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Posts com a tag ‘humor’

G - passa do ponto

11 de janeiro de 2010


Querida, você sabia que acabam de dizer que o ponto G não existe, que toi tudo invenção do tal do Dr. Ernst Gräfenberg?
- Tô sabendo, li numa revista - ou foi na TV?
- Pois é, esta foi a conclusão de uma pesquisa. Uma psicóloga chamada Andrea Burri jogou o ponto G no lixo, não sei se isso é bom ou ruim. Mas uma coisa tá me perturbando a cachola: você fingiu esse tempo todo, Gisela?
- Fingi o quê, Geraldo?
- Os orgasmos múltiplos… essa coisa toda de que eu te levava ao céu, que você via estrelas, até os anéis de Saturno???!!!
-Peraí Geraldo! Tá certo que em algumas vezes eu não cheguei lá, confesso que simulei um prazer multiplicado, mas, vamos dizer que em 65% das vezes a coisa funcionou e eu me diverti bastante.
- Então quer dizer que nos 35% eu fracassei?
- Calma, meu bem, isso deve ter acontecido com todo mundo. Você não devia pensar assim. O homem não tem obrigação de proporcionar à mulher, digamos tecnicamente, uma multiplicidade de orgasmos. Muitas vezes, um orgasmozinho já dá conta do recado.
- Estou perplexo, fui enganado pela medicina e pela minha mulher. Agora fico diante de um dilema: quando vou ter certeza se estou sendo satisfatório ou não para com sua, digamos, economia libidinal, Gisela?
- Deixe de formalidades, Geraldo, sejamos diretos - é a mesma coisa que aquele negócio de que suco de berinjela com laranja, que alguém disse que tomado em jejum abaixa o colesterol …pelo menos o fictício ponto G não causa uma úlcera…
- Mas poderia me causar uma estafa. Porque essa procura por esse minúsculo ponto super erótico exigiu muito tempo, esforço e dedicação. E agora descubro que no fundo, causou - no máximo uma “cosquinha”…um exercício teatral ritmado!!!!
- Não seja dramático, Geraldo. Eu confesso que no começo também acreditava no ponto G. Juro que tentei sinceramente me convencer. Fiz esforço para chegar lá, mas num determinado trecho do caminho vi que era um programa de índio - senti que era inútil continuar nessa “pilha”. Então, para não desagradar e não causar polêmica, dei uma fingidinha-, e uma vez ou outra, exagerei em alguns momentos de prazer. E olhe que muitas vezes até entrei “numas” e no embalo, realmente cheguei a ver estrelas.
- Quer dizer que sou um zero a esquerda? Que meu desempenho pouco conta na hora do “vamos ver” ?
- Nada disso! Tire isso da sua cabeça! Sua participação foi fundamental no jogo amoroso. Só que você tem que combinar o resultado com o adversário, né… Peraí esta foi mal…Digamos que como a sexualidade feminina é mais complexa, e depende de vários fatores, entre eles uma boa dose de fantasia, um certo relaxamento da mente, uma disposição para o “futebol” y otras cositas más. A gente vai para a cama como se fosse para uma festa e não para um campo de batalha. Os pontos erógenos estão no corpo todo, mas é o cérebro que comanda. A cuca tem que estar legal. É uma coisa lúdica, meu amor, é preciso jogar, sem compromissos com os resultados. Nesse jogo, os dois ganham.
- Acho que vou deprimir, Gisela, eu que achava que era bom de cama. Posso dizer que para mim um paradigma caiu. Meu mundo caiu… Me passa meu remedinho, por favor!
- Que é isso, Geraldo, chega mais aqui, que vou te mostrar o meu ponto G de verdade, e olha que não é ponto de tricô, nem de doce de goiaba, me tem lá seu mel. Vem cá que vou te dar o seu “remedinho”,o ponto G de Gisela!
- Não podia ser ponto G de Geraldo, não é mesmo? Porque seria um pontinho, né!?
- Quer saber de uma coisa? Vamos botar um ponto F nesse assunto, um ponto final, meu garanhão!

Espírito de porco Olímpico

2 de outubro de 2009

Entrei no espírito Olímplico! Arremessei a conta do condomínio aqui no play ground, e ele foi parar lá longe, acho que  uns 200 metros de distãncia.  Numa corrida de obstáculos, saltei sobre as contas de luz, gás e telefone. Ah,  dei um mortal carpado em cima do plano de saúde que está na estratosfera!  Corri feito louco dos credores, e os venci nos 100 metros rasos, nos fundos e na maratona de juros sobre juros. Só perdi para uns pivetes que fugiam da polícia , mas isso mostra que nossa juventude está se preparando a todo vapor para as Olimpíadas de 20l6. Falando em pivetes, já estou pensando em investir uma grana em camisetas para turistas que virão assistir aos jogos . Nelas vai estar escrito bem em cima do peito: - Não sou seu tio, não tenho dinheiro, mas gostaria de ter.
Quanto às nossas possiblidades de êxito nos jogos, acredito que na modalidade “arrastão em túneis“, nós vamos arrebentar, e no quesito “tiro ao alvo com balas perdidas” , acho que não vai ter para ninguém.
Quando anunciaram que o Rio tinha vencido Madri, eu vi um velhinho gritar:  - Iés uí cam!  Ele não tinha um dente na boca feliz e olhe que estava há horas  numa fila de um posto médico e saiu de lá com um pedido de exame que vai ser marcado só para fevereiro do ano que vem! . Sem dúvida, esta é outra modalidade de esporte que  acrescentaremos aos jogos que se realizarão em nosso território pátrio: “Resistência em fila de Hospital“. Um rapazola que estava passando no local,  em que o idoso gritou de felicidade , acrescentou que deveríamos também botar uma prova de “re- vazamento“, já que ele tinha gastado todas  suas baterias etudando para o Enem , mas necas,   a prova tinha vazado e tudo foi pro brejo. Ele disse que nunca viu tanto vazamento no país. Toda hora vaza alguma coisa para a imprensa…
De qualquer forma, estou feliz. Não sei porque, mas acho que todos os cariocas que vibraram também não sabem. A alegria aqui é uma pandemia!  Também, não é qualquer prefeitura que decreta ponto facultativo numa sexta-feira só pro pessoal ir para Copacabana assistir à eleição do COI e ter um show “de grátis”.
Talvez possamos criar uma organização para controlar os gastos dos investimentos nas obras - um portal-transparência, para evitar a mão grande na hora das contas. Talvez até 2016 tenhamos uma campanha do tipo :  Fora corrupa!  Só espero que essas Olimpíadas ajudem o Rio a retomar sua autoestima, resolver a encrenca do transporte público, da saúde, o problema das comunidades carentes, da segurança do cidadão e que se reestabeleça a paz na cidade partida.
Só não entendi uma coisa: Por que a população de Chicago rejeitou sediar os jogos Olímpicos de 2016 e o pessoal de Tóquio não se interessou muito por essa parada?
Confesso que fiquei com a pulga atrás de orelha, e olha que ela é uma saltadora “medalhada”!
Bem, vou parar por aqui, que já cansei dessas Olimpíadas…Ufa!!!

O golpe e o pijama

30 de setembro de 2009

É golpe. No início, eu não tinha dúvidas por instinto, depois veio a condenação da comunidade internacional. Mas até aí morreu Neves, a comunidade internacional demora demais nos discursos.

Porém se ainda alimentava alguma dúvida lá no meio da minha cachola destrambelhada , o artigo do Professor de direito constitucional Pedro Estevam Serrano esclareceu tudo. Foi golpe, é golpe, será para sempre golpe e entrará para a História da América Latina como golpe de Estado, aquilo que aconteceu em Honduras. Da leitura desse artigo, publicado na Folha de São Paulo de hoje, a gente fica por dentro da carta constitucional hondurenha,  onde não existe nenhuma linha que justifique,  que dê  uma base jurídica para essa trapalhada golpista de retirar um presidente da cama e mandá-lo de pijamas para fora do país. Na mesma Folha, Elio Gaspari aprova a atitude de Lula de aceitar Zelaya na  Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
Não vamos entrar aqui na análise do presidente deposto, no fato dele usar o território “brasileiro” em solo hondurenho para fazer política com aquele chapelão folclórico. Nem das suas intenções de tentar mudar a lei que não permite reeleição em seu país - a Constituição lá deles não diz que deve-se tomar o poder na base da força em nenhuma hipótese e nem abre a possibilidade de um processo legal para a deposição do presidente no caso dele tentar fazer um plebiscito, ou coisa que o valha. Não vamos falar também da ambiguidade do governo dos EUA em relação ao caso  e sua preguiça em tentar resolvê-lo. Se os EUA tivessem a intenção de dar um fim ao imbroglio , decerto ele nem teria existido - Chomsky em entevista para o site G1 mata a cobra e mostra o pau.
O que me deixa intrigado é o fato de quase todas as notícias e análises que procuram botar o fato em perspectiva utilizam a imagem do “presidente de pijamas“  ou (seria em pijamas?-  não seria só pijama?).
Tudo leva a crer que um homem de pijama é um ser que está em grande desvantagem. Lembra a imagem ” trajes menores” que evoca uma certa fragilidade do ser humano. Talvez se estivesse só de cuecas a situação ficaria muito pior, se tornaria cômica. Pois, creio que devem existir presidentes que dormem de cuecas. Mas de pijama, de qualquer forma é uma situação que mostra uma certa pressa das forças depositoras nesse episódio lamentável. Uma urgência desmedida - não deixaram o homem nem  botar um terno, ou um casaquinho e umas calças compridas. Deve ter saído da cama e procurado suas chinelas, ou será que foi só de meias, ou descalço? Seria cômico também se estivesse de bermudas pois aí se estabeleceria uma confusão dos diabos nas agências internacionais de notícias, pois existe um país chamado Bermudas e muita gente iria pensar que o golpe tinha sido lá e não em Honduras.
De qualquer forma, uma autoridade ser tocada pra fora de pijama é algo contraditório, se por um lado  humilha o sujeito de pijama, ao mesmo tempo dá um tom sombrio de coisa feita na “calada da noite” , que mostra o caráter sujo da operação.
Mas agora a meleca está feita, o Tegucigolpe  foi dado, o homem já está recomposto com roupas de vaqueiro, dormindo vestido na nossa Embaixada. Não cabe ao nosso presidente resolver esse problema. A encrenca é da América, da OEA, da ONU.
Mas se Lula quisesse resolver a querela, seria o caso de propor um jogo amistoso entre a Seleção brasileira e a hondurenha. Não fizeram um espetáculo semelhante no Haiti? Se a Seleção de Honduras perder, o Zelaya volta ao poder e promete ficar quietinho dentro do seu pijama, dormindo tranquilo na sua casa, até  passar as próximas  eleições. Se o selecionado canarinho perder, o Zelaya volta no mesmo avião para o Brasil e depois vai para a Venezuela onde poderia montar seu governo no exílio. (Nos anos 60 Paris comportou vários governos no exílio).
Tem gente que vai achar que não é uma solução justa, mas sabe como é que é: futebol é uma caixinha de surpresas, no entanto é uma instituição civilizada( veja ensaio de Norbert Elias e Eric Dunning), mesmo com zagueiros violentos, é muito melhor que certas “políticas” que se praticam no nosso continente.

As palavras e as coisas

3 de agosto de 2009

(Peguei lá no fundo do baú uma croniqueta pra funcionar de step enquanto boto umas coisas em ordem no meu HD - espero que gostem. Esta vai sem ilustração por motivos óbvios)

Acredito que as palavras são fonte de permanente
mistério, fora o fato de que geram os famosos mal
entendidos, que têm sido tão mal interpretados,
coitados! Se não fossem eles, o que seriam dos
boleros, da dor-de-cotovelo e da dor-de-corno por
supuesto? Palavras existem para nomear as coisas,
expressar sentimentos e, na maior parte das vezes,
dizer bobagens. O principal problema é essa mania de
interpretação. Não dos boleros, mas do que se diz.

Creio que uma outra fonte de confusão está na própria
mecânica do ato de falar. As palavras são antes de
mais nada sons (grunhidos?), que uma vez emitidos
surfam em ondas e vibram no ar até chegar aos ouvidos
nem sempre atentos. Vai daí que uma coisa dita, mesmo
que seja bem dita, pode ser entendida de forma mal
dita (maldita?) Nesse entroncamento se situa um rico
manancial de coisas ouvidas erroneamente, que ao meu
ver (ouvir) constituem um sinal da extraordinária
criatividade do ser humano - e que o diferencia do
papagaio e de alguns cachorros amestrados.

No Brasil, isso é de uma riqueza sem fim. Para
começar, ouça (veja) o caso de uma menina
recém-entrada na universidade que chegou em casa toda
pimpona e disse ao pai: “Meu professor falou de um
novo autor hoje, um tal de Maiquéu Fucô” (ela se
referia a Michel Foucault, claro, e produziu um riso
hilário no pai). Nesse caso ela ouviu e leu o
professor escrever Michel (Mixéu) , mas seu
inconsciente moldado por Disney e a família Jackson a
fez registrar o nome Michael (Maiquéu).

Ouvir palavras e repeti-las de forma errada pode
acontecer com todo mundo. Solange, a ex-famosa
participante de um irreality-show (alguém ainda se lembra dela?)
foi uma mestra nessa alteração de todos os sentidos das palavras.
O seu “Uiárniuôr,
Uiuarnsilver.”, que virou CD e animou muito baile funk por
aí, na verdade queria dizer: “We are the world, we are
the children.”, da música cantada recentemente por vários artistas no funeral de um de seus compositores, o genial  Michael Jackson que fez essa obra com  Lionel Richie  para uma campanha em
favor dos pobres da África, se não me engano. Não é à
toa que o pessoal já cantava “Uh! Tererê!”, em vez de
“Hoop there it is”, da música Space Jam, do grupo Quad
City DJ’s.

Sem dúvida, o jeito moleque do povo brasileiro faria Michel
Foucault morrer de rir antes de a dama sinistra passar
o cerol nele (nossa crônica, por sinal, leva o título
de um de seus livros). Tocando as maracas da
interpretação, creio que ele curtiria muito essa
capacidade de adaptacão do nosso povo, sua
criatividade alucinada.

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Há algum tempo venho fazendo
(com o auxílio luxuoso de alguns amigos),
uma pequena coletânea de palavras
que são usadas fora e às vezes muito dentro do
contexto. Abaixo vão alguns exemplos
:

1) O menino ia atravessando a rua quando o caminhão
vasculhante quase atropelou o desinfeliz.

2) O emprego dele é muito bom, tem até adicionário
noturno.

3) A febre baixou, mas só quando usou um sucusitório.

4) A injeção foi bem no glúten dela.

5) O requerimento do advogado foi aleijado do
processo.

6) Ela teve condolências do rapaz.

7) A última vez que vi o velho ele estava bem nítido,
(esta já citada por um outro cronista, mas juro que
descobrimos antes).

8) O pobre só apresentava uns sinais de
estereosclerose.

9) Aí, bateram um elétrico, mas já era tarde e o
coitado tinha tido um ABC (em vez de AVC).

10) Tive que fazer um xerox vice-versa do atestado de
óbito.

11) O jornal diz que lá no Iraque tem muito
frango-atirador.

12) E aquela que foi no motel e só ficou usando a
banheira de vidro massagem?

13) Ainda bem que todo o gasto da viagem foi
debilitado na conta da firma.

14) O menino ficou tão contente depois que ganhou um
videogay .

15) Nessas novelas, agora, estão com essa mania de
botar mulheres mésblicas. É um tal de mesbla se
agarrando…

16) Com esse hábito de de não usar fio dental eu
fiquei com o gengibre inflamado.

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Uma idéia maluca é fazer uma dicionário desse novo vocabulário,
incluindo nomes próprios que mudaram devido ao
entendimento diferenciado do escrivão na hora do
“resistro” (mas acabei desistindo da idéia).
E, para finalizar, uma frase que um amigo meu registrou e
que é um fenômeno a espera de decifração
Trata-se de um cartaz de beira de estrada,
onde se verifica uma nova forma no uso do pronome. Lá
está escrito: “Vende peixe-se“. Nesse caso, sem
dúvida, trata-se de uma revolução linguística.

Traição e relação aberta

18 de junho de 2009

Vi hoje na TV que fizeram uma grande pesquisa sobre o hábito da traição no Brasil. A história que vou  recontar aqui pertence ao mundo antigo, quando numa certa época, para um pequeno grupo muito folclórico, não existia essa de pular a cerca.

Foi numa barraquinha de incenso da Carioca que ouvi esse “causo” amoroso. Um senhor grisalho, cabeludo e barbudo, de óculos redondos à la John Lennon, contava: “É isso aí, bicho, dos anos 60 aos 70, costuma-se dizer que rolou de tudo. Não quero nem lembrar, e mesmo que quisesse, meu camarada, não ia dar pé. Bateu um sudoeste na minha memória “mermão”. Mas, cara, acho que o anti-barato dessa época, aqui no Patropi foi que o pau comeu na casa de Noca, foi uma dieta-dura militar que não deixou saudades. Sai de baixo! Tem nego que foi e não voltou, teve nego que tomou um taxi na praia de Copacabana, saindo do “pier” e disse: -Toca pro Recife! Pois é, malandro, foi uma era “já –era” de experimentalismo tanto químico como místico. Tinha o Carlos Castañeda e sua erva do diabo , um cabôco do Mojave que baixava e a doutrina de que você deveria achar o seu lugar no mundo,o seu ponto místico geográfico, coisas assim, etc e tal… ou não!
Teve Woodstock e o hino americano explodindo na guitarra de Jimi Hendrix. No meio daquelas cabelos encaracolados, bandanas, roupas espalhafatosas, cheias de desenhos “lisérgicos”, florais e tendendo sempre para espirais , camisetas feitas artesanalmente com anilina  com calças boca de sino, muito “Are you experienced?” e Janis Joplin tocando sem parar na vitrola, que Carlão do violão conheceu Soninha da flauta. Na flauta mesmo, ela só tocava “Greenleaves” e adorava aquele filme sueco Elvira Madigan em que a heroina morre comendo frutinhas silvestres, se não me engano. A união dos dois pombinhos rolou numa praia, teve troca de alianças, na qual resolveram ter um casamento aberto….Eram tão hippies, que seus amigos os chamavam- ele de Amor e ela de Paz . Concordavam em tudo, inclusive no time, o Fluminense, que era a única caretice que ele cultivava, e ela acompanhava só para exercitar sua solidariedade universal.
Paz & Amor. O casamento perfeito! Uma relação que começou aberta e acho que terminou escancarada. Enquanto durou, eles curtiram adoidado contar como foi com os outros, com os quais dividiram a cama. Nada de promiscuidade. Não! Isso não rolava, não. Não curtiam um “ménage à trois”, mas transavam à vontade com parceiros que encontravam em noitadas, acampamentos, ou em bares onde pintava de tudo, inclusive um sujeito que só bebia coca-cola e um outro que olhava detalhadamente uma caixa de fósforos e dizia:- Gêeenio!
A química era essa: Carlão, ou melhor, “Amor”, se excitava com as aventuras sexuais dela e ela idem, idem e o relacionamento deles esquentava pra valer. Mas o diabo sempre se mete no meio desses relacionamentos felizes, e um deles apareceu e botou um sujeito bacana demais na vida de “Paz”. Como se disse depois, o cara parece que tinha pegada . “Amor” nem desconfiou, deliciado em saber como foi que o tal bacana fez “Paz” beijar o céu. Surfou na rebarba, feito mané-gostoso até que num domingo, ela disse que tinha que sair mais cedo, pois ia ao Maraca ver um jogo do Mengão. Do Mengão? – Que é isso, “Paz”? Você mudou de time? E o nosso Flu, para onde foi?
Ela hesitou….- É que o cara bacana que eu encontrei, sabe…pois é,… ele torce pro Flamengo.
Nesse exato momento  Amor percebeu que perdeu a Paz , o sonho tinha acabado definitivamente, e Santa Teresa nunca mais seria a mesma”.
Fim da história. Ainda bem, aquele cheiro de incenso estava demais para minha alergia.

Divina tatuagem

12 de junho de 2009

(Especial para o dia dos namorados)

Tatuagens podem ser consideradas marcas do nosso tempo. Sinais que envelhecerão com o corpo, e talvez se tornarão irreconhecíveis um dia, como as rugas. Antigamente ( em meados do século passado ) as tatuagens eram consideradas coisa de marinheiro ou presidiário. Significavam um estigma - um traço negativo, algo condenado pela boa sociedade. Das classes trabalhadoras à burguesia, passando pelas classes médias, havia um consenso de que tatuagem era coisa de marginal. Hoje quase todo mundo estampa na pele aquilo que bem entende e creio que no futuro, somente gente anormal não as usará.
Patricke era um rapaz que não se situava nem no mundo antigo,  da antitatuagem, nem no mundo digamos moderno da quase pós-tatuagem. Era um rapaz de bem com a vida, gostava de pagode,  música pop-sertaneja, de uma pelada no final de semana,  de feijoada,  churrasco, cervejinha, cinema de ação e corrida de fórmula 1. Seu único problema eram os dentes. Fracos viviam cheios de cáries, apodreciam com facilidade. Maltratados por dentistas distraídos, foram se perdendo, até que um mais atento, resolveu inserí-lo na era do pivô. Foi pivô pra cá, pivô pra lá e ele ficou com uma esplêndida dentição híbrida, por assim dizer.

Numa  quermesse do bairrro,  Patricke e sua dentição perfeita conheceram Madalena - morena de endoidecer, como diz a música de Djavan. Cabelos longos, magníficos olhos verdes, corpo escultural (todos os clichês da mulher gostosa).  Foi amor à primeira vista, coisa genética, como entre as moscas estudadas pela Universidade de Cornell (o que esta informação está fazendo aqui?). O que importa é que ele deu um “cerca lourenço” na moça, e com muita lábia, conseguiu marcar um encontro.  Investiu a grana da poupança num restaurante metido a italiano e o espagueti com vinho rosé rendeu umas saídas . Nesse período ele a levou ao cinema para ver filmes de amor- que não era a dele, mas sabe como são as coisas, é necessário algum sacrifício antes do “Exterminador do Futuro 4 - A salvação”- entrar em ação. Começaram a namorar nos conformes, ele falava até em noivado, casamento, filhos, o projeto da casa. Meses depois , estava tão apaixonado que resolveu fazer uma surpresa para a beldade - uma homenagem em forma de tatuagem. Pediu uma foto bacana dela e levou para um tatuador dos bons. O artista  fez o retrato do rosto da morena no ombro dele, sobre a superfície do músculo deltóide.
Agora, quando ele marcava gol na pelada, arregaçava a manga da camisa do time e depois de beijar sua mão, esfregava na tatuagem do rosto da namorada, que na arquibancada se sentia osculada …. O tempo passou, sem muitas intempéries . E num dia - o dos namorados, num arroubo de motel ele deu um beijo nela, daqueles de desentupir pia, e aconteceu uma tragédia, um pivô, que estava de bobeira, se deslocou da sua fabulosa dentição e foi no fluxo da paixão  se alojar na garganta da moça . Ela engasgou, correu para o banheiro, aflita, fez gargarejo, tentou botar o bicho para fora, mas no fim das contas, não teve jeito, acabou engolindo a obra de arte do atento dentista…
Paritcke ficou com cara de tacho, nem tentou dar explicações, só esboçou um  sorriso ecabulado que fez sua desgraça, pois  deixou à mostra  o vão, a vaga, a imensa garagem no seu antes impecável estacionamento dentário.  Exibiu-se como o mais novo sem-dentes da praça, um banguela de festa de São João. Foi o pontinho no nariz, um único pontinho que mostra a decomposição do cadáver intacto de que fala Barthes citando Dostoievski nos seus  “Fragmentos de um discurso amoroso” - que não tem nada que se meter aqui, mas que quer dizer o seguinte:  que o dente foi o fungo no enorme painel do amor,  que fez tudo craquelar. E foi rápido, logo surgiu no horizonte um outro rapaz, com dentes saudáveis de anúncio de Kolynos e ela se encantou.  Adeus Patricke!
Frívola? Não. Nada disso.  Essas coisas acontecem. Não é todo dia que se engole um dente, mas  o que aconteceria no próximo beijo, talvez deslocasse um ponte, sabe-se lá?
De Madalena só sobrou o retrato tatuado no ombro do banguela. Ele sofreu demais, mastigou o pão que o diabo amassou. Ainda bem que a família do rapaz resolveu mudar de bairro. Foi morar na zona Leste. Mas,  aquela tatoo começou a pesar, não só pela saudade, e ele tratou de escondê-la de todas as maneiras. Num calor de fritar ovo no asfalto, ele saia de camisa de manga comprida. Nos  dias de pelada,  só se trocava quando o último jogador saia do vestiário. Voltava para casa vestindo o uniforme do time por baixo da roupa. Um dia conheceu Aline, uma linda lourinha, muito religiosa, cheia de mais mais, que ele começou a namorar firme, mas só de portão e sofá. Passado um ano, a donzela topou, depois de muita saliva, ir para um motel- mesmo assim só depois de agendar noivado e oscambáus.  Marcaram de ir  no  dia dos namorados, para ficar mais romântico.
E aí veio aquele problemão , o retrato de Madalena tatuado teria que ser removido. Não podia correr nenhum risco. Fazer amor no escuro, nem pensar! Vai que num lance, a luz do abajur  revelasse o rosto sua ex…justamente na hora H. Que vexame! Ele imaginava e sofria…
Pensou em raspar. Disseram que o processo era caro e doloroso. Coisa feita com laser, preço que só bacana podia bancar, mesmo assim iria ficar cicatriz. Imaginou  simular um acidente, botar esparadrapo, bandagem… Não ia dar certo! Temia que a moça pudesse dar pra trás só para não machucá-lo mais…
Foi então que apelou para as forças celestes, foi até o quarto da mãe onde tinha oratório com santinhos e um crucifixo.  Começou a rezar  para ver se vinha uma luz na sua idéia. Foi aí que surgiu a solução: no bruxuleio da vela, ao fixar o rosto do filho do Senhor, ele viu a salvação… Saiu em disparada chegou no ateliê do tatuador e pediu: tasca um Jesus em cima do retrato da Madalena. O homem nem discutiu, e até  que foi fácil:  botou barba e bigode, engrossou as sobrancelhas e caprichou numa coroa de espinhos. E  foi assim que, num passe de mágica, Madalena virou Jesus.
Não preciso dizer que Aline adorou.
- Ficou divino, Patricke, você é mesmo um amor! Disse ela abraçando o rapaz sob os lençóis do motelzinho de beira de estrada da Zona Oeste. Estranhou apenas que Patricke beijava devagar, sem muito ardor.
- Vai ver que é o estilo dele! Pensou toda carinhosa. Só faltou música do Wando para tudo ficar perfeito.

Vizinha chavista diz para Vargas Llosa cuidar do seu Peru

30 de maio de 2009

Minha vizinha  chavista interfonou para dizer que desapaixonou de Roberto Justus de vez.
- Ele é casado, a mulher dele vai ter neném , isso cortou o meu enlevo!  Disse ela depois de um muxoxo,  mas manteve a porta aberta para uma amizade.
Ele mostrou que é bacana apesar de equivocado na sua avaliação do que seja empreendedorismo. O meu ex- “doce de coco” e seus charmosos assessores acham que um bom empreeendedor é aquele que fica pedindo esmola num país que habla espanhol, num estranho caminho de Santiago, não o de Compostela , que pertence ao Paulo Coelho, mas o do Chile, que foi do Pinochet.
Quer dizer que a senhora agora está noutra? Eu perguntei, enquanto passava manteiga “Aviação no meu pãozinho crocante.
É , meu ideal de homem é o Hugo! (ela se refere assim ao Presidente da Venezuela Hugo Rafael Chávez Frías, na maior intimidade)
Roberto(como se viu, ela tem por hábito chamar celebridades pelo primeiro nome) é maneiro, mas vacila. Soube disso quando o “Pânico” fez uma pegadinha com ele  e ele sacou logo a armação, mas não deu bola para o fato deles terem, malandramente editado a coisa, como se ele não tivesse descoberto a brincadeira. Se fosse outro, teria um chilique. Depois deu entrevista para um jornal popular e garantiu que não usa laquê naqueleles cabelos preteados. Mas mesmo assim eu magoei com ele por não ter aceitado a minha idéia de fazer um “Aprendiz 7- Terceira Idade”.
Sabe como é, nós que chegamos à fase dos cinquentinha também temos direito de respirar o mesmo ar que o meu ex- “doce de coco” da Record . Teve uns dias em que sonhei ser demitida por ele de maneira bem dura.  Mas agora, vou me contentar em assistir  ao novo “game show” (
“Quem quer ser um milionário”) que ele anunciou no fim do programa.  Você viu o final do “Aprendiz 6″?
- Confesso que não vi, acho que estava lendo as últimas linhas de um livro sensacional do Eric Lax, “Convesas  com Woody Allen”. Como foi a reta de chegada? A senhora achou legal?
- Ah! Deixe de ser sonso,meu filho! Eu sei que você deu uma olhadinha no programa. Mas mesmo assim vou te contar qual foi o resultado. Ele contratou aquela menina Marina, só pelos belos olhos azuis que ela tem.  Com aqueles olhos ela não vai ser estagiária, vai direto pra diretoria. O pior de tudo foi o mico das duas finalistas “UNIVERSITÁRIAS” na hora do teste das figuraças. Você precisava ver!!!! Pois não é que elas não sabiam quem era Margaret Thatcher!? De que mundo vieram essas criaturas??? Sei que uma só tem 20 anos e a outra 25. Marina, pelos meus cálculos nasceu em 1989 e a Rubinho Barrichello dela, em 1984. A conservadora baronesa Margaret Hilda Roberts Tatcher ascendeu ao poder em 1979, quando uma estava com 10  e a ou outra com 5 anos, o que não é uma boa desculpa para tamanha falha. Quer dizer que essas meninas estavam brincando de boneca quando a “Marga” mandava pacas naquela ilha perto da Europa. Mas não é preciso nascer no tempo de Charles I para saber quem foi Oliver Cromwell. Nem viver no tempo Henrique VIII para ficar por dentro da fama que ele tinha de pegador ? O que me espantou foi o fato delas dizerem  que se identificavam mais com a “dama de ferro”, sem saber necas sobre ela. Não sabiam que foi essa mulher quem ajudou a inventar o neoliberalismo e toda essa mierda que rolou no mundo depois: o endeusamento do mercado, diminuição do papel do Estado, a privatização de tudo, redução dos serviços sociais e essa crise toda que a gente tá encarando!!!! Pode-se dizer que ela desferiu um golpe quase mortal na classe trabalhadora. E tudo foi dar no “trabalhista” Tony Blair que agiu como papagaio de pirata do Bush. Tudo isso é coisa que até o cabelereiro do Justus está careca de saber. … Foi aí que ela mudou de assunto num tranco.
-Tô muito irada  com o Vargas Llosa, que é um grande escritor, mas  esse papo de se meter na situação venezuelana, tá me dando nos nervos. Ele disse, numa reunião de um bando de “intelectuais” pela Democracia, que o Hugo está levando a Venezuela para um regime totalitário comunista.  Bote lá no seus “grogues” ( ela nunca fala blogues - mas eu acho que é por pura implicância) que o Llosa tem que cuidar e do Peru dele!
-Por que ele não foi discutir democracia nos EUA na era Bush quando estavam torturando gente em Gantánamo por afogamento? E isso estava numa lei, ou coisa parecida, era aprovada lá pelo regime deles.
Intelectual bom é o intelectual orgânico.
(não tenho certeza o que ela quis dizer com isso. Talvez se refira aos intelectuais que frequentam a rede de produtos ecologicamente corretos Mundo Verde)
O Hugo até vai discutir com esses “intelectuais” enxeridos no programa de rádio que ele faz todas as manhãs. Será que os “intelectuais” vão conseguir acordar cedo???
Já disse: o negócio do Vargas Llhosa é com o Peru, ele que vá dar pitaco na terra dele! Ora bolas!!!
E desligou.

Falando sério, señor Llosa, tome cuidado com minha vizinha, ela é do balacobaco. Acabo de ver pela minha janela, passar voando um exemplar de “Pantaleão e as visitadoras”. Xi, olha lá um “Conversa na Catedral”!…”Tia Julia e o Escrevinhador”!..”A Cidade e os Cachorros”!… “A Guerra do Fim do Mundo”!…”Quem Matou Palomino Molero”?!….

Democracia é isso aí: livros para todos!

Filmes cabeça

22 de maio de 2009

(Nessa época de festival em Cannes, não resisti à idéia de republicar uma crônica - só que revista e ampliada. Espero que gostem pois não develveremos o ingresso).

Um homem numa cama com uma mulher. Só aparecem detalhes: o peito dele contra os seios dela; as nádegas dela, de perfil, enquanto cavalga o rapaz. A câmera sobe lentamente para o lustre que acende no momento do orgasmo dela. Fecha num close em seu rosto contraído. Corta para os dois adormecidos e cobertos por um lençol de cetim . O homem abre os olhos e estica a mão para uma pasta, de onde retira um facão de caçador. Na cena seguinte, ele entra num elevador com a cabeça da mulher debaixo do braço envolta num saco plástico. Este é o típico filme americano de serial-killer.

Se o mesmo ator entrasse com sua própria cabeça debaixo do braço, seria um filme de Buñuel e Salvador Dalí. Agora, se um casal entrar num elevador , perder a cabeça, no meio do caminho apertar o botão de emergência para travar a geringonça e inciar um caloroso ato sexual na frente da câmera de vigilância, o filme é brasileiro. O pacote incluirá um corte para a sala de controle dos vídeos do edifício, onde porteiros e seguranças se deleitam em frente a vários monitores. Não se impressione com as exclamações cabeludas que eles emitem.

Se um travesti que entra no elevador com a cabeça de um homem e explica para o ascensorista que se trata do amante de sua mãe, que, na verdade, é seu pai, um toureiro “drag queen” que se apaixonou
por um enfermeiro morfinômano, então é um filme de Almodóvar. Só falta escolher uma trilha sonora com Bola de Nieve, cenários misturando roxo-batata, tons de vermelho e rosa-choque.

No caso de o homem entrar no elevador, cortar a cabeça do ascensorista e depois recitar umas frases de Hamlet, o filme será do pessoal do Dogma. Todos que estiverem no elevador agirão normalmente, como se nada tivesse acontecido. E não vai ter nenhuma musiquinha de fundo.

Se o homem, antes de entrar no elevador sem nenhuma cabeça debaixo do braço, ficar contando em detalhes para uma mulher entediada, num café, fumando muito, o seu desejo de um dia entrar com a cabeça dela num elevador, então, é um filme francês, provavelmente do Godard.

Mas, existe a possibilidade dele não entrar no elevador, e nem falar na tal cabeça, que poderia um dia carregar debaixo do braço. No lugar disso, discorreria sobre a sua dor de cabeça. Falaria da angústia, das amarras que a vida cria para manter um crânio grudado num corpo que não o quer ali. Então, é um filme sueco à la Bergman.

Tem também a possibilidade de duas crianças pobres perguntarem ao paupérimo pai o que significa  a palavra elevador. Ele não dirá nada. Na cena seguinte os três se encaminharão para uma praça. Lá um balão branco, desses de aniversário sobe por entre as árvores , ao mesmo tempo uma pipa serpenteia no azul do céu. O pai aponta o balão e depois a pipa. O balão se perde no infinito. Os olhos das crianças se voltam para a pipa que se solta do barbante e cai sobre a cidade. No final, todos cabisbaixos, arrastando seus tamancos, voltam para casa. Esse filme, com toda certeza é iraniano.

Agora, se um homem entra apressadamente no elevador com uma mortadela debaixo do braço e começa a bater a cabeça nas paredes e em seguida fica chorando no ombro da ascensorista  - decerto é um filme italiano.  E mais  ainda se os dois começarem a fatiar a mortadela. Aí é batata : italianíssimo!

No filme indiano, o cara usa a cabeça para ganhar um milhão.

Para dizer a verdade, não sei como terminar essa crônica, nem onde estava com a cabeça quando comecei a escrevê-la.

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