4 de março de 2010 por Luiz Erthal

Geremias Fontes
A morte do penúltimo governador vivo do velho Estado do Rio revela, ao passar em brancas nuvens na capital, o quanto a imprensa carioca e o Palácio Guanabara desdenham da memória e das tradições fluminenses. Geremias de Mattos Fontes morreu na última terça-feira, aos 79 anos, sem merecer ao menos um obituário dos jornais do Rio de Janeiro e - o que é pior - as homenagens de praxe do atual governador. De todos os governantes que dirigiram o Estado a partir do Palácio do Ingá, em Niterói, o único sobrevivente, agora, é Celso Peçanha, que sucedeu a Roberto Silveira depois de sua morte trágica, em 1961.
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13 de fevereiro de 2010 por Luiz Erthal
A morte de Armando Falcão vem trazer à lembrança o restolho do entulho autoritário ainda presente em nossas vidas. Se a Lei Falcão, assim como o AI 5 e vários outros instrumentos criados pela ditadura militar foram varridos pelos ventos da redemocratização, há pelo menos um texto legal, da lavra do ex-ministro da Justiça, que permanece como uma sombra remanescente daqueles tempos de trevas sobre o Estado do Rio: a Emenda Constitucional nº 20, que uniu, em 1975, os territórios dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro à revelia de seus habitantes.
Além de um atentado ao federalismo e à própria República, a chamada fusão, praticada ao arrepio da Constituição brasileira – que impõe a consulta popular como condição para qualquer tipo de alteração na base territorial dos estados –, permanece até hoje ilegitimada pela falta de um plebiscito, sistematicamente negado a fluminenses e cariocas ao longo desses 35 anos. Do ponto de vista cultural, o ato, ao juntar os corpos, mas não as almas, criou um estado em permanente crise de identidade.
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9 de fevereiro de 2010 por Luiz Erthal
Nesses dias tórridos do verão tropical, em que muitas vezes nos sentimos tentados a murmurar contra Deus pela boa terra que recebemos, vale relembrar um poema em que Alberto de Oliveira exalta essa fonte de calor e inspiração que nos cobre - o céu fluminense:
Céu fluminense
Alberto de Oliveira
Chamas-me a ver os céus de outros paÃses,
Também claros, azuis ou de Ãgneas cores,
Mas não violentos, não abrasadores
Como este, bárbaro e implacável - dizes.
O céu que ofendes e de que maldizes,
Basta-me no entanto; amo-o com os seus fulgores,
Amam-no poetas, amam-no pintores,
Os que vivem do sonho, e os infelizes.
Desde a infância, as mãos postas, ajoelhado,
Rezando ao pé de minha mãe, que o vejo.
Segue-me sempre… E ora da vida ao fim,
Em vindo o último sono, é o meu desejo
Tê-lo sereno assim, todo estrelado,
Ou todo sol, aberto sobre mim.
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27 de janeiro de 2010 por Luiz Erthal

Fachada da Biblioteca Estadual de Niterói
A Biblioteca Estadual Ministro Geraldo Montedônio Bezerra de Menezes, que integra o belo conjunto arquitetônico e histórico da Praça da República, no Centro de Niterói, está, finalmente, sendo reformada. Quando, porém, ao final da obra, previsto inicialmente para março, os primeiros tapumes que hoje a cercam forem retirados, um autêntico presente de grego pode estar sendo desembrulhado, não só para a antiga capital, mas para toda a sociedade fluminense: o despejo da Academia Fluminense de Letras, sediada na parte central do segundo andar do prédio desde a sua construção, em 1934.
O intento da secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, de remover a AFL de sua sede histórica foi confirmado por três fontes - uma da Assembléia Legislativa, outra da Prefeitura de Niterói e a terceira da própria Secretaria de Cultura do Estado. A motivação da secretária seria - certamente por ignorar o funcionamento e a importância da AFL - uma presumida subutilização do espaço, que, no seu entender, de acordo com as fontes, poderia servir melhor à própria biblioteca.
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Tags: Academia Fluminense de Letras, Adriana Rattes, Edmo Lutterbach, identidade fluminense
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23 de dezembro de 2009 por Luiz Erthal
Dois mil e nove vai ficar marcado no calendário literário como o ano do centenário de morte do cantagalense Euclydes da Cunha, seguramente a mais importante efeméride registrada na folhinha que estamos prestes a virar. Ela foi secundada por outras lembranças também marcantes, como o sesquicentenário de publicação de Primaveras, que antecedeu os 150 anos de morte do barrajoanense Casimiro de Abreu, em 2010, e o sesquicentenário de nascimento de B. Lopes, o grande poeta negro de Rio Bonito. Três dos maiores Ãcones da literatura fluminense e brasileira. Continue lendo »
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1 de dezembro de 2009 por Luiz Erthal

Primeira edição do jornal Literato
Registro aqui o lançamento do jornal Literato, iniciativa da Secretaria de Cultura de Niterói, sob inspiração do livreiro Carlos Mônaco, que há tempos vinha propondo a criação de um veÃculo dedicado à s intensas e frutÃferas atividades do meio literário e editorial da antiga capital fluminense, onde permanecem sediadas as mais importantes instituições de âmbito estadual, como a Academia Fluminense de Letras e o Cenáculo Fluminense de História e Letras, além daquelas de abrangência local, tais como a Academia Niteroiense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de Niterói.
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16 de novembro de 2009 por Luiz Erthal

Capa da 2ª edição do livro
Após 83 anos de seu lançamento, em 1926, o livro Vida Apertada traz de volta os notáveis sonetos humorÃsticos de seu autor, Lili Leitão, considerado o maior poeta satÃrico surgido no Estado do Rio, a partir de uma segunda edição histórica do livro que se tornou um cult da literatura fluminense. Esta edição crÃtica e cotejada com fac-sÃmiles da versão original, com organização de Roberto Kahlmeyer-Mertens, será lançada em evento imperdÃvel na próxima segunda-feira, dia 23 de novembro, a partir das 18 horas, na Câmara Municipal (Av. Ernani do Amaral Peixoto nº 625, Centro).
Também conhecido como “o poeta de Niterói”, Lili Leitão e a roda lÃtero-boêmia do Café Paris serão o tema de um debate que abrirá o evento, com a participação de Alberto Valle, Emmanuel Bragança de Macedo Soares, Wanderlino Teixeira Leite Netto, Luiz Antônio Barros e mediação de Kahlmeyer-Mertens. Haverá, depois, um recital de poesias de Lili Leitão organizado por Neide Barros Rego, seguido do lançamento do livro no saguão da Câmara, cedido para a ocasião - assim como o plenário BrÃgido Tinoco, onde acontecerá o debate - por iniciativa do vereador Waldeck Carneiro.
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Tags: Café Paris, Lili Leitão
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6 de novembro de 2009 por Luiz Erthal
“Edmo Rodrigues Lutterbach nasceu para escrever sobre Euclides da Cunha como Paganini para tocar violino”. A conclusão de José Cândido de Carvalho, o grande contista e romancista campista, foi publicada no jornal O Fluminense, em 29 de maio de 1988, logo após o lançamento do livro A eternidade de Euclydes da Cunha. A obra, que reunia dois ensaios do presidente da Academia Fluminense de Letras, foi acrescida de mais um texto de Edmo Lutterbach e ganhou a sua segunda edição, pela Nitpress, num tributo ao centenário de morte de Euclydes (Euclydes de ipsilon, como faz questão o autor, num retorno à grafia original do nome do grande escritor fluminense, que passo também a acatar). O lançamento será sábado, dia 14 de novembro, das 10 à s 13 horas, no Calçadão da Cultura da Livraria Ideal (Rua Visconde de ItaboraÃ, 222, Centro, Niterói).

Para um melhor entendimento da obra, reproduzo, a seguir, uma resenha escrita por Roberto Kahlmeyer-Mertens e o delicioso texto de José Cândido, que, naturalmente, também acompanha esta nova edição.
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Tags: Edmo Rodrigues Lutterbacho, Euclides da Cunha, José Cândido de Carvalho, Roberto Kahlmeyer-Mertens
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26 de outubro de 2009 por Luiz Erthal

José Inaldo
Fluminense de Guia de PacombaÃba, Magé, José Inaldo Alonso foi eleito pelo Grupo Mônaco de Cultura como “Intelectual do Ano 2009″. A entrega do tÃtulo será feita no final do ano. Mas antes disso ele fará o lançamento de seu último livro, que vem encorpar ainda mais a bela obra poética deste autor de 80 anos. O luar de meus andados, que será lançado sábado, das 10 à s 12 hs, no Calçadão da Cultura da Livraria Ideal (Rua Visconde de ItaboraÃ, 222, Centro, Niterói - RJ) é o terceiro livro do autor publicado pela Nitpress (já haviam saÃdo pelo mesmo selo Croniquário da Ãgua Escondida e Ãguas de Outono, ambos em 2008. Oleiro de Vento (1967), Ilha do Sido (1976), Araribóia em notÃcia (1976), Stella, luar de meus andados (1987) e Notas para a História de Magé (2000) completam a bibliografia do poeta-historiador, membro das Academias Fluminense de Letras e Mageense de Letras e também dos Institutos Históricos de Niterói e da Campanha (MG). Reproduzo, a seguir, o texto de Lena Jesus Ponte que apresenta mais esse livro de José Inaldo.
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25 de setembro de 2009 por Luiz Erthal

Debate sobre o Café Paris atrai o público da Bienal
Depois de lançado com sucesso na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, o livro Vida apertada - edição crÃtica organizada por Roberto Kahlmeyer-Mertens, marcando o resgate histórico da plaquette de 1926 - será relançado no dia 23 de novembro, na Câmara Municipal de Niterói. O evento marca o ressurgimento de Lili Leitão, considerado o maior poeta satÃrico fluminense, na cidade em que viveu e fez história, junto com os seus parceiros lÃteroboêmios do Café Paris.
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Tags: Anabelle Loivos, Edmo Rodrigues Lutterbach, Gilson Rolim, LuÃs Antônio Barros, LuÃs Antônio Pimentel, Márcia Pessanha, Nelson Tangerini, Paulo Roberto Pereira, por Kahlmeyer-Mertens, Wanderlino Teixeira Leite Neto
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