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Arquivo para março, 2009

Chaplin de saias

31 de março de 2009

Uma coisa me intrigou, sábado no Espaço de Cinema quando fui assistir “O Visitante” . Era a imensa da fila para ver um filme com um nome curioso - “Simplesmente feliz”. Esse título parecia encerrar uma finalidade até certo ponto atrevida- dizia, sem meias palavras, o que  iria contar. Sem mistérios,  falava que  sua  história era simples, sem  deixar nenhuma aresta para a dúvida. De tão claro ele parecia  desconvidavar o possível espectador a testemunhar sua performance, como se dissesse : É isso aí- é a história de alguém que é feliz e ponto final!  Se quiser ficar deprimido entre na sala ao lado, que tem uma história triste e cruel passando!
Suspeitei que deveria haver alguma coisa a mais que movia as pessoas a gastar seu precioso tempo naquela fila gigantesca que serpenteava no meio do tal espaço onde tem uma livraria, uma lachonete e mais duas salas de projeção para ver  essa  tal felicidade. Deve ser uma obra prima! Confrontado com o título, comecei a achar  que eu andava muito sério ultimamente. Talvez  alguma promessa me escapou quando vi o cartaz desse filme.
Então, no domingo, mais uma vez interrompi  o trabalho da minha mulher pela paz mundial e fomos ver esse filme intrigante.
Descobri que “Simplesmente Feliz “( este é título em português que achei bem melhor que o original inglês Happy-go-lucky) me trouxe um problema e uma descoberta.
Falarei primeiro da descoberta (para mim maravilhosa) - ou seja, de Sally Hawkins- a atriz que faz o papel principal do filme, Poppy, a professorinha alto astral. Ela é um verdadeiro Carlitos de saias. Não só no jeito de corpo com que interpreta( tão característico dele na época do cinema mudo), mas até no rosto, no olhar. Cheguei a devanear que ela seria a alma gêmea de Chaplin, perfeita para acompanhá-lo nas aventuras de vagabundo genial. Dois ingleses que  nos fariam morrer de rir.  Tem mais,  ela se expressa quase como se fosse um personagem de desenho animado, (muito animado mesmo!) pela maneira rápida de responder aos diversos chamados, perguntas, solicitações várias de pessoas e situações e pelos sons que emite, quase uma trilha sonora com sonoplatia e tudo. Aumenta essa sensação, o fato dela interagir com as coisas (animismo?) , falar com elas, não distinguir nem excluir nada e ninguém de sua vida entusiasmada.
Agora vamos ao problema: O  filme me incomodou. Fiquei com o sentimento de que não gostei dele quando desci as escadas da sala de projeção para mergulhar na realidade. Taí, o problema nesse filme foi a presença-ausência da REALIDADE.  Poppy passa longe do chamado “Princípio de Realidade“(*). Ela deixa isso claro, logo no começo do filme, quando depois de uma bela sequência de Poppy pilotando uma bicicleta - a moça entra numa livraria, onde “cutuca”  um sisudo livreiro e,  num determinado momento, dá uma paradinha diante de um livro que tem no título a palavra “realidade” . Ela então solta uma frase mais ou menos assim: -Realidade, tô fora!  E sai rindo.
Mais tarde, tentando me entender com o filme me lembrei então, de uma frase do divertido livrinho “Esperando Foucault, ainda” do antropólogo Marshal Sahlins  que diz o seguinte: “a realidade é um belo lugar para se visitar (filosoficamente), mas ninguém nunca morou lá.”  Quer dizer que Poppy assim recebe o selo de qualidade dado por um conceituado antropólogo? Mesmo sendo aquele ser destrambelhado que vive sorrindo numa felicidade absoluta? Fugir da realidade é uma tendência humana, isso explica um pouco porque entramos em salas escuras de cinema para ver a vida dos outros, e vida de outros que são mentiras, belas ficções contadas em 24 quadros por minuto (ou por segundo?) - uma projeção, um pneuma!?
Na verdade, Poppy vive dando esbarrões na realidade com sua felicidade irritante, quase perversa.
Isso me fez pensar também o quanto irrita as pessoas a felicidade dos outros. Ou melhor, a estridência da felicidade alheia. Principalmene na era dos fármacos antidepressivos que mantém a sociedade tarja-preta funcionando. Me lembrei de um colega de trabalho que ria muito dos desastres da vida dos outros quando apareciam no noticiário da TV. Lembrei também daquela máxima de que notícia boa é notícia ruim. - essa é que dá manchete, que chama atenção!
Pode ser que o roteirista e diretor Mike Leigh tenha pensado nessas coisas , e até  partido da visão de que o “riso”, o que faz rir , o “risível” é aquela terra “ignota”- situada além do racional, (vista como o não sério) - cujo território é estranho à razão dominadora, que não a alcança. O riso seria o território onde a razão estanca. É, segundo a sacada de Verena Alberti (em O riso e o risível -na história do pensamento) em determinados momentos:- “o espaço do indizível, do impensado, necessário para que o pensamento sério se desprenda de seus limites.”  Ou o carro-chefe de um movimento de redenção do pensamento, como se a filosofia não pudesse mais se estabelecer fora dele.”  Ufa! Acho que exagerei, apesar de que a felicidade- nessa visão- estaria muito próxima do riso. Foge ao controle do pensamento, do racional- nos é estranha.
Mike Leigh acho que não pensou em nada disso. Ele gosta de improvisar como fez em outros filmes seus e disse isso segundo minha pesquisa recente - pensou na atriz e começou a criação da história - sem muitos compromissos com a “realidade”.
Isso significa que para nós o problema continua. Poppy  é tão feliz que chega perto da idiotia. Alguém disse que Mozart também era assim, quem não lembra de seu riso ruidoso (e igualmente irritante) em “Amadeus”? Dizem as más línguas que ele era- sem contestação- o maior gênio da música, mas seu comportamento descacetado beirava a insensatez - babava na gravata.
No fim das contas, vi que aquele filme sem pretensões não me tinha feito perder tempo. Que ele me levou a pensar no mundo depressivo em que vivemos, nos signos dele gravados nos grafitis da cidade, nas sombras, na crise, no grande crash, na violência diária e banal em que estamos mergulhados, no caos ambiental, na poluição nossa de cada dia. Me fez lembrar até de uma passagem de Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino onde ele fala mais ou menos isso: Se nossas cidades viraram um inferno, nossa tarefa é tentar ampliar o que não é inferno.  Serve como uma dica para entender o comportamento da moça? Talvez. Um filme que fala da felicidade -  de uma felicidade individual, única, é claro que me perturba. Mesmo que a personagem principal  em determinados momentos encontre a “barra pesada” ela sempre é atenuada. É caso da sequência do mendigo louco - que no entanto se mostra terno, contendo sua imensa violência , e se mostrando no fundo- um maluco beleza. Melhor para Poppy que saiu inteira das trevas onde se meteu, com sua ingenuidade de dar dó. O profeta Gentileza iria se dar bem com ela.  Porém o momento mais tenso é aquele que rola com o seu instrutor da auto-escola. E isso eu não vou contar para , sabe como é, não estragar o seu parzer.
Minha filha me disse que na cena do maluco-beleza surge a oportunidade de aparecer alguma vunerabilidade na personagem cuja felicidade parece ser  de ferro.(felicidade=blindagem). Nesse momento ela cede diante do medo, do asco e depois da ternura em relação à “fera” enjaulada naquele mendigo. Na verdade tão outsider quanto ela.  Ela que em certos momentos parece desconhecer os perigos e os limites dela e dos outros.
Engraçado, parece  que Poppy está deslocada no tempo. Estaria mais a vontade na época dos hippies - na era de Woodstock , das utopias coletivistas anti- capitalistas sem revolução armada ( nos anos 60/70 na era da paz & amor) , antes de Lennon dizer que o sonho tinha acabado e os heróis de Easy Rider (Sem Destino) serem abatidos a tiros pelos rednecks (apesar desses heróis de motocicleta terem os pés de barro - são pequenos traficantes que usam a droga para financiar sua liberdade). Poppy, por sua vez é uma heroína dos tempos neoliberais, do ultra individualismo, do embalo do ecstasy, das raves sem fim. Uma mocinha careta num mundo de drogados felizes.  Definitivamente, esse filme não está ai de bobeira, seu diretor realmente é um agente provocador.
Leigh, a gente sabe,  sempre pega pesado. Em “Segredos e Mentiras”(Secrets & Lies) ele aborda um tema difícil- uma história em que entra o fator “raça” e o racismo, ao contar o drama de uma mulher negra que foi abandonada e adotada, e que  ao pesquisar suas origens (quando sua mãe adotiva morre)  acaba descobrindo que sua mãe biológica é branca …No filme”O Segredo de Vera Drake”(Vera Drake ) ele bate da cintura para baixo - fala da questão complexa do aborto, do contraditório comportamento humano, em cores sombrias. E agora vem com essa de felicidade!  Fico imaginando se Poppy fosse uma professora de uma escola pública brasileira( e não como no filme, de uma boa escola média cujo único problema que aparece e é logo resolvido eficiente serviço social britânico- é a história de um menino agressivo que tem um padrasto espancador), seria ela tão feliz? Acho que é exigir muito de Mr. Leigh.  Nossa “surrealidade” é para profissionais. Sorry bwana, sorria! Olhe o Cristo Redentor Mister,  não se preocupe com as balas perdidas. Está tudo dominado!
Conclusão: Continuo intrigado com aquela fila do cinema.
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(*) Segundo o Dicionário de Psicanálise de Elisabeth Roudinesco e Michel Plon
“Princípio de prazer/ princípio de realidade”  é um “Par de expressões introduzido por Sigmund Freud em 1911( “Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental”) a fim de designar os dois princípios que regem o funcionamento psíquico. O primeiro tem por objetivo proporcionar prazer e evitar o desprazer, sem entraves nem limites(como o lactente no seio da mãe, por exemplo) , e o segundo modifica o primeiro, impondo-lhe as restrições necessárias à adaptação à realidade externa.”

Não percam “O Visitante”

29 de março de 2009

Na semana que passou, recebi um e-mail de um amigo que recomendava com muito entusiasmo o filme “O Visitante“. Dizia que era o “melhor filme dos últimos anos: um emocionado e emocionante questionamento da intolerância e das diferenças”- afirmava “é sobre a descoberta do outro e o encontro.” Classificava o filme como “imperdível”.
Não tive dúvidas - convidei minha mulher, que deu um tempo no seu trabalho incansável pela paz mundial e fomos conferir.
Escrevo esse post num só fôlego, portanto, perdoem qualquer deslize, repetição ou vacilo com a nova ortografia e com a velha também.
Sim, “O visitante” (The visitor - (2007) é tudo isso que meu amigo disse. Só que não vem com aquele discurso altissonante de denúncia. Não vem com pedras na mão e com estardalhaço, mas acredito que provoca uma reflexão mais profunda sobre as relações  humanas nessa altura do campeonato. De ruidoso mesmo, só tem o tambor sírio, uma metáfora- um meio de comunicação dos diferentes.  Quem ver o filme vai entender essa sacada.
O filme é escrito e dirigido por Thomas MacCarthy (que também é ator, - atuou até em três episódios de Law & Order) e dirigiu   o filme  “O Agente da Estação” (The Station Agent) que conta a históría muito louca de Finbar McBride, um anão que resolve viver uma aventura longe da humanidade numa estação de trem  (que ele herdou)abandonada, mas acaba se relacionando com uma artista devastada por uma perda e um vendedor de cachorro quente.
“O Visitante” conta uma história menos exótica, fala de diferentes num mundo locuo, mas  já  é algo próximo de uma obra prima.  Conta a história de um  professor - Walter Vale, interpretado magnificamente por Richard Jenkins. Esse professor de economia políica  está vivendo um momento  de total desânimo e solidão depois da viuvez e da partida de seu filho para  estudar na Europa.  Sua falecida mulher era uma pianista clássica e ele tenta em vão fazer alguma coisa nos teclados do piano que como ele - ficou abandonado, mas desiste depois de tentar aprender com vários professores.  Sua vida se resume a dar uma única aula semanal na universidade , com um programa que não se altera há anos, e uma rotina sem sal que será quebrada com a solicitação de que ele participe de um congresso em Nova Iorque. O complicado desse convite é que ele tem que falar sobre um livro do qual é co-autor , mas que na realidade , ele apenas entrou com o nome. Ele tenta se safar dizendo que está produzindo um novo livro etc e tal, mas é colocado contra a parede e obrigado a embarcar para o tal encontro de especialistas.
Quando ele chega ao seu apartamento novaiorquino (que se encontrava fechado desde a morte de sua mulher) de repente percebe que ele está ocupado por um casal imigrantes ilegais que foi parar ali por causa de um sujeito 171 que ao que parece alugava imóveis há muito tempo sem uso. Os imigrantes ficam apavorados., com a chegada do estranho visitante. O  rapaz,  um sírio chamado Tarek (vivido por Haaz Sleiman)  e a moça, que veio do Senegal,  Zainab (Danai Jekesai Gurira) acabam depois de alguns mal-entendidos-  estabelecendo uma relação com Walter. Aí que começa uma história comovente - a história do encontro e das diferenças de que falava meu amigo no e-mail. Não vou contar o resto da história, por que seria safadeza.
A única coisa que posso acrescentar é que é um drama, onde aparece de forma clara, sem estridiencia, os contraste de um mundo criado a partir do ataque dos 11 de setembro e as suas funestas consequências  ou seja , a era Bush - a intolerância, a vigilância, a desconfiança e principalmente o desrespeito aos direitos dos cidadãos e os métodos brutais aplicados de forma fria e burocrática para tratar dos problemas  dos imigrantes. Esse filme mostra como Guantánamo estava dentro da aparente normalidade da Big Apple.
Outra coisa que tem que ser ressaltada, é o maravilhoso desempenho do elenco e sem dúvida a redescoberta do imenso talento de Richard Jenkins. Esse ator que sempre teve papéis secundários ou em comédias, revela seu potencial dramático ao viver o complexo professor  Jenkins.
Meu receio é que no meio dessas grandes produções que estão em cartaz na cidade, esse filme passe para segundo plano.
Agradeço ao meu amigo por essa preciosa dica.

(NR. Outra coisa bacana foi conhecer o som do músico nigeriano (já falecido) Fela Kuti que aparece citado no texto do filme e na trilha sonora )

Rubem Grilo - Xilográfico : uma exposição imperdível!

27 de março de 2009

(Clique na imagem para ampliar e ver detalhes)

Ele sem dúvida é um dos maiores artistas brasileiros. Pois é, Rubem Grilo, com aquele time de mineiro, quietinho, botou em exposição uma mostra de sua magnífica obra. E acho que é hora de fazer barulho para chamar os amantes da boa arte.

Essa preciosidade está no centro do Rio, na CAIXA Cultural Rio de Janeiro, Galeria 3 - Av. Almirante Barroso, 25. Tel. 2544.4080 • 2544.1099 • 2544.7666. (caixacultural.rj@caixa.gov.br
www.caixa.gov.br/caixacultural)

Neste sábado, dia 28 de março, a partir das 16 horas vai rolar o lançamento do catálogo da Exposição (Rubem Grilo – Xilográfico, 1985–2009 )  com uma visita guiada.  A mostra fica até dia 12 de abril e é imperdível. E pensar que essa obra, de fínissimos traços, para se tornar realidade é arrancada da madeira - e que o artista quando a faz pensa o contrário do que vai ser impresso - é uma maravilha! - Olhe que não estamos falando dos temas, da criatividade, da imaginação e da exploração gráfica e plástica. Quanto a isso, confesso que é difícil falar de  objetos visuais, da complexidade deles - as palavras faltam. Só vendo mesmo, e esta é uma grande oportunidade. Sábado todo mundo lá!

Quem quiser ter uma idéia da Exposição é só clicar no seguinte endereço : http://www.artepadilla.com.br/rubemgrilo/

“Em Paris” - Nouvelle Vague reciclada

26 de março de 2009

Vi Em Paris ( Dans Paris-2006 ) em DVD, mas não sei se ficaria melhor impressionado se visse na tela grande. Tenho receio de estar dominado por um sentimento de antipatia em relação a esse filme.
Só sei que não deu para entender a recepção calorosa que  teve no Festival de Cannes  a ponto de provocar uma segunda sessão no dia da sua apesentação. Essa obra de Christophe Honoré não é um filme revolucionário, nem um filme careta de narrativa de começo meio e fim. É um filme fake, não chega a ser nem nostálgico, tenta ser algo num outro tempo.  Na verdade, parece que tenta voltar no tempo,  quase que se contenta em ser uma citacão. Pior, pretende  ser um filme dos anos 60.  Só uma baita saudade dos tempos da Nouvelle Vague- em que o cinema francês causava espanto -  poderia criar esse reboliço no festival. Mas o flme consegue obter esse efeito mágico? Afinal, o cinema é, de certa forma magia. Tem gente que se encantou. Eu confesso que me aborreci, logo no começo. O curioso é que o cinema francês tem mostrado boas obras, com narrativas interessantes.   Mas esse  Em Paris, além de ser uma péssima imitação da Nouvelle Vague,  deve ter feito  Truffaut (que nesse filme está representado-homenageado por dois atores que trabalharam sem seus filmes -Guy Marchand e Marie-France Pisier) se remexer no túmulo.
O mal do filme deve ser que ele promete muito. Começa até com uma cena provocadora : um rapaz  acorda entre um jovem e uma garota, (uma ménage à trois? De novo?), pula da cama e vai para a sacada do apartamento. Lá , Jonathanm (esse é o nome do gajo) se dirige diretamente ao público e com um  bla bla bla empolado (cheio de caras e bocas), numa narrativa que pretende ser “moderninha” ( à la Pirandello) mostra o personagem vivido pelo ator  Louis Garrel, fora da obra falando sobre seu papel nela.  nesse papinho ele enrola o pobre cidadão que pagou ingresso (ou alugou o DVD),  criando nele grandes expectativas. E assim o incauto que se prepara para  ver uma história interessante, acaba perdendo seu  precioso tempo. A tal da narrativa com frases de um existencialismo de segunda mão (falando de tristeza) e uma trilha sonora com um jazzinho básico (típico dos filmes dos 60) em fragmentos revela, num zig zag  que o irmão mais velho de Jonathan, Paul (vivido por Romain Duris) se apaixonou por uma moça chamada Anna (Joana Preiss),  casou , foi morar no campo, teve problemas de relacionamento , se separou à francesa, e voltou a morar com seu pai  (que é separado da mãe e vive de uma  aposentadoria mixuruca).
O pai , por sua vez se preocupa com  o bon vivant do Jonathan e agora  tem que aturar os chiliques de Paul. Até que o irmão mais novo tenta levantar o moral do cara. Mas como é  um tremendo galinha , gasta seu tempo em camas diversas, em jogos amorosos com garotas da cidade, enquanto telefona insistentemete para seu irmão problemático que imóvel no quarto sucumbe à depressão. Seu estado é tal que leva seu pai ao  desespero. O velho   chega a pedir socorro à sua ex (mãe dos jovens) para trazer algum alegria ao rapaz desencantado.
O que incomoda é que dá para perceber que  é um filme de pose, que tem algo de inautêntico (sei que é difícil se conversar sobre autenticidade nesse mundo de ilusões cada vez mais desenvolvidas pela técnica). A facilidade com que Jonathan é aceito pelas moçoilas, parece reforçar o estereótipo do caráter devasso, liberal de Paris.
Não sei se os produtores se entusiamaram demais com o filme “Os Sonhadores” (The Dreamers) de Bernardo Bertolucci (que também acho um filme perdido em sua filmografia pós-pequeno Buda). Vai ver que foi isso - tentaram surfar nessa onda,  acho que apostando no ator que faz Jonathan, que é o mesmo que divide sua irmã com um americano numa banheira enquanto o pau comia na rua em 68 no filme de Bertolucci.
Nem para quem gosta da “paisagem” de Paris, o filme dá um refresco. A cidade pouco aparece, e quando aparece é noite. Acho que aqueles  dois filmes “palavrosos” com Julie Delpy e Ethan Hawke (Antes do Amanhecer/ Antes do Anoitecer) e o péssimo  2 Dias em Paris (2 Days in Paris) dirigido e interpretado por  Delpy (agora tendo como parceiro Daniel Brühl) esgotaram o assunto.
Bem, chega de bla bla bla, da próxima vez pego o Atirem no Pianista (Tirez sur le Pianiste), é um legítimo Truffaut .

Minha vizinha chavista detona “O Clone”

24 de março de 2009

(Quem ainda não teve o desprazer de conhecer minha vizinha chavista, por favor, procure nos arquivos deste blogue a primeira crônica em que ela aparece de corpo inteiro. De qualquer forma, acho que ela dispensa apresentações, pois ela sempre entra com o pés nos peitos).

Minha vizinha chavista nem deixou a novela acabar e já veio tocar a campainha do meu apartamento. Minha mulher estava fora, na sua missão de salvar a humanidade da própria humanidade e eu me encontrava sozinho e frágil diante do furor bolivariano que encontrei ao abrir a porta.  Ela nem disse boa noite - indignada já veio soltando os bichos :
- Vim aqui para que você bote nos seus “grogues” ( ela nunca consegue dizer blogue) que estou muito chateada com o andamento de O Clone (Ela quer dizer Caminho das Índias).
O  Márcio ( ela quer dizer Márcio Garcia-  ela sempre fala de celebridades dessa forma, usando o primeiro nome, na maior intimidade) além de ser dálit, é míope. Como é que rapta a noiva errada? E ainda por cima com aquele pangaré que acharam no Recreio e botaram uma roupitcha de bumba meu boi! Ele, que representa a classe operária na novela  não pode vacilar assim. Vai enxergar mal assim na Conchinchina. E onde fica a moral ? Melhor faz aquela empregada doméstica dos Cadore . Tá sempre dando um passa fora no velho patriarca.
E agora, me diga -  O Márcio vai ter que casar com a menina raptada? Vai desgraçar a garota?  Por que ele não volta para os EUA e abre uma rede de Deli shops lá? Vai ser menos discriminado do que em Bombaim. E olha que americano é bom nisso!
E a outra? (ela se refere  à Maya vivida por Juliana Paes). Será que vai transar com o Raj mesmo grávida do pobre Márcio? Que pouca vergonha? Além de não ter camisinha no Projac, agora está faltando vergonha. Tá certo que no Ejac, onde fazem o BBB a coisa saiu dos limites conforme li nos jornais. Teve uns ” vazamentos” de matéria fecal na internet. Num audio, aparece o Bial  dando uma bronca numa lourinha lá que “arrancaria o braço” dela se ela  continuasse a cutucar os dedos da vovó Naiá (que é diabética) com um alicatinho não esterilizado. Ele usa claramente a palavra merda com toda razão. Depois  uma garota de cabelo preto disse que passou mal porque tomou  um refrigerante que ela classificou também como cocô , ou coisa parecida.
Já reparou como no Brasil as coisas vazam. Nunca vi tanto vazamento e tanta escuta ilegal. Tubos e conexões deveria ser uma coluna de jornal diário dessas coisas que vazam. Que país de fofoqueiros! Por isso quero é tomar a Globo e fazer novela para o dia inteiro. Nossos comapanheiros de Cuba e por supeusto da querida Venezeuela vão adorar! Mas na novela que vamos fazer o Márcio usa óculos e não vai errar a noiva.
Nem me dei conta e ela já estava detonando outra pessoa jurídica:
- E tem mais, o Cadore Jr. ( agora ela está falando de Raul o empresário da família Cadore - vivido pelo Alexandre Borges) anda tão estressado, o coitado que está  caindo na lábia da  sedutora de Ivone  (Letícia Sabatella)e para se livrar da chata da Silvia ( Débora Bloch). Não é que  resolveu que vai se fingir de morto. Vai simular que bateu as botas.  Que exemplo estão dando para nossa junventude!!!
Não adiantou argumentar que a nossa juventude está bastante avançada, que enquanto a gente está indo, ela já está voltando. Que apesar da existência de milhares de 171 atuando nas ruas e na internet,  o pessoal está vacinado contra a pilantragem. Quase saquei estatísticas para provar que  a tendência para entrar no conto do vigário caiu nos últimos tempos. Não adiantou falar que o Fantástico teve uma função pedagógica quando fez matérias alertando para os golpes que circulam na praça etc e tal… Claro que não levei em conta as últimas notícias do mundo político, onde a esperteza….bem nem vamos falar nisso.
Meus argumentos foram em vão.Ela estava descontente com o andamento da novela:
Eu mudaria essa cena do rapto no Clone : -  O Marcio  deveria levar a Juliana naquele pangaré enfeitado. A trama ia ficar muito mais interessante, mas acho que o pobre é cegueta mesmo .  Talvez seja uma metáfora , um toque subliminar para mostrar os engodos a que se submete a classe oprimida. Agora não sei como vai ficar…Uma coisa é certa, na Índia, a classe operária não vai para o paraíso mesmo!
Enquanto na TV, a pobre menina encalhada  do call center se purifica ao saber que foi tocada e raptada por um dálit,  minha vizinha nem liga, muda a direção de sua metralhadora.
-Também não aguento mais o Tony ( Tony Ramos) falando aquelas bobagens de “tão certo como leite de mãe” e o pai da noiva, em macarronês berrar que come o “peixe mas não se engasga com a espinha”… estão querendo impingir bordões do Industão  aqui na nossa terra. Hare Baba, a Índia é aqui, não o Haiti!
E o Lima (Duarte) , o meu querido Sinhozinho Malta, agora entrou numa de querer se transformar num “renunciante”, quer virar santo depois de tanta safadeza que fez em outras novelas. Esse negócio de ficar falando ” a resposta está dentro de você”, que ele fica repete para o pobre Bahuan já encheu as medidas. E essa história do tal do Bahuan querer ser grande. Grande é a barriga do Zé Abreu! Me diga, o que é aquilo?
Eram tantas perguntas e críticas, ainda mais com aquela musiquinha indiana  martelando meu ouvido que resolvi baixar a TV e mudar o rumo da conversa.  Convidei a minha radical vizinha para tomar um chá.  Um chá inglês que ganhei de minha filha no Natal. E pensei como aquele oficial da Grande Albion:- The natives are restless that night…(é assim que se escreve?)
Nada como um chá. Pelo menos ele resolve qualquer problema nos domínios do Império Britânico -seja nas novelas policiais da Agatha Christie ou numa batalha naval nas ilhas Malvinas! Ela topou na hora e comeu todos os biscoitinhos da lata. Minha mulher é que vai ficar fula da vida, pois estava reservando os biscoitos para um encontro místico, mas perdoará, e entenderá que foi por uma boa causa. O universo parece estar nos eixos- nesses momentos de contemplação diante da xícara fumegante.  E dizer que tudo isso um dia vai acabar, daqui milhões de anos!  Até lá, paciência. Gandhi tinha razão.
E aí quando terminou a novela, mudei de canal e sem querer vimos um trecho do progrma de Luciana Gimenez  que mostrava o estado emocional dos cachorrinhos do Clodovil depois do passamento dele. Nem vou contar o que minha vizinha chavista, de xícara em punho falou…( no fundo acho que ela quer invadir a Rede TV também)

Once -Um filme ultra-romântico

23 de março de 2009

No fim de semana que passou tive uma grata surpresa ao ver um filme (em DVD) irlandês - quase engasguei com a pipoca.
Apenas uma vez (Once), de 2006, vencedor do Oscar de 2008 pela melhor canção -  Falling Slowly (foi idicado para o Grammy no mesmo ano - mas foi aquele em que o pianista budista Herbie Hancock ganhou o prêmio mais importante da noite, o de melhor disco do ano com River: The Joni Letters , e  a danada da Amy Winehouse abocanhou outros cinco troféus)  não é um musical, mas é quase um filme de trilha sonora em que as canções ajudam em muito a contar  a história. O que apaixona as pessoas nesse filme é a sua simplicidade e sua humanidade.- o fato dele despertar um desejo  de que esse mundo seja melhor.  É um filme,  cujo roteiro ocupa apenas umas 10 linhas. Uma história de amor? É, pode-se dizer que é um filme romântico, ou melhor, ultra-romântico - um romantismo bem nos moldes do século XXI. O importante nele, volto a dizer,  é uma crença no ser humano, na sua capacidade de superação, na importância de certos encontros e do afeto. Uma crítica mais servera, diria que ele passa batido pelos problemas do mundo de hoje - que se trata de um delírio, no mínimo um sonho, um conto de fadas urbano- como diz a LA Weekly numa frase destacada na embalagem brasileira do DVD.  Explico-  é um filme que comete o pecado de não ser a repetição do triângulo sexo- drogas-violência (o rock and roll seria apenas a embalagem). Ele conta a  história de Guy, um cantor de rua de Dublin (interpretado por Glen Hansard) que trabalha com o pai numa oficina que conserta aspirdadores de pó. Em alguns momentos de folga da oficina ele solta a voz  e ganha alguns trocados - de dia nas esquinas movimentadas da cidade cantando coisas do repertório popular e, de noite  canta coisas de sua autoria. Se esguela ao botar pra fora  seus sentimentos feridos - sua solidão e a sua perda ( a namorada o abandonou) em belíssimas canções, com  letras elaboradas e intrepetações emocionadas - arrisco dizer - arrebatadoras. Numa noite dessas de bardo, passa uma moça checa, Markéta (vivido por Markéta Irglová) que vende flores para sobreviver. Ela para, ouve uma canção, se encanta e joga uma moeda na “caixa” do violão do rapaz. Começa então um papo com ele, que vai dar pano pra manga. Ela também faz canções e toca piano divinamente. A coisa a partir daí se transforma numa “relação” especial- um procura a companhia do outro, trocam confidências - se aproximam, tornam-se parceiros…rola um clima (bem não vou estragar o prazer de vocês e contar o final).
No fundo está a dificuldade de empregos na Irlanda, o poder econômico e cultural da Inglaterra (Londres) , o a questão  da imigração com a desintegração do leste europeu - mas isso bem no fundo - quase não aparece no filme. Mas aí não importa mais nada, você quer esquecer a crueldade do mundo por uns instantes, e acreditar que aquilo que rola na tela é possível. A gente entra na torcida para que os dois acabem juntos. (no bom sentido, é claro)
De certa forma, o filme é produto do imenso talento dos duas  pessoas : Glen Hansard - que interpreta o cantor de rua com  sua voz potente e a graça de Markéta Irglová  que é também cantora, e domina vários instrumentos. As músicas que tocam no filme, a maioria delas foi composta por Hansard e uma delas por Markéta ( Markéta  é parceira dele no conjunto de rock The Frames - cujo último álbum  “The Cost” feito em 2006 fez muito sucesso). Uma curiosidade: Hansard começou sua carreira musical , com 13 anos de idade se apresentando nas ruas de Dublin com , segundo a Wikipédia.
Taí, não é uma supre-produção - é um filme barato, feito com bastante esmero e competência por John Carney  (roteiro e direção).  Não se pode esquecer de elogiar o elenco que acompanha o casal nessa aventura- que é muito bom.
Outra coisa que não posso deixar de falar é que  pela ela atmosfera e por sair do estereótipo trágico do filme irlandês, Once lembra um pouco  o filme (sensacional) The Commitments, de Alan Parker, no qual Glen Hansard fez o papel de um guitarrista (Outspan Foster) . Por outro lado, por contar uma história de outsiders, passa perto dos filmes de Jim Jarmusch (veja Stranger Than Paradise),  e pela delicadeza da abordagem do tema das relações de afeto nesse mundo do pós-tudo, nos remete ao bom filme de Sofia Coppola  “Encontros e Desencontros” ( Lost in Translation).
Arrisco a dizer que o filme é imperdível.  Acho que exagerei!
(Ah! a trilha sonora é maravilhosa e está gravada em CD)

Assinatura muito louca (uma fábula pós-moderna)

21 de março de 2009

( O básico desta história eu já publiquei em algum lugar, não me lembro aonde. Como ela antecipava um certo desespero da mídia, achei que valia a pena botar no ar de novo. Só que agora com alguma pimenta, e atualizações)
Era uma vez uma época em que os jornais lutavam desesperadamente para sobreviver. Os que sobreviviam enfrentavam uma concorrência tremenda, e chegou um momento em que a concorrência ficou tão acirrada que o negócio de promoções radicalizou de vez.
Foi nesse instante que um candidato a assinante ficou encantando com a campanha publicitária de um dos jornais envolvidos na peleja. Ela oferecia além da assinatura do referido diário, um computador, a possibilidade ganhar um automóvel ou a estadia num hotel 5 estrelas em Miami. Como brinde oferecia também uma mulher novinha em folha,ou um similar.

Este último ítem,(se é que podemos chamá-lo assim, não especificava direito o que vinha nesse pacote maluco) é que mexeu definitivamente com a cabeça do nosso candidato a assinante.
Ele hesitou, mas acabou telefonando. Queria saber detalhes da tentadora assinatura.
Foi atendido por uma voz feminina muito simpática e sensual que informou todas as condições contratuais e facilidades para efetuar a transação.O jornal enviaria os boletos etc e tal…
Nesse momento,ele interrompeu a garota e perguntou gaguejando.
-E…E…Eu que.. queria sa..saber sobre o brinde?
-O senhor se refere ao componente feminino do nosso pacote, ou o similar?
-Como similar? Ele perguntou,desta vez sem gaguejar.
-É que talvez o senhor queira um garotão. Temos uns bem dotados - rapazes de boa família….ou o senhor prefere um travesti?
-Não! Ele quase gritou.
-Quero saber da mulher!
-O que o senhor gostaria de saber?
-Eu gostaria de saber como ela é?
-Temos vários tipos no nosso catálogo.O senhor só precisa escolher. Basta acessar a nossa página na internet,o site www.brinde/assinatura/mulher.com.br.html, ou compar a nossa edição especial de domingo,onde elas vão aparecer num ensaio de um dos nossos melhores fotógrafos. O senhor vai se deliciar escolhendo as nossas modelos num caderno caprichadíssimo, em papel ‘couché’. Lá elas estarão vestidas com roupa comum, de biquini e com um ‘negligezinho’básico, muito sensual. As fotos são bem detalhadas,focalizando nossas meninas de frente,perfil e também, é claro , não esquecendo da preferência nacional….E tem também um só de rapazes de sunguinha, e para os mais excêntricos, travecos fabulosos, de deixar jogador de futebol babando, o senhor entende?
- Já disse que só me interesso por mulheres… e continuou:
-Mas como é isso, ele peguntou.Como é esse estoque? Vocês tem clones? E se um assinante pedir a mesma mulher?
-Realmente,houve uma falha na nossa campanha, esquecemos de explicar que senhor vai,na verdade, escolher um modelo de mulher. A criatura real que o senhor receberá em casa será mais ou menos igual a esse modelo.Uma variação, entende? São todas parecidinhas. O senhor quer que tipo?
-Uma loura,sou maluco por loura!
-Pois então, veja nosso modelo de loura. Temos naturais e oxigenadas- uma fartura! É só fechar o contrato de assinatura e a louraça irá entregar o primeiro jornal na sua residência.
Ele ficou apreensivo e respondeu rápido,voltando a gaguejar…
-Na…Não! Em casa não. Mande para meu escritório, depois eu vejo o que faço com ela. É que sou casado.
-Ok.Entrega na sua empresa…(parecia estar anotando)…Ah! ia me esquecendo de um detalhe: São mulheres de alta manutençao, o senhor entende, não é?
-Como assim?
- Exigem um padrão de consumo determinado. O senhor receberá com ela o nosso kit que inclui um cartão de crédito, sem limites e o manual de instrucões. Nele o senhor poderá se inteirar dos endereços das boutiques onde ela costuma comprar suas roupinhas, os tratamentos de pele, a academia de ginástica que ela frequenta, o ‘personal trainner’, a massagista, o pessoal do pilates, a depilação,  o cabelereiro,  a manicure, as aplicações de silicone, botox, essas coisas….o senhor pagará o cartão todo final de mês junto com ao a parcela da assinatura.
Foi aí que ele acordou…pulou da cama…assustado
Na cozinha sua senhora estava preparando o café…Ele quase engoliu a xícara.
-Vou até a banca e volto já, meu bem…
Deu-lhe um longo beijo e no corredor ainda ouviu sua mulher …
-Que é que você tem, amoor?Você está tão estranho hoje?
Ele não respondeu nada, o elevador tinha chegado com alguns vizinhos mal-humorados…
Na banca escolheu outro jornal, um que só falava de economia e não oferecia nenhum brinde, só notícias ruins.

Cartum: Adaptações Shakespeareanas

20 de março de 2009

Este mundo é uma piada

19 de março de 2009

Este mundo definitivamente é uma piada. Sabe aquela música do Olodum Madagascar, cujo refrão é “Iêêê sakalavas oná ê, iááá sakalavas oná ah
Madagascar, ilha ilha do amor…” Pois é, deve ser a trilha sonora que  tá tocando por lá. É que rolou um golpe de Estado por aquelas bandas e sabe quem assumiu a parada ? Um DJ, isso mesmo! (uma vez DJ, sempre DJ). Uma celebridade que acabou virando prefeito de Antananarivo ( a capital da Ilha- antiga colônica francesa no Oceano Índico). Ele se tornou um dos lídreres da oposição ao  presidente Marc Ravalomanana .  O nome do rapaz ( pois tem apenas 34 anos)  é Andry Rajoelina . Tudo começou quando ele  foi destituido da prefeitura por Ravalomanana, que não curtia muito esse negócio de pista nem luz estroboscópica. Como tinha muito Ibope, Andry resolveu derrubar o governo e assumir as carrapetas. Nisto foi apoiado pelos militares . Dizem que no meio fogo cruzado  que matou pelo menos 100 pessoas na rebelião que tomou conta da Ilha, ele gritou:- Esse presidente vai dançar. Seria cômico se não fosse trágico.

A maldição de Collor

18 de março de 2009