Os maiores desafios para o novo governo
Todo governo novo chega com a energia da vitória nas urnas. Daà que precisa ser ‘novidadeiro’ do jeito que o poeta João Cabral versejou no famoso Auto de Natal ‘Morte e Vida Severina’: ‘belo como caderno novo, quando a gente o principia, ou como a coisa nova, na prateleira então vazia’.
A exigência, então, é renovar de fato, a começar pela composição da equipe. Atender a pressões do que é velho, oligárquico, atrasado e antipovo na polÃtica é começar muito mal, afastado de qualquer Natal… Perder a ânsia de mudança é matar, na raiz, a esperança do voto na vida melhor que o povo, teimosamente, deu.
A presidente Dilma tem destacado seu compromisso maior: tirar nossa gente da miséria e dar possibilidade, a todo(a)s os brasileiro(a)s, de uma existência digna. Não é pouca coisa, em um paÃs ainda tão desigual. No Brasil, o abismo que separa a renda dos 10% mais ricos daqueles 30% mais pobres é de 40 vezes!
Mas só prometer ‘luta contra a pobreza’ é insuficiente. Essa pobreza, reproduzida pelo sistema, só será combatida se o próprio sistema que a gera for enfrentado, nas suas mil faces. Com os métodos ao alcance de quem chegou a ocupar parcelas de poder por eleição, e não por revolução: com reformas, portanto.
Se a presidente eleita do Brasil e os novos governadores, deputados e senadores quiserem de fato representar novidade para o povo, precisarão realizar, sempre empurrados pela mobilização popular, os ‘dez mandamentos’ que se seguem:
1) Reforma Agrária e Urbana ecológicas, com a limitação do tamanho das propriedades e o uso social dos imóveis urbanos estocados para especulação;
2) Mudança na polÃtica econômica, com controle dos capitais especulativos que entram e saem do paÃs e auditoria da dÃvida pública, cujos juros e serviços consomem 36% do orçamento nacional;
3) Prioridade para saúde e educação públicas, com meta de comprometimento de 10% do PIB em cada setor até o final dos mandatos;
4) Garantia e ampliação dos direitos trabalhistas, com redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução de salários;
5) Cuidado absoluto com a ‘Mãe Terra’ tão espoliada, o que, no Brasil, significa combate à revisão do Código Florestal no interesse dos grandes fazendeiros e Desmatamento Zero na Amazônia, além da preservação de todos os biomas;
6) Reforma PolÃtica com participação popular, na direção do fortalecimento dos partidos que têm doutrina, do financiamento público exclusivo das campanhas, da promoção de plebiscitos e referendos sobre grandes temas nacionais;
7) Fortalecimento do combate à corrupção, com transparência total e equipando melhor a Controladoria Geral da União, as controladorias estaduais e o Ministério Público;
Mudança progressiva do modelo energético, com a Petrobras 100% estatal e recursos do Pré-Sal voltados para as áreas social e ambiental;
9) Força aos Direitos Humanos: combate aos preconceitos, consolidação dos direitos de mulheres, negros e povos indÃgenas, além de abertura total dos arquivos da ditadura e democratização dos meios de comunicação;
10) PolÃtica internacional independente, contra todos os hegemonismos, reforçando a relação Sul-Sul.
Só assim teremos, na polÃtica, o Advento de um vento novo, que abala a calmaria da prosseguida injustiça!
7 de dezembro de 2010 às 18:59
Ventos novos!!!