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Posts com a tag ‘Bibliodiversidade’

Reflexões da Bienal

20 de setembro de 2011

Portões fechados antes mesmo do entardecer; o maior estacionamento do Rio de Janeiro completamente lotado; mais de 100 mil pessoas concentradas nos três pavilhões do Riocentro. Afinal, em um país reconhecidamente com um dos piores índices de leitura do mundo, o que atraiu tanta gente à Bienal do Livro, como se viu no feriado de 7 de setembro? O recorde absoluto de público registrado aquele dia no maior evento literário do país teria, enfim, selado o momento de uma mudança para melhor na relação do brasileiro com os livros?

Tanta gente interessada em participar de uma feira literária é um fato para ser realmente comemorado. Mas será que essa atração implicaria no cumprimento automático da máxima líterodesenvolvimentista de Monteiro Lobato ou, talvez, a assertiva de que “um país se constrói com homens e livros” dependa tanto da qualidade e do conteúdo desses livros quanto do caráter dos homens?

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A Bienal e a bibliodiversidade

5 de setembro de 2011
Pimentel declama suas poesias na inauguração da praça que leva o seu nome na Bienal

Pimentel declama suas poesias na inauguração da praça que leva o seu nome na Bienal

“Lê alto meus versos, / eles são minha ternura / beijando teus lábios.”

O autor dos versos acima, o poeta Luís Antônio Pimentel, ganhou pela primeira vez, aos 99 anos, uma singela homenagem na Bienal do Livro que acontece no Riocentro. O reconhecimento a um dos maiores mestres brasileiros do haicai não veio, porém, dentro da programação oficial da feira, mas partiu das editoras de Niterói, cidade onde ele mora e cultiva discípulos de vida e poesia.

O que se vê na Bienal, de acordo com o roteiro traçado pelos organizadores, é a valorização dos best-sellers, promovendo à condição de verdadeiros pop stars autores de alguns livros que seriam as versões impressas dos enlatados cinematográficos americanos ou dos sucessos efêmeros fabricados pela indústria fonográfica. A vida meteórica de boa parte desses enlatados de papel reflete bem a cultura rasa também promovida hoje pelo chamado mercado editorial - as grandes editoras que pautam a Bienal do Livro e monopolizam as estantes das livrarias.

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