Gotas
11 de janeiro de 2010
Já escrevi aqui uma ’sentada’ de vezes, como o blog tem me deixado saudosista.
Pois é.
Procurando fotos que traduzissem minha amizade com o craque Walter Alfaiate fui parar numa rasgada pasta de recortes, um anel vaidoso que rege o planeta de nossas vidas.
A gente vai pregando quadros na parede dessa história e quando percebe, o concreto está cravejado de memórias.
Nesse baú encontrei esta ilustração carinhosa do nosso Chico Caurso quando foi nos assistir na lotada temporada de fim de semana no Mistura Fina.
Acreditem, foram tão procurados os ingressos que no último dia tivemos que ceder uma mesa do camarim pra acomodar tantos amigos.
E um detalhe: - era setembro de 1999. Fazer samba num fim de semana, no auge do ‘Mistura’, significava uma conquista.
Parêntesis.
Meu primeiro show na Zona Sul com o Luiz Carlos da Vila foi em 1996 no extinto JazzMania. Inacreditável.
A curiosidade me fez voltar algumas páginas de recortes até esbarrar num anúncio de show na Sala Funarte.
Verdade. Fiz com o Noca da Portela uma série naquele importante espaço de cultura. Colei a data, 1998.
Nos créditos uma falha imperdoável. O pandeiro ficou sob a responsailidade do querido Paulinho da Aba, um ás nas platinelas. Era época de fÃgado em dia, apetite de garoto, e a gente esvaziava uma garrafa de Teacher’s por apresentação, marca preferida do amigo.
Com o Noca participei, quase caravana, de vários endereços da ‘Casa do Noca’.
O último porto aconteceu na esquecida casa de dança chamada ‘Carinhoso’.
A gente cantava samba com um globo de espelhos refletindo a luz estroboscópica.
tanta coisa aconteceu.
Olhem esse foto.
Na mesa, Dalmo Castelo,Paulo Cesar Feital, Paulo Cesar Pinheiro, Athayde, João Nogueira e…
O motivo do encontro: fazer a música pro bloco do Clube do Samba cujo o enredo era o Naya, do Palace II.
Chegamos a visitar os escombros da tragédia.
O samba saiu e foi cantado na Av. Atlântica ou Rio Branco, não tenho certeza.
Sei que ainda estávamos em 1999.
Pra fechar esse série, ainda do mesmo álbum, uma gota, como era chamada as mÃnimas notas da coluna ‘Pessoas’ do meu irmão Cesar Tartáglia.
Espaço de prestÃgio do jornal O Globo, o anúncio avisa de um show que eu faria numa casa chamada ‘Arco da Velha’ palco constrrúido no último arco da Lapa.
Tá salvo na cópia a data, 5 de outubro de 1996.
Era um tempo ainda tÃmido na retomada do bairro.
Fui buscar coisas do Walter e encontrei a minha vida.
Vou futucar mais.




