youPode

Posts com a tag ‘Sereno’

Que Batuque é Esse?

18 de novembro de 2009

Os shows contínuos estão alterando o fuso dessa coluna, mas uma hora os ponteiros se afinam na anisosa inspiração.
Eu precisava ter essa foto ao lado do Sereno, parceiro de melodias diferentes, um Dorival no samba, me chamando feito Dona Ivone pra escrever um samba. Os versos saem, mas é preciso pisar nesse chão devagarinho.
O primeiro encontro físico com o amigo aconteceu no Bar do Costa, um butiquim clássico de Vila Isabel aonde, vez por outra, o craque Nei Lopes promovia umas rodas de samba na calçada. Samba de fechar o quarterão.
Num rápido parêntesis, numa dessas, presenciei um cavaquinho com pegada de gente grande. Era Dudu Nobre.
Sereno quando ri faz todo o arredor se acalmar. Sério, tem o respeito dos fundadores, a reverência do Fundo de Quintal, do Cacique de Ramos.
Nossas primeiras músicas nasceram daquela manhã-tarde-noite entre a feira e o cais da Praça Mauá.
Depois, encontros de vida, Renascença, Rival, Del Castilho, construiram novas inspirações.
Lembro do leitão que Zeca Pagodinho lhe ofereceu pra uma festa vespertina.
Trazido quase vivo pelo Seu Jessé, o bicho precisou ser cortado ao meio pra caber num freezer horizontal que mantém gelada as cervejas no  quintal do parceiro.
Dias atrás, já escrevi, participei da festa de aniversário do Bar Samba. O lugar anda abençoado pelos tambores dessa referência maior na música brasileira.
A dimensão de uma carreira eu testemunhei quando o Fundo de Quintal desfilou seu repertório de sucessos. A platéia cantando feito oração.
Sereno, com seu tan tan único, sopra os versos de ‘Facho de Esperança’, emenda com ‘A Batucada dos Nossos Tantans’ e eu compreendo o tamanho dessa estrada, o que se tem pra percorrer.
Minha querida Dorina, a quem preciso dedicar uma crônica, gravou um samba nosso, Moa & Sereno, chamado ‘Que Batuque é esse?’. A letra foi pensada pra homenagear o talento de um compositor que vem tijolo a tijolo ajudando seus parcerios a descortinar uma carreira própria.
Como hoje, quarta-feira, retorno ao Rival, sempre pisando devagarinho, ao lado de Wagner Tiso, Roberto Mendes e Raul de Souza, na festa que Robertinho Silva e Carlos Negreiros fazem com o Batucadas Brasileiras, trancrevo a letra do ‘… Batuque’, com o sentimento de quem sabe tirar o chapéu aos maiúsculos dessa história.
Muita calma que amanhã também samba pra Luiz Carlos da Vila.

Eu falei pra você que o batuque é esse
No fundo do meu quintal
Eu falei pra você que o batuque é esse
No fundo do meu quintal
Andei a pé na Bahia
Mareei no Maranhão
Benzi filho de Maria
Fiz fogueira em São joão
Depois num samba de Roda
Alguem fez recordação
Se o batuque tá na moda
Começou na minha mão
Eu falei pra você…
Ouvi de Jesus Menino
Que folia era de Reis
São Jorge desceu Quintino
E pediu a sua vez
Quando a vida de acomoda eu me lembro do dragão
Se o Batuque está na moda
Começou na minha mão
Eu falei pra você…
Por volta do meio-dia
Troquei pele do pandeiro
Conselho da minha tia
Cuida bem do teu terreiro
Ve se tem roupa na corda
Deixa o céu tocar no chão
Se o batuque está na moda
Começou na minha mão.

Convívios

14 de novembro de 2009

O post está atrasado, tenho minhas desculpas.
Neste fim de semana participo da festa de aniversário do Bar Samba, importante marco desse enredo na capital paulista.
O grande presente dessa comemoração é apresentação do grupo Fundo de Quintal, fechando, no domingo, a chave desse encontro.
Aos poucos o convívio com esse time vai me ‘orgulhando’, me ‘fundeando’ nessa vidda de samba.
Vou aproveitar a data e tirar uma foto com o meu parceiro Sereno, um ás na melodia, tantos sucessos na carreira que ainda aceita dividr comigo novas canções.
Já fizemos algumas. Eu gravei tres no disco ‘Batucando’. gravei também do íntimo CD ‘Sem Compromisso’ com Marçalzinho, e no último disco da nossa Dorina, uma foi incluída.
No registro que abre o texto, estou ouvindo a deliciosa história sobre a origem da famosa caixinha tocada pelo craque Ubirany em definitivas gravações de sambas conhecidos.
Ele nos conta que tudo começou na emblemática casa da Rua Jaceguai, época de novos compositores universitários, entre eles Aldir Blanc e Ivan Lins. Que volta louca e apaixonante.
Mais recente, eu e a barraca da feira, Ubirany leva o Sereno pra experimentar nossas sardinhas e jilós.
O autor de ‘Sorri Pra Mim’ tem nas mãos uma fita cassete. Estende em minha direção e:
- O Môa, segura aí. Tem uns sambas sem letra, vê se tu gosta.
Essa conversa começou as dez da manhã.
Quando o relógio apontou sete da noite já estávamos dobrando a Rua Sacadura Cabral pra beber a saideira no Bar Gracioso, Praça Mauá.
Pedimos o que tinha no balcão, de risoles a queijo minas, e um gaiato cantou no meu ouvido:
- Liguei pra Beth, tá? Beth Carvalho. Ela tá vindo!
Meia-noite, chamando urubu de meu louro, fui dormir com a fita do Sereno no bolso.
Dali consegui fazer ‘Beleza em Diamante’ e ‘Vida da Minha Vida’.
As ruas se estreitaram e quando a agenda coincide vou visitar meu parceiro em Del Castilho, ou nosso passista número um do grupo, Ubirany nos arredores do Rocha, subúrbios cariocas.
Quando eu revelar o próximo cromo conto pra vocês o dia que chegou um leitão na casa do Sereno, presente do Zeca Pagodinho. Junior, o Capacete, está de prova.

***
Quanto ao atraso na postagem.
Quinta que passou, foi comemorado os 70 anos de um dos maiores garçon dessa cidade, nosso querido Vieira, do Lamas.
A festa aconteceu no salão do próprio restaurante, a gente cantando enquanto o aniversariante rodava as mesas servindo filé a francesa e o milanesa da casa, dois destaques na programação.
Como ando destreinado, a mesa que incluía dois profissionais em assuntos etílicos, quase me derrubou. Jaguar e Dacio Malta.
Em outra foto, a doce presença do Nani que, genial, preparou um poster duplo com várias citações desse mestre de terno branco e gravata borboleta.
Modestamente, participo deste ‘documento’ com o samba ‘Encontros Cariocas’ feito com o parceiro Aldir Blanc aonde pedimos a conta ao Vieira pra levar pra dançar na Estudantina, a nossa menina bailarina.

Pra não perder o costume, ‘imprimo’ a letra de ‘Beleza em Diamante’, um pouco do nosso Rio de Janeiro. Muito do Sereno.

Meu Rio de Janeiro
Se fosse preciso dobrar a teus pés
Cantar tão bonito e dizer que tu és
A estrela mais brilhante
Mesmo num céu de outras cores
Traçantes balas e dores
És a beleza em diamante
Assim, passar as mãos nas tuas costas
Carinho de mar nas encostas
Amor de mandingueiro
O sol desponta além do infinito
Trazendo alento aos mais aflitos
Meu Rio de Janeiro.
É tudo paixão, delírio
Palácios e barracão
Nas noites de muito frio
Pedir mais proteção.
O meu samba é pra quem quiser
Usar da mesma inspiração
Cidade mulher, um bem-me-quer
No coração
                 (meu samba é)
Um cantar de fé pra quem quiser
Usar da mesma inspiração
Cidade mulher, um bem-me-quer
No coração.