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Arquivo para a categoria ‘Reflexão’

A gastronomia e a crise

22 de março de 2010

Se a rentabilidade da alta gastronomia era contestável antes da crise, qual a alternativa para os chefs gringos num momento em que gastar rios de euros num jantar tornou-se inviável?

O El Mundo consultou alguns nomes da gastronomia espanhola e notou por lá o que já notamos também por aqui: o boom dos gastrobares; a “bistronomia“, movimento onde restaurantes caros oferecem menus em conta em dias específicos; a onda das pequenas porções; restaurantes mais baratos de chefs estrelados, etc.

Leia aqui o que diz o El Mundo.

Uma ótima do Ferran Adrià

18 de março de 2010

Sim, a cabeça dele está sempre gastronomicamente borbulhando. Se já não mais por técnicas revolucionárias para novas receitas de seu El Bulli, depois de anunciado seu fechamento, Ferran Adrià, o chef catalão meio Einstein, continua inovando. Na semana passada, Adrià apresentou, num hospital espanhol, um novo conceito de comida triturada que preserva sabores e aromas para doentes que não conseguem mastigar. Além de sabores há muito esquecidos pelos pacientes, Adrià criou texturas diferentes para pratos como a tortilla.

Leia aqui mais detalhes, em espanhol.

As trufas, o azeite de trufas e a Roberta Sudbrack

7 de março de 2010

Ela tem opiniões firmes e levanta muitas bandeiras. De sua cozinha, sou fã. Com suas ideias e campanhas, muitas vezes compactuo e volta e meia falo delas aqui. O tema da vez da Roberta é o azeite de trufas. Aqui ela fala um pouco sobre o óleo que já esteve em seus pratos e receitas, mas que foi banido de sua cozinha.

Uma dica para a Roberta: Sem azeite, as trufas de verdade, serão servidas de terça a domingo no eñe. São seis pratos feitos com trufas negras dos Pirineus espanhóis.

eñe: Avenida Prefeito Mendes de Moraes, 222, São Conrado. Tel: 3322-6561.

youPrensa gastronômica

11 de fevereiro de 2010

As quintas-feiras são sempre bem-vindas para mim. É na quinta que leio os cadernos gastronômicos que mais gosto. O Paladar, do Estadão, é, sem sombra de dúvida, o que temos de melhor em termos de cobertura enogastronômica semanal no país, sem falar nos trocadilhos das aberturas, dos quais sou fã e com os quais sempre me divirto. Sem nenhuma infâmia, sem risadas escangalhadas, uma amostra da inteligência sutil que encontraremos no interior.

A Folha Ilustrada não fica atrás. Talvez perca nessa minha breve análise exclusivamente pelo menor espaço, sem deixar nada a desejar em conteúdo, salvo as proporções, ao Estadão. Geralmente, além de notas, das críticas semanais do Josimar Melo (quase sempre duas), do texto do Jorge Carrara (sobre vinhos), da coluna imbatível e inalcansável da Nina Horta, a reportagem se esmera numa excelente pauta. Sobre um ingrediente, uma tendência ou uma novidade.

Hoje, a matéria foi sobre sorvetes de iogurte, a febre no Rio e em São Paulo. Aqui no Rio, a febre já é um pouco antiga e está mais branda. Já foi noticiada pela mídia carioca, mas nunca em pormenores, como fez hoje a Folha.

De que é feito o frozen iogurte que encontramos a cada esquina? É leve, sem caloria e quase sem gordura. Mas é natural? Qual a diferença entre o sorvete de iogurte das iogurterias e o sorvete de iogurte tradicional, mesclado com frutas, de redes como a Mil Frutas e a Itália? Os cariocas anunciaram e abençoaram, mas não responderam nenhum desses quesitos em suas reportagens.

O Estadão veio hoje com uma matéria sobre favas. Fez um pin-up no mundo das leguminosas, como Alice chegando no País das Maravilhas, com texto didático e explicativo sem ser banal, com direito a mostrar que fabada não é feita com favas, mas com feijão branco. Viva a feijoada asturiana!

Ótima a entrevista com o Jamie Oliver dos vinhos, o surfista-australiano-sommelier. A crítica do Luiz Américo sempre de ótimo tom e com excelente texto; o Luiz Horta com ótima matéria sobre jerezes e… que saudade do tempo em que o Saul Galvão abrilhantava ainda mais o time.

Aqui no Rio as grandes coberturas ficam com o Rio Show e a Veja Rio, que na última edição trouxe excelente matéria de capa sobre os bastidores da cozinha de um dos melhores restaurantes da cidade, o Roberta Sudbrack. A repórter Fernanda Thedim passou uma noite lá e reportou tudo em texto fidedigno ao que é a rotina numa cozinha daquele porte (em qualidade muito mais do que em tamanho).

No Rio Show, a cobertura engloba uma pauta semanal de ingrediente/prato/tendência, geralmente escrita pela crítica Luciana Fróes, contextualizando o assunto com os restaurantes cariocas. Ela também assina as notas e crítica semanais, mas fico com a sensação de que as notícias e as visitas se resumem sempre a um mesmo grupo de restaurantes. A Deise Novakoski escreve uma ótima coluna de vinhos, mas sinto falta de um noticiário. O que está rolando no mercado? O que tem de novidade nas cartas dos restaurantes? E a visita de produtores às importadoras? O que eles trazem de novo?

A Constance Escobar, em seu blog, já falou sobre sonhar com um Paladar no Rio. Eu entro no time para reforçar o coro.

Dois textos gastronômicos para reflexão

12 de janeiro de 2010
Salão impecável, assim como o serviço e a comida do Gero
Salão impecável, assim como o serviço e a comida do Gero

Tenho profunda admiração pelo Josimar Melo e brinco que “quando crescer” quero ser como ele. E muitíssimo admiro o trabalho do Fasano, dono de alguns dos mais brilhantes e corretos restaurantes no eixo Rio e São Paulo. Nos últimos dias, textos gastronômicos dos dois me fizeram pensar e repensar a tradição e a contemporaneidade da gastronomia, tema infinito em reflexões. Abaixo, os links para a entrevista que o Fasano deu à Veja, assumindo veementemente a linha tradicional. O segundo é o contraponto do Josimar, com excelentes pesos e medidas. Vale a pena a leitura.

http://veja.abril.com.br/060110/o-bom-ser-classico-p-015.shtml