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Posts com a tag ‘Nem Muda Nem Sai de Cima’

Carnaval

22 de fevereiro de 2010

Enfim 2010.
Afastado do blog, toda energia concentrada nos blocos e seus adereços, banheiros e metrô no degrau mais baixo da satisfação, ergo um brinde às pequenas ‘agremiações’ de rua.
Há um movimento muito próximo ao ocorrido tempos atras com as escolas de samba, se repetindo nos blocos cariocas.
Sem pessimismo, estamos à beira dos abadás, cordas e outros clones indesejáveis.
Aquele bloco da esquina, estatuto escrito na mesa do botequim-sede, rifa pra comprar camisa e cada um que traga seu tamborim, está indo pro beleléu.
Assunto recorrente: - pofissionalização dos blocos de rua.
Associações são criadas  e os excluidos passam a ser punidos com o abandono o que desistimula qualquer iniciativa de apoio quando encontra uma ausência de visibilidade.
A comparação com a transformação das escolas de samba é inevitável.
Existe uma nova Liesa, um novo ‘padrinho’, alguém com acesso ao onipotente que apontará os escolhidos: - esse pode, esse, não…

Salve o Nem Muda Nem Sai de Cima, salve o Eu sou Eu, Jacaré é um bicho D’água!

Pra não começar o ano resmungando: Adorei o Boitatá, chorei no Simpatia é Quase Amor.
Ver a praça XV tomada de foliões aleatórios, fantasias de hoje e de sempre é emocionante.
Se eu estiver errado, me corrijam, mas não vi camisa desse bloco perto de mim.
No Simpatia, todo uniformizado, sim, o hino nacional tocado na bateria arrepiou até os fios da barba.
Também passei ao largo do Bola Preta, o pai de todos, zanzei um pouco na Rua da Carioca até alcançar na Gomes Freire as batucadas do ‘Berro da Viúva’ e o ‘Pega Pra Sambar’.
Blocos inocentes e sem ‘associações’, assistiram seus foliões mijando na rua. Também pudera, só encontrei dois dessas estufas de detritos em todo o percurso dos humildes desfiles.
Eu, que sou do tempo da cidade vazia e engarrafamento na Região dos Lagos, assisto orgulhoso a grande agremiação chamada ‘independentes cariocas’ mudar o ritmo dessa historia e confirmar a nossa cidade como o ‘..berço do samba e das lindas canções que vivem n’alma da gente..’
…A  porta-bandeira dessa loucura chamada carnaval.

O Bloco

31 de janeiro de 2010

Essa história de bloco deveria ser tratada com fichinhas tipo BA - Blocos Anônimos.
A gente vicia na emoção que esse estatuto traz, perde e ganha amigos, rifa a alma pra conseguir comprar as camisas, convence um craque amigo de criar a estampa consagradora, jura que será a última vez que se mete nisso, mas quando a bateria cadencia, chora…
O desfile desse ano do Nem Muda Nem Sai de Cima me deu nó na garganta. Fui o enredo.
Acostumado a homenagear, fui pego de supresa na emoção, nasceu um riso na boca que só amenizou quando amanheci repetindo o último verso, - Cabô. Meu Pai, cabô…
O arredor desse estado todo é a cidade.
As pessoas chegam de bairros distantes, ouso dizer que conheço todos. Vêm do Meier, Copacabana, Irajá, Baixada Fluminense.
Uns deixaram o churrasco na birosca da esquina pra alimentar de canto o rio de gente que transborda à rua. Outros não quiseram se bronzear, cruzando o túnel que separa status pra abraçar a Muda com seus apêndices -Formiga e Borel.
Vejo os ambulantes suados. Carregam gelo nas costas, abanam com a outra mão o braseiro de “asinha” e salsichão.
Agora um latão é tres, dois é cinco!
Os rolimãs numa ladeira tangeciam nossos corpos enquanto o carro de som cresce na microfonia do intérprete.
Meus queridos Gabriel, Pedrinho e Guilherme gesticulam animados uma garrafa de maracujá.
O mestre Capoeira pede atenção ao cavaco, vem aí a Bateria do Império da Tijuca.
Mesmo longe da passarela, eu recuo.
Na outra margem correm as caixas pro foguetório:
- Só ‘pode’ durar 30 segundos, ordem da prefeitura!
Hoje tem corda no bloco protegendo os ritmistas.
Sai a primeira estrofe, e, junto com as rimas, o primeiro morteiro…
“Aplausos, pois o samba somos nós”.
Não sou da Polícia Militar pra contabilizar o público. Acho que , feito a final de 50, O Rio de Janeiro compareceu.
Basile e Lula subiram pra pedir à São Pedro que não chovesse, destino contínuo dos nossos desfiles, e o bloco saiu pela Garibaldi,  itinerário tijucano que inclui um congestionamento da Conde de Bonfim.
Percebi que tempo passou, 15 anos.
As crianças que habitavam os primeiros enredos, hoje são pais de novos foliões.
O coração permanece amarelo e vermelho, cores da nossa bandeira.
Eu sai sa Tijuca, mas a Tijuca não saiu de mim.
Até a garça do Rio Maracanã me acenou. Só não fui à dispersão porque o coração engasgou na boca, os olhos molhados não enxergariam meus diretores pra agradecer.
Juro que foi a última vez, mas a bateria cadencia, o peito acelera e…

Nem Muda Nem Sai de Cima

29 de janeiro de 2010

 

 

Cópia de moacyr nem muda red (3) (2)

Não conhecia a timidez que me dominou desde os preparativos para o desfile do Nem Muda Nem Sai de Cima, este ano.
Sou o enredo.
Me sinto nome de avenida, estátua de praça, beco da cidade preferida, sei lá.
O bloco nasceu na minha casa da Tijuca, ensaiou nesses 15 anos na rua que morei, mas virar enredo, emociona.
Me preparei pra escrever um longo texto. Engasgo.
O Desfile será nesse sábado, 30 de janeiro.
A turma começa a se reunir depois das quatro da tarde.
Segue a letra do samba-enredo composto pelos meus  queridos Alípio Carmo, Celso Lima, Gabriel da Muda, Guilherme Sá, Serjão e Pedrinho da Muda.

EU JÃ MORRI DE RIR
DE TUDO QUE EU VIVI
NOS BOTEQUINS MAIS VAGABUNDOS
ME EMBRIAGUEI DEMAIS
NA BOÊMIA ATÉ DEIXEI MEU SONO
PELAS RUAS DA CIDADE
BOTEQUIM DE BÊBADO TEM DONO
BRINDEI A VITÓRIA DA ILUSÃO
SAà DO MOMO, FUI DIRETO PRO PAVÃO

PÕE TEMPERO, NA PANELA EU METO A COLHER
MANDINGUEIRO, O MEU SAMBA É UM CANTO DE FÉ BIS
SE SÃO JORGE GUERREIRO É MEU PROTETOR
ME DIGA PRA ONDE EU VOU

VOU PRA TIJUCA ME ACABAR
EU VOU TOCAR MEU VIOLÃO
É CARNAVAL TE PEGO NA ESQUINA
NEM MUDA NEM SAI DE CIMA

ME BEIJA NA BOCA, AMOR
SENÃO CABÕ MEU PAI, CABÕ BIS