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Posts com a tag ‘Chico Caruso’

Fotos Avulsas - I

26 de agosto de 2009

Tenho um carinho muito grande por esse blog.
Gosto de por fotos ilustrando um assunto e às vezes é dessa imagem que nasce o  rumo a nossa conversa.
A foto acima estava perdida na pasta de documentos do livro Manual de Sobrevivência nos Butiquins mais Vagabundos, que lancei em 2005.
No fundo, inciando a carreira, o talentoso Gabriel Cavalcante e, no primeiro plano, duas feras: Antonio Pedro e Jaguar.
Os compromissos vão inventando distâncias, mas já fomos muito próximos.
Houve uma época na Tijuca aonde adquiri uma barraca de feira (é verdade) e a presença do Antônio era constante. Além de ator e competente adimnistrador cultural, o craque cozinha como poucos. A idéia da barraca era reunir os amigos em torno do tabuleiro e, aproveitando a diversidade de alimentos em todos os gêneros, preparar pratos para os amigos.
Antonio Pedro era imbativel.
Um dia essa história virou DVD - Dia de Feira - e na capa do documentário um grande destaque para o amigo de faca em punho.
Jaguar também aparecia nos encontros, embora não tão frequente.
No Manual, o livro, foram dele as ilustrações.
Entre as loucuras que fizemos juntos, a mais arrumadinha era a do projeto ‘Samba Falado’ quando formamos uma dupla independente, viajando por ái, Campinas, Brasília, São Pàulo, cantando samba e casos.
E histórias são várias.
Um dia recebo uma ligação do craque:
- Ô rapaz, vamos almoçar na Viera Souto.
Eu não lembrava de bar algum na luxuosa avenida. Tentei desistimula-lo alegando pouca verba pro caro endereço, mas ele me convenceu:
- Caro? O Vieira Souto é quase de graça! Tem o melhor filé da Cruz Vermelha…
- Aonde?
- Cruz Vermelha. Tem duas entradas. Um dá de frente pro Hospital do Cancer…

Também nos apresentamos em Itaipava, seu esconderijo preferido.
Neste dia fui apresentado a ‘Cobal’ de lá.
Nosso mestre havia chegado à pouco de uma palestra em Manaus, algo assim.
E me conta, entusiasmado:
- Õ Moacyr Luz, tu acredita que fui jurado de um concurso chamado ‘Beber Cachaça Sem as Mãos’?
- Sem as mãos? Como é que pode?
Um garçom foi chamado as pressas, ajeitou uma dose num desses belos copinhos apropriados, posicionando o cálice bem próximo, na mesa.
O Jaguar trançou as mãos por tras, curvou as costas, mordeu o copo e levantou o corpo até a bebida descer garganta adentro sem pingar uma gota na camisa.
O lugar todo aplaudiu.
No dia que fomos fazer nosso número em Brasília, o Jaguar me levou pra conhecer a torre de televisão, um equipamento de trasmissão gigante transformado em ponto turístico com barracas de artesanato e tudo mais em volta.
Depois de subir muito num elevador, chegamos a um andar aonde o piso era vasado.
Tive um certeiro ataque de vertigem.
Ele tirando fotos e eu tremendo.
Os carros zunindo embaixo, velocidade de perseguição americana, pergunto suado:
- Mas Jaguar, como se vive nessa cidade?
_ Ô rapaz, isso aqui não é uma cidade. É um autorama!

Quando lancei o Butiquim de Bêbado, a Editora Desiderata o mantinha como o pensador das publicações. Foi dele a idéia de convidar o genial Chico Caruso para as ilustrações.
De presente ainda me deu este prefácio fac-símile reproduzido aqui, no blog.

Pequenas Histórias: Jards Macalé

10 de julho de 2009

Era uma das nossas viagens com o show ‘Dobrando a Carioca’.
Curitiba, bela cidade, todos embarcaam de volta após show na Casa da Música. Menos eu e Jards Macalé. Vamos curitr!
Aos domingos tem um feira de artesanato no centro antigo de casario restaurado que vale a pena bancar uma diária e passear entre as barracas.
Estou entretido com uns talheres de madeira quando Macal se aproxima carinhoso:
- Mõ, pra você não se aborrecer mais na vida aceite esse presente. Um basta.
Abri a caixinha, era um grilo feito da haste de um pregador de madeira, desses do passado.
Mantive esse grilo até pouco tempo no escritório, como salvaguarda, sempre pensando: - Melhor ele, que outros.
O parágrafo é simples, serve pra desenhar nosso cotidiano quando em nossas viagens ficavamos os dois depois das apresentações, rondando os subúrbuios e vanguardas dessas nossas cidades.
E o convívio trouxe essa conclusão, Macalé é subúrbio e vanguarda.
Ele prova que nasceu no maciço da Tijuca, mas também é o rei do Suvaco do Cristo na zona sul. Comeu maçã num festival, com o mesmo interesse que tocou violão ao lado de Nora Nei no espetáculo Rosa de Ouro, em 1967.
Ficamos muito amigos.
Numa dessas tardes esperando os atrasados vôos e  portões trocados em aeroportos, falamos de Moreira da Silva. Jards fez dupla com o criador do samba de breque por mais de vinte anos.
A voz de Macal surpreende cantando “Acertei no Milhar”. Pensei alto:
- Meu irmão, até o título é bom! ‘Macalé canta Moreira”…
E assim, dividindo os arranjos entre os maravilhosos Vitor Santos e Jayme Vignolli, o disco completou a trilogia de apresentação da Lua Discos ao mercado carioca.
Importante dizer das participações especiais de Zeca Baleiro, Chico Caruso e Tim Rescala, dando um suingue de vanguarda e subúrbio no trabalho realizado.
Dois anos depois trabalhamos juntos na invenção do CD ‘Amor, Ordem e Progresso’, sonoridade intimista, repleto de novidades nas mãos de Victor Biglone, Robertinho Silva e Arismar  Espírito Santo, um trio-orquestra.
Mantendo a tradição fomos pra Penedo por dois dias escolhendo músicas, vivendo fundamentos de uma amizade.
Uma pequena história, fundamental na minha carreira.

Pra tudo não virar memória, estaremos juntos em agosto no projeto Sete em Ponto realizado no teatro Carlos Gomes.

Juca

27 de março de 2009

Meu amigo Juca, do Serafim e de todas as tabernas do Juca, faleceu nesta quinta-feira, 26.
Dono também de um vasto bigode que em época de Copa Do Mundo pintava de vermelho e verde, cores da bandeira do seu país, Portugal, veio adulto pro Brasil, e, se fosse espírita, eu jurava que incorporava o espírito do doutor carioca . No livro que escrevi - Botequim de Bêbado tem Dono - dediquei uma crônica a ele e ao seu bar de Laranjeiras.
Nesta semana foi comemorado o Dia Mundial da Ãgua. Pra ser sincero não era a nossa bebida preferida. Juca gostava das bagaceiras portuguesas, eu,brasileiro, afeiçoado as aguardantes.
Vamos sentir saudade do seu sorriso.

A ilustração é do craque Chico Caruso, feito pro Botequim de Bêbado tem Dono…