Não me Ilude - 1
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Sabe aquele selo de proteção, feito de aluminio, que vem nas latinhas das cervejas Crystal e Itaipava ? Ele ajudou a Cervejaria Petrópolis, dona das duas marcas, a ganhar o Prêmio “Destaque de Marketing” da ABMN-Associação Brasileira de Marketing e Negócios em 2009.
Legal. Mas o selo não funciona . Quer dizer, funciona bem para o fabricante, que aliás, deu uma bela aula de marketing ao lançá-lo com bastante barulho. Conseguiu o que queria: diferenciar-se da concorrência com um produto muito commoditizado (odeio a palavra, mas não me ocorre outra), e conseguiu chamar a atenção do público. Ganhou, de quebra, pontinhos preciosos no ranking das cervejas mais vendidas.
Para o consumidor, a história é outra. A proteção higiência oferecida não funciona. Isso é o que informam o CETEA-Ital, do Centro de Tecnologia de Alimentos do Governo do Estado de São Paulo, o Laboratório Noel Nutels e Instituto Carlos Éboli, ambos do Rio de Janeiro. Os laudos são claros em afirmar que a denominação “selo higiênico” não condiz com a realidade, pois não oferece proteção contra contaminações, podendo mesmo contribuir para aumentar a chance de bactérias na tampa das latas.
O próprio fabricante reconheceu isso, ao assinar um TAC-Termo de Ajuste de Conduta com a promotoria pública do Rio de Janeiro, pelo qual compromete-se a investir dinheiro e tempo para informar ao consumidor sobre a necessidade de lavar bem a embalagem para proteger a saúde. Só que, claro, ele não vai colocar o mesmo dinheiro que o fez ganhar o prêmio. Ah, a Cervejaria é uma das  mantenedoras da ABMN….
E sabe aquela outra história que circula há anos na internet dando conta de gente que morreu por leptospirose porque bebeu em tampa de aluminio contaminada ? Pois é, até hoje não apareceu um morto sequer para confirmar isso.
Lavar embalagens, qualquer uma, antes de consumir o produto, é imperioso para diminuir ou assegurar a higiene e evitar riscos para a saúde. Ganhar dinheiro com selos que não funcionam entra para a galeria do “Não me Ilude”. A menos que o fabricante consiga provar o que afirma. Até agora, não conseguiu.
Tags: latinhas, selo higienico
27 de janeiro de 2010 às 1:58
Sabendo que a embalagem de alumÃnio é ideal para alimentos e remédios eu, como consumidor desconfiado, achava que algo estava errado com a tampa da tampa da latinha de cerveja.
Minha desconfiança se transformou em certeza com esse artigo.
Laercio
28 de janeiro de 2010 às 3:28
Quando ouvi falar que a tal tampa era por motivo de higiene e que todas as cervejas, refrigerantes e etc, seriam obrigadas a fazer o mesmo, achei muito legal, porém comecei achar estranho quando nada mais foi falado / divulgado…agora entendi.
4 de fevereiro de 2010 às 11:24
É bom saber que tem gente atenta a essa questão que tanto esforço tem exigido dos fabricantes de latas de alumÃnio, por meio da Instituição que tenho a honra de dirigir, a Abralatas. Por todas as comprovações citadas (e uma mais recente, feita pelo Pro-Teste, de São Paulo-SP), todas indiscutivelmente competentes e isentas, a Abralatas é contrária ao uso obrigatório do tal “selo protetor”. Não somos contrários ao uso do selo como instrumento de marketing, desde que esse marketing não induza o consumidor a erro (achar que o selo assegura a limpeza). Mas tornar o uso do selo obrigatório, por lei, como pretendem alguns, é claramente um erro.
5 de fevereiro de 2010 às 8:20
Nunca me iludi com essas tampinhas… golpe de marketing e nos consumidores também! Um abraço.