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Azeite, Orelhas e Tainhas - Carlinhos Sete Cordas

Amigos, as festas de fim de ano nos ocupa prazerosamente de um nada absoluto que, nem reza, nem promessa a São Nelson Rodrigues, nos devolve e inspiração. Como o sil^ncio do blog incomoda, recorro a um texto que escrevi para o meu querido Carlinhos Sete Cordas, publicado na revista Batucadas Brasileiras.

Outro dia tropecei em mim mesmo numa calçada de preconceito:
- Sambista adora azeite, não é, cumpadre?
A resposta foi curta: - A gente gosta é de comer bem, Moa…
Fiquei a ver navios, desses que chegam da terrinha carregados do sagrado óleo, feito pandeiro bem tocado, adornando qualquer prato de bom paladar.
O parceiro tem razão. Alguém já reparou a técnica com o que o mestre Paulinho da Viola disseca um osso de rabada no maravilhoso filme Partido Alto, ou num antigo clipe do Zeca Pagodinho, onde a turma toda devora um cabrito em homenagem a Geraldo Pereira?
Dá água na boca, marcha-rancho de Assis Valente.
Aliás, por falar em caprino, se algum desavisado propor em dividir com o Paulão 7 Cordas essa iguaria no Capela, é capaz de apanhar na entrada, sem ao menos ver o Cícero oferecendo a mesa dos fundos.
Retiradas desse couvert as azeitonas porque os dentes só são meus porque os paguei, quero fazer uma reverência a um craque chamado Carlinhos Sete Cordas.
Um exemplar completo do Batucadas seria pouco pra tanta efeméride gastronômica proporcionada pelo meu amigo de Vila Isabel, uma fera tocando mundo afora com diferentes personalidades da música brasileira como Beth Carvalho e Paulo Moura.
Acontece que a conversa aqui é comida. E da boa.
Olha o perfil:
Conto uma visita de surpresa feita pelo Carlinhos à minha antiga casa da Tijuca.
A cachaça estava separada pra ocasião, eu e três gatos pingados, dobrando o corpo na única direção da sala: - uma pequena travessa amparando a cabeça de um dourado cozida no tomate, cebola e pimenta de cheiro. Saborosa estava, mas o cumpadre das sete cordas achou que era mínima a quantidade e mandou guardar a pinga pra outra semana na promessa de algo com mais sustância.
Sete dias depois, entra Carlinhos na cozinha com uma cabeça de melro. Limpa, ela pesava 14 quilos e, as espinhas, pareciam, afiadas, as espadas de São Jorge, pra serem usadas na imagem do Campo de Santana. Foram três dias de peixada, só a cabeça, claro. Tanto exagero que meu irmão Luiz Carlos da Vila caiu no chão escorregando na gordura que escorria das travessas.
Algo próximo aconteceu no extinto quintal da casa dele na Viana Drummond.
Empolgado com partes suínas defumadas de forma artesanal encontradas numa viagem pelo sul do país, Carlinhos resolveu fazer um feijão comemorando qualquer coisa que pudesse saborear tal descoberta. Eram vinte pezinhos e vinte orelhas de porco, todas já sequinhas. Pra arredondar a conta, o parceiro comprou uma manta de charque, oito repolhos e duas abóboras, peças inteiras. Coisa pouca também tinha: - maxixe, jiló, vagem e aipim. Se fossem quadrúpedes, esses legumes seriam pesados em arrobas.
E foi Pedro Amorim que chamou a atenção:
- Rapaziada, tem fogão pra isso tudo?
Pois bem. Às cinco da tarde aporta de Niterói um equipamento com tubo de hidrogênio, um maçarico usado pra encher grandes balões e uma panela de uso exclusivo das forças armadas com um metro e oitenta de altura e dois de diâmetro.
O que não coube no blindado virou salada crua.
Até Teresa Cristina, nossa cantora portelense, mostrou um apetite de pastora.
É isso, meus amigos.
Dia desses tomo fôlego e descrevo o festival de tainha que ele inventou pra dar cabo as quarenta que ele comprou numa promoção habitual do Mercado de São Pedro, depois da ponte.
E vou pedir ao Nei Lopes o mapa do tesouro pra, de sobremesa, se lambuzar de goiabada cascão.

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3 Comentários para “Azeite, Orelhas e Tainhas - Carlinhos Sete Cordas”

  1. Le Mucungê Diz:

    orgia gastronomica da pesada !!!
    Salve Carlinhos 7 Cordas, swingue da pesada na viola !!!

  2. Dudu Neves Diz:

    Moa, meu irmaozinho, te desejo para esse novo ano muita saude e paz no coração, que voce continue nessa lida de post aquecendo nossos corações com suas cronicas maravilhosas e que, para muitos de nós, virou ritual diário, muita luz e viva o samba!!!
    grande abraços a todos
    Dudu Neves.

  3. José Quevedo Diz:

    Moa, assisti a roda de samba em homenagem ao Paulo César Pinheiro, extra do DVD Samba Social Clube 4, com a sua participação. Grandes momentos do samba!
    Desejo um ótimo 2010 para você!
    Abraço.

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