youPode

Posts com a tag ‘Jaguar’

Convívios

14 de novembro de 2009

O post está atrasado, tenho minhas desculpas.
Neste fim de semana participo da festa de aniversário do Bar Samba, importante marco desse enredo na capital paulista.
O grande presente dessa comemoração é apresentação do grupo Fundo de Quintal, fechando, no domingo, a chave desse encontro.
Aos poucos o convívio com esse time vai me ‘orgulhando’, me ‘fundeando’ nessa vidda de samba.
Vou aproveitar a data e tirar uma foto com o meu parceiro Sereno, um ás na melodia, tantos sucessos na carreira que ainda aceita dividr comigo novas canções.
Já fizemos algumas. Eu gravei tres no disco ‘Batucando’. gravei também do íntimo CD ‘Sem Compromisso’ com Marçalzinho, e no último disco da nossa Dorina, uma foi incluída.
No registro que abre o texto, estou ouvindo a deliciosa história sobre a origem da famosa caixinha tocada pelo craque Ubirany em definitivas gravações de sambas conhecidos.
Ele nos conta que tudo começou na emblemática casa da Rua Jaceguai, época de novos compositores universitários, entre eles Aldir Blanc e Ivan Lins. Que volta louca e apaixonante.
Mais recente, eu e a barraca da feira, Ubirany leva o Sereno pra experimentar nossas sardinhas e jilós.
O autor de ‘Sorri Pra Mim’ tem nas mãos uma fita cassete. Estende em minha direção e:
- O Môa, segura aí. Tem uns sambas sem letra, vê se tu gosta.
Essa conversa começou as dez da manhã.
Quando o relógio apontou sete da noite já estávamos dobrando a Rua Sacadura Cabral pra beber a saideira no Bar Gracioso, Praça Mauá.
Pedimos o que tinha no balcão, de risoles a queijo minas, e um gaiato cantou no meu ouvido:
- Liguei pra Beth, tá? Beth Carvalho. Ela tá vindo!
Meia-noite, chamando urubu de meu louro, fui dormir com a fita do Sereno no bolso.
Dali consegui fazer ‘Beleza em Diamante’ e ‘Vida da Minha Vida’.
As ruas se estreitaram e quando a agenda coincide vou visitar meu parceiro em Del Castilho, ou nosso passista número um do grupo, Ubirany nos arredores do Rocha, subúrbios cariocas.
Quando eu revelar o próximo cromo conto pra vocês o dia que chegou um leitão na casa do Sereno, presente do Zeca Pagodinho. Junior, o Capacete, está de prova.

***
Quanto ao atraso na postagem.
Quinta que passou, foi comemorado os 70 anos de um dos maiores garçon dessa cidade, nosso querido Vieira, do Lamas.
A festa aconteceu no salão do próprio restaurante, a gente cantando enquanto o aniversariante rodava as mesas servindo filé a francesa e o milanesa da casa, dois destaques na programação.
Como ando destreinado, a mesa que incluía dois profissionais em assuntos etílicos, quase me derrubou. Jaguar e Dacio Malta.
Em outra foto, a doce presença do Nani que, genial, preparou um poster duplo com várias citações desse mestre de terno branco e gravata borboleta.
Modestamente, participo deste ‘documento’ com o samba ‘Encontros Cariocas’ feito com o parceiro Aldir Blanc aonde pedimos a conta ao Vieira pra levar pra dançar na Estudantina, a nossa menina bailarina.

Pra não perder o costume, ‘imprimo’ a letra de ‘Beleza em Diamante’, um pouco do nosso Rio de Janeiro. Muito do Sereno.

Meu Rio de Janeiro
Se fosse preciso dobrar a teus pés
Cantar tão bonito e dizer que tu és
A estrela mais brilhante
Mesmo num céu de outras cores
Traçantes balas e dores
És a beleza em diamante
Assim, passar as mãos nas tuas costas
Carinho de mar nas encostas
Amor de mandingueiro
O sol desponta além do infinito
Trazendo alento aos mais aflitos
Meu Rio de Janeiro.
É tudo paixão, delírio
Palácios e barracão
Nas noites de muito frio
Pedir mais proteção.
O meu samba é pra quem quiser
Usar da mesma inspiração
Cidade mulher, um bem-me-quer
No coração
                 (meu samba é)
Um cantar de fé pra quem quiser
Usar da mesma inspiração
Cidade mulher, um bem-me-quer
No coração.

Fotos Avulsas - I

26 de agosto de 2009

Tenho um carinho muito grande por esse blog.
Gosto de por fotos ilustrando um assunto e às vezes é dessa imagem que nasce o  rumo a nossa conversa.
A foto acima estava perdida na pasta de documentos do livro Manual de Sobrevivência nos Butiquins mais Vagabundos, que lancei em 2005.
No fundo, inciando a carreira, o talentoso Gabriel Cavalcante e, no primeiro plano, duas feras: Antonio Pedro e Jaguar.
Os compromissos vão inventando distâncias, mas já fomos muito próximos.
Houve uma época na Tijuca aonde adquiri uma barraca de feira (é verdade) e a presença do Antônio era constante. Além de ator e competente adimnistrador cultural, o craque cozinha como poucos. A idéia da barraca era reunir os amigos em torno do tabuleiro e, aproveitando a diversidade de alimentos em todos os gêneros, preparar pratos para os amigos.
Antonio Pedro era imbativel.
Um dia essa história virou DVD - Dia de Feira - e na capa do documentário um grande destaque para o amigo de faca em punho.
Jaguar também aparecia nos encontros, embora não tão frequente.
No Manual, o livro, foram dele as ilustrações.
Entre as loucuras que fizemos juntos, a mais arrumadinha era a do projeto ‘Samba Falado’ quando formamos uma dupla independente, viajando por ái, Campinas, Brasília, São Pàulo, cantando samba e casos.
E histórias são várias.
Um dia recebo uma ligação do craque:
- Ô rapaz, vamos almoçar na Viera Souto.
Eu não lembrava de bar algum na luxuosa avenida. Tentei desistimula-lo alegando pouca verba pro caro endereço, mas ele me convenceu:
- Caro? O Vieira Souto é quase de graça! Tem o melhor filé da Cruz Vermelha…
- Aonde?
- Cruz Vermelha. Tem duas entradas. Um dá de frente pro Hospital do Cancer…

Também nos apresentamos em Itaipava, seu esconderijo preferido.
Neste dia fui apresentado a ‘Cobal’ de lá.
Nosso mestre havia chegado à pouco de uma palestra em Manaus, algo assim.
E me conta, entusiasmado:
- Õ Moacyr Luz, tu acredita que fui jurado de um concurso chamado ‘Beber Cachaça Sem as Mãos’?
- Sem as mãos? Como é que pode?
Um garçom foi chamado as pressas, ajeitou uma dose num desses belos copinhos apropriados, posicionando o cálice bem próximo, na mesa.
O Jaguar trançou as mãos por tras, curvou as costas, mordeu o copo e levantou o corpo até a bebida descer garganta adentro sem pingar uma gota na camisa.
O lugar todo aplaudiu.
No dia que fomos fazer nosso número em Brasília, o Jaguar me levou pra conhecer a torre de televisão, um equipamento de trasmissão gigante transformado em ponto turístico com barracas de artesanato e tudo mais em volta.
Depois de subir muito num elevador, chegamos a um andar aonde o piso era vasado.
Tive um certeiro ataque de vertigem.
Ele tirando fotos e eu tremendo.
Os carros zunindo embaixo, velocidade de perseguição americana, pergunto suado:
- Mas Jaguar, como se vive nessa cidade?
_ Ô rapaz, isso aqui não é uma cidade. É um autorama!

Quando lancei o Butiquim de Bêbado, a Editora Desiderata o mantinha como o pensador das publicações. Foi dele a idéia de convidar o genial Chico Caruso para as ilustrações.
De presente ainda me deu este prefácio fac-símile reproduzido aqui, no blog.