Semanas foram a primeira e última vez que o estado teve alguma política específica para a fotografia. Foi um começo e que até hoje rende filhotes: NaFoto, FotoRio, FestFotoPoa, Paraty em Foco, e muitos outros

- Ficamos felizes com a herança que deixamos. Tudo começou com a iniciativa do Zeca Araújo de apresentar à Funarte o projeto de uma galeria de fotografia. Com isso abriu-se uma fenda, uma janela, falou Ângela.

Alguns dos muitos eventos importantes que aconteceram paralelamente porem em sintonia com o espírito democratizante das Semanas de Fotografia: A exposição e catálogo “O Retrato Brasileiro – Fotografias da Coleção Francisco Rodrigues 1840-1920”; a primeira exposição individual de Sebastião Salgado em 1982; Os 50 anos de fotografia de José Medeiros; a inauguração do “Centro de Conservação e Preservação” em Santa Teresa, Rio de Janeiro. A fotografia brasileira ganhava uma voz forte, poli-tonal, abrangente, nacional e apaixonada.

- Éramos todos tomados pela paixão! sorri Nadja.

A última Semana Nacional de Fotografia aconteceu no Rio de Janeiro, em 1987. A sede foi no solar do Grandjean de Montigny, dentro do campus da PUC. A fotógrafa Ana Stewart era estudante lá e fez um vídeo sobre o evento como trabalho de conclusão de curso. Nele podemos ver grandes nomes da fotografia brasileira sendo entrevistados. Evandro Teixeira é um deles, que responde assim quando perguntado qual conselho daria a um fotógrafo iniciante: “Continuar, continuar, continuar. Fotografar, fotografar, fotografar”. 

Depois das falas de Nadja e Ângela, houve comentários dos presentes e a tônica deles foi praticamente a mesma. Tanto o colecionador  Joaquim Paiva quanto o fotógrafo João Roberto Ripper disseram que iniciativas como àquelas mereciam voltar a existir e que a fotografia não poderia ficar somente nas mãos da iniciativa privada. Ripper disse ainda que fotógrafos de todas as idades, épocas, tendências e credos, deveriam se reunir e reivindicarem que o estado voltasse a ter uma política de fomento à produção e disseminação da fotografia nacionalmente.

Milton Guran lembrou que o FotoRio-2009 aprofundou mais ainda a sua principal característica de ser um movimento de fotógrafos. Sem um tostão se quer do poder público em todos os níveis, municipal, estadual e federal, a grande maioria das exposições só aconteceu devido à dedicação dos fotógrafos.

Em 1989, ano da oitava e última edição, as  Semanas Nacionais de Fotografia já tinham cumprido a sua função de espalhar, Brasil afora, a ideia de uma união nacional em torno da fotografia brasileira.

-A rede já tinha sido feita nas oito edições. A semente foi jogada e com o tempo germinou. O que me parece mais grave hoje em dia é não haver mais prêmios, principalmente para pesquisas, disse Ângela

 

 

 

 

 

 

 

Boa noite a todos. Queremos agradecer a Milton Guran e a toda equipe do FotoRio pela oportunidade de estarmos aqui para falar sobre a importância das Semanas Nacionais de Fotografia, realizadas pela Fundação Nacional de Arte no período entre 1982 e 1989 nas diversas regiões de nosso país. Lembrar este projeto significa voltar um pouco atrás para trazer à tona o movimento crescente da fotografia brasileira impulsionado não só pela Funarte, a instituição onde trabalhávamos, como também por iniciativas mais isoladas, tais como a Escola de Imagem e Ação de São Paulo e as agências independentes de fotografia surgidas quase que simultaneamente em Porto Alegre, Brasília e São Paulo.

 

Antes, porém, gostaria de frisar que Angela e eu temos em comum um trabalho desenvolvido durante 30 anos. Na Funarte, partilhamos da produção de inúmeras exposições e da coordenação das oito Semanas Nacionais de Fotografia. Até hoje produzimos juntas inúmeros projetos. Não é pouco se pensarmos que num trabalho assim duradouro, aprendemos a colocar de lado o nosso ego, às vezes tão grande, que termina por dificultar inúmeras relações pessoais. Com isso também aprendi o quão valioso é a ação pela qual damos sentido à nossa existência. Assim, em torno dessa idéia, gostaria de dizer pra vocês que o trabalho da Semana Nacional não é um trabalho sobre nós, mas sim um trabalho sobre a fotografia brasileira. Quase como se pudéssemos gerar, através de uma dimensão mais coletiva, uma terceira energia que movia a todos para um objetivo comum. Neste caso, este projeto foi uma ferramenta de motivação muito forte para todos aqueles que dele participaram.  A ponto de podermos afirmar que a Semana Nacional de Fotografia talvez pudesse ser associada a aquilo que Nietzsche denomina como a vontade de potência enquanto princípio plástico de todas as avaliações e como força criadora de novos valores. Vontade de potência, diz Nietzsche, significa “criar”, “dar” e “avaliar”. No fundo, a vontade de potência é o que nós temos de vida dentro de nós.

 

Feito este parêntese, temos certeza de que não podemos entender a Semana Nacional da Fotografia sem criar a possibilidade de conhecer a política cultural em suas entranhas. É preciso fazer um mergulho retrospectivo - e nós adoramos fazer isso - para sabermos como o projeto da Semana Nacional se encaixava em termos mais amplos numa gestão de política pública. Para compreender este contexto cultural, onde a Funarte se inseriu em 1975, vamos nos valer da reflexão do historiador Sergio Micelli que destaca as rivalidades existentes entre os defensores das políticas de preservação do patrimônio e aqueles dispostos a bancar projetos inovadores de criação artística. O país parecia ter a necessidade premente de valorizar sobremaneira, desde 1930 com o Estado Novo, um registro histórico laudatório, pontuado por marcos reconhecíveis, quase sem levar em conta os conflitos sociais relevantes de nossa história contemporânea. Os operários, os imigrantes, o empresariado, as metrópoles nascentes, nada disso merecia ser incorporado à celebração preservacionista. Metaforicamente, era como se esses monumentos pudessem criar um mundo supra-sensível, onde todas as vertentes culturais eram postas de lado. Permanência de valores absolutos, eternos, imutáveis, que ultrapassam a nossa passagem no mundo.

 

Não queremos aqui naturalmente rechaçar o lugar desta corrente preservacionista na vida pública. Mas chamar a atenção que hoje é revelador para nós a importância do surgimento da Funarte no panorama da cultura brasileira. Se nós pensarmos, na fundação desta instituição, em 1975, veremos que ocorre uma grande virada cultural em conseqüência de uma redefinição do papel do Estado que aparece como força propulsora, como ponta de lança, de um novo espaço para a cultura. Contando com uma equipe jovem, recrutada, sobretudo, nas áreas de artes, direito, sociologia e jornalismo, a Funarte desde o início tornou-se um experimento institucional inovador nos marcos da política cultural do regime militar, em tempos de abertura.  O sentido de sua existência estava calcado nos interesses e necessidades dos próprios artistas.

 

Toda sua história, enquanto instituição autônoma, desde o ano de criação até o desmonte efetuado pelo governo Collor em 1990, foi marcada por um efetivo estímulo à cultura brasileira em virtude das práticas desencadeadas pelos diversos projetos desenvolvidos pela instituição.  Tempos bons, aqueles, em que o poder público se fazia mais presente, não somente pelos aportes financeiros provenientes de várias instâncias da administração governamental, como também por uma atuação mais criteriosa respaldada pela elaboração de um amplo diagnóstico das ações culturais coordenado pelo governo federal, extensivo aos estados e municípios. Havia também uma permanente reflexão sobre a atuação da Funarte, empreendida tanto pelos próprios técnicos da instituição como por consultores contratados, que em conjunto avaliavam o cumprimento das metas propostas pelos diversos projetos, através da criação e atualização permanente de um banco de dados.

 

Só para não ficar apenas nas palavras, valeria relembrar alguns exemplos de projetos antológicos criados e executados pela Funarte. Lembremos do Projeto Pixinguinha de música popular brasileira, do Projeto Bandas com a distribuição de instrumentos musicais pelo país, do Salão Nacional de Artes Plásticas, dos ciclos de conferência organizados pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas ou mesmo das inúmeras publicações editadas pela Funarte. Não bastasse isso, ela logrou consolidar a sua presença tentando preencher lacunas em setores de infra-estrutura da produção artística, como a fabricação de instrumentos musicais, a reedição de partituras, a montagem de circuitos dinâmicos de difusão e incentivo de artistas iniciantes e consagrados. A excelência dos seus profissionais era também outro fator relevante. Muitos deles, entre tantos outros, se tornaram nomes emblemáticos em suas respectivas áreas de atuação. É o caso de Zeka Araújo, Pedro Afonso Vasquez, Glória Ferreira, Fernando Cochiaralli, Ana Miranda, Adauto Novaes, Hermínio Bello de Carvalho, Paulo Sérgio Duarte e Paulo Herkenhoff, que em recente palestra reconhecia que a Funarte foi a célula mater de sua trajetória.

 

Mas nesta breve narrativa histórica, é preciso retomar a análise da fotografia e mais especificamente das Semanas Nacionais, o assunto principal de nossa palestra.  Sem deixar também de rememorar que não foram poucos os profissionais que colocaram a pedra angular para consolidar a estrutura de um programa ambicioso da fotografia dentro da Funarte. O ano era 1978. Nessa época, as funcionárias - Teresa Walcacer, Ana Lúcia Castilho e Nadja Peregrino - articulavam - com os fotógrafos Zeka Araújo e Sérgio Sbragia - o eixo conceitual para a implantação de uma galeria destinada à fotografia. Uma iniciativa, aliás, demasiado importante já que os museus e galerias raramente abriam espaço para a fotografia como meio de expressão.  A circulação da imagem, num âmbito público, se dava principalmente através da mídia impressa e eletrônica, onde a fotografia aparecia como argumento narrativo e interpretativo dos fenômenos culturais, sociais e políticos.

 

O que nós queremos dizer, então, é que com a implantação da Galeria de Fotografia da Funarte, no ano seguinte, mais precisamente em agosto de 1979 abriu-se uma grande brecha numa janela fechada, por onde um sopro renovador pode circular com maior intensidade.  A partir daquele momento, a fotografia alcança outro patamar, onde a poética dos fotógrafos ganha uma visibilidade pública até então rara. É nesta época que foi publicada a pesquisa Origens e Expansão da Fotografia no Brasil do historiador paulista Boris Kossoy, que desvelava o pioneirismo de Hercule Florence, em 1833, como inventor da fotografia no Brasil. Seguindo esta linha do tempo, aqui já é preciso falar na criação do criação do Instituto Nacional de Fotografia em 1984, na gestão do fotógrafo-pesquisador carioca Pedro Afonso Vasquez, que permaneceu na Funarte no período entre 1982 a 1986, que surgia como fruto do crescimento das atividades do Núcleo de Fotografia. 

 

Diversos projetos foram criados por conta da inserção mais efetiva da fotografia no âmbito da instituição. Um marco importante foi a realização da mostra O Retrato Brasileiro, fotografias da coleção Francisco Rodrigues (1840-1920) que, além de apresentar as primeiras técnicas fotográficas, mostravam a fotografia como embalsamamento do tempo em torno dos álbuns familiares. Outras pesquisas históricas realizadas trouxeram à tona movimentos estéticos marcantes para a fotografia brasileira. Melhor dizendo, é interessante, por exemplo, relacionar a mostra de Hermínia Nogueira Borges com o movimento pictorialista no Brasil, alvo posterior da pesquisa de Maria Thereza Bandeira de Melo, que a própria Funarte publicou através de sua coleção Luz e Reflexão.  Ou, ainda, a exposição de José Oiticica Filho, cuja pesquisa foi realizada por mim e Evandro Ouriques, abrindo caminhos para uma investigação mais ampla sobre a fotografia moderna no Brasil.

 

De repente também nos demos conta de que era preciso dar um passo maior em direção a um eixo de atuação mais expandido. Quando pensamos nisso logo nos vem à mente a criação do Centro de Conservação e Preservação de Fotografia da Funarte, localizado no aprazível bairro de Santa Teresa, que mantém até hoje contatos com instituições, não só do Brasil como da América Latina, fazendo um trabalho exemplar no treinamento de profissionais para a conservação dos acervos e atuando para a restauração de bens culturais através de parcerias com instituições públicas e privadas.

 

No curso deste desenvolvimento, a descentralização das atividades do INFoto foi importantíssima para consolidar uma política nacional de fotografia. Vejamos alguns exemplos. A partir da convocatória de portfólios organizamos uma série de mostras coletivas integradas por fotógrafos praticamente de todo o país, democratizando o acesso a nossa Galeria de Fotografia. Outras exposições, como as mostras regionais, células germinativas de uma ação mais vertical, serviram para mapear mais especificamente uma parcela de produção fotográfica brasileira bastante ligada à fotografia documental.  Havia, ainda, o programa permanente de mostras fotográficas itinerantes que promoviam a circulação da fotografia brasileira e abriam canais de diálogos para a conquista de espaço para a fotografia em galerias e museus que, naquele momento, ainda estavam voltados, quase que exclusivamente, para as artes plásticas. E ainda, o financiamento de projetos fotográficos regionais, através da Assessoria Técnica da Funarte, que acabam por completar este panorama. 

 

É nesse cenário que chamamos atenção para a publicação Feito na América Latina, editado pelo INFoto em 1987, que traduzia o comprometimento ideológico, que regia a fotografia documental latinoamericana, como também para a exposição Fotografia Contemporânea no Pará, novas visões, produzida em 1998, resultante da parceria institucional entre a Funarte e o Centro de Artes UFF. Trago estas experiências para vocês, porque acho que a produção deste grupo de fotógrafos paraenses, diferentemente do que foi apresentado no Colóquio Latino Americano, tem uma ligação direta com uma dimensão psíquica, de viés ontológico, alinhando-se às linguagens híbridas, pelas quais a fotografia se mescla com outros meios expressivos da arte contemporânea. A foto da capa do catálogo, produzida por Orlando Maneschy, expressa bem esta mistura porque envolve a solarização, o suporte da estrutura de ferro, a questão da identidade transformada pela passagem do tempo.

 

Tudo isso, porém, tenho certeza só foi realizado porque lutávamos com paixão pela fotografia brasileira. Aqui é preciso lembrar do fotógrafo carioca Walter Firmo que assumiu como novo diretor, após a gestão de Pedro Vasquez, atuando no período entre 1986 a 1990. Coube a curadora e pesquisadora Ângela Magalhães, aqui ao meu lado, reerguer o barco afundado com os desmandos do presidente Fernando Collor e as transformações efetuadas na área da cultura nos governos seguintes, de Fernando Henrique e Luis Inácio Lula da Silva. Não foi nada fácil. A equipe foi desarticulada e Ângela ficou completamente só para tocar os projetos já existentes, entre eles, o Premio Marc Ferrez e a coleção Luz e Reflexão já iniciada que ganhou um impulso incomum com diversos livros publicados pela Funarte. Um fato relevante foi a criação do Premio Nacional de Fotografia que contemplou em quatro edições fotógrafos e pesquisadores, entre eles, João Roberto Ripper, Gilberto Ferrez, Rogério Reis e Eustáquio Neves. Durante treze anos, entre 1990 e 2003, dois profissionais se agregaram ao projeto de fotografia da Funarte, Glícia Pereira e José Augusto Menezes, o que permitiu dar continuidade às ações culturais. Quando Ângela deixou a Funarte, a fotografia seria incorporada ao Departamento de Artes Visuais da Funarte, perdendo um assento próprio conquistado com muito empenho por uma equipe de sonhadores.

 

Muito obrigada,

 

Reconhecida essa trajetória, podemos agora nos perguntar: Como os efeitos desta atuação da Funarte se consubstanciaram no projeto das Semanas Nacionais de Fotografia entre 1982 e 1989? Como este episódio, que é lembrado com tanta paixão pelos fotógrafos veteranos de nosso país e da América Latina, pode ter sido tão marcante dentro do panorama fotográfico brasileiro? De que forma se dava seu planejamento para dinamizar as aspirações do Infoto em termos de uma política nacional de atuação ?

 

No balanço que fazemos deste projeto, podemos dizer que a primeira semana, realizada no Rio de Janeiro, em 1982, funcionou mais como um encontro local,  contando com a participação de fotógrafos, de diversas capitais brasileiras. Bené Fonteles (MT), Claudio Versiani (MG), José Albano (CE), Gustavo Moura (PB), Luiz Carlos Felizardo (RS), Milton Guran (DF), Nair Benedicto (SP), Orlando Azevedo (PR), Valdir Afonso (PE) e por último Pedro Vasquez(diretor do então Núcleo de Fotografia da Funarte, situado no Rio de Janeiro. Durante uma semana, estes fotógrafos estiveram reunidos para falar sobre aspectos peculiares da fotografia em seus respectivos estados. Na verdade, este encontro já refletia nossa preocupação em imprimir uma dinâmica de trabalho descentralizada do eixo Rio-São Paulo, marcando singularmente  os caminhos pelos quais se delinearam as ações culturais da Funarte em todo o território nacional.

 

É importante destacar, então, que a I Semana já mostrava que vinha para cumprir uma etapa fundamental para a fotografia brasileira. Sob uma perspectiva política, a I Semana foi o ponta-pé inicial para construir uma rede de relações que a Funarte necessitava para tecer com maior segurança uma política nacional para a área de fotografia. A gestação de um sistema de referências aparece como saldo principal desse primeiro encontro. Assim, a carta da I Semana de Fotografia do Infoto, redigida pela comissão organizadora, concluía, entre outras coisas, pela necessidade de divulgação do decreto-lei 5.988, que dispõe sobre direitos autorais; pelo respeito ao crédito obrigatório em toda e qualquer foto publicada; pela formação da Associação de Titulares de Direitos Autorais de Fotografia, para controle e arrecadação dos direitos autorais; implantação de uma política nacional de preservação da memória fotográfica; descentralização da atuação do Núcleo de Fotografia com o apoio sistemático do poder público à produção fotográfica nacional.

 

Assim, a II Semana Nacional de Fotografia, realizada em 1983, em Brasília, já encampava a idéia da itinerância de seu programa, avançando célere numa perspectiva de mapeamento das questões regionais.  Com esse desenraizamento de seu lugar de origem, pode-se democratizar o acesso de um público mais amplo, dando visibilidade às questões do meio fotográfico, até então pouco assistidas pelas instituições locais.   O circuito das SNF contemplou, nos anos seguintes, as regiões norte, nordeste, sul e sudeste, como vemos aqui neste quadro de referências.

 

(SEMANAS NACIONAIS DE FOTOGRAFIA: I SEMANA - Brasília (1983); II SEMANA - Fortaleza (1984); III SEMANA - Belém (1985); IV SEMANA - Curitiba (1986); V SEMANA - Ouro Preto (1987); VI SEMANA - Rio de Janeiro (1988) e VII SEMANA - Campinas (1989).

 

Há uma idéia bastante interessante de Deleuze e Felix Guatari sobre a noção de mobilidade, quando eles falam que ao repetir um determinado movimento em espaços diferentes, mergulhamos num processo que é dinâmico, onde as relações sociais são continuamente reconstruídas. Isso significa dizer que o projeto da Semana Nacional, antes de ser fixo, foi articulado nesta mobilidade. Ou melhor, passou a ser um agente de congregação contínua dos fotógrafos que percorreram um conjunto de lugares conectados a uma rede diferenciada de itinerários. Quem viaja tem muito a contar. E os nosso fotógrafos iam de uma ponta a outra do Brasil para realizar uma verdadeira imersão na fotografia brasileira, inaugurando novas redes de relacionamentos que até hoje rendem frutos, também, para a área cultural.

 

Não era estranho que isso acontecesse porque na Semana Nacional existia um constante diálogo entre os fotógrafos veteranos e iniciantes.  Se por um lado havia um programa formal, integrado por palestras, oficinas e exposições, que buscavam minimizar a carência de formação, por outro existia a possibilidade de um encontro mais informal que se coloca, para usar a expressão de Deleuze, como um rizoma brotando em qualquer lugar sem hierarquia. Havia um desdobramento, quase impossível de se computar, pelos contatos que eram feitos, pelas relações afetivas que iam sendo construídas, por um espaço de convivência não controlado, não hierarquizado, descontínuo. A Funarte de um lado e os fotógrafos do outro compartilham a Semana Nacional numa perspectiva exemplarmente integradora.

 

Do ponto de vista funcional, havia um programa multidisciplinar, como podemos ver neste quadro das Semanas, que buscava minimizar a carência de um ensino formal. Os anos 80 eram áridos em termos da aquisição de uma cultura visual na área de fotografia. Antes mesmo desta época porque, como sabemos, ao contrário do cinema, que desde sempre contou com um discurso teórico e crítico, a fotografia, condenada por Baudelaire no século XIX a ser tão somente a humilde serva das artes e da ciência, só viria a ser contemplada como objeto teórico em 1931, nos textos de Walter Benjamim. Nesse momento, Benjamim partiu das condições produzidas pela reprodutibilidade técnica e pela defecção da aura para pensar a cultura moderna. À sua reflexão não se deu continuidade como se daquele momento em diante nada mais se pudesse falar sobre a fotografia. Um intervalo que só vai ser interrompido em 1974, com o aparecimento de publicações como A fotografia como documento social, de Gisèle Freund ; o livro Sobre fotografia, uma compilação de textos publicados em 1978 pela ensaísta Susan Sontag. A estes vieram se somar Roland Barthes, Vilém Flussler, Rosalind Krauss, e Philippe Dubois que de uma forma ou de outra colocam em pauta a fotografia como índice, como vestígio, como traço do real.

 

Uma análise mais específica em torno dessas questões pode ser vista a partir deste levantamento de dados.

 

II SEMANA NACIONAL DA FOTOGRAFIA

Local:  Brasília/DF(agosto), 1983

Curadoria e coordenação: Angela Magalhães / Nadja Fonsêca Peregrino

 

nºde palestrantes: 19

nºde palestras: 5

nºde exposições: 12

nºde projeções de filmes: 1

 

·         Palestras

 

      “O profissional da fotografia no Brasil hoje e o mercado de trabalho de trabalho”:  Ricardo Malta, João Roberto Ripper, André Dusek, deputado Adhemar Ghisi;

      “Fotografianas regiões”: Beatriz Dantas, Aristides Alves, Manoel Novais, Gentil Barreira, Patrick Pardini;

      “Antropologia visual - Recursos audiovisuais em tecnologia”: Jesco Von Puttkaner, Altair Sales Barbosa - Dir.  Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia, Pedro Jorge - Prof.  Cinema e TV UNB;

      “A permanência dos materiais fotográficos”: João Sócrates e Sérgio Burgi, técnicos em preservação    e

      “Ensino da fotografia”: Claudio Feijó, Luiza Venturelli, Patrícia Canetti, Ricardo Holanda, Rosary Esteves

 

 

·         Oficinas

 

      “Fotojornalismo”: Luiza Venturelli e Milton Guran

 

 

·         Exposições

 

      “Beyond the flag”: Beatriz Schiller

      “O fundo neutro e meus personagens”: Mario Cravo Neto

      “Tempostal”: coleção Antonio Marcelino/Salvador Bahia

      “Sebastião Salgado -  Fotografias”

      “Via sacra: Juazeiro”: Joaquim Paiva

      “Outdoor Mulher”: Carlos Fadon Vicente

      “Mostra de fotografias dos estudantes de  Comunicação Social do Rio de Janeiro”

      “Mostra de fotografias dos estudantes de  Comunicação Social da Universidade  Católica de Goiás”

      “Mostra de fotografias dos estudantes de  Comunicação da UNB”

      “Fotografia sem  Câmara”: Regina Alvarez

      “V Documento do Centro-Oeste, I Foto Centro-Oeste”

      “Fotografias de Luiza Venturelli e André  Dusek”

 

·         Projeção de filme

 

      “REPORTERS”: Raymond Depardon

 

 

 

III SEMANA NACIONAL DA FOTOGRAFIA

Local: Fortaleza/CE (agosto), 1984

Curadoria e coordenação: Angela Magalhães / Nadja Fonsêca Peregrino

 

nºde palestras: 6

nºde palestrantes: 8

nºde exposições: 11

nºde oficinas: 2

nºde coordenadores de oficinas: 3

 

 

·         Palestras

 

 “Ensaio no tempo”: Walter Firmo;

      “Fotografia: Universo & Arrabaldes”: Luís Humberto;

      “A  preservação da produção fotográfica contemporânea”: Sérgio Burgi;

      “O mercado de trabalho e o direito autoral”: Capibaribe Neto, Gentil Barreira e João Roberto Ripper;

      “A Ilusão Especular”: Arlindo Machado   e

      “Fotografia em  Publicidade”: Chico Alburquerque

 

·         Oficinas

 

      “ Linguagem  Fotográfica”: Antonio Augusto Fontes e Walter Firmo

      “Publicidade”: Chico Albuquerque

 

·         Exposições

 

      “I FotoSul” (série das mostras regionais)

      “I  Foto Centro-Oeste” (série das mostras regionais)

      “Portugal, herança  de uma revolução”: Felipe Taborda

      “Intuições  em preto e branco””: Antonio Augusto Fontes e Américo Vermelho

      “São Paulo , gigante intimista”: coletiva organizada pelo Centro Cultural São Paulo

      “Ensaio no tempo “: Walter Firmo

      “O retrato brasileiro”: coleção Francisco Rodrigues/Fundação Joaquim Nabuco-Recife-PE/FUNARTE

      “Nosso  Trabalho”: fotografia profissional cearense

      “1ª.  Mostra de Reporteres Fotográficos do  Nordeste”

      “Ricardo Malta”

 

·         Mostra de Audiovisuais e Portfólios

 

 

 

IV SEMANA NACIONAL DA FOTOGRAFIA

Local: Belém/PA ( 21 a 25 de outubro), 1985

Curadoria e coordenação: Angela Magalhães / Nadja Fonsêca Peregrino

 

nºde palestras: 3

nºde palestrantes: 6

nºde coordenadores de oficinas: 6

nºde oficinas: 3

nºde exposições: 14

 

 

·         Palestras

 

      “A função social da fotografia”: Mauricio Lissovsky e Luiza Venturelli

      “Aspectos da  linguagem fotográfica”: Alair Gomes e Cristiano Mascaro

      “Fotografia brasileira  contemporânea”: Joaquim Paiva e Pedro Vasquez

 

·         Oficinas

 

     “Vivendo  as  imagens”: Claudio Feijó, Miguel Chikaoka e Rino Marconi

      “Como organizar um portfólio “: Rosely Nakagawa e João Farkas

      “Processamento em PB de cópias fotográficas de longa permanência”: Guilherme Fracornel

 

·         Exposições

 

      “Photografia  Fidanza”

      “BH, 24 Horas “: coletiva

      “I FotoNordeste”

      “Fotografismo”: coletiva

      “Leopoldo Plentz Fotografias”

      “Mostra Paulistas”: coletiva

      “Espaço Livre Programado”: coletiva

      “Coletiva de fotógrafos do  Pará”

      “Momento Sucessório Brasileiro”: coletiva

      “Fotovaral”: coletiva

 

 

     Mostra de Audiovisuais e Portfólios

 

 

 

V SEMANA NACIONAL DA FOTOGRAFIA

Local: Curitiba/PR (agosto), 1986

Curadoria e coordenação: Angela Magalhães / Nadja Fonsêca Peregrino

 

nºde palestras: 6

nºde palestrantes: 11

nºde oficinas: 4

nºde exposições: 26

nºde coordenadores de oficinas: 7

 

 

·      Palestras

 

     “Projeção e comentário de imagens de fotógrafos latino-americanos”: Charles Merewether

     “Fotografia Brasileira Contemporânea”: Joaquim Paiva e Bóris Kossoy

     “Noite  Visual”

     “A defasagem tecnológica como empecilho à criação fotográfica no 3° mundo”: Antonio Augusto Fontes, Cândido José Mendes, Mário Cardoso e Carmem Vargas - INFoto

     “A fotografia e o direito autoral, uma perspectiva atual”: Hildebrando Pontes Neto

     “O HAI-KAI e a fotografia”: Paulo Leminski

 

·      Oficinas

 

     “A procura da imagem, a procura da palavra”: Stefânia Bril

     “Composição em fotografia”: Ivan Lima

     “Foto-acabamento em  PxB - processamento em PxB para longa permanência da imagem fotográfica”: Guilherme Fracornel e Leopoldo Plentz

     “Leitura crítica da imagem”: Ivan Lima, Stefânia Bril e Bóris Kossoy

 

·      Exposições

 

     “A guerra do  Contestado”

     “Pequena mostra histórica do  Teatro  Guaíra”

     “CHARGESHEIMER 1924/1972”

     “Direitos Humanos”

     “Doze fotógrafos Poblanos”

     “Ensaios de  Helmut Wagner”

     “Fitas e bandeiras  Venske”:  Orlando Azevedo

     “Fotografia Argentina Contemporânea”

     “Fotografia Contemporânea do Rio Grande do Sul”

     “Fotógrafos  Pioneiros do Paraná”

     “Genêsis”: Carlos Alberto Fontelles

     “Interiores e não esqueça de levar o mapa”:  Instalações de Rochelle Costi

     “Imagens de nossa ilha”

     “Luiz Carlos Felizardo - Fotografias recentes”

     “LUNARA AMADOR 1900″

     “Mostra de alunos da  Faculdade de  Arquitetura da Universidade Federal do Paraná”

     “Romeiros de Juazeiro do Norte”:   Celso Oliveira e Gustavo Moura

     “Sul do Brasil - Caleidoscópio de imagens”:  Augusto Cury, Carlos A.  J.  Pereira e Paulo Fontes

     “VII Mostra de Fotojornalismo do Paraná- I Mostra de  Fotografia Contemporânea do Paraná”

     “Multivisões”: Bolsistas do Prêmio Marc Ferrez

     “Registros Pictográficos nos presídios de Curitiba”

     “Retrospectiva do Fotoclube do Paraná”

     “Cuba, imagens da história”: Fotografias do cubano Raul Corrales produzidas no período de 1946 a 1982

     “Meninos sem terra”:  Alberto Viana produzidas no período de 1985/1986

     “5 Câmeras contam coisas”:  João Urban, Márcio Santos, Nego Miranda, Vilma Slomp e Sig

     “Política  1985”:  Campanha para a  Prefeitura de Curitiba

 

 

 

VI SEMANA NACIONAL DA FOTOGRAFIA

Local: Ouro Preto/MG (agosto, 1987)

Curadoria e coordenação: Angela Magalhães / Nadja Fonsêca Peregrino

 

·      nºde palestras: 4

·      nºde palestrantes: 8

·      nºde oficinas: 15

·      nºde exposições: 7

·      nºde coordenadores de oficinas: 16

 

·      Palestras

 

     “A influência e a utilização da fotografia em outras formas de expressão artística”: George Helt, Iole de Freitas e Rafael França

     “Noite  Visual”: apresentação de portfólios

     “A teoria e a prática fotográfica”: Cristiano Mascaro e Juan Carlos Aramayo

     “Por uma reflexão em torno da fotografia latino-americana”: Diane Mines (Uruguai), Eduardo Gil (Argentina) e Pedro Meyer (México)

     “A reprodução fotográfica da obra  de arte”: Beto Felício

     “A técnica como linguagem”: Luiz Carlos Felizardo

     “A fotografia e o cinema”: José Medeiros e Walter Carvalho

     “A fotografia em  preto e branco”: Leopoldo Plentz

     “Como arquivar e catalogar fotografias”: Cássia Maria Mello de Silva

     “Como organizar um portfólio”: Rosely Nakagawa

     “Fotografia e edição”: Sérgio Zalis

     “Fotografia de rua, o ato de fotografar”: Carlos Moreira

     “Leitura crítica da imagem”: David Zingg, José Albans, Luis Humberto e Walter Firmo

     “Oficina de retoque”: José Albano

     “Oficina da caixa mágica”: Beatriz Dantas e Luiz Felipe Cabral

     “Processos alternativos dentro da fotografia”: Marcelo Kraiser

     “Vivenciando as imagens fotográficas”: Cláudio Feijó

 

·      Oficinas (FALTA)

 

     “A dança através da fotografia”: Emidio Luisi

     “A fotografia como mídia impressa em capas de disco”: Felipe Taborda

     “Imagens de Ouro Preto nas décadas de 20 a 50”:  Luis Fontana

     “José  Medeiros- 50 anos de fotografia”

     “A imagem do corpo nú”: coletiva

     “Aspectos da fotografia brasileira no século XIX”: coletiva de fotográfos do século passado

 

·      Exposições

 

     “Coletiva de fotógrafos capixabas”

     “Viver a Amazônia  - I FotoNorte”: coletiva

     “Coletiva de  fotógrafos mineiros”

     “Fotografia uruguaia hoje”: coletiva

     “Coletiva de fotógrafos argentinos”

     “Foto-grafia, Artes Plásticas, imagem, suporte.  As  Artes Plásticas contribuem para a fotografia, ou  a fotografia contribui para as  Artes Plásticas? “: resultante de projeto de pesquisa de Berenice Toledo e Bernardo Caro

     “Setenta impressões de  Cuba”: sete fotógrafos cubanos

     “Retratos”: Milton Ellena Trópia

     “Uma sensação do impossível”: seis fotógrafos mexicanos

     “História em preto e branco, imagens de uma época - Sul de Minas - 1870/1930”: imagens de pesquisa de acervo

     “Encerramento da  VI Semana Nacional da  Fotografia”: projeção de audiovisuais, avaliação do ENCONTRO e apresentação de carta de recomendação dos fotógrafos reunidos

 

·      Lançamento de livros

 

     “Feito na América Latina”: textos de destacados fotógrafos latino-americanos

     “Notas” :Stefânia Bril, editora Prêmio Editorial

     “I FotoNorte - Viver a Amazônia”: catálogo da exposição montada simultaneamente na VI SNF, editado pela FUNARTE

 

·      Mostra de audiovisuais (Organização Rubinho Chaves)

 

     “Projeção de slides em bares e restaurantes”: Organização de Francisco da Costa e Juliano Serra

 

 

 

VII SEMANA NACIONAL DA FOTOGRAFIA – PUC

Local: Rio de Janeiro/RJ ( novembro), 1988

Curadoria e coordenação:

 

nºde palestras: 3

nºde palestrantes: 3

nºde oficinas: 13

nºde exposições: 7

nºde coordenadores de oficinas: 16

 

·      Palestras

 

     “O vídeo - impacto da imagem eletrônica”: Arlindo Machado, Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP

     “A holografia”: Eduardo Kac, artista holográfico que criou, em 1983, a holopoesia

     “A computação gráfica”: Ormeo Botelho, começou sua carreira como fotógrafo profissional

 

·      Oficinas

 

     “A fotografia  independente”: Rogério Reis

     “A fotografia como mídia impressa em capa de disco”: Felipe Taborda

     “A conservação e  preservação fotográfica”: Sérgio Burgi e Sandra Baruki

     “Descondicionamento do olhar - uma oficina de linguagem fotográfica”: Cláudio Feijó

     “Fotografia de moda”: Cláudia Jaguaribe

     “Fotografia e edição”:Sérgio Zalis

     “Fotografia e história:  Fotobiografia do mundo”: Maurício Lissovski

     “História da fotografia no Brasil”: Rubens Fernandes Jr.

     “Imagens intemporais: interpretação e registro”: Claus Meyer

     “Leitura crítica de imagens”: Walter Firmo, Evandro Teixeira e Luiz Braga

     “Leitura crítica de imagens”: Ricardo Chaves, Rubens Fernandes Jr.  e Joaquim Paiva

     “Linguagem fotográfica”: Clóvis Loureiro

    “Processamento fotográfico para a permanência da imagem”:Guilherme Fracornel

    “Linguagem e edição da fotografia em cor”: Pedro Lobo

 

·      Exposições

 

     “Sebastião Salgado - Sahel, o homem em abandono”

  “Fotógrafos peruanos -  Um panorama da produção fotográfica desenvolvida    atualmente no Peru”

     “Holofractal - Exposição de holografia digital ou computação gráfica”: Eduardo Kac e Ormeo Botelho

     “O negro - um século no cartão postal - Postais de diversas coleções particulares, abordando a presença do negro no cartão postal, no período de 1888-1988”

     “Imagens da  criança brasileira”

     “O panorama da coleção de fotografia do MAM-RJ”

     “Angola, maio de 1988”

 

·      Projeção de audiovisuais (Organizador Rubens Chaves)

 

·      Projeção de vídeos

 

·      Projeção de cromos (Organizador Wilson da Costa)

 

·      Visitas programadas

 

  “Centro de Preservação e  Conservação da Fotografia/PROPRESERV/INFoto/

  FUNARTE”

  “Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/ Departamento Fotográfico”

  “Visitas guiadas às exposições da VII Semana com o fotógrafo Joaquim Paiva”

 

 

 

VIII SEMANA NACIONAL DA FOTOGRAFIA

Local: Campinas/SP (novembro), 1989

Curadoria e coordenação: Angela Magalhães / Nadja Fonsêca Peregrino

 

nºde palestras: 2

nºde palestrantes: 2

nºde oficinas: 14

nºde coordenadores de oficinas: 19

nºde exposições: 10

nºde mesas redondas: 5

nºde projeções: 4

lançamento de livros: 3

 

 

·      Palestras:

 

     “Hércules Florence: o inventor no exílio”:  Boris Kossoy

     “Preservação de acervos fotográficos”:  Sérgio Burgi

     “Procedimentos preliminares para organização de um acervo”: Cássia Maria Mello da Silva

 

·      Oficinas:

 

     “A fotografia dentro da história da arte”: Annateresa Fabris

     “A fotografia e a pequena história de  Walter Benjamin”: Maurício Lissovsky

     “Fotografia e expressão pessoal”: Luís Humberto M.Pereira

     “Fotografia de rua - o ato de fotografar”: Milton Guran

     “Fotografia a cores”: Pedro Lobo

     “Laboratório preto e branco”: Francisco da Costa

     “Iluminação da fotografia publicitária”: Mário Espinosa

     “Fotografia sem câmera”: Regina Alvarez

     “Holografia”: José Joaquim Lunazzi

     “Antropologia visual”: Hélio Lemos Sôlha

     “Imagem digitalizada”: Marcelo Costa

     “Introdução prática de vídeo”: Equipe técnica do Centro de Comunicação da Unicamp, sob a responsabilidade de Donato Pasqual Júnior

     “Leitura crítica de imagens”: José Roberto Ripper, Luís Humberto, Milton Guran e Walter Firmo

     “Relato e troca de experiência”: Cláudio Feijó, José Roberto Ripper e Walter Firmo

 

·      Mesas Redondas:

 

   O uso da imagem como instrumento de pesquisa na Universidade

  

  -  Desenvolvimento científico da imagem: Marcelo Costa Souza

  - Tridimensionalidade na imagem: José Joaquim Lunazzi

 -  Fotografia enquanto análise antropológica: Etienne Samain

 -  A utilização da iconografia na pesquisa histórica: Hermelindo Tadeu Giglio

 

·      Exposições:

 

 

     “Brasil, cenários e personagens”: coletiva/84 imagens de 57 fotógrafos

     “Origens e expansão da fotografia no século XIX”: imagens de acervo

     “Evolução do equipamento fotográfico”: MIS/Campinas

     “Hércules Florence (1824-1879): a fixação de uma imagem”: MIS/Campinas

     “Juntos para sempre: fotos de turma”: Centro de Memória da Unicamp

     “São Paulo em cartões postais”: Arquivo Edgard Leuenroth/Unicamp

     “Iochin”: Milton Guran

     “Mecânica do desejo”: Antônio Saggese

     “Luminescência”: Pedro Vasquez

     “Imagem por holografia”: José Joaquim Lunazzi

 

·      Projeções:

 

     “Cromo Clip”: Wilson da Costa

     “Rio de Memórias”:  filme de José Inácio Parente

     “150 Anos da Fotografia”: vídeo, realização da Globosat

     “30 Fotógrafos Brasileiros”: vídeo de Sílvio Tendler

 

·      Lançamento de Livros:

 

     “Olhares Refletidos”: Joaquim Paiva, Agil/Dazibao

     “Cores do Brasil”: coletânea de fotógrafos, Sver & Boccato Editores

     “Brasil, Retratos e Tradição”: coletânea de fotógrafos, Sver & Boccato Editores

 

É interessante, também, tentar compreender como se dava a construção desta extensa programação. Sabemos que num país de dimensões continentais como o Brasil, todo planejamento cultural de caráter abrangente se reveste das maiores dificuldades pela falta de recursos básicos e, principalmente, pela diversidade de formas de atuação que podem orientar uma ação pioneira. É preciso lembrar que na década de 1980, não havia ainda, essa rede virtual disponibilizada pela Internet que acabou por diluir as fronteiras, ampliando ao infinito a possibilidade de troca de informação. Naquela época, Nadja e eu percorremos praticamente todas as capitais do país. Por exemplo, quando elaborávamos a pré-programação da Semana na Região Norte, em Belém do Pará, por exemplo, tivemos a preocupação de ir até Manaus, Rio Branco, Amapá, Boa Vista, para conhecer a fotografia no próprio lugar onde os fotógrafos atuavam. Promovíamos reuniões, visitávamos instituições e discutíamos as idéias propostas que eram levadas como sugestões para a elaboração do programa final daquela Semana. De posse destas informações, podíamos construir um projeto mais sintonizado com as reivindicações e sugestões das comunidades fotográficas locais.

 

Por outro lado, o próprio projeto serviu de guia para a realização de outros Encontros de Fotografia, capitaneados, agora, por diversos produtores culturais, não necessariamente ligados às instituições governamentais. Podemos dar como exemplo os encontros realizados pelo Nafoto, nos anos de 1990, as Bienais de Curitiba, o Foto-Arte em Brasília, o Devercidade de Fortaleza, entre outros encontros. Cabe aqui fazer uma menção especial ao FotoRio que, em sua quarta edição, tornou-se um projeto de importância incontestável para a fotografia brasileira. Ao lançar as pontes para um contato mais estreito com a produção visual francesa, descortinou também caminhos para a fotografia brasileira no exterior.  Quase como uma continuação do projeto pioneiro de nossa saudosa Stefania Bril, que realizou nos anos de 1978 e 1979, os encontros fotográficos de Campos do Jordão, em São Paulo, inspirados nos encontros fotográficos de Arles, na França. Pela falta de apoio da iniciativa privada, felizmente, a Funarte ocupou este espaço com o projeto das Semanas Nacionais de Fotografia, que hoje faz história, por ter se tornado uma experiência revolucionária.

 

Ao chegar ao fim deste relato não se pode deixar de saudar a visibilidade conquistada pela fotografia brasileira nestas últimas décadas. Não sem esforço, inúmeros fotógrafos alcançaram reconhecimento no cenário nacional e internacional, resultado de uma caminhada iniciada em 1833, com Hercule Florence, e que vem sendo posta em marcha por várias gerações. A criação do Foto Rio faz parte desse processo de amadurecimento. E essa é uma história que continuará a ser passada a outras gerações de fotógrafos-artistas o que, portanto, nos cabe zelar por sua difusão e memória.    Muito obrigado,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De repente nos demos conta de que era preciso dar um passo maior em direção a um eixo de atuação mais expandido. Ao lado das exposições, os catálogos também davam visibilidade à rica produção dos fotógrafos pioneiros, como se vê na mostra O Retrato Brasileiro, fotografias da coleção Francisco Rodrigues (1840-1920) e na publicação da pesquisa do historiador paulista Boris Kossoy, apresentada no livro Origens e Expansão da Fotografia no Brasil que apontava para um programa mais amplo de atuação da Funarte nesta vertente histórica.  Surgia o Centro de Conservação e Preservação de Fotografia da Funarte, localizado no aprazível bairro de Santa Teresa, que mantém até hoje contatos com instituições, não só do Brasil como da América Latina, fazendo um trabalho exemplar no treinamento de profissionais para a conservação dos acervos e atuando para a restauração de bens culturais através de parcerias com instituições públicas e privadas.

 

Não podemos deixar também de lembrar que a descentralização das atividades do INFoto foram pontos importantes para consolidar uma política nacional de fotografia. Vejamos alguns exemplos. A partir da convocatória de portfólios organizamos uma série de mostras coletivas integradas por fotógrafos praticamente de todo o país, que democratizaram o acesso a Galeria. Outras exposições, como as mostras regionais, célula germinativa de uma ação mais vertical, serviram para mapear mais especificamente uma parcela de produção fotográfica brasileira bastante ligada à fotografia documental. Sem esquecermos, aqui também, da estratégia empreendida para promover a circulação da fotografia brasileira, que se apoiava no programa permanente de mostras fotográficas itinerantes. Estas visavam abrir canais de diálogos para a conquista de espaço para a fotografia em galerias e museus que, naquele momento, ainda estavam voltados, quase que exclusivamente, para as artes plásticas. Por último, o financiamento de projetos fotográficos regionais, através da Assessoria Técnica da Funarte, acabam por completar este panorama.  É nesse cenário que chamamos atenção para a publicação Feito na América Latina, editado pelo INFoto em 1987, que traduzia o comprometimento ideológico, que regia a fotografia documental latinoamericana, como também para a exposição Fotografia Contemporânea no Pará, novas visões, produzida em 1998, resultante da parceria institucional entre a Funarte e o Centro de Artes UFF. Trago estas experiências para vocês, porque acho que a produção deste grupo de fotógrafos paraenses, diferentemente do que foi apresentado no Colóquio Latino Americano, tem uma ligação direta com uma dimensão psíquica, de viés ontológico, alinhando-se às linguagens híbridas, pelas quais a fotografia se mescla com outros meios expressivos da arte contemporânea. A foto da capa do catálogo, produzida por Orlando Maneschy, expressa bem esta mistura  porque envolve a solarização, o suporte da estrutura de ferro,  a questão da identidade transformada pela passagem do tempo.

Robert Polidori

17 de julho de 2009 por Paulo Marcos

               Bob, como ele detesta ser chamado, não gosta de fotografias preto e brancas e nem de Cartier Bresson. Duas declarações raras de se ouvir mas que pareceram um pouco ensaiadas quanto ditas por Robert Polidori, este mês, na sua palestra no Instituto Moreira Salles. Mesmo assim causaram um leve frisson na plateia que lotou o teatro/cinema do instituto.  

             As suas fotos tratam do tempo, da passagem dele e de suas muitas camadas. Para que as camadas  se revelem, mesmo sem todas estarem na imagem, ele usa uma câmera de grande formato, faz várias exposições do mesmo ângulo com foco em diferentes lugares e depois sanduícha tudo com a ajuda do melhor amigo do homem-fotógrafo do século 21: o Photoshop. Com isso suas fotos ganham uma riqueza de detalhes impressionante. É como se pudéssemos ”sentir” as muitas… camadas que não vemos. As imagens pulsam e vibram como se por trás delas co-existissem fantasmas de diferentes épocas.  

 

           - Quando há mais detalhes, é como aquela velha frase: Não existe ficção mais estranha que a realidade. Realidade comporá os mais extremos paradoxos e contradições e adjacências, o que não pode ser entendido.

 

          O enquadramento é direto, frontal, sem angulações e firulas. O senso analítico das suas imagens vem das perspectivas da Renascença. O que interessa ao autor é mostrar todas as nuanças da cena e suas múltiplas verdades que se intercalam, interceptam e se superpõem. Capacidade negada à escrita.  

 

          - O posicionamento da câmera é a pergunta e a fotografia é a resposta.  O fotógrafo é uma testemunha que recebe e ordena. Numa mesma cena existem diferentes verdades.    

 

           Polidori já esteve no Brasil e ama o país e sua gente. Como muitos turistas acha que a principal característica dos brasileiros é sua alegria dançante. Pretende fotografar a favela da Rocinha, seus interiores, suas ruelas, seus becos. Talvez descubra por lá que por mais que se “descasque” a cena através de fotos de altíssima qualidade, composições renascentistas e luz natural, a realidade pode ser muito mais profunda que todas as camadas juntas. 

 

 

texto do folder da exposição: 

 

 Primeira retrospectiva de Polidori na América Latina

Robert Polidori não se interessa em registrar conflitos, como fazem os fotojornalistas, e sim as marcas deixadas por tragédias e desastres da história contemporânea. A maior parte de suas imagens exibe ambientes vazios, revirados ou parcialmente destruídos, que foram abandonados depois de um choque violento. Ele retrata também as consequências da pobreza, moradias e paisagens urbanas em diferentes partes do globo.

A exposição apresentada pelo Instituto Moreira Salles é a primeira retrospectiva de Robert Polidori na América Latina. Reúne seus principais ensaios: Beirute devastada pela guerra civil que atingiu o Líbano entre 1975 e 1990; a deterioração da suntuosa arquitetura de Havana; as cidades ucranianas de Chernobyl e Pripyat, fotografadas 15 anos após o acidente nuclear que as atingiu em 1986; Nova Orleans destruída pelo furacão Katrina, em 2005; a extensa série sobre as sucessivas restaurações do palácio de Versalhes, a qual o artista vem se dedicando há mais de 20 anos; além de cenários urbanos de Alexandria, no Egito, Varanasi, na Índia, e Amã, na Jordânia. Há também exemplos de um de seus primeiros ensaios, realizado em Nova York, em 1985, que registra interiores de apartamentos depredados. Foram danos causados por um tipo de vandalismo que então se tornava comum no Lower East Side: grupos de adolescentes invadiam e quebravam aposentos vazios de idosos que haviam acabado de morrer.

Em imagens de grandes dimensões, Robert Polidori nos mostra como o mundo devastado pode ser belo, sem, no entanto, deixar de causar um profundo mal-estar. Sua visão crítica da sociedade atual dificulta julgamentos históricos baseados em ideologias políticas, pois, em seu trabalho, diferentes tragédias ganham feições semelhantes: as ruínas de Beirute se parecem com as de Havana, as de Chernobyl com as de Nova Orleans.

A sequência sobre o palácio de Versalhes pode ser vista como uma peça-chave desse universo fotográfico. Ela desvenda os bastidores das reformas que desarrumam a impecável ordem do palácio.

Polidori conta que seu trabalho ganhou força na década de 1980, quando optou pelo uso de câmeras de grande formato, com filmes de até 20 x 25 cm, capazes de captar uma grande quantidade de informações visuais. Com esse recurso, aliado ao emprego da perspectiva renascentista e ao uso cuidadoso da luz natural, é capaz de gravar uma impressionante riqueza de detalhes. Ao afirmar o vínculo da fotografia com as aparências do mundo, sua obra caminha numa direção oposta às vertentes contemporâneas que investem na distorção de formas, na encenação ou na criação de imagens artificiais a partir de tecnologias digitais. No vasto e diversificado cenário da produção fotográfica atual, Polidori se alinha aos artistas que insistem em borrar as fronteiras entre a arte e a documentação, demonstrando que a discussão, em pauta desde a invenção da fotografia no século XIX, está longe de ser esgotada.

Com esta exposição, o IMS, cujo trabalho está voltado, sobretudo, para a preservação e a difusão de seu próprio acervo, abre espaço para o que há de mais relevante na fotografia contemporânea.

 

Instituto Moreira Salles

 
http://ims.uol.com.br/ims/    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Robert Polidori

Robert Polidori

 

 

 

 

 

 

  

 

Roberto Polidori

Robert Polidori

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

Roberto Polidori

Robert Polidori

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
foto de Paulo Jabur

foto de Paulo Jabur

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Grande FotoRio!

14 de julho de 2009 por Paulo Marcos

O FotoRio de 2009 começou em abril, mais cedo do que nas três edições anteriores, e irá até setembro. São muitas fotos, muitas exposições, muitos fotógrafos, muito museus, muitos locais expositivos, muito público… Grande FotoRio!

As 175 exposições, 70 locais expositivos entre museus, centro culturais, galerias e espaços alternativos, e quase 400 fotógrafos, fazem do FotoRio o maior evento deste tipo na América Latina. É virtualmente impossível não se encontrar alguma exposição de que se goste. Muito.

Milton Guran, idealizador e coordenador geral do FotoRio, destaca que este é um evento com forte influência dos que produzem: os fotógrafos.

_ É um movimento de adesão, ou seja, os fotógrafos apresentam espontaneamente suas propostas de exposição, instalação, oficina, mesa redonda ou seminário.

Esta grande diversidade torna o FotoRio um catalisador que estimula a exposição e discussão de todos os tipos de fotografia, da histórica à contemporânea.

 Visite o site  http://www.fotorio.fot.br/2009/

FotoRio : Kitty Paranaguá (Templo Aberto)

10 de julho de 2009 por Paulo Marcos

              

         Kitty está nesta praia de fotografia há muito tempo. Trabalhou no Jornal do Brasil por quatro anos. Quando saiu  começou a fotografar, principalmente, arquitetura e interiores. Têm fotos suas publicadas nas principais revistas de arquitetura do país. Sempre preocupada em desenvolver um trabalho autoral, Kitty tem se dedicado a fotografar a praia de Copacabana há alguns anos.

 

 Quando e porque você começou este ensaio?

 Kitty Paranaguá - Comecei há sete anos. Eu adoro caminhar e sinto necessidade de mergulhar. Acabo juntando o útil ao agradável.  Escolhi Copacabana porque é um lugar diversificado e democrático.

 

Qual a sua relação com Copacabana? 

KP- Tenho uma relação afetiva com esta praia. Nasci e morei lá algum tempo. Quando casei voltei a morar lá por um ano.

 

As suas fotos fogem totalmente das habitualmente associadas (coloridas, solares, cheias de gente) à praia de Copacabana. Isso foi intencional desde as primeiras fotos?

 KP - Não, este trabalho começou a partir de uma foto de um cachorro na calçada. Fui entrando devagar neste universo. Comecei fotografando a famosa paisagem, aos poucos fui estabelecendo um contato mais íntimo. Hoje o que tem me interessado é o que  estes personagens pensam suas idéias, seus vestígios, seus desejos, suas crenças.  

 

 Você tem fotografado há muitos anos interiores e arquitetura. Um tipo de fotografia bem diferente deste seu trabalho. Você vê alguma relação entre eles?

 KP - Acho que a fotografia de interiores é um bom exercício para  o olhar. Você aprende a olhar e recortar o espaço.

 

Não vemos pessoas nas fotos apesar de ser uma das mais populares praias cariocas. Temos a impressão que ela é toda sua. É um “Templo Aberto” particular?

 KP - As pessoas fazem parte deste ensaio. Hoje, como te falei, eu estou procurando os seus vestígios.

 

Você escreveu que fez este trabalhando em silêncio. Praia, a de Copacabana em especial, não é dos lugares mais silenciosos do mundo. Como foi isso? 

KP - Andar ao ar livre para mim é sinal de recolhimento e oração

 

A Praia de Copacabana das suas fotos é um pouco soturna. Parece ter mais a ver com a alma das pessoas que moram no bairro do que com que com a dos turistas que a visitam. É isso? 

KP - Eu não tenho nenhum preconceito em relação aos turistas, a foto é soturna em decorrência de algumas opções que fiz como fotografar bem cedo, quando os contrastes são muito grandes, o uso do filtro vermelho que vai realçar mais estes contrastes. Busco sempre uma valorização dos volumes e também devo ter uma parte da alma um  pouco sombria.

 

Na era da fotografia digital você optou por fotografar com filme PB e de alta sensibilidade. Por quê? 

KP - Comecei este trabalho há sete anos, como te falei, e na época não tinha nenhuma intimidade com a fotografia digital. Mas tenho certeza que se estivesse começando hoje, optaria pelo filme. Acho que a fotografia digital ainda não tem uma boa resolução nas altas luzes e esta situação está sempre presente nas minhas fotos hoje. Hoje desenvolvo um trabalho com esta dificuldade da digital. Me sinto também mais confortável em andar com uma velha Nikon do que com uma super máquina digital; os riscos são menores. E a escolha do filme de alta sensibilidade foi devido a pensar em fazer este ensaio também à noite o que acabou não ocorrendo, mas resolvi incorporar o grão ao trabalho.

 

Centro Cultural do Correios
Rua Visonde de Itaboraí 20
Centro - Rio de Janeiro
até 02ago2009

 Um evento FotoRio ( http://www.fotorio.fot.br/2009/ )

 

 

Texto de Pedro Afonso Vasquez para a exposição:

 

A PRAIA MÍTICA DE KITTY PARANAGUÁ

 

 Os fins de tarde sobre o mar e essa passagem do sol poente à noite são os únicos momentos em que sinto o coração um pouco descontraído. Terei sempre amado o mar. Ele terá sempre apaziguado tudo dentro de mim.

Albert Camus

A praia é tanto um acidente geográfico quanto um fenômeno cultural. Cada praia tem uma conformação geológica própria e uma aparência distintiva, caso seja protegida por uma enseada ou aberta para o oceano, caso seja de suave areia branca ou, ao contrário, escarpada e pedregosa. Da mesma forma que cada praia ¾ ou, no caso das grandes, cada parte da praia ¾ é dominada por uma tribo diferente: os surfistas, as famílias, as babás e as jovens mães, os jogadores de frescobol, de futebol, de futevôlei, de vôlei, de peteca, de bola pesada, os marombeiros, os maconheiros, os pagodeiros, os intelectuais, os mauricinhos e as patricinhas, os gays, os devotos de Iemanjá, os nudistas…

Existem praias chiques e exclusivas, como existem praias bregas e superlotadas. Existem praias jovens, coloridas e repletas de corpos esculturais, como existem as praias de areias medicinais, cheias de anciãos transformados em croquetes humanos dormitando ao sol como rechonchudos leões-marinhos reumáticos. Existem, enfim, tantas praias diferentes quanto múltipla foi a criatividade divina que as concebeu num único dia ou as forças dos ventos e das marés que as esculpiram no correr dos séculos. Assim como existem tantas praias diferentes quanto fértil é a imaginação humana na incansável renovação do uso destas franjas de terra acariciadas por águas que até o século XIX se acreditava serem infestadas pelos mais terríveis monstros marinhos.

Essa é a praia de todos. A praia vendida pelas agências de turismo, a praia do senso comum, a praia do erotismo a céu aberto e do congraçamento ¾ ou do estranhamento ¾ social. Mas existe outra praia subjacente a todas as outras: a praia dos místicos, dos poetas e dos artistas. A praia em que nos refugiamos para expandir nossa própria pequenez diante da contemplação do oceano sem fim e do céu inconsútil que se encontram naquele ponto inexistente mas aparentemente tão concreto: a linha do horizonte.

A areia da praia divide o mundo em dois. Na terra residem as incertezas, as angústias e as aflições. No mar, nas proximidades da linha do horizonte, tudo é ordem, paz e perene certeza. Ao passo que a areia é uma zona litigiosa, uma espécie de albergue espanhol onde cada qual encontra apenas aquilo que traz consigo e onde vê apenas aquilo que está preparado para ver.

Kitty Paranaguá foi sensível ao aspecto misterioso e transcendental da praia, da mais famosa e profana das praias, a de Copacabana, Meca de todos os engodos e de todos os vícios ¾ a praia na qual se derrubou a igreja consagrada à Nossa Senhora que lhe deu nome para se construir um forte em seu lugar… Mas também, dada sua natureza intrínseca de praia, um espaço reservado ao devaneio, à criatividade, à meditação e ao auto-esquecimento. A praia de Kitty Paranaguá não tem as cores berrantes dos cartões postais das meninas calipígeas ou das fotos de recordação, tem a densidade das praias inglesas de Bill Brandt, com um contraste que pode ser qualificado de expressionista e os vazios da tradicional arte zen. Vazios que devem ser habitados e preenchidos pela imaginação do observador, convidado a partilhar uma experiência criativa e não a ser mero sujeito passivo.

A Copacabana de Kitty Paranaguá não é a do mito profano, dos turistas sofrendo de excesso de testosterona ou de furor uterino, e dos criminosos do hemisfério norte que aspiram dar o último grande golpe antes de virem curtir a vida nesta que é a síntese perfeita de tudo aquilo ¾ de bom e de ruim ¾ que faz o Rio de Janeiro ser o que é. Ao focalizar a praia de Copacabana, Kitty Paranaguá foi além do mito para atingir a dimensão mítica, para ingressar num universo paralelo que escapa ao olhar trivial e dali nos trazer, consubstanciados pela fotografia, vislumbres desta outra dimensão. Essa nova série é a coroação de um trabalho exemplar que se desdobra por mais de década e meia, atestando a originalidade de seu talento e nos fazendo evocar a concepção de mar do Povo Kogui, habitante da região de Serra Nevada de Santa Marta, ao norte da Colômbia:

 

No início era o mar… tudo estava escuro.

Não havia sol, nem lua, nem gente, nem plantas.

O mar estava em toda parte.

O mar era a mãe:

o mar não era gente, nem ninguém, nem coisa alguma.

Ele era o espírito daquilo que viria.

Ele era o pensamento e a memória.

 

 

 

 

 

 

 

Exposição

Exposição