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Arquivo para junho, 2010

Pé na Estrada

18 de junho de 2010

Conheci Belo Horizonte quando fui com o compositor Sergio Sampaio fazer uma apresentação no Cabaré Mineiro, belo espaço de música sob a batuta do maestro e amigo, Wagner Tiso.
Esse fato aconteceu em 1984.
Depois estive com o poeta, parceiro e saudoso Paulo Emílio no programa Arrumação, também gravado na capital mineira.
Época em que o aeroporto oficial baixava perto, Pampulha.
Neste sábado, o show acontece no LapaMultiShow. Muito bacana.
Ao meu lado, os grandes amigos do Samba do Trabalhador.
O grupo vem passando por alterações, mas a esscência permanece: - Tocar com felicidade, com orgulho.
Ainda me lembro do Aldir gostando da idéia de cantar ao lado do craque João Bosco, o clássico “Bêbado e a Equilibrista” no quintal do Renascença, a nossa casa.
O registro acabou definitivo no filme “Tres irmãos de Sangue” , Henfil, Betinho e Francisco Mario.
Nossa roda nem completara dois meses, os meninos do grupo respiraram fundo quando os primeiros acordes do mágico violão do João equalizaram aos batuques da mesa.
Era um sinal.
Batismo confirmado, tratei de vestir a camisa.
Sinceramente, eu retornava do Projeto Pixinguinha, grandes shows. O disco “Samba da Cidade” sendo conhecido por quem nos acompanha, música em parceria com Ivan Lins e Aldir na novela da oito, tocando - “Instante Eterno” - enquanto a eterna coceira do compositor cria, tentando intérpretes.

Todo o vento de um lado, mas uma bússola íntima apontava pro Andaraí, Samba do Trabalhador.
Já sei, estou repetitivo.

***

Belo Horizonte tem sido constante na agenda.
Além de musical, a cidade tem o mesmo carinho com seus botecos e respectivos bebuns, eternos baluartes dessa história chamada boemia.
Boemia diurna.
Cada balcão tem seus diários, os que penduram, os que já juraram não pisar mais ali, mas retornam ao primeiro aceno.
Não bastasse as purinhas pra quem pode, ainda tem um Mercado passando os jilós na chapa.
Como o show acontece na virada do sábado, meu ponto começa por lá.
No caso, fiz um trato com o fígado: - Queijo do Serro!
Bom demais!

O Espelho e o Agitador

13 de junho de 2010

Acordo com a culpa de não atualizar o blog, um compromisso prazeroso.
No início, fiz projetos de lembrar as inspirações musicais, casos perdidos de boemia e uma ou outra agenda, informação que recorro sempre ao Samba & Choro.
Acontece que, modestamente, esse termo ‘agitador cultural’ com certeza nasceu do meu espelho.
O relógio da cozinha enorme pra se enxergar traçou dois ângulos iguais e marcou seis horas. Seis da manhã. É domingo.
Nada de mais se eu não tivesse chegado começando a madrugada, de um show aonde participei com  a maravilhosa harpista, cantora e compositora Cristina Braga.
Parentesis.
Ao lado dela, Cristina, e do querido Mario Seve, formamos uma equipe que inaugurou o Centro de Referência da Música Carioca em 2006.
Lutei pela construção daquele espaço desde o início dos anos 90, quando a minha mesa de botequim ficava praticamente encostada no muro deste espaço.
Morei por 23 anos no mesmo CEP do Centro. Trabalhamos ali até a posse do novo prefeito em 2009.
Aconte que, coisas de política, saimos da casa.
Eu, o agitador do espelho, fiquei triste, mas a amizade permaneceu forte. Fizemos uma canção chamada ‘Restos’ que foi incluída em seu novo CD - Feito um Peixe - e a felicidade consagrou-se quando pude dividir esse momento no palco deste show.
Por estes dias tambem participei da gravação de um documentário dirigido por Bebeto Abrantes, o mesmo diretor dos elogiados ‘Recife/Sevilha’ e ‘Tres Antônios e um Jobim’.
Desta vez ele se ocupa de filmar os batuques brasileiros.
Eu, que nem caixa de fósforos me atrevo, participo na película, com certeza por culpa do espelho que desbota o ‘agitador’.
O blog reclama do abandono, pede que eu recorde os antigos sambas, mas a agenda é implacável.
Lancei esta semana o livro juvenil ‘Camisa Short e Meião’, projeto da Editora Rocco, um orgulho na minha vida.
Por conta de espalhar a notícia, fiz alguns programas, conversei em rádios troquei outras figurinhas e só conseguir sentar pra dormir, verbo que pouco venho exercendo faz tempo.
Como o ‘agitador’ que mora dentro de mim coça as entranhas, agradeço os meus queridos Ricardo da Fonseca e Marcílio Lopes pela próxima novidade: - Até setembro sai o song-book com 30 músicas em partituras e uma carinhosa biografia.
O ponto final das revisões foi dado por esses dias, bem cedinho entre o ‘Samba, Luzia’ e ‘Samba do Trabalhador’, dois constantes nessa maré eterna.
O tempo corre, a manhã promete ser de sol, o espelho reflete uma insônia, mas consegui cutucar este ‘diário’.

Camisa, Short e Meião

4 de junho de 2010

Depois de seis anos, fui convidado para fazer o programa Sem Censura, da TV-E.
Na batuta, Leda Nagle, das mais representativas apresentadoras da tevê.
Quando ela era a titular do Jornal Hoje, a trilha sonora do informativo era a canção “Evie”, interpretada por Johnny Mathis.
Em 1984 havia um belo bar embaixo dos Arcos da Lapa chamado Arcos da Velha, e a Leda fazia parte da sociedade.
Nesta época, nem Madame Satã tinha coragem de atravessar a Mem de Sá.
Toquei lá muitas vezes, muitas.
Voltando ao programa, os convidados prometem discutir sobre futebol e memória. Entre eles, Luiz Mendes, “o comentarista da palavra fácil”, bambambam nos dois assuntos.
Minha participação na bancada é objetiva - falar do livro novo que estarei lançando dia 9 de junho, agora, um pouco dirigido ao público infanto-juvenil, chamado “Camisa, Short e Meião”.
Estou numa lista de craques dessa coleção que a Editora Rocco apresenta.
Sobre o mesmo tema, futebol e amizade, fazem parte nomes como o Junior; nosso capitão, Luiz Fernando Veríssimo, Aldir Blanc, e agora, no mesmo evento, O grande amigo Fernando Molica.
Cadê o “Sem Censura”!?
Sim, respondo que foi a memória quem escreveu meu livro.
O convite da editora pede um texto leve, eu lembrando do meu passado nos botequins mais vagabundos, não sei por qual vocabulário implorar.
Um sopro do passado transformou-se em inspiração.
Um nome próprio, Miúdo, um magro homem paralítico que atravessa o dia numa cadeira de rodas ajeitada no portão de casa, ilumina e todo o meu livro amanhece escrito, toda a minha infância traduzida.
Estou feliz com esse trabalho.
A vida segue com as minhas rodas de samba, novas viagens, novas músicas.
Agradeço muito a convivência com meus amigos que visitam o blog.
Camisa, short e meião.
Vou vestir.