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Posts com a tag ‘Renascença’

Baile de Gala

8 de fevereiro de 2010

Hoje tem brincadeira nova no Renascença!
Vamos apresentar o I Baile de Gala do Samba do Trabalhador.
Na verdade, a roda pouco altera o repertório, mas pretende modestamente acrescentar mais um bloco nas veias dessa cidade.
Na minha juventude, morando no Meier, ia escondido ver o desfile proibido do bloco Chave de Ouro.
Proibido pela ditadura que considerava o samba na quarta-feira de cinzas um ato terrostista, o que batucava na pele eram os cassetetes militares. Pele humana, vocês entendem.
Hoje tem bloco até nos Finados - o Só Não Vai quem já Morreu.
O nosso calendário também corre na contramão.
Vamos brincar na concentração, evoluir e sambar sem sair do lugar,dentro da nossa data oficial: - segunda-feira.
Vai ter camisa, confete e seperntina.
Na arte estampada, o presente dado pelo craque Amorim
Também tem samba, claro!
***
Desculpe o texto pequeno, é carnaval, não me levem a mal…

As Rodas

4 de setembro de 2009

Amigos, nesta sexta feira tem a roda do Santa Luzia e, segunda próxima, feriado, volto também ao Renascença.
Não me prendo a agenda como estrutura do blog. Estou no tempo das reminiscências.
A minha história com rodas de samba, nesse formato fixo, semanal, começou em 2005 no Clube Renascença. Aos que são próximos ao meu trabalho, identificam imediatamente que a minha função nesse vida musical é compor, cantar é apenas consequência.
Quando começamos o Samba do Trabalhador todas as segundas a tarde, jamais imaginei a transformação boa que a proposta causaria à carreira.
Enfim, formou-se um grupo maravilhoso de novos músicos, todos super talentosos, que abraçaram a oportunidade a ajudaram efetivamente a construir a força dessa roda.
Gravamos CD e DVD, sedimentamos uma platéia especial nos visitando a ponto de novos vôos assinarem nossos releases com apresentações em São Paulo e Belo Horizonte, como exemplo.
Dois anos depois, com a moral elevada, levei o grupo pro terraço do Clube Santa Luzia.
Presevando o batismo inicial, a roda ganhou o título de Samba, Luzia, logo apelidada de Samba da Laje.
a formação original contava com 12 músicos.
O tempo passou e o grupo reduziu com a saída do Jorge Alexandre e, na laje, do Wladimir Silva.
Um pequeno parêntesis.
Todos guerreiros, a base dessa construção chamada Samba do Trabalhador foi mantida até agora.
Muitos pensam que a nossa arrecadação é a mesma do Roberto Carlos, o rei. Contando as quarenta segundas feiras que existem no ano, em extrema maioria o cachet mal restitui o custo do taxi que nos leva com os instrumentos.
A proposta é manter a chama, como bem ensinou luiz Carlos da Vila.
Chegou o momento  da semente germinar em outros quintais.
O grupo foi desfeito para que novos sonhos sejam realizados para cada um, todos, afirmo, capazes de liderar novas formações, apresentando seus próprios repertórios, evidenciando as suas tendências.
Alguns músicos continuam: Gabriel Cavalcante, Daniel Neves, Junior de Oliveira, Luiz Augusto e Nilson Visual. Novos e antigos amigos se aproximam como Zero, meu comandante, e Makley Mattos, craque que vez por outra já passeava em nossos sambas.

A foto é uma especial recordação da nossa apresentação no Canecão.

Inspiração

3 de junho de 2009

Pra fechar a semana Renascença e deixar o blog respirar um pouco, duas inspirações:
A primeira, gravada em 2006 no disco ‘Vida Noturna’  parceria Moa & Aldir Blanc, canta a importância do clube em nosso cotidiano e se chama Recreio das Meninas II

Eu fui de bengala, tossindo, com febre, lá no Renascença,
porque em toda a vida o samba foi cura pra minha doença.
Sentei no meu canto, uma voz perguntou: “O que qui vai querer?”
Perdi a cabeça e falei pra menina:
- Eu queria você…

Um riso de aurora acolheu meu ocaso e a pressão subiu.
Peguei meu remédio mas as mãos tremiam e o vidro caiu.
Chutei a caixinha, pedi caipirinha, pernil e café.
Receita infalível pro meu coração é um corpo moreno de mulher.

Eu vou com ela ao Capela, ao Siri e traço moqueca, carré, javali…
Digo sempre, bebendo com o Jorge:
- Foi no Renascença que eu renasci.

Aos que me gozam no bar,
dizendo que eu sou
o Recreio das Meninas,
respondo:
- Andorinhas fazem ninho nas ruínas.

Agora, também da dupla Moa & Aldir, um samba que brinca com a história do Geraldo Pereira que deságua na roda de segunda-feira. ‘Samba Pro Geraldo’ está no disco Batucando lançamento recente e tem na gravação a participação especialíssima do Tantinho da Mangueira, não por acaso, um dos presentes no primeiro dia do Samba do Trabalhador:

Geraldo Pereira, meu nego
Na aparência tudo “oqueiâ€
Minha vida se acabou num samba
Num samba de roda que eu rodopiei
- fiquei de pé, me segurei!

Meu nego, Geraldo Pereira
Foi daí que eu inventei
Um samba na segunda-feira
No bom sincopado onde você é rei.

Já pulei feito saci
Fui caqui no Andaraí

Agora Geraldo, meu facha
Se a rasteira aconteceu
Relaxa nessa homenagem
À um escuro direitinho que jamais morreu!

Renascença

29 de maio de 2009

Em maio de 2005 eu voltava de uma turnê pelo Projeto Pixinguinha cego de saudade dos amigos mais vagabundos. O Renascença estreara uma roda de samba aos sábados e a gente, com uma sede de anteontem, chegava cedo, antes do primeiro tamborim, pra saborear alguma novidade etílica, inventar um tira gosto, até o samba roncar no cair da tarde.
O clube entre outras tradições, servia um feijão na lenha que nem os deuses ousavam imitar. Jorge Ferraz, nosso presidente, tratava os salgados feito caviar de um banquete elegante e o resultado era sempre o mesmo na abertura dos trabalhos: - Um suspiro de prazer.
Lembro de uma festa feita na quadra em homenagem ao meu querido Nei Lopes por conta da entrega da Medalha Pedro Ernesto. Feijão na lenha e muito samba eram a base do cerimonial. Foi em 1999, guardo a data por motivos profissionais: - Eu vinha de São Paulo com o jornalista João Pimentel depois de uma longa entrevista sobre o primeiro Esquina Carioca. Na viagem, de carro, paramos na estrada quando notamos uma barraca vendendo goiabada cascão em caixa, bem descrito pelo Nei: - É coisa fina, Sinhá, que ninguem mais acha!
No sábado da nossa história corria solto o aniversário do Ivan Mobílio, amigo e parceiro, meu padrinho na ala de compositores da Unidos de Vila Isabel.
Pra variar, preparei uma panela de jilós.
Sentado embaixo da caramboleira que protege o clube, a fruta servindo de abrideira, notei o Jorge, nosso presidente, de longe, em pé na porta da cozinha olhando o movimento do clube.
Melancólico da viagem, desejei que aquele momento de confraternização durasse para sempre. Essa combinação de amigos, uma purinha, algo saboroso de se provar e um samba de cadência elegante daria , entre carbonos, a química ideal de felicidade.
Como somos feito de idéias, nasceu uma: - Fazer uma roda de samba pra se comemorar  a amizade. Algo despretensioso, feito, quem sabe, numa segunda-feira e, de preferência, cedo, pra não dar problema em casa.
Encostei no Jorge:
- Mestre, tu abriria o clube pra uma roda de samba feita numa segunda-feira começando as duas da tarde?
- Já é! Faço uma costela com batata, quer?

E assim, vinte dias depois, nascia o Samba do Trabalhador. Dia 30 de maio de 2005.
Segunda agora, o samba completa 4 anos.
O que essa história virou, conto nesse santo dia, segunda que vem.