Minha vizinha chavista detona gripe suína
29 de abril de 2009( Se você não conhece minha vizinha chavista, ache aqui no blogue, nas crônicas anteriores, uma em que ela é apresentada aos amigos navegantes - quebra esse galho! )
Minha vizinha chavista montou no porco. Está alarmadíssima com o que anda lendo nos jornais e nos sites noticiosos da internet. A cada declaração de Keiji Fukuda,( secretário adjunto da OMS ) ela treme nas bases e toca interfonar aqui para meu apartamento.
- O Keiji ( ela trata autoridades e celebridades sempre pelo primeiro nome, na maior intimidade) disse que está perto de declarar nível 5! O Temporão já declarou nível 5! Desse jeito mundo vai acabar num chiqueiro! Ela berrou do outro lado do aparelho.
- Escapamos do mal da vaca louca, da dengue, da gripe aviária - estávamos rebolando com a crise financeira global e agora vem essa gripe dos três porquinhos cantando boleros! Essa não! Até o pessoal lá do Egito disse que vai abater todo o rebanho suíno. Tem gente dizendo que as máscaras só servem para decoração. Não era o caso de usar camisinhas no nariz? Já sei, pode ser que o Vaticano fique contra. Como a coisa começou no México (tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos), acho que seria melhor usar a máscara do Zorro. Este mundo está uma zorra mesmo! Meu medo é não conseguir saber como a Glória Perez vai resolver os inúmeros problemas de Caminhos das Índias. Será que estarei viva até lá? Meu vizinho do andar de cima espirra e eu corro para debaixo da mesa, igual ao menino que está surtado na novela e que todo mundo acha que é enxaqueca. Devolvam meu bilhete, não gostei do espetáculo - quero ir para outro planeta!
Ela estava atacada, e foi por aí desancando todo mundo, inclusive os urubus que andam cercando os passos da Dilma. E no meio disso tudo, me esculachou e disse que eu não tinha publicado nos meus dois “grogues“( ela nunca fala blogues, e eu acho que é por pura implicância) a crítica que ela fez à Silvia, personagem que Débora Bloch interpreta na novela “Caminho das Índias” , que está prestes a ser despejada da mansão da família Cadore.
Por essas e outras, vou postar aqui a reclamação dela, sem tirar nem por uma vírgula.
Te segura Silvia!

Minha vizinha chavista está tiririca com a Sylvia (ou será Silvia, simplesmente?) da novela Caminhos das Índias. A bela “viúva” (vivida na telinha por Débora Bloch) parece que se recusa a sair daquela casa monumental (que se imagina estar plantada na Gávea, ou na Barra- num lugar “nobre”, enfim) e mudar para um apartamento em Laranjeiras.
Foi isso que ela (minha vizinha chavista) me informou pelo interfone, até que ele pifou. Andam fazendo tantas obras aqui no “Condomínio do Barulho”, que tudo está pifando, depois de longos meses de marteladas e sabe mais o que andam fazendo esses pedreiros na estrutura do prédio. Hoje deu um curto nas luzes do meu escritório, que parecia que um Poltergeist tinha baixado com tudo no meu pobre lar.
Foi aí que ela (minha vizinha chavista) veio até minha casa. Minha mulher tinha saído - foi orar em outro lugar pela paz mundial, me deixando sozinho com a fera.
-Bote lá nos seus “grogues”(ela nunca consegue falar a palavra blogue, mas acho que é pura implicância) que essa Silvia me paga! Onde já se viu desdenhar nosso bairro! Esculachou geral! Laranjeiras é um bairro “cult”. Tem o chorinho da feira, o show de bossa-nova e jazz da praça do chafariz em forma de concha (Praça Ben Gurion) ,tem a feirinha de Teresópolis, tem as “Casas Casadas”, a CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) que tem formado tantos atores para a Globo. Tem a Tasca do Edgard, o famoso Bar do Serafim onde pontificava saudoso Juca, tem o Mamma Rosa, O Luigi’s, o bistrô da Frida, o Maya, o Severyna, o Varandas, a lanchonete do sêo Ferreira, a barraquinha de cachorro quente das madrugadas, a locadora Guimarães e vai por aí…Um Soho com rebolado, um Marais descolado, um Village com molho carioca, que é o nome do rio que passa por baixo da Rua das Laranjeiras. Sem falar que lá em cima no Cosme Velho fica o bondinho para o Cristo Redentor e tem mais: o Largo do Boticário, o Museu de arte Naïf, e o lugar - não mais a casa infelizmente- em que o nosso bruxo - o grande Machado de Assis morou. Sem falar na editora Objetiva que faz muito tempo montou seus escritórios aqui.
Fiquei calado enquanto ela procurava mais coisas bacanas do bairro…
-Tem o Instituto Nacional de Educação de Surdos , a Clínica Perinatal onde nasceu o filho do Ronaldinho, a Rua Alice, a Casa Rosa…. (aí eu cortei)
- Mas a Sylvia tem todo o direito de não querer sair do conforto de sua casa sensacional . Lá estão as coisas dela, os objetos afetivos…
- Que objetos afetivos coisa nenhuma, ela quer é ficar no bem bom. Se ela muda para Laranjeiras a novela fica até mais interessante. A vizinhança de jornalistas, artistas plásticos,escritores, designers, músicos, aquele baterista da Estelita Lins, o flautista que embala as tardes do bairro com aquelas melodias, os miquinhos que descem pelos fios das ruas fazendo algazarra…tudo isso iria enriquecer a novela.
Aí eu concordei, aquela casa da família do “falecido” 171 em crise existecial, Raul Cadore - fica muito isolada. E parece que o pessoal só sai de lá para ir à Lapa. Que figura como o único bairro onde existe algum movimento nessa cidade em transe. Fora da Lapa, só a Estudantina que por sua vez está em todas as novelas da Glória Perez. E merece estar.
Ficamos nesse papo enquanto o feriado de Tiradentes que levou muita gente a enforcar mais uns dias estava acabando embaixo de uma chuvinha chata.
Ela me adiantou que a vaca que ela tinha botado no jardim foi recolhida pelo serviço de proteção aos animais . Botou culpa no conselho consultivo do Condimínio do Barulho”
- Eles são de direita e só acham sagrado o vil metal!
E os dalits? Perguntei
-O choque de ordem botou tudo num abrigo, mas eles voltam, eles voltam aos pouquinhos e vamos transfomar a piscina do Condomínio num belo Ganges com suas águas purificadoras.
Foi aí que minha mulher chegou depois de orar pela paz mundial e trouxe novidades sobre o Nirvana e como faremos para chegar lá. Minha vizinha chavista achou o tema muito cacete, e se mandou esbaforida para mais um capítulo de sua novela. Nesse enredo ela é a heroína - que como uma Anita Garibaldi dos tempos pós-modernos , vai invadir e tomar a Globo, junto com os velhinhos brizolistas da brigada ” O Tempo e o Vento”, que jogam dominó na pracinha do Politburo. Diz ela que o projeto é transformar a “Vênus Platinada” numa produtora de novelas full time, com o intuito de tornar menos difícil a vida dos nossos companheiros cubanos que adoram as novelas Globais e sofrem as agruras do insano bloqueio norte-americano.
Hasta la victoria final!










