youPode

Posts com a tag ‘Guilherme Studart’

Os Botecos e a Estácio

8 de novembro de 2009

Nesta terça feira, dia 10, participo dessa festa carioca chamada Os Botecos e a Estacio, mistura de samba e tira-gosto que vem acontecendo na quadra reformada da Escola de Samba Estácio de Sá.
Intuitivamente sempre gostei do bairro.
Meu grande parceiro Aldir Blanc viveu por ali na infância. Alceu, eu pai, ainda está na área.
Ali nasceu Luiz Melodia e foi a raiz do samba nas mãos de Ismael Silva.
Na minha juventude boêmia conheci um santuário local, a Adega Fontan perto da Paulo de Frontin. As obras do metrô desfiguraram o casario e, com ele, o bar virou escombros.
Quem comanda a cozinha musical do evento é o meu querido Luiz Felipe de Lima, por isso vou despreocupado, violão no braço só pra fazer figuração.
***
Estou no Santa Luzia, o samba cheio de alegria, uma pessoa amiga pede mais história de bar no blog.
Quando gravei minha primeira música em 1979, pensava que a vida seria curta, que o futuro era uma porta já aberta, sem surpresas.
Depois de trinta anos, só faço agradecer, mesmo com os dedos mais lentos, o que ainda se tem pra viver.
***
Sempre fui apaixonado por butiquim e todo o seu universo: - o dono, mau humorado, a frigideira encardida das sardinhas fritas, o balcão melando no cotovelo o traçado do fregues anterior. Uma meia porção até de ovo cozido.
Li com orgulho o suplemento Rio-Show aonde nosso querido Guilherme Studart foi capa e mais inúmeras páginas de birosca e baixa gastronomia.
Já desfrutamos de várias boas mesas. Ou melhor, já descarnamos, visto que de fruta, só o limão dos áureos tempos etílicos.
No livro Botequim de Bêbado tem Dono, ele aparece ilustrado pelo mestre Chico Caruso no belo Retrô Casual, um clássico da Rua do Rosário.
Num desses sábados inventados por Deus em extremo bom humor, participei da caravana que o Guilherme organizou rondando pela cidade à procura de bons jilós.
Entre os destaques, uma preciosidade gratinada nos foi servida no Original do Brás, uma cereja de bar no ensolarado bairro de Brás de Pina.
Também comemos, numa arquitura de cachorro-quente, o jiló do Enchendo Linguiça. O embutido vem no molho, mas sanduichado pela ‘fruta’.
Como estamos no terreno da Web, faço um link.
Os dois bares estão na quermesse gastronômica do Botecos e a Estácio.
***
Na minha parceria com Aldir, convivemos com algumas diferenças: - sou Flamengo, ele, Vasco.
Combinamos desde os primeiros versos de não tocar muito nesse assunto e assim estamos bem desde 1984, vinte e cinco anos.
Outra polaridade são os temperos.
Se eu pudesse comeria alho já no café da manhã, enquanto o parceiro, evita.
Ha tempos, fomos passar umas férias em Búzios, o paraiso na terra.
Quando o sol fazia o caminho de casa resolvemos ir à praia.
Na primeira cerveja um novo amigo muito envolvente insiste que a pedida é  comer a peixada do fulano na rua tal, coisa pra já…
Aldir me puxa num canto, e:
- Moa, to pressentindo. Esse prato vai ter mais alho e cebola que a feira da Tijuca. Vou fugir pelos fundos. Vai você!
Esganado, fui às cegas pro almoço prometido.
Peixe servido, sabor inigualável, corro ao ouvido do cozinheiro procurando segredos da receita. Lacônico, responde:
- Meu amigo, com um pescado fresco desses, é só sal, mais nada!
Na volta, encontro Aldir debruçado na janela:
- Perdeu, parceiro. Uma delícia! E só sal!
Ele riu, eu fui descansar.
Dia seguinte uma música familiar ecoando do fundo do quintal.
Era um samba que eu tinha deixado pro mestre letrar.
Entre solfejos e cervejas, identifiquei na melodia o refrão.
Graças a peixada, mais uma música ficou pronta.
‘Meu Tempero é Sal’ foi gravado por mim no CD ‘Vitória da Ilusão em 1995 e, tempos depois, uma versão mais moderna do querido Claudio Lins para o disco ‘Um’.

Sou macaco velho
Manjo de cumbuca,
Eis o meu tempero
Como mestre cuca:
Pouco açafrão,
Pimenta um nada,
Nem estragão,
Nem noz-moscada,
Meu tempero é sal!
Dendê, “tantin”
Sálvia, a lembrança,
Do alecrim, só a “nuança”
Meu tempero é sal!
Páprica penso e não ponho
Gengibre eu tenho e não boto
O louro eu tiro na hora agá.
A salsa ia mas sai
A erva-doce acabou,
O cravo eu cismo e não vai
- Só abuso do que não vou por!

Jilós no Jardim Botânico

12 de março de 2009

A Leila Pinheiro mora na parte alta da Maria Angélica, no Jardim Botânico.

Na época dos nossos primeiros ensaios, eu recorria sempre ao Bar Rebouças, arredor, para amenizar minhas crises de timidez, ou de euforia, dependendo do ocorrido.

Essa lembrança fez bouquet quando há pouco tempo participei de uma caravana inventada para degustar jilós por toda a cidade, de Brás de Pina a Gávea Grande.

O Rebouças estava no itinerário, e nosso anfitrião Guilherme Studart  respirou aliviado:

- Não disse? Jardim Botânico e jilós, um fruto, quase uma flor, tudo a ver!

Não concordo, mas respeito seu paladar.

O bar tem cinco metros quadrados. O resto é calçada.

Paramos num microônibus com 30 pessoas e, por pouco, o jiló seria servido à chinesa nas mesas do Mr. Lam, um vizinho rico.

Foi uma festa de orgulhar o carioca.

Receita das mais simples: um vinagrete de alho e cheiro verde ficou entre os preferidos dessa corajosa comissão, que terminou o evento, umas doze horas no total, assoviando mais que passarinho.

Ganhei do Pedro Landim a foto do acepipe. Está no blog Boca no Mundo  que eu leio de engordar.

http://odia.terra.com.br/blog/bocanomundo/