Terminal Pesqueiro: o imbróglio da lha do Governador
4 de agosto de 2010 por Sou LegalA construção do Terminal Pesqueiro na Ilha do Governador, cuja obra já está licitada pelo governo federal com gastos estimados em R$ 60 milhões, tem sido o centro das discussões sobre impacto de vizinhança no local.
Na Câmara, dou meu apoio incondicional à Comissão criada, a pedido dos moradores, especialmente para acompanhar o projeto. Por diversas vezes, recebi o grupo do movimento “Na Ilha Não!”em meu gabinete e, no domingo, dia 1º, visitei o local com o grupo e discutimos todos os aspectos negativos do projeto. Na visita da última terça-feira, dia 3, ao lado de Fernando Gabeira, nosso candidato ao Governo do Estado, ouvi novamente dos moradores que antes mesmo da obra engrenar, seus efeitos já são sentidos.
O Terminal Pesqueiro contraria a legislação em vigor de zoneamento da cidade. A zona residencial precisa ser convertida em zona Industrial para suportar intervenção tão impactante quanto esta. Trata-se de uma área dentro de uma Aparu, em área de manguezais.
- O empreendimento é altamente impactante para a vida dos moradores de toda a Ilha e poderá atrair cerca de 700 caminhões e 1.500 carros a mais por dia, piorando o já pesado trânsito do bairro. A instalação do Terminal Pesqueiro vem sendo marcada por idas e vindas nas decisões das autoridades responsáveis pelo licenciamento.
- Outro aspecto negativo é a segurança de vôo. A presença do Terminal Pesqueiro pode acabar por atrair aves para a região, aumentando os riscos de acidentes aéreos, já que o mesmo ficará a menos de 20 quilômetros dos aeroportos Santos Dumont e Tom Jobim, na linha da Área de Segurança Aeroportuária (ASA) dos dois. O Ministério da Aeronáutica emitiu, em outubro de 2009, um parecer contrário ao terminal, com base em análise do Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Pressionado, em novo ofício, datado de 28 de maio, o Ministério da Aeronáutica informou que não se opõe ao projeto desde que implementadas medidas para evitar atração de aves.
- O Bairro é aprazível e cercado de casas antigas que são patrimônio Cultural da Cidade. Há inclusive um sítio com um casarão, onde já funcionou um restaurante, mas que hoje está abandonado e que os interessados pretendem demolir. Um desastre para a memória da Ilha. Além disso, a Casa do Índio deverá ser demolida, algo igualmente chocante.
O terminal feito, a toque de caixa, é na verdade acordo do Ministro da Pesca (que é de Santa Catarina) com um grupo econômico do seu Estado, para receber peixe importado daquele Estado e que nada tem a ver com a produção pesqueira aqui do Rio. A mesma tentativa se frustrou em Camocin, no Ceará, onde a população e a prefeitura resistiram à invasão. Que o Rio faca o mesmo!








