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Relançamento dos pensamentos conclusivos de Brizola em Niterói

30 de janeiro de 2012 por Luiz Erthal
Lançamento em Niterói

Lançamento em Niterói

Depois de lançado com a presença de mais de 400 pessoas na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, o livro Leonel Brizola, a Legalidade e outros pensamentos conclusivos será relançado em Niterói no dia 8 de fevereiro. O evento acontecerá na Câmara Municipal de Niterói (Av. Ernani do Amaral Peixoto, 625, Centro), a partir das 19 horas. Conheça mais sobre o livro nas postagens abaixo.

Livro sobre Brizola leva mais de 400 pessoas à ABI

24 de janeiro de 2012 por Luiz Erthal

Sucesso absoluto o lançamento do livro Leonel Brizola - a Legalidade e outros pensamentos conclusivos, publicado pela Nitpress e organizado por Osvaldo Maneschy, Apio Gomes, Madalena Sapucaia e Paulo Becker. Mais de 400 pessoas passaram pelo salão do nono andar da ABI. De Maria Prestes (viúva de Luiz Carlos Prestes) ao vereador Leonel Brizola Neto. A homenagem a Brizola, que estaria completando 90 anos, também reuniu gente de vários partidos, como Saturnino Braga, Fernando Pelegrino, Hugo Leal, Waldeck Carneiro (vereador pelo PT de Niterói) e muitos outros. Rever velhos companheiros, como meu grande amigo Fernando Brito (porta-voz de Brizola por mais de 20 anos), Gessy Sarmento, Caó, Pedro Porfírio e tantos, tantos outros foi o melhor de tudo. Maurício Azedo, apoiando com generosidade mais esta iniciativa da Nitpress, abriu as portas da ABI, que recebeu também dezenas de jornalistas, como Adolfo Martins (Folha Dirigida), Eucimar Oliveira (www.youpode.com.br), Afonso Farias, Regina Célia Lopes (TV Brasil), Cláudia Silva (Riotur) e muitos outros. Em breve postarei aqui algumas fotos do evento.

O mito e o livro em matéria da TV Brasil

A TV Brasil levou ao ar segunda-feira, através de seus telejornais, uma matéria de quase oito minutos focalizando os 90 anos de Leonel Brizola e o lançamento do livro publicado pela Nitpress Leonel Brizola - a Legalidade e outros pensamentos conclusivos. A reportagem mostra, além do que revela em seu conteúdo - a trajetória extraordinária de um dos mais notáveis políticos brasileiros, o trabalho louvável e independente dos jornalistas que constróem, na TV Brasil, uma televisão pública digna e honesta, não alinhada aos interesses políticos e comerciais da grande mídia. Assista aqui a matéria:

Brizola 90 Anos – Repórter Rio (23/01/2012)

A centelha do Trabalhismo

19 de janeiro de 2012 por Luiz Erthal

As grandes causas são como a amizade de irmãos, que não se apaga e até mesmo se fortalece com o tempo, mesmo que caminhem distantes.
Há nesse livro, que vamos lançar segunda-feira, na ABI, uma das mais belas imagens de Leonel Brizola, nascida da sabedoria simples e conclusiva que ele extraía da vida comum do brasileiro: a do “pau guarda-fogo” - aquela tora que permanece em brasa, quase adormecida, na fogueira deixada à noite pelo gaúcho no campo. De manhã, basta assoprar para levantar a chama.
Brizola dizia que o Trabalhismo é assim. Por vezes parece até amortecido, mas o processo social se encarrega de reacender no momento certo as verdadeiras causas do povo brasileiro. Felizmente essa e tantas outras imagens certeiras do líder trabalhista, morto em 2004, permanecerão graças ao trabalho desenvolvido por Osvaldo Maneschy, Apio Gomes e os demais organizadores do livro Leonel Brizola - A Legalidade e outros pensamentos conclusivos para preservar e difundir o pensamento brizolista.
Quando nos vejo publicando - seja em livro, como temos feito na Nitpress, seja nos blogs da Internet - o conteúdo impublicável, para a grande mídia, desse pensamento lúcido e honesto, penso que estamos vivendo um desses momentos em que a velha brasa, atiçada pela brisa, começa a reavivar toda a fogueira. Tais realizações seriam impraticáveis até algum tempo atrás para gente pronta como nós - pobres jornalistas desapossados dos meios de produção da imprensa tradicional.
No entanto, graças às novas mídias e à democratização das ferramentas de comunicação proporcionada pela revolução tecnológica, estamos nos tornando cada vez mais aptos a cumprir aquela que, na visão de Brizola, seria hoje a grande missão política: reatar a história e os verdadeiros valores do povo brasileiro, que um dia quiseram cortar com uma tesoura.

Sobre Edmo Lutterbach, Euclydes da Cunha e Paganini

28 de setembro de 2011 por Luiz Erthal
Edmo no lançamento da segunda edição de "A eternidade de Euclydes da Cunha", em Cantagalo

Edmo Rodrigues Lutterbach

A cultura fluminense perdeu ontem um de seus maiores cultores - Edmo Rodrigues Lutterbach, falecido às vésperas das comemorações de seus 80 anos. Homem sem jaça, intelectual íntegro, acadêmico zeloso e orgulhoso da rica tradição literária da instituição que presidiu por mais de 30 anos, a Academia Fluminense de Letras, ele parte deixando-nos um sentimento de orfandade só comparável ao de admiração diante do seu exemplo.

Tive o privilégio de merecer a sua amizade nos últimos anos, mantendo um relacionamento cujo elo mais forte foi uma profunda afinidade fluminensista. Aproximamo-nos quando do surgimento da Nitpress, editora que apoiou de forma irrestrita, apadrinhando de fato nossos projetos de valorização da cultura, da memória, da literatura e da identidade fluminense. Devo-lhe grande parte do reconhecimento que nosso trabalho tem recebido nos últimos anos.

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Reflexões da Bienal

20 de setembro de 2011 por Luiz Erthal

Portões fechados antes mesmo do entardecer; o maior estacionamento do Rio de Janeiro completamente lotado; mais de 100 mil pessoas concentradas nos três pavilhões do Riocentro. Afinal, em um país reconhecidamente com um dos piores índices de leitura do mundo, o que atraiu tanta gente à Bienal do Livro, como se viu no feriado de 7 de setembro? O recorde absoluto de público registrado aquele dia no maior evento literário do país teria, enfim, selado o momento de uma mudança para melhor na relação do brasileiro com os livros?

Tanta gente interessada em participar de uma feira literária é um fato para ser realmente comemorado. Mas será que essa atração implicaria no cumprimento automático da máxima líterodesenvolvimentista de Monteiro Lobato ou, talvez, a assertiva de que “um país se constrói com homens e livros” dependa tanto da qualidade e do conteúdo desses livros quanto do caráter dos homens?

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A Bienal e a bibliodiversidade

5 de setembro de 2011 por Luiz Erthal
Pimentel declama suas poesias na inauguração da praça que leva o seu nome na Bienal

Pimentel declama suas poesias na inauguração da praça que leva o seu nome na Bienal

“Lê alto meus versos, / eles são minha ternura / beijando teus lábios.”

O autor dos versos acima, o poeta Luís Antônio Pimentel, ganhou pela primeira vez, aos 99 anos, uma singela homenagem na Bienal do Livro que acontece no Riocentro. O reconhecimento a um dos maiores mestres brasileiros do haicai não veio, porém, dentro da programação oficial da feira, mas partiu das editoras de Niterói, cidade onde ele mora e cultiva discípulos de vida e poesia.

O que se vê na Bienal, de acordo com o roteiro traçado pelos organizadores, é a valorização dos best-sellers, promovendo à condição de verdadeiros pop stars autores de alguns livros que seriam as versões impressas dos enlatados cinematográficos americanos ou dos sucessos efêmeros fabricados pela indústria fonográfica. A vida meteórica de boa parte desses enlatados de papel reflete bem a cultura rasa também promovida hoje pelo chamado mercado editorial - as grandes editoras que pautam a Bienal do Livro e monopolizam as estantes das livrarias.

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Intelectuais fluminenses festejam Lucchesi na ABL

22 de maio de 2011 por Luiz Erthal
A partir da direita, Márcia Pessanha, Lucchesi, sua mulher Constança e Luiz Erthal

A partir da direita, Márcia Pessanha, Lucchesi, sua mulher Constança e Luiz Erthal

A presença de Marco Lucchesi na Academia Brasileira de Letras é um fato para ser intensamente festejado. Não por falar 18 idiomas e ter se tornado o mais jovem acadêmico da ABL, mas por ser, acima de tudo, um intelectual honesto, sem jaça, terno e humilde, a par de brilhante poeta, ensaísta e tradutor. Para nós, fluminenses, é motivo de grande orgulho ver chegar ao olimpo da intelectualidade brasileira um concidadão de Itacoatiara que não esconde o reconhecimento pelas influências recebidas na atmosfera do Calçadão da Cultura, de Carlos Mônaco e sua Livraria Ideal, e do meio literário de Niterói, cidade em que vive desde os oito anos de idade.

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“A Rede da Democracia” se impõe, apesar da mídia

13 de maio de 2011 por Luiz Erthal
Capa do livro A Rede da Democracia

Capa do livro A Rede da Democracia

Lançado no dia 31 de março do ano passado pela Nitpress em coedição com a Editora da UFF, poucos livros alcançaram um reconhecimento tão expressivo por parte da mídia independente e dos analistas políticos honestos deste país quanto o Rede da Democracia - O Globo, O Jornal e o Jornal do Brasil na queda do Governo Goulart, do professor Aloysio de Carvalho, do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense. Passado pouco mais de um ano desse lançamento, ocorrido não por acaso na data estabelecida pelos golpistas como aniversário daquele triste episódio, achei conveniente fazer um pequeno balanço da repercussão alcançada pela obra.

A importância do trabalho de Aloysio de Carvalho, base de sua tese de doutorado na USP, foi determinada no prefácio do livro pelo presidente da ABI, Maurício Azedo, para quem o autor trabalhou “no rastro do que fizera René Dreifuss com o seu clássico 1964: A conquista do Estado“. Também a convite da Nitpress, o jornalista José Silveira assinou a orelha da obra e corroborou a avaliação de Azedo: “de todos os livros que li sobre esse tema, nenhum tem a profundidade deste”.

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Depois de Euclydes, a demonização agora de Monteiro Lobato

6 de maio de 2011 por Luiz Erthal

A revista Bravo deste mês presta o desserviço de demonizar em sua matéria de capa um dos maiores brasileiros do século passado - o escritor Monteiro Lobato. A reportagem não tem outro objetivo senão o de amplificar, em tom de denúncia, trechos de cartas particulares de Lobato já publicados pelo colunista Arnaldo Bloch, em O Globo, num esforço para desqualificá-lo sob o rótulo de racista.

Mais uma vez, os imperadores da mídia brasileira - neste caso, mas não só neste, Editora Abril e Organizações Globo à frente - se unem aos patrulheiros “politicamente corretos” para denegrir um dos maiores ícones da nacionalidade. Aliás, acho que irão me incluir também na lista negra por usar a expressão denegrir na frase anterior. Mas para banirmos o denegrir do léxico não seria ainda o caso de banirmos também o termo lista negra, usado na frase seguinte?

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A Flip e o Flup

3 de maio de 2011 por Luiz Erthal

O artigo abaixo foi publicado hoje pelo jornal O Dia em sua página de opinião.

A Flip e o Flup

Enquanto Paraty se prepara para mais uma edição da internacionalíssima Flip, Barra de São João — distrito e terra de Casimiro de Abreu, maior ícone da cultura fluminense — assistiu no último fim de semana à estreia do Flup. O Festival Fluminense de Poesia, que aconteceu pela primeira vez na Costa do Sol, surge para oferecer ao calendário literário do estado um conceito diametralmente oposto ao da festa que leva nomes famosos e muita badalação à Costa Verde.

Lugarejo histórico, margeado em sua foz pelo maior rio exclusivamente fluminense, Barra de São João também possui um casario colonial, o que contribui para ornamentar a atmosfera romântica que inspirou Casimiro. Porém, a cidadezinha conserva a simplicidade e pureza imprescindíveis ao Flup, uma maratona poética de 24 horas aberta, participativa e democrática.

Apoiado pela Academia Fluminense de Letras, pelo Cenáculo Fluminense de História e Letras, pela Secretaria Estadual de Cultura, pela Prefeitura de Casimiro de Abreu e pela Libre, a liga que congrega as editoras independentes e defende a bibliodiversidade, o Flup reuniu centenas de poetas entre a manhã de sexta-feira e a madrugada de sábado. Foram palestras, painéis, oficinas de leitura, concurso de poesia e sarau poético. A poesia transbordou livre, sem restrições. Tudo ‘free’.

Sem amarras de interesses econômicos, o festival deu vez e voz aos poetas fluminenses, desde grupos organizados até mochileiros que puderam pernoitar em albergues oferecidos pela prefeitura. O resultado foram ondas seguidas de versos revelados ou revisitados. De Alberto de Oliveira, Euclydes da Cunha e Fagundes Varela ao jovem Yago Luiz — um menino de 13 anos cujo poema se classificou entre os dez primeiros no concurso do Flup —, a tradição poética e a própria identidade fluminense fluíram sem restrições.

Naquele lugar bucólico e pacato, Leon Tolstoi, o sábio escritor russo, parece ter sido bem compreendido pelos poetas fluminenses em um de seus conselhos: “Quem quer ser universal que cante sua aldeiaâ€.

Luiz Augusto Erthal é jornalista e idealizador do Flup