A paralisia da guerra e seu distante fim
7 de fevereiro de 2010 por Bruno LiberatiNessa altura do campeonato, todo mundo deve estar por dentro do roteiro: Um grupo de soldados está com os dias contados para deixar o Iraque - mais particularmente um grupo que tem por função limpar os furúnculos da guerra, ou melhor, identificar e desarmar artefatos complicados que detonam explosivos - desde minas até homens-bombas. A perspectiva de sair daquele atoleiro em poucos dias se vê complicada por um aumento na escalada dos atentados - o que leva o pessoal à beira da insanidade.
O filme é adrenalida pura junto com a nitroglicerina ficcional. Quase que está além do bem e do mal, pois a obra procura não julgar, foge do maniqueísmo, embora esbarre com um ou outro lance de preconceito em relação ao inimigo. É evidente que não pode haver neutralidade, quando se vê o filme com os olhos do invasor. Não tem jeito, os insurgentes sempre serão vistos como os “terroristas” . Mas o filme não pesa a mão nesse aspecto. É claro que não se questiona o discurso do Estado que instaurou conceitos tais como esse de “terror”, de “eixo do mal” etc.- do qual essa guerra resultou - uma mistura de mentiras e decisões da administração Bush que contrariram posições da ONU e lançaram os EUA numa aventura à la John Wayne. O problema daqueles caras do filme é achar a bomba, desativar a bomba. Uma boa metáfora para a era Obama. Apesar de não ser um filme de reflexão, no geral, ele procura encarar a circunstância e o evento da guerra como uma tragédia - uma infelicidade que atinge a todos e que parece não ter fim. Mas há um prazer mórbido nisso quando se vê mais de perto a figura do herói, que é questionada- de forma a pensá-lo no contexto da loucura que a tudo preside num cenário totalmente estranho, cheio de arestas, onde cada cidadão “nativo”, pode representar o seu fim. Existe até uma certa visão que mostra o herói como um viciado em adrenalina…mas essa é outra história.
Pode-se dizer que Kathryn Bigelow fez um bom filme. Nada que se compare à visão dos filmes que Clint Eastwood fez sobre a segunda guerra.
Curioso saber que ela concorre com Cameron, seu ex, que também fez em “Avatar” - ao que parece - também um filme de guerra. (Ainda não vi o filme).
Suspeito que inconscientemente, ou muito conscientemente Cameron usou o recursos brechtiano do distanciamento para falar de um problema que nós vivemos aqui e agora - o que não é o caso desse fragmento que Bigelow dirigiu com maestria. “Guerra ao Terror” é uma porrada! E como em “Avatar”, lá no Iraque, tudo é estranho, inclusive a armadura (quase medieval) que o “especialista” usa para se proteger das explosões. Mesmo assim não consideraria essa obra como um forte candidato ao Oscar de melhor filme. Talvez de melhor direção e de economia, pois foi feito com muito capricho, contou com uma câmera preciosa e uma edição de deixar o espectador sem fôlego- isso tudo feito com baixo orçamento - pelo que soube- foi filmado em Los Angeles mesmo. De qualquer forma, se constituiu numa boa uma surpresa. Só não concordei com um lance do filme, mas não vou contar para não estragar a sessão pipoca.(Só volta a falar desse filme depois de ver Avatar)









