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O Bloco

Essa história de bloco deveria ser tratada com fichinhas tipo BA - Blocos Anônimos.
A gente vicia na emoção que esse estatuto traz, perde e ganha amigos, rifa a alma pra conseguir comprar as camisas, convence um craque amigo de criar a estampa consagradora, jura que será a última vez que se mete nisso, mas quando a bateria cadencia, chora…
O desfile desse ano do Nem Muda Nem Sai de Cima me deu nó na garganta. Fui o enredo.
Acostumado a homenagear, fui pego de supresa na emoção, nasceu um riso na boca que só amenizou quando amanheci repetindo o último verso, - Cabô. Meu Pai, cabô…
O arredor desse estado todo é a cidade.
As pessoas chegam de bairros distantes, ouso dizer que conheço todos. Vêm do Meier, Copacabana, Irajá, Baixada Fluminense.
Uns deixaram o churrasco na birosca da esquina pra alimentar de canto o rio de gente que transborda à rua. Outros não quiseram se bronzear, cruzando o túnel que separa status pra abraçar a Muda com seus apêndices -Formiga e Borel.
Vejo os ambulantes suados. Carregam gelo nas costas, abanam com a outra mão o braseiro de “asinha” e salsichão.
Agora um latão é tres, dois é cinco!
Os rolimãs numa ladeira tangeciam nossos corpos enquanto o carro de som cresce na microfonia do intérprete.
Meus queridos Gabriel, Pedrinho e Guilherme gesticulam animados uma garrafa de maracujá.
O mestre Capoeira pede atenção ao cavaco, vem aí a Bateria do Império da Tijuca.
Mesmo longe da passarela, eu recuo.
Na outra margem correm as caixas pro foguetório:
- Só ‘pode’ durar 30 segundos, ordem da prefeitura!
Hoje tem corda no bloco protegendo os ritmistas.
Sai a primeira estrofe, e, junto com as rimas, o primeiro morteiro…
“Aplausos, pois o samba somos nós”.
Não sou da Polícia Militar pra contabilizar o público. Acho que , feito a final de 50, O Rio de Janeiro compareceu.
Basile e Lula subiram pra pedir à São Pedro que não chovesse, destino contínuo dos nossos desfiles, e o bloco saiu pela Garibaldi,  itinerário tijucano que inclui um congestionamento da Conde de Bonfim.
Percebi que tempo passou, 15 anos.
As crianças que habitavam os primeiros enredos, hoje são pais de novos foliões.
O coração permanece amarelo e vermelho, cores da nossa bandeira.
Eu sai sa Tijuca, mas a Tijuca não saiu de mim.
Até a garça do Rio Maracanã me acenou. Só não fui à dispersão porque o coração engasgou na boca, os olhos molhados não enxergariam meus diretores pra agradecer.
Juro que foi a última vez, mas a bateria cadencia, o peito acelera e…

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10 Comentários para “O Bloco”

  1. Eduardo Carvalho Diz:

    Moacyr,
    foi muito, muito bonito! Nada de pitboys de peito de fora, muitos barrigudos, a homenagem sincera que você mais do que merece! Vivemos uma imensa tarde/noite de sábado.
    Obrigado, um beijo!

  2. nano ribeiro Diz:

    irmão, belo texto, como de costume.
    parabéns, pena não estar lá para te homenagear, mas o fiz em espírito.
    estava com o rancho flor do sereno, relembrando “velhos” e novos carnavais, na lapa.
    bjs.

  3. Marina Mendes Diz:

    Moa, ontem vivenciei isso que escreve :”As crianças que habitavam os primeiros enredos, hoje são pais de novos foliões.”
    Falei exatamente isso pra minha filha de 18 anos.
    Vcs eram um grupo q se reuniam em frente ao “butequim” e a vizinhaça se aprochegavam aos poucos.
    Me lembrava cidadedezinha do interior, com a rua e suas gambiarras num ambiente totalmente peculiar e familiar….DELIOSOS!
    Hojes alguns desses moleques se tornaram pais e trouxeram os filhotes!
    Muito bom!
    A noite ontem foi LINDA. A lua pra não ficar pra trás apareceu majestosa dando um toque que o AMOR estava no ar.Ou será que São Jorge a acendeu para se mostar presente tmb junto com o Lula e Basile?
    sei lá….
    Voce merece e mereceu esse dia,essa festa e o luar !
    beijo grd

  4. ricardo Diz:

    Tarde histórica na Tijuca….

  5. Simone Franco Diz:

    Ôôô Moa… assim eu choro !!

    Hoje quando te vi quietinho no twitter depois do “Bom Dia, Amigos”, te juro que pensei:
    Ixe ! Lá vem uma bomba no blog !!!
    Acertei.
    Belíssimo texto (só prá variar…) e ontem… foi lindo, viu ?
    Amei !

    Beijos

  6. Serginho `Petros Diz:

    Homenagem mais do que justa!!
    Parabéns!!

  7. Rosinelly Diz:

    Uma merecida homenagem…. e um belo texto como todos que vc publica.

  8. Thiago Panza Diz:

    Não pude comparecer, mas o felicito novamente. Abraços!

  9. Dudu Nicácio Diz:

    Olá Moa,

    Parabéns pela homenagem. Mais do que merecida.

    Deu muita vontde de estar ai junto aos foliões para brindá-lo.

    Grande abraço,

    Dudu.

  10. Marlise Maria Diz:

    Todos com emoção. Por que? Moacyr Luz não é um compositor, não é um cantor, não é um dos fundadores do bloco, afamadao, que não abandonou. A Luz de Moacyr é como de uns poucos. Moacyr é ser humano, é gente, é sensiblidade com o que rodeia, é Gente, Ser Vivo Autentico e de beleza interna que contagia externamente.

    Vou apenas complementar dos amantes do Nem Muda nem sai de cima, dos fãs do trabalho para que o bloco sobreviva de meninos e meninas com Malu e a atual diretora, tem pelo menos um, uma que sou eu, de Niterói. Mas há outro casal também ligado à UFF e Niterói. E você é um imã. Sou aquela bem longe da adolescência, que ousa tentar tamborilhar, que lhe abraceu no desfile.
    Marlise Maria

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