As quintas-feiras são sempre bem-vindas para mim. É na quinta que leio os cadernos gastronômicos que mais gosto. O Paladar, do Estadão, é, sem sombra de dúvida, o que temos de melhor em termos de cobertura enogastronômica semanal no paÃs, sem falar nos trocadilhos das aberturas, dos quais sou fã e com os quais sempre me divirto. Sem nenhuma infâmia, sem risadas escangalhadas, uma amostra da inteligência sutil que encontraremos no interior.
A Folha Ilustrada não fica atrás. Talvez perca nessa minha breve análise exclusivamente pelo menor espaço, sem deixar nada a desejar em conteúdo, salvo as proporções, ao Estadão. Geralmente, além de notas, das crÃticas semanais do Josimar Melo (quase sempre duas), do texto do Jorge Carrara (sobre vinhos), da coluna imbatÃvel e inalcansável da Nina Horta, a reportagem se esmera numa excelente pauta. Sobre um ingrediente, uma tendência ou uma novidade.
Hoje, a matéria foi sobre sorvetes de iogurte, a febre no Rio e em São Paulo. Aqui no Rio, a febre já é um pouco antiga e está mais branda. Já foi noticiada pela mÃdia carioca, mas nunca em pormenores, como fez hoje a Folha.
De que é feito o frozen iogurte que encontramos a cada esquina? É leve, sem caloria e quase sem gordura. Mas é natural? Qual a diferença entre o sorvete de iogurte das iogurterias e o sorvete de iogurte tradicional, mesclado com frutas, de redes como a Mil Frutas e a Itália? Os cariocas anunciaram e abençoaram, mas não responderam nenhum desses quesitos em suas reportagens.
O Estadão veio hoje com uma matéria sobre favas. Fez um pin-up no mundo das leguminosas, como Alice chegando no PaÃs das Maravilhas, com texto didático e explicativo sem ser banal, com direito a mostrar que fabada não é feita com favas, mas com feijão branco. Viva a feijoada asturiana!
Ótima a entrevista com o Jamie Oliver dos vinhos, o surfista-australiano-sommelier. A crÃtica do Luiz Américo sempre de ótimo tom e com excelente texto; o Luiz Horta com ótima matéria sobre jerezes e… que saudade do tempo em que o Saul Galvão abrilhantava ainda mais o time.
Aqui no Rio as grandes coberturas ficam com o Rio Show e a Veja Rio, que na última edição trouxe excelente matéria de capa sobre os bastidores da cozinha de um dos melhores restaurantes da cidade, o Roberta Sudbrack. A repórter Fernanda Thedim passou uma noite lá e reportou tudo em texto fidedigno ao que é a rotina numa cozinha daquele porte (em qualidade muito mais do que em tamanho).
No Rio Show, a cobertura engloba uma pauta semanal de ingrediente/prato/tendência, geralmente escrita pela crÃtica Luciana Fróes, contextualizando o assunto com os restaurantes cariocas. Ela também assina as notas e crÃtica semanais, mas fico com a sensação de que as notÃcias e as visitas se resumem sempre a um mesmo grupo de restaurantes. A Deise Novakoski escreve uma ótima coluna de vinhos, mas sinto falta de um noticiário. O que está rolando no mercado? O que tem de novidade nas cartas dos restaurantes? E a visita de produtores à s importadoras? O que eles trazem de novo?
A Constance Escobar, em seu blog, já falou sobre sonhar com um Paladar no Rio. Eu entro no time para reforçar o coro.