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Posts com a tag ‘Jards Macalé’

Dez Anos

21 de outubro de 2009

Eu já havia vivido a experiência de participar do Seis e Meia do João Caetano em 1995 quando fiz a temporada ao lado do mestre João Nogueira, até, quatro anos depois, surgir o convite pra retornar à casa.
Considero um palco sagrado do Rio de Janeiro, feito o Canecão.
Boca de cena capaz de engolir uma orquestra, a intuição reduziu à quarteto quando pensado o projeto desse novo show. Eu zanzava muito com o Ze Renato, admirado pela dedicação ao repertório do Ze Keti, aos duetos com Elton Medeiros e, principalmente, pela generosidade no relacionamento.
Jards Macalé está acima de tudo. Trânsito livre nessa estrada chamada cultura brasileira, consegue ser criador e personagem ao mesmo tempo. E um detalhe que eu sempre recordava na sua história; - acompanhou a grande Nora Ney no mitológico show Rosas de Ouro.
O mais próximo a mim era Guinga. Não ha exagero quando eu o indico como um dos maiores compositores da música brasileira de todos os tempos.
Eu o conheço desde 1973, parece o infinito.
Pelo telefone confirmamos o show a produção do evento e marcamos no Bar Luiz para pensar o repertório e tirar as primeiras fotos de divulgação.
a revista Veja já estaria presente nesse encontro, um espaço que anuncia os espetáculos com uma certa antecedência.
Chegamos com um nome pronto pro grupo, ‘Linha de Passe’. Dentro do João Caetano o show era batizado de ‘Os Violões’.
O encontro foi mágico, falo muito modestamente.
Cada riso trocado anunciava um futuro garantido nesse convívio.
Estamos falando com o repórter do magazine sobre o prazer de dividir os acordes, embora no roteiro, uma música sequer fora escolhida.
O fotógrafo insiste num ângulo em outro ambiente.
Estamos no Bar Luiz, Rua da Carioca, e ele pergunta:
- Aonde fica mesmo o João Caetano?
Um de nos levanta e aponta:
- É ali, dobrando a carioca…
Olhares cruzados, quase em uníssono, pensamos: - Dobrando a Carioca!
Com um público surpreendente, terminamos a série com casa cheia e a proposta de seguir por mais tres dias no Espaço Cultural Sergio Porto.
Essa história aconteceu em outubro de 1999.
Entramos o fim do século com shows marcados em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Vitória, Brasília e parte  do nordeste, Natal, Fortaleza e João Pessoa.
Eu tenho computado mais de oitenta apresentações, convívio pro quarteto virar uma família.
Hoje, dez anos depois, estaremos comemorando a data em curtíssima temporada no Café Teatro Rival. Dias 23 e 24, sexta e sábado, agora.
Mais um cereja naquele encontro do Bar Luiz: - ali escolhemos o nome do show e, sentados com mais calma, traçamos o roteiro que permanece o mesmo desde a primeira noite no João Caetano.
Na minha carreira, foi um momento decisivo.

Sete em Ponto

24 de agosto de 2009

Nesta terça feira 25, reencontro o Teatro Carlos Gomes pra fazer um show ao lado do meu querido Jards Macalé. A apresentação está incluida dentro do projeto Sete em Ponto e vamos contar com aquisição luxuosa do craque Zero, na percussão.
Alguns fatos me emocionam nesse teatro.
Foi que apresentei, fora da programação, o samba que fiz com o Aldir chamado ‘Flores em Vida Pra Nelson Sargento’. Era a festa de 70 anos do nosso baluarte, 1994,e o samba, recém composto, entrou no repertório as pressas. Pra mim, foi emocionante.
Um ano depois lancei no mesmo palco o CD ‘Vitória da Ilusão’. Sinceramente, um show de primeira. Repetindo os arranjos do disco, pude contar com um quarteto de cordas, coro com a participação da Tia Doca e Cristina Buarque, o grupo de percussão Baticum liderado pelo meu irmão Beto Cazes e o mestre Rildo Hora solando na gaita.
Também lançando novo CD - ‘A Sedução Carioca do Poeta Brasileiro’ - a casa escolhida foi o Carlos Gomes. Estamos em 2005. Em cena, dividindo a emoção, o grupo Água de Moringa, única formação na feitura do disco.
Um respeitoso detalhe na direção deste show: - Roteiro de Roberto Moura.

Agora estou de novo na praça Tiradentes com meu parceiro de Dobrando a Carioca, Macalé.
Aqui no blog já contei várias histórias desse convívio, mas sempre sobra uma pra ilustrar a página.
Estamos em Porto Alegre, casa Mario Quintana, pra mais um show do Dobrando.
Alguma coisa nos fez atrasar e Macalé me pede que pegue na mala dele, um afinador, algo assim.
Cuidadosamente, abro e ziper da bagagem e, de cara, aparece uma enorme bandeira brasileira.
Pergunto ao cumpadre:
- Tu trouxe uma bandeira?
- É Moa, sempre que viajo carrego esssa ensígnia. Pode haver um levante…Sei lá.
Esse é Jards Anet, o Jards Macalé.

Pequenas Histórias: Jards Macalé

10 de julho de 2009

Era uma das nossas viagens com o show ‘Dobrando a Carioca’.
Curitiba, bela cidade, todos embarcaam de volta após show na Casa da Música. Menos eu e Jards Macalé. Vamos curitr!
Aos domingos tem um feira de artesanato no centro antigo de casario restaurado que vale a pena bancar uma diária e passear entre as barracas.
Estou entretido com uns talheres de madeira quando Macal se aproxima carinhoso:
- Mõ, pra você não se aborrecer mais na vida aceite esse presente. Um basta.
Abri a caixinha, era um grilo feito da haste de um pregador de madeira, desses do passado.
Mantive esse grilo até pouco tempo no escritório, como salvaguarda, sempre pensando: - Melhor ele, que outros.
O parágrafo é simples, serve pra desenhar nosso cotidiano quando em nossas viagens ficavamos os dois depois das apresentações, rondando os subúrbuios e vanguardas dessas nossas cidades.
E o convívio trouxe essa conclusão, Macalé é subúrbio e vanguarda.
Ele prova que nasceu no maciço da Tijuca, mas também é o rei do Suvaco do Cristo na zona sul. Comeu maçã num festival, com o mesmo interesse que tocou violão ao lado de Nora Nei no espetáculo Rosa de Ouro, em 1967.
Ficamos muito amigos.
Numa dessas tardes esperando os atrasados vôos e  portões trocados em aeroportos, falamos de Moreira da Silva. Jards fez dupla com o criador do samba de breque por mais de vinte anos.
A voz de Macal surpreende cantando “Acertei no Milhar”. Pensei alto:
- Meu irmão, até o título é bom! ‘Macalé canta Moreira”…
E assim, dividindo os arranjos entre os maravilhosos Vitor Santos e Jayme Vignolli, o disco completou a trilogia de apresentação da Lua Discos ao mercado carioca.
Importante dizer das participações especiais de Zeca Baleiro, Chico Caruso e Tim Rescala, dando um suingue de vanguarda e subúrbio no trabalho realizado.
Dois anos depois trabalhamos juntos na invenção do CD ‘Amor, Ordem e Progresso’, sonoridade intimista, repleto de novidades nas mãos de Victor Biglone, Robertinho Silva e Arismar  Espírito Santo, um trio-orquestra.
Mantendo a tradição fomos pra Penedo por dois dias escolhendo músicas, vivendo fundamentos de uma amizade.
Uma pequena história, fundamental na minha carreira.

Pra tudo não virar memória, estaremos juntos em agosto no projeto Sete em Ponto realizado no teatro Carlos Gomes.

Dobrando a Carioca

29 de junho de 2009

Em 1999 recebi um convite pra fazer um show dentro da série Seis e Meia do Teatro João Caetano, Rio de Janeiro.
Sempre fui avesso à luzes muito centradas a minha direção. É do meio feitio dividir.

A amizade com Guinga, pra mim abslouto como compositor, vem desde 1973 por conta da convivência com Helio Delmiro, meu mentor e cumpadre do craque violonista.
Anos depois tinhamos outro parceiro comum, Aldir Blanc.
Reuniões de música eram realizadas na minha casa da Tijuca e Guinga era constante desde a primeira hora.
Rapidamente mudando de assunto, outro frequentador assíduo era o querido Betinho.
É isso.

O caminho do samba me aproximou do Ze Renato. Considero Zé um dos nossos maiores cantores. Sua carreira ultrapassa rótulos. Já gravou Silvio Caldas, Jovem Guarda e o imbatível Ze Keti. E foi o autor de Nega Dina quem nos fez mais amigos.

Com Jards Macalé participei de eventos pela Funarte, Projeto Pixinguinha, shows políticos, coisas assim.
A afinidade sempre foi tão grande que tempos depois ainda produzi dois discos seus, ‘Macalé Canta Moreira’ e ‘Amor, Ordem e Progresso’, orgulhos da minha carreira.

Juntar os quatro foi a inspiração.

A primeira reunião pra fechar repertório aconteceu no Bar Luiz. Um amigo passou perguntando o motivo daquele encontro. Explicado a razão, o curioso curvou o corpo procurando pelo teatro quando alguem apontou:
- É ali, Dobrando a Carioca.
A verdade é que na temporada do Seis e Meia o público nos surpreendeu.
O shows encheram o teatro. Tanto que aceitamos mais tres apresentações no Espaço Cultural Sergio Porto.
Ali também lotou. Cadeiras extras, amigos sentados no chão, sentimos o cheiro da pólvora.
Veio o convite pra duas semanas no grande Mistura Fina, da Lagoa, com sessões extras todas as noites.
No balanço do fim do ano, com jornal O Globo elegendo o nosso show como um dos melhores do ano, emendamos uma turnê pelo nordeste, seguindo depois pra São Paulo, Brasilia, Porto Alegre, Vitória e tantas outras cidades que a agenda alcançou as  100 apresentações.

Guardo várias histórias dessas viagens. Vou ficar com um curtinha.
O show era num belo teatro, produção de primeira, a gente sabia que até outdoors foram colocados na cidade. E foi assim, dentro de um ônibus exclusivo, que avistamos na avenida principal o anúncio:
- Não percam hoje o Grupo Dobradinha a Carioca!