youPode

Posts com a tag ‘Roberta Sudbrack’

As trufas, o azeite de trufas e a Roberta Sudbrack

7 de março de 2010

Ela tem opiniões firmes e levanta muitas bandeiras. De sua cozinha, sou fã. Com suas ideias e campanhas, muitas vezes compactuo e volta e meia falo delas aqui. O tema da vez da Roberta é o azeite de trufas. Aqui ela fala um pouco sobre o óleo que já esteve em seus pratos e receitas, mas que foi banido de sua cozinha.

Uma dica para a Roberta: Sem azeite, as trufas de verdade, serão servidas de terça a domingo no eñe. São seis pratos feitos com trufas negras dos Pirineus espanhóis.

eñe: Avenida Prefeito Mendes de Moraes, 222, São Conrado. Tel: 3322-6561.

youPrensa gastronômica

11 de fevereiro de 2010

As quintas-feiras são sempre bem-vindas para mim. É na quinta que leio os cadernos gastronômicos que mais gosto. O Paladar, do Estadão, é, sem sombra de dúvida, o que temos de melhor em termos de cobertura enogastronômica semanal no país, sem falar nos trocadilhos das aberturas, dos quais sou fã e com os quais sempre me divirto. Sem nenhuma infâmia, sem risadas escangalhadas, uma amostra da inteligência sutil que encontraremos no interior.

A Folha Ilustrada não fica atrás. Talvez perca nessa minha breve análise exclusivamente pelo menor espaço, sem deixar nada a desejar em conteúdo, salvo as proporções, ao Estadão. Geralmente, além de notas, das críticas semanais do Josimar Melo (quase sempre duas), do texto do Jorge Carrara (sobre vinhos), da coluna imbatível e inalcansável da Nina Horta, a reportagem se esmera numa excelente pauta. Sobre um ingrediente, uma tendência ou uma novidade.

Hoje, a matéria foi sobre sorvetes de iogurte, a febre no Rio e em São Paulo. Aqui no Rio, a febre já é um pouco antiga e está mais branda. Já foi noticiada pela mídia carioca, mas nunca em pormenores, como fez hoje a Folha.

De que é feito o frozen iogurte que encontramos a cada esquina? É leve, sem caloria e quase sem gordura. Mas é natural? Qual a diferença entre o sorvete de iogurte das iogurterias e o sorvete de iogurte tradicional, mesclado com frutas, de redes como a Mil Frutas e a Itália? Os cariocas anunciaram e abençoaram, mas não responderam nenhum desses quesitos em suas reportagens.

O Estadão veio hoje com uma matéria sobre favas. Fez um pin-up no mundo das leguminosas, como Alice chegando no País das Maravilhas, com texto didático e explicativo sem ser banal, com direito a mostrar que fabada não é feita com favas, mas com feijão branco. Viva a feijoada asturiana!

Ótima a entrevista com o Jamie Oliver dos vinhos, o surfista-australiano-sommelier. A crítica do Luiz Américo sempre de ótimo tom e com excelente texto; o Luiz Horta com ótima matéria sobre jerezes e… que saudade do tempo em que o Saul Galvão abrilhantava ainda mais o time.

Aqui no Rio as grandes coberturas ficam com o Rio Show e a Veja Rio, que na última edição trouxe excelente matéria de capa sobre os bastidores da cozinha de um dos melhores restaurantes da cidade, o Roberta Sudbrack. A repórter Fernanda Thedim passou uma noite lá e reportou tudo em texto fidedigno ao que é a rotina numa cozinha daquele porte (em qualidade muito mais do que em tamanho).

No Rio Show, a cobertura engloba uma pauta semanal de ingrediente/prato/tendência, geralmente escrita pela crítica Luciana Fróes, contextualizando o assunto com os restaurantes cariocas. Ela também assina as notas e crítica semanais, mas fico com a sensação de que as notícias e as visitas se resumem sempre a um mesmo grupo de restaurantes. A Deise Novakoski escreve uma ótima coluna de vinhos, mas sinto falta de um noticiário. O que está rolando no mercado? O que tem de novidade nas cartas dos restaurantes? E a visita de produtores às importadoras? O que eles trazem de novo?

A Constance Escobar, em seu blog, já falou sobre sonhar com um Paladar no Rio. Eu entro no time para reforçar o coro.

Ainda sobre a polêmica das altas cifras gastronômicas

19 de janeiro de 2010

Meu vizinho de blog Dacio Malta escreveu sobre a nota que saiu hoje no Gente Boa, ainda sobre a polêmica das cifras gastronômicas. O fórum está aberto. Lá ou aqui, é só comentar.

Para colocar um pouco mais de lenha na fogueira e divergir um pouco do Dacio, entendo o que a Roberta Sudbrack quis dizer à Cléo Guimarães, do Gente Boa. No Roberta Sudbrack o cliente entra sabendo o que vai pagar, mas sem saber qual vai ser o menu, já que a chef decide ao longo do dia o que servirá baseada no que chegou de mais fresco na sua cozinha. Paradoxalmente, mesmo que o cardápio seja decidido diariamente, quem vai ao RS vai atrás desse ineditismo calcado numa gastronomia contemporânea feita com base na cozinha das nossas avós e valorizando o que há de mais rico na nossa terra. Quem vai lá sabe que não há como pagar pouco. Em tempo: vida longa ao RS, que completou 5 anos.

Por outro lado, um couvert de R$ 27 ou R$ 18 não se justifica por insumos (nem poderia, pois trata-se de um mini couvert) e é bastante antipático, sim, afirmar que uma cesta de pães, grissinis, manteiga mole e duas pastinhas a cifras tão altas serve para bancar a pompa do restaurante.

Cifras por cifras, prefiro dispensar o couvert e me atirar num menu degustação de oito cursos.

Retrospectiva gastronômica 2009

25 de dezembro de 2009

O ano de 2009 foi recheado de novidades gastronômicas das melhores. Vou citar algumas e já faço uma mea culpa de que esquecerei de bastante coisa.

Em 2009 experimentei algo inacreditável pelas mãos da chef Roberta Sudbrack. Um menu incrível, repleto de brasilidade, uma exaltação ao que vem da nossa terra. Depois da beterraba e do quiabo, ela glorificou o chuchu e apresentou os mangaritos ao mundo.

Menu degustação de uma noite memorável no Roberta Sudbrack

Menu degustação de uma noite memorável no Roberta Sudbrack

Uma onda espanhola chegou e se instalou por aqui. O Venga, primeiro autêntico bar de tapas da cidade, se instalou na Rua Dias Ferreira. A São Conrado, no Hotel Intercontinental, chegou o eñe, espanhol com matriz paulistana que aportou por aqui causando furor e acreditando na vocação gastronômica em hotéis cinco estrelas, tendência no mundo inteiro.

O Venga, bem pequenino, vive abarrotado de gente. O eñe tem projeto assinado pelo arquiteto Juan Pablo Rosemberg, com cozinha à mostra, teto que remete a urdimentos teatrais, vista deslumbrante do mar de São Conrado. Puro luxo e riqueza.

Cozinha à mostra no eñe

Cozinha à mostra no eñe

Por falar em luxo e riqueza, nosso chef cinco estrelas Claude Troisgros completou 30 anos de Brasil, abriu a CT Brasserie, no Fashion Mall, casou, abocanhou prêmios gastronômicos, ufa. Um viva para ele!

Dando uma pincelada rápida por outros tantos acontecimentos, 2009 terminou com a série de jantares nas alturas Dinner in the sky no Píer Mauá. Teve a volta do Quadrifoglio; a consolidação das pequenas porções (Meza Bar, Oui Oui), consolidando também a vocação gastronomia do Humaitá; o nascimento do Pólo Gastronômico do Lido, em Copacabana; a chegada das mil e uma especialidades na cidade (Foccacia, Mok Sakebar, sorvete-iogurterias, bruchetteria prestes a abrir no Leblon); entre tantas outras gastronomices.

Que venha 2010!!!

Guia Danusia Barbara 2010

10 de dezembro de 2009
Guia Danusia Barbara 2010: 600 endereços

Guia Danusia Barbara 2010: 600 endereços

Na última terça, a crítica gastronômica Danusia Barbara lançou a 24ª edição de seu guia de restaurantes na Mansão Figner, no Flamengo, homenageando chefs e restaurantes. O guia, da Ed. Senac Rio, traz cerca de 600 endereços, não só de restaurantes, mas de bares, pousadas, bufês, cursos, entre outras gastronomices do Rio e arredores. Além da premiação com as estrelas, Danusia elegeu os chefs hors-concours, revelação, melhor maitre, melhor sommelier, melhor garçom, melhor restaurante e melhor bom, bonito e barato. Abaixo, os premiados.

Chefs hors-concours - Christophe Lidy; Claude Troisgros; Danio Braga; Flávia Quaresma; Francesco Carli; Frédéric De Maeyer; Luiz Incao; Miro Leopardi; Nao Hara; Paolo Neroni; Pietro Neroni; Pascal Jolly; Roberta Sudbrack; Rogério Siqueira; Roland Villard; Rosa Herz; Silvana Bianchi; Teresa Corção e Volkmar Wendlinger.

Chefs revelação - Damien Montecer, do Térèze, e Thiago Sodré, do Sawasdee;

Maître - Antonio Luciano Fernandez de Lima, do Antiquarius;

Sommelier - Éder Heck, do Mr. Lam;

Garçom - José de Oliveira Paiva, do Mr. Lam;

Restaurante - Gourmet Praia, do chef Zé Hugo Celidônio;

Bom, Bonito e Barato - Bistrô do Paço, da chef Maria Nauer.

Os cariocas premiados pelo Guia 4 Rodas 2010

22 de setembro de 2009

Chef do ano pelo Guia 4 Rodas 2010

Troisgros tem seu Olympe entre os seis 3 estrelas do guia

Não há dúvidas de que os prêmios de gastronomia são controversos. Há os em que os jurados são fixos, outros, elegem personalidades do momento para participar da votação. Alguns dão ouvidos ao juri popular enquanto há os que ouve apenas gourmets. O resultado, por se tratar de fórmulas diferentes, raramente dá igual, assim como as categorias, de uma premiação para a outra, podem ser completamente distintas.

Por mais que a fórmula mude e o resultado não seja unânime, os prêmios, ao meu ver, servem como parâmetro do que existe e de melhor em se tratando de gastronomia. Na semana passada, a Veja São Paulo elegeu seus melhores. Ontem, o Guia 4 Rodas premiou seus vencedores. Na próxima semana é a vez de O Globo, seguido pela Veja Rio. Conforme os resultados saiam, vou tirar o chapéu aos vencedores aqui.

A lista dos vencedores do Guia 4 Rodas 2010 está aqui. O prêmio de melhor chef está em solo carioca, para a Roberta Sudbrack. Ela merece. O melhor carioca, segundo o guia, é o Olympe de Claude Troisgros. Viva ele. Na categoria que considero das mais honrosas, Os 3 Estrelas, de seis premiados, quatro estão em solo carioca, com matriz ou filial. Entre os restaurantes estrelados, ou seja, os que fazem parte do guia, temos Ponderox, Laguiole, Carlota, Cipriani, Quadrifoglio, entre outros. É chique à beça estar ali.

Agora, uma ressalva, com tudo o que tem sido dito sobre a Locanda della Mimosa, sobre fechamento, venda, etc, não é arriscado apostar na casa para o ano que vem?

Aqui a premiação da Veja São Paulo.

Mais uma (boa) da Roberta Sudbrack

15 de setembro de 2009

A Roberta Sudbrack é uma chef que não descansa. Além de cozinhar, escreve um blog, pesquisa ingredientes, participa de congressos, twitta e levanta bandeiras que para quem acompanha o movimento do mundo gastronômico é impossível não aderir e divulgar. As duas últimas foram pelos mangaritos, algo como as nossas trufas, e pela flor de sal, que a Anvisa proibiu a comercialização em território nacional. A Roberta é antenada.

Foi pelas mãos da chef que experimentei o que há de mais incrível em ingredientes marginalizados como a beterraba, o quiabo e o chuchu. Graças a ela, recentemente provei uma iguaria que nunca imaginei provar: os mangaritos, primos distantes do inhame, raros e escassos, cultivados no interior de São Paulo por um único produtor. Nas mãos dela ganharam três texturas e viraram recheio de raviólis.

 

Não preciso dizer que ela é mestre em transformar marginais em príncipes e que seus menus são banquetes de se comer rezando, intensos e delicados, verdadeiros presentes para as lembranças gustativas mais preciosas que nos remetem ao sabor da comida da infância ou de um ente querido de quem temos muita saudade. Cada prato feito da maneira mais especial possível e sem apelação tecnológica.

Tudo isso para dizer que quem gosta de cerveja não pode perder o menu que ela criou em perfeita harmonia com a mestre cervejeira Cilene Saorin. Excelente investimento para o jantar de depois de amanhã.