Que dizer desse sumiço no blog?
Às vezes você adia a visita  a um parente distante e, quando se dá conta, passou a vida.
Em silêncio por seis meses, buscava no movimento um motivo, uma inspiração.
A música tem me tratado bem. Nesse perÃodo estive em situações marcantes como a carinhosa homenagem feita pelo bloco do Teatro Rival, shows em outras cidades, até estar presente pelo décimo terceiro ano seguido na calçada da Toca do VinÃcius, cantando parabéns ao Rio de Janeiro.
Em cada flash já caberia um post.
Acabo de chegar de Santiago, Chile.
Foi nesse magro e alto paÃs a razão pra voltar ao texto.
A cidade tem quase seis milhões de habitantes em 650 kilometros quadrados, entendi assim.
O meu Rio de Janeiro tem o dobro de tamanho e de pessoas.
Também somei algo lendo os Wikipédias da vida de que a renda per capita de lá é de 25 mil pratas contra 21 mil reais nossos, cariocas.
Conheci os taxis apenas no trajeto aeroporto-hotel, seguindo os outros dias de metrô, incontáveis vezes.
O metrô de Santiago tem cinco linhas nomeadas por cores em cem estações que alcançam toda a cidade.
São 94 kilometros de extensão.
Duas coisas me chamaram atenção: - a sinalização no piso com setas indicando a pretendida linha na viagem e os inúmeros dizeres de “no correr”.
É simples. Os trens passam praticamente a cada dois minutos, demoram segundos no abrir e fechar das portas tornando desnecessario o nosso desespero urbano.
Mais. Nos horários de maior movimento, o preço da passagem diminui. Aos domingos, reduz ainda mais.
Se, fechando esses números cansativos, temos um PIB que coloca o Brasil em oitavo lugar no mundo contra os 46° chilenos, por que estamos tão distantes desse conforto?
Não preciso justificar o meu amor pelo Rio de Janeiro. Amo esta cidade ao ponto de ser chamado de compositor carioca e inúmeras canções para este encanto no mundo.
Eu olhava da janela, no vai e vem das vias aparentes, um vendedor ambulante no sinais, um atleta pregando balas Garoto no espelho retrovisor e, nada. No terceiro dia, avistei uma criatura encostando volumes nos carros do cruzamento. Era um entregador de jornais gratuitos.
Outra surpresa maravilhosa encontrei nos pães, não importa o mercado que você compre.
Na primeira mordida, o paladar me fez voltar ao Meier dos meus vinte anos, mas por outros motivos.
Havia uma padaria na esquina da rua que eu batizei de ‘bromatão’. A bisnaga esfarelava na serra antes de alcançar a boca, a camisa saia decorada de cascas, quando não se encontrava somente o oco entre um tÃmido miolo.
Não estou cuspindo no pão que comi.
Havia uma proposta de oportuinismo naquela receita.
Ainda se encontram espalhados pelo suburbio, a ‘padaria-bromatão’.
Ou vai-se ao Celeiro, ou visite o curral.
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Alguns amigos convivem com o meu novo hábito de só beber vinhos.
Por alto, explico.
Razões medicas me levaram a tomar entre comprimidos inteiros ou fracionados, 480 cápsulas/mes.
O fÃgado passa o dia tabelando com essas pÃlulas coloridas, aceitando a contragosto as taças que insisto em beber.
Feito gritos de ordem na ditadura: “Destilados, Nunca Mais”.
O mesmo caminho me fez abandonar os torresmos mais vagabundos.
Modestamente, ainda ‘tô’ no lucro. Se o doutor receitasse apenas berinjelas como alimento, eu estaria correndo o mundo atras dessa fruta-legume, saboreando as lilases, berinjelas verdes, anãs ou gigantes.
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Não posso aqui também querer comparar hábitos entre os dois paÃses sobre o consumo de vinhos.
Senti nas pernas os dez graus marcados no termômetro durante o dia, isso em pleno outuno.
Clima mais propÃcio pra um tinto encorpado, impossÃvel. Mesmo assim, preciso comentar.
Tenho um grande amigo, bem na vida, quase um enólogo, dividindo o tempo em grande empresa e ser representante da Casa Valduga, importantÃssima vinÃcola brasileira.
Inúmeras vezes, olhando uma carta qualquer, optei por seus espumantes sem hesitar um instante.
Ainda seguindo pro Chile, malas despachadas, vou ao restaurante principal do terminal 1, tomar um Valguda Brut enquanto aguardo o voo (minha ansiedade me faz chegar sempre quatro horas antes).
Confesso que faço esse ritual a cada longa viagem.
Olho no cardápio o espumante custando 75 pratas.
Lembro do amigo, lembro das gôndolas dos supermercados e noto a saliva do gerente sobre os meus reais.
Quatro vezes mais caro.
Por que isso?
Insisto e peço também, meia porção de azeitonas, completadas com queijo provolone em cubos.
Eu já sabia, é um ritual, lembram?
A azeitona me fez evitar o guichê de embarque. Uma quantidade criminosa de sal na qualidade do fruto fez a pressão subir 37 mil pés sem despressurização. Tive que desviar dos Andes pelo cuspe.
E o provolone? Quem tem mais de 50 anos deve lembrar do sabão UFE de imponente fábrica na Avenida Brasil.
Sabão portugues e o provolone, mesmos sabores.
Por que isso?
Devo ter omitido algum dado econômico, mas somos um paÃs que não cabe de tão grande.
Não é possÃvel vivermos à base do jeitinho, do furafila, do embaixo do pano, vista grossa, quebra o meu galho e outras molhadas de mão, seja qual for a classe social.
Desculpe voltar assim…
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A agenda está bonita!

Nesta terça, 19 de abril, Curitiba.
Dia 24 de abril, na Casa Rosa, Laranjeiras, com a rapaziada do Samba do Trabalhador.
Dia 29 de abril, Fortaleza, Samba da Meia-Noite.
Dia 07 de maio, São Paulo, Bar Pirajá com a participação especialÃssima de Mart’nália.
Dia 14 de maio, Belo horizonte, ao lado do grupo Copo Lagoinha.
Dia 21 de maio, São Luiz do Maranhão.
Dia 29 de maio, Florianópolis, Projeto Nosso Samba.