Ãlbum de Retratos
3 de novembro de 2009
Se aproxima a primeira sexta do mês, dia de Samba, Luzia.
Em dezembro a gente completa tres anos, uma história que deu certo.
Já recebemos a visita de guerreiros como Toninho Gerais, Dorina e Dudu Nobre, Beth Carvalho, Alcione, além do querido Arlindo Cruz.
A foto foi tirada no show que fizemos em outubro, fez um ano, no teatro Rival.
Conheci Arlindo através da madrinha Beth, eterno traço de união.
Nossa cantora organizava alguns saraus na sua bela casa em São Conrado e durante bom tempo fui assÃduo.
Parece mentira, mas ali cantei pro Nelson Cavaquinho e vi chegar, versando da escada, a figura marcante de Beto Sem Braço.
Arlindo e Sombrinha cantavam sambas de harmonias rebuscadas. Já era nÃtido uma qualidade diferenciada.
Quando gravei com ela, Beth, o ‘Saudades da Guanabara’, pude encostar um pouco mais na turma, sempre respeitando número baixo.
Num fim de semana ensolarado fomos a casa que a nossa madrinha mantinha em Maricá.
Entre os motivos que não fazem esquecer esses dias, um mommento delicado: - parado no carro numa rua próxima ao encontro, vi um caminhão passar feito um trator por cima de mim. Por sorte só quebrei dois dentes da frente, nada que me fizesse voltar à cidade.
Passei dois dias banguela num quintal repleto de sambas e amigos.
Arlindo gostava de um samba-canção recem composto com o parceiro Aldir e devo te-lo tocado algumas vezes na mesma tarde. Se chama ‘Feito o Mar’.
Pouco tempo depois, confirmando um amuleto, a música foi gravada no disco “Intérprete’, um trabalho mais intimista que Beth Carvalho registrou em 1990/91.
No dia desse show no Rival, casa cheia, lembramos dessa festa no outro lado da baÃa e, quieto, senti a forma que o tempo constrói a nossa vida.
A estrela do Arlindo sobe numa cauda invertida, pra cima.
Eu, na minha levada, vou seguindo entre as músicas que a minha emoção tatua nessa história, a devoção e o agradecimento ao que o samba tem feito por mim.
Você é feito o mar
na lua cheia o orgulhoso mar
senhor que não consegue parar de bater
mas fica entregue a pobres grãos de areia.
Em cada onda o mar
recebe o espelho que contém seus gestos
você e o mar tem coisas que eu detesto, sim
mas eu não te amaria se não fosse assim.
Você e o mar às vezes são ferozes,
vocês têm tantas vozes
quantos albatrozes vi passar,
ou guardam aquela calma doentia
que pressagia a grande tempestade
e quando a gente pensa que partiram
retornam cheios de saudade.




