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Quatro escolas brigam pelo título do Carnaval do Rio: análises dos desfiles

Galera, depois desses dias de folia e mais de 16 horas de desfiles, vou contar o que eu vi direto da Avenida Marquês de Sapucaí para vocês. Mesmo com a minha pouca experiência (são quatro anos cobrindo direto da Sapucaí), acredito que o título do Carnaval fique entre Vila, Beija-Flor, Salgueiro e Unidos da Tijuca. Portela e Mangueira correm por fora e apostam na emoção para levar, só por isso!. Na parte de baixo, Renascer e Porto da Pedra parecem ser as escolhidas para o Acesso. Escolas como Mocidade, Imperatriz, Grande Rio e Ilha devem ficar na parte intermediária na apuração de logo mais.

RENASCER

A escola de Jacarepaguá pisou forte na Avenida e nem parecia que estava desfilando pela primeira vez no Grupo Especial. Mas com um nível muito alto das escolas, a homenagem ao artista Romero Britto ficou um pouco fraco. Não na concepção do enredo, mas nas alegorias e fantasias. Ganhou muita experiência desfilando no Especial e deve voltar mais vezes. Deve cair para o Grupo de Acesso do ano que vem.

PORTELA

Aposta todas as suas fichas na emoção. Há muito tempo não se via tanta empolgação nos componentes. Com um enredo fácil e um samba de arrepiar, a maior vencedora do Carnaval passou muito bem na Avenida. Como a escola era a segunda a desfilar, o sentimento de todos era de que viria para brigar, mas com o passar das demais escolas, esse sentimento ficou mais fraco. O que não ficou fraco foi o sentimento de que a Portela está no caminho certo. Não me surpreenderia se essa grande emoção levasse o título, acho difícil, mas não impossível.

IMPERATRIZ

Enredo muito bom, bateria impecável e desfile técnico (como sempre), essa foi a Imperatriz na Marquês de Sapucaí. Uma escola que nunca tentou emocionar o público, tenta emocionar os jurados. Enfrentou alguns problemas em seus carros e a última alegoria entrou desfalcada. Deve perder pontos. Fez um desfile tranquilo, mas não pra levar o título.

MOCIDADE

A Mocidade entrou na Avenida disposta a resgatar os seus antigos Carnavais. Entrou com muita alegria para contar o enredo sobre Cândido Portinari, mas o samba não ajudou muito. O público continuou animado, mas não muito. O carnavalesco Alexandre Lousada fez o que pôde e apresentou um belo Carnaval. Fantasias e alegorias muito boas. Mas a escola deve perder pontos por conta dos problemas que teve com o carro abre-alas e a correria que fez no final.

PORTO DA PEDRA

A Porto da Pedra levou para a Sapucaí um enredo que faz uma viagem pela história do leite: “Da seiva materna ao equilíbrio da vida”. Um dos enredos mais fracos da História da Sapucaí. Como sempre digo, as escolas devem tomar cuidado com enredos patrocinados, pois as vezes o dinheiro não compensa. O samba, que era fraco, ficou até bom com a voz do sempre fantástico Wander Pires. Fantasias e alegorias bem feitas, mas com um enredo desses não dá para falar muito. É séria candidata ao rebaixamento.

BEIJA-FLOR

Campeã do carnaval do Rio em 2011, a Beija-Flor de Nilópolis desfilou na Marquês de Sapucaí um tributo a Joãosinho Trinta, carnavalesco que integrou a escola por 15 anos e morreu em dezembro do ano passado. Para a homenagem, a agremiação fez menção a uma das mais marcantes criações do carnavalesco: o polêmico “Cristo Mendigo”, do enredo do carnaval de 1989 “Ratos e urubus, larguem minha fantasia” e que, na ocasião, entrou na Avenida coberto por um plástico preto. Foi uma bela homenagem e teve tudo a ver com o enredo, que era uma homenagem a São Luís, no Maranhão. Não tem muito o que dizer da Beija-Flor. Fez um desfile emocionante e com um nível acima das demais. Teve alguns problemas com a entrada de dois carros e pode perder pontos por isso. É séria candidata ao título.

VILA ISABEL

A Vila Isabel contou a história de Angola e sua contribuição para o Brasil.  Com o enredo “Você semba la… que eu sambo cá. O canto Livre de Angola!”, a escola fechou a apresentação na primeira noite de desfiles e mostrou que pode garantir o seu terceiro título do Carnaval. A Vila encontrou nas tradições trazidas pelos negros angolanos origens do samba e fez, ao fim do desfile, um tributo a Martinho da Vila. Com um desfile perfeito, sem problemas e emocionante, a carnavalesca Rosa Magalhães pode faturar mais um título para a sua carreira. E outra escola que vai brigar sério pelo campeonato.

SÃO CLEMENTE

Com o enredo “Uma Aventura Musical na Sapucaí”, a São Clemente apostou o seu desfile na viagem musical por peças que vão de “Cats” à “Ópera do malandro” para provar que merece permanecer entre as escolas da elite do samba carioca. E acho que conseguiu. Emocionou o público e levou belas alegorias para a Avenida. O ponto alto do desfile foi a mulata gigante que flutuava pela Marquês de Sapucaí. Acredito que a escola da Zona Sul vai permanecer no Grupo Especial.

UNIÃO DA ILHA

A União da Ilha levou o enredo “De Londres ao Rio: Era uma vez uma… Ilha”, do carnavalesco Alex Souza. A agremiação foi a segunda escola a desfilar na segunda-feira. Sede das Olimpíadas de 2012, Londres teve sua história cantada no samba e apresentada com luxo nas alegorias da União da Ilha. Semelhanças como as cores da bandeira do Reino Unido e do pavilhão da escola foram exploradas com muito bom humor. Apesar de muito bem, o samba e o enredo não ajudaram muito a escola, que se destacou pela leveza e pela alegria de seus componentes. Deve ficar na parte intermediária da tabela.

SALGUEIRO

A literatura de cordel foi contada com maestria pelo Salgueiro. A vermelha e branca da Zona Norte levou para a Avenida o enredo “Cordel branco e encarnado”, do casal de carnavalescos Renato e Márcia Lage, que mostraram mais uma vez que são gênios. A escola teve alguns problemas para deslocar alguns carros grandes. O carro “Pavão misterioso” teve dificuldade de fazer a curva para entrar na Avenida, o que causou um  espaço entre as alas no começo do desfile. Pode perder pontos, mas acredito que vá brigar pelo título com toda certeza.

MANGUEIRA

A Mangueira é outra escola a apostar na emoção para levar o título. A escola contou a história do Bloco Cacique de Ramos e encantou o público com a “paradona” da bateria. Uma atitude ousada e que deu certo para quem viu pela TV, mas não para quem esteve lá. Outra coisa, uma escola do tamanho da Mangueira não pode pautar o seu desfile em cima de uma parada de bateria. No ano passado já foi assim e conquistaram um terceiro lugar. Este ano eles aumentaram o tempo. Foi muito legal, os componentes cantaram e a Avenida também, mas no que diz respeito as alegorias, a escola ainda deixa a desejar. Isso se for comparado às co-irmãs Tijuca, Salgueiro, Beija-Flor e Vila. Corre por fora, mas vai se garantir na emoção, só isso.

UNIDOS DA TIJUCA

Penúltima escola a entrar Sapucaí, a Unidos da Tijuca trouxe a cultura nordestina para celebrar Luiz Gonzaga, que completaria cem anos em 2012. A escola aproveitou a sua boa fase e apostou mais uma vez na criatividade do carnavalesco Paulo Barros e na sua tradicional comissão de frente. O carnavalesco conseguiu transmitir a sua mensagem sem deixar a sua caracteristica de lado. Por essas e por outras a escola do Borel briga mais uma vez pelo campeonato.

GRANDE RIO

A Grande Rio contou histórias de superação para levar o campeonato. Mas com um desfile morno e um samba fraco para um tema tão importante. Nem mesmo o excelente Wantuir deu jeito no samba. Se voltar no desfile das campeãs, será por conta do ano passado (quando a escola perdeu tudo em um incêndio). Vamos esperar para ver.

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