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Bares Cariocas

28 de outubro de 2009

Essa mania de twitter vai me transformar em síntese, opinando em 140 caracteres, mas…
Outro dia me deparei com o grande Marcelo D2 na salinha e o assunto desaguou na lembrança do querido Juca, dono de vários botecos pelo Rio, inclusive o Serafim que sobrevive, segundo alguns, saudoso de sua administração.
Lembrei de um sofrido porre vivido nas mesas desse bar. Cismado com alguma coisa, liguei pro amigo Roberto Moura e ele, ofegante, disparou: - O Rafael Rabelo morreu!
O Orelhão dessa ligação margeava a esquina da Rua Alice, Laranjeiras, rua do Serafim.
Atravessei a calçada, o último movimento lúcido, e bebi cerca de dois litros do maracujá da casa.
É bom que se diga, bar foi feito pra isso. De preferência, passar o dia ali, bebendo, vendo a tarde escurecer, os vasilhames formando fila no canto do balcão, sem ter medo de fazer vergonha, mesmo com água na bainha da calça.
Você se achando educado, mas a voz já está rouca de tanto falar.
Há a opção de permanecer mudo em definitivo, sintoma que alguns deprimidos afloram na primeira tulipa.
O bar da foto fica em Santa Tereza, Bar do Mineiro.
Morei no bairro por dois anos, em frente a esse santuário de cervejas geladas e pastéis de feijão.
Nos finais de semana a freguesia cresce de tal forma que a lista de espera invade o bondinho no vai-e-vem do percurso.
Curioso disso tudo é notar o outro bar quase gêmeo do ‘Mineiro’. Não entra uma mosca.
Um dia, entre doses de gengibre, Beltrano, amigo íntimo, reparou na parede uma bela coleção de quadros originais pintados a óleo. Uma preciosidade.
Se achando o máximo, o rei da cocada preta, ligou pra um entendido em arte:
- Meu camarada, acho que encontrei petróleo a céu aberto! Tenho certeza que o dono nem sabe o que tem nas máos. Pega o bonde, urgente!
Meia hora depois, Beltrano e o ‘manager‘ com ar de pouco caso, puxam assunto com o dono do bar:
- Pois é meu amigo. Esses quadrinhos aí, venderias?
- Sim…Vendo
- Ah, é? E por quanto o amigo pensa em pedir?
- A coleção toda posso fazer por quinhentos…
- Quinhentos reais?
- Não. Quinhentos mil dólares. A vista…
Bem, nos dois anos que morei de porta com a casa, nem Beltrano, nem Sicrano foram vistos na redondeza.
Essa é uma história carioca, conto com emoção por essa cidade.
Acho que meu mapa astral está sendo regido pelos elos olímpicos em sua constelação.

A foto é do craque Américo Vermelho.

Juca

27 de março de 2009

Meu amigo Juca, do Serafim e de todas as tabernas do Juca, faleceu nesta quinta-feira, 26.
Dono também de um vasto bigode que em época de Copa Do Mundo pintava de vermelho e verde, cores da bandeira do seu país, Portugal, veio adulto pro Brasil, e, se fosse espírita, eu jurava que incorporava o espírito do doutor carioca . No livro que escrevi - Botequim de Bêbado tem Dono - dediquei uma crônica a ele e ao seu bar de Laranjeiras.
Nesta semana foi comemorado o Dia Mundial da Água. Pra ser sincero não era a nossa bebida preferida. Juca gostava das bagaceiras portuguesas, eu,brasileiro, afeiçoado as aguardantes.
Vamos sentir saudade do seu sorriso.

A ilustração é do craque Chico Caruso, feito pro Botequim de Bêbado tem Dono…