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Arquivo para agosto, 2009

O DIREITO DE SER ADOTADO e O DIREITO DE GAYS ADOTAREM

18 de agosto de 2009

Rio - A adoção no Brasil é assunto não resolvido. Os abrigos estão cheios e não podemos aceitar que as pessoas sejam proibidas de adotar por serem homossexuais. O preconceito atrapalha quem quer ser adotado. E fere de morte as esperanças e os sonhos de brasileirinhos terem uma família. Precisamos aumentar o números de pessoas que querem adotar.

A adoção por gays deve ser vista como um avanço especial. Homens que amam homens e mulherem que amam mulheres e que decidem estar juntos e ter uma vida partilhada chegam a um momento que desejam ter filhos. Não são poucos os gays que querem que a família cresça, e a adoção é o caminho natural.

Impedir que eles adotem é impedir que crianças sozinhas passem a ter pais, mães, avós, tios e uma família. Os “donos†de preconceitos defendem que é melhor uma criança ficar num abrigo com um casal gay?

No mínimo, eles nunca entraram num abrigo e viram a dor da solidão e do abandono em cada olhar infantil que tem o sonho, às vezes distante, de ter uma família. E qual é o problema de, em vez de um pai e uma mãe, serem dois pais ou duas mães? O sentido da família é o mesmo. O preconceito contra gays já é atraso; usá-lo para que crianças deixem de ter uma família é crueldade.

Eu sou gay, tenho 40 anos e sigo a vida sozinho, mas, se tivesse um companheiro, tenho a certeza de que uma ou mais crianças poderiam ter dois grandes pais e uma família especial e conviver com seus primos, tios e, sobretudo, ganharem uma história especial. Até porque, como diz João Falcão, o que a gente precisa na vida é uma história para contar. Que história vamos deixar que nossas crianças contem por causa de tolos preconceitos?

O DIREITO DE ESTAR NO ARMÃRIO

6 de agosto de 2009

 

 

Eu tenho mudado ao longo dos anos e da militância pelas liberdades individuais. Nós vamos conversando, dialogando, lutando e percebendo que nem sempre estivemos com posições no campo social das liberdades.

Durante a construção do site www.stonewallbrasil.com eu avaliei muito a história do movimento gay no mundo e no Brasil. Tenho um imenso respeito pelas lutas que foram vividas e enfrentadas por militantes históricos. Acho que o movimento gay trouxe conquistas muito importantes para muita gente e não é atoa que estamos celebrando 40 anos do levante de stonewall.

Eu conheci o Thiago em 1992. Tinha acabo de sair do armário. Ele nunca saiu. Minha relação com o Thiago terminou por ele não querer sair do armário e eu não aceitar esta decisão (decisão?). Eu e o Diego não consolidamos uma relação no início dos anos 2000 por isso também. Eu, fora do armário, exigindo que todos tivessem o mesmo caminho.

O meu “amigo da vez” é um cara bem especial. É o André. Tem quase 50 anos. Ele não quer sair do armário, mas não se odeia por gostar de outros caras, apenas defende o seu direito de viver sem reações adversas da sociedade. Eu que sempre defendi que as pessoas tinham a obrigação de sair do armário e levantar bandeiras fui levado a refletir se esta posição que eu defendo com tanto ardor não é uma decisão autoritária sobre a vida diária do outro.

E o direito individual de decidir? E a liberdade individual de decidir estar dentro do armário? E o desejo de estar com seu manorado num “universo particular”? Sim eu estava sendo autoritário em exigir que todos saíssem do armário.

Levei uma porrada ao perceber que a minha imposição de sair do armário é uma contradição ao que eu também acredito que é a liberdade de escolhas sem pressões oficiais. E sair do armário em muitos casos virou uma decisão institucional que nunca levou em conta as experiências particulares de cada um. Imposição é sempre imposição.

Desde que vi o episódio do Cold Case sobre o assassinato de um jovem nos anos 50 eu me pergunto se o nosso trabalho não deve ser para criar uma reflexão social para que as pessoas não se odeiam por amarem um corpo igual ao seu.

Outro dia, num programa de Tv, eu brincava se tinha saudades de estar dentro do armário? Deu algumas. Lembrei de histórias que inventava, da mão que suava e percebi que as histórias são individuais. Eu tenho a minha e cada um tem direito de ter a sua. Histórias não precisam e não podem ser as mesmas.

Eu sai do armário com 22 anos. Fazem 16 anos. Gosto da minha caminhada. Gosto das histórias boas e ruins que vivi, mas realmente eu quero ter o direito de defender que esta decisão não é uma obrigação e sim um processo que cada um deve viver da forma que achar que deve.

Amar sua vida é amar a forma que se quer viver. Quando entra obrigação fica muito mais complicado.

Ah ! E continuo esperando o gênio. Quero pedir a sorte de um amor tranqüilo e este amor pode ser dentro do armário. As vezes ficar no “universo particular” pode ser um recomeço.

Não ando numa fase animado com imposições. As pessoas precisam ter seus processos. Se precisarem de ajuda, ok, mas impor que façam algo só porque achamos certo me parece uma imposição datada.

FUNK NAS FAVELAS?

5 de agosto de 2009

O Funk nas favelas do Rio será proibido? Parece que a Polícia Militar quer ir por este caminho. Deve ter sido o Governador Sérgio Cabral quem deu a ordem.O argumento é que os bailes geram violência. São os bailes que geram?
Na lógica da violência as boates de Ipanema e Leblon não deveriam ser proibidas também? 
E as festas raves? Seguem funcionando?
Então o governo estadual quer dizer que só existe violência em Baile Funk? 

O Governo Sérgio Cabral de longe é o governo mais elitista que eu já conheci no estado do Rio de Janeiro. E coloca uma manta sobre os olhos carregada de ódio contra os pobres.

Eu não gosto de funk. Destesto. Gosto de baladas dos anos 70, mas respeito por que tem uma enorme juventude que gosta e se diverte com esta música e sua proibição é carregada de motivações preconceituosas.

O Governador Sérgio Cabral nascido em Cavalcanti (subúrbio) no Rio deveria olhar com outro olhar para as comunidades pobres, mas ele só olha para o Galeão e para a Zona Sul.

O Governador tem um pai que é um estudioso do Samba. Deveria conversar com o grande Sérgio Cabral e saber que sambistas e o samba foram muito perseguidos no ínicio do século XX. Ele quer fazer o mesmo agora com o Funk?

Ele já entrou na história como o governador que menos deu atenção para as políticas sociais. Agora quer ser o governador que não reconhece culturas populares.

Eu sou absolutamente contra que os bailes sejam proibidos. Isso é discriminação e isso é não reconhecer forças culturais.

Mas é preciso que as pessoas venham com força a público defender o direito das pessoas gostarem de músicas e estilos musicais.
 
 
 

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