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Arquivo para a categoria ‘Centenário de Euclides da Cunha’

Sobre Edmo Lutterbach, Euclydes da Cunha e Paganini

28 de setembro de 2011
Edmo no lançamento da segunda edição de "A eternidade de Euclydes da Cunha", em Cantagalo

Edmo Rodrigues Lutterbach

A cultura fluminense perdeu ontem um de seus maiores cultores - Edmo Rodrigues Lutterbach, falecido às vésperas das comemorações de seus 80 anos. Homem sem jaça, intelectual íntegro, acadêmico zeloso e orgulhoso da rica tradição literária da instituição que presidiu por mais de 30 anos, a Academia Fluminense de Letras, ele parte deixando-nos um sentimento de orfandade só comparável ao de admiração diante do seu exemplo.

Tive o privilégio de merecer a sua amizade nos últimos anos, mantendo um relacionamento cujo elo mais forte foi uma profunda afinidade fluminensista. Aproximamo-nos quando do surgimento da Nitpress, editora que apoiou de forma irrestrita, apadrinhando de fato nossos projetos de valorização da cultura, da memória, da literatura e da identidade fluminense. Devo-lhe grande parte do reconhecimento que nosso trabalho tem recebido nos últimos anos.

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Contra a barbárie, Euclydes da Cunha

23 de novembro de 2010

A terceira edição do projeto “Encontros com a literatura fluminense”, promovido pela editora Nitpress com o apoio do jornal O Fluminense, aconteceu recentemente na cidade de Cantagalo, em associação com o evento “Euclides vive! Viva Cantagalo!”, promovido pela prefeitura local. Escritores e intelectuais, que subiram a serra em mais uma caravana de resgate da cultura e da identidade fluminenses, ouviram, a poucos metros da lápide onde se encontra preservado o cérebro de um dos mais extraordinários pensadores brasileiros, a afirmação de que a leitura de Euclydes da Cunha ainda é, hoje, uma arma poderosa contra a barbárie, em palestra proferida pelo tenente-coronel Íbis Silva Pereira, da Polícia Militar do Estado do Rio.

Entre a miragem do ouro registrada na lenda do Mão de Luva, o apogeu do café que transformou a região em uma das mais prósperas e famosas na segunda metade do século XIX, e o atual ciclo do calcário, nada inspira tanto orgulho ao município serrano quanto a memória de seu filho mais ilustre - Euclydes da Cunha. A Fazenda da Saudade, onde ele nasceu, deu lugar a uma fábrica de cimento, não restando mais a casa da sua infância. Mas enquanto ali é extraído o calcário, uma argamassa ainda mais poderosa vem sendo obtida por setores da sociedade fluminense, que resistem bravamente à tentativa de determinados segmentos para minimizar a importância do autor da maior obra da literatura latino-americana - Os sertões -, no dizer do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura deste ano, o peruano Mario Vargas Llosa.

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Tributo a Euclydes da Cunha

6 de novembro de 2009

“Edmo Rodrigues Lutterbach nasceu para escrever sobre Euclides da Cunha como Paganini para tocar violino”. A conclusão de José Cândido de Carvalho, o grande contista e romancista campista, foi publicada no jornal O Fluminense, em 29 de maio de 1988, logo após o lançamento do livro A eternidade de Euclydes da Cunha. A obra, que reunia dois ensaios do presidente da Academia Fluminense de Letras, foi acrescida de mais um texto de Edmo Lutterbach e ganhou a sua segunda edição, pela Nitpress, num tributo ao centenário de morte de Euclydes (Euclydes de ipsilon, como faz questão o autor, num retorno à grafia original do nome do grande escritor fluminense, que passo também a acatar). O lançamento será sábado, dia 14 de novembro, das 10 às 13 horas, no Calçadão da Cultura da Livraria Ideal (Rua Visconde de Itaboraí, 222, Centro, Niterói).

Capa de "A eternidade de Euclydes da Cunha"

Para um melhor entendimento da obra, reproduzo, a seguir, uma resenha escrita por Roberto Kahlmeyer-Mertens e o delicioso texto de José Cândido, que, naturalmente, também acompanha esta nova edição.

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Lili Leitão ressurge, enfim, em Niterói

25 de setembro de 2009
Debate sobre o Café Paris atrai o público da Bienal

Debate sobre o Café Paris atrai o público da Bienal

Depois de lançado com sucesso na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, o livro Vida apertada - edição crítica organizada por Roberto Kahlmeyer-Mertens, marcando o resgate histórico da plaquette de 1926 - será relançado no dia 23 de novembro, na Câmara Municipal de Niterói. O evento marca o ressurgimento de Lili Leitão, considerado o maior poeta satírico fluminense, na cidade em que viveu e fez história, junto com os seus parceiros líteroboêmios do Café Paris.

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Nitpress faz o único lançamento sobre Euclides na Bienal

17 de setembro de 2009

Não fosse pelo fato de emprestar seu nome a um dos auditórios do evento montado no Riocentro, Euclides da Cunha passaria ao largo da agenda oficial desta XIV Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Mas a homenagem oficial está limitada ao nome do escritor fluminense, pois a programação desse auditório, repleta de celebridades estrangeiras, como a queridinha das adolescentes Meg Cabot, nada tem a ver com a temática - e muito menos com a retórica - euclidiana.

O Brasil infelizmente apequenou-se na visão de editores ávidos pelas cifras descomunais proporcionadas pelos megasellers importados - as versões em papel dos enlatados para cinema e TV que infestam as nossas telas e, no caso dos livros, nossas estantes.

Mas nem tudo está perdido, pelo menos para homens como Edmo Rodrigues Lutterbach, presidente da Academia Fluminense de Letras, que acreditam em A eternidade de Euclydes da Cunha. Este é o título de um de seus muitos trabalhos focalizando a figura do seu conterrâneo ilustre, cuja segunda edição, publicada pela Nitpress, chegará ao público no próximo sábado, no Pavilhão Verde do Riocentro. Mesmo sem fazer parte da programação oficial, este será o único lançamento de um livro a respeito de Euclides a ter lugar nesta Bienal, realizada no ano do centenário de morte do autor da maior obra da literatura brasileira - Os sertões.

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O encontro de Euclides, Casimiro e Lili na Bienal

17 de agosto de 2009

Bloqueie em sua agenda a data de 19 de setembro, sábado. Nesse dia, três dos maiores ícones fluminenses e brasileiros deixarão por alguns momentos suas atividades etéreas para um inusitado encontro na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Euclides da Cunha pausará o seu incansável redescobrimento do Brasil em um ponto qualquer da Amazônia ou do sertão baiano; Casimiro de Abreu deixará brevemente a sua bucólica e poética Indaiaçu; e Lili Leitão tomará a primeira barca a sair pela manhã de Niterói, após fechar o Café Paris.

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A surpreendente face de um Euclides socialista

18 de junho de 2009
Cícero Sandroni no Pen Clube
Cícero Sandroni no Pen Clube

Emancipação da mulher, inclusive com direito de votar e ser votada, instituição do divórcio, estabelecimento da jornada de trabalho de oito horas diárias e substituição das Forças Armadas pelo povo armado. Esses, quem diria, seriam alguns dos pontos de um polêmico programa do Clube Democrático Internacional “Filhos do Trabalho”, que teria sido redigido por Euclides da Cunha em 1899, mas só publicado pelo jornal O Proletário em 1º de maio de 1901.

O episódio, que confirmaria a aproximação do escritor com as ideias socialistas, foi lembrado, entre outros aspectos curiosos de sua faceta de jornalista, pelo presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, ao encerrar, na última quarta-feira, o ciclo de palestras “Colóquio Centenário Euclides da Cunha”, sob a coordenação de Paulo Roberto Pereira, no Pen Clube do Brasil. Como tudo que diz respeito a Euclides da Cunha, porém, o viés socialista do autor de Os Sertões é um tema envolto em polêmicas e contestações.

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Onde estão as obras de Euclides?

30 de abril de 2009

Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista

Escrevo de São Paulo, onde visitei a Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Temos alguns títulos do catálogo da Nitpress sendo oferecidos lá e eu mesmo tive o prazer de entrevistar Pedro Herz, dono da rede Cultura, para a revista O Prelo, da Imprensa Oficial do Estado do Rio, dentro de uma matéria sobre rodas literárias. Porém, ainda não havia tido a oportunidade de ver como ficou a loja depois da reforma que a transformou na maior livraria do país, em 2007, com uma área de 4.300 metros quadrados, distribuídos em três pisos.

Confesso que, ao entrar, fiquei um tanto atordoado. Eu, que sempre vivi com o umbigo encostado na Baía da Guanabara, experimentei talvez a sensação de alguém que chega do interior e se vê pela primeira vez diante do mar. Não sabia onde pousar o olhar naquele oceano literário, cuja amplitude se denuncia logo na entrada da loja, com uma exposição de livros publicados em diversos países. O pequeno príncipe, por exemplo, era apresentado numa banca em edições brasileiras, americanas, italiana e francesa.

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Um depoimento pessoal de Edmo Lutterbach

2 de abril de 2009
A Fazenda da Saudade, em Cantagalo, onde nasceu Euclides da Cunha

A Fazenda da Saudade, em Cantagalo, onde nasceu Euclides da Cunha

A pequena cidade de Cantagalo, na serra fluminense, é tributária de um importante legado da história cultural, política e econômica do Brasil. Sede, à época do Império, de um município que se estendia desde o Médio Paraíba até as cercanias de Campos dos Goytacazes, foi por um bom tempo o epicentro da economia cafeeira em sua fase áurea, numa época em que a Província do Rio de Janeiro era quem puxava os vagões do país, bem antes de São Paulo assumir o comando da locomotiva.

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Lucchesi faz a defesa de Euclides no PEN Clube

25 de março de 2009
Lucchesi, Cláudio Murilo Leal e Paulo Roberto Pereira

Lucchesi, Cláudio Murilo Leal e Paulo Roberto Pereira

“É melhor errar como errou Euclides do que acertar como muitas vezes vem acertando a antropologia moderna”.

A afirmativa é do poeta, ensaísta e tradutor Marco Lucchesi ao abrir, hoje à noite, o colóquio “Centenário de Euclides da Cunha” no PEN Clube do Brasil com a palestra “Os sertões à luz de documentos quase esquecidos”. A defesa de Euclides feita por Lucchesi foi total, desde a condição de poeta, que muito lhe foi negada na merecida grandeza, até aos olhares de desconfiança lançados hoje sobre o escritor por boa parte do meio acadêmico.

“A obra poética de Euclides, que é muito importante, ficou eclipsada, mas ao vermos as suas obras reunidas, podemos constatar que este é um campo muito rico”, enfatizou Lucchesi, prometendo “algumas surpresas” na exposição - prevista para ser inaugurada em junho - que está organizando sobre o escritor fluminense para a Biblioteca Nacional, onde ocupa a função de Coordenação Geral de Pesquisa e Editoração. (more…)