Alafim
No inÃcio dos anos 90, através de um pesquisador ingles chamado Gerald Seligman, tive contato com um tipo de música mais percussiva que vinha acontecendo no mundo, principalmente na Ãfrica e colônias na parte sul da Ãsia. Sem exagero, Gerald tinha ums 3 mil discos nessa levada. Eram sons raros de CDs mais enroscados, dissonantes, tipo duas irmãs cantando quase sem pausa, um mantra envolvente com muita percussão. Havia um registro incrÃvel com pigmeus misturando flautas de madeira e mais tambores.
Eu identificava também essa sonoridade nas músicas que Djavan fizera depois de suas idas a Angola. Uma em especial me chamava atenção, ‘Curumim’.
Mais antigo, ouvir Clementina de Jesus sincopando ‘Benguelê’ era o auge dessa vanguarda.
Comecei a experimentar novos acordes no violão, usando o máximo de cordas soltas.
Perto de gravar meu primeiro CD, ‘Vitória da Ilusão’, em 1994, duas músicas já citadas no blog estavam prontas - ‘Meu Tempero é Sal’ e ‘Bença, Nã-Buruquê’.
Nelas reconheço essa tentativa de me aproximar do que o amigo Gerald batizava de World Music.
Meu grande parceiro Aldir Blanc carinhosamente ouvia as minhas indagações e ainda retribuia transformando em letra e coerencia o som desejado.
Assim nasceu ‘Alafim’, sÃntese dessa fase.
Preciso registrar a ficha técnica dessa música ‘Vitória…’ como junção da minha vida:
violão - Moacyr Luz
baixo fretless - Ricardo Feijão
percussão - Beto Cazes, Carlos Negreiros e Jovi Joviniano
coro - Tia Doca, Dona Eunice, Renata Penna, Cristina Buarque e Pii
quarteto de cordas - Walter Hack, Ãngelo Dell’Orto, Jairo Diniz e L.F.Zamith
arranjo de corda - Leandro Braga.
O coro das pastoras na mesma tessitura de violinos e cellos me encantou.
Ainda inédita, levei ‘Alafim’ pro festival de Avaré, um celeiro de artistas maduros vivendo o inÃcio do reconhecimento.
Me encontrei com Chico Cesar, amigo que já tinha me visitado na Tijuca.
Violão nas mãos, mostramos um ao outro, as músicas do concurso.
Nas duas letras o mesmo pensamento, Ãfrica. A mesma palavra Benin, o mesmo resgate.
Por puro acaso consegui o prmeiro lugar. Chico, sem segundo, subiu no palco e me ajudou, junto com outros grandes amigos, a repetir o refrão.
Está na foto.
Dança no fundo de mim
Meu alafim
Dança o Brasil de Zambi
Dança Benin
Daná Haiti, Mackandal, sovê!
Dança Guiné e Bissau, errê!
Dança com Pai Fon
O palenque, o caboclo, o Ãndio e o cimarron.
Dançando eu tô protegido de toda a invasão,
A cidadela com sua muralha é o coração.
Leoa de Marfim,
Dança do meu nascimento até meu gurufim.
Ninguém põe quebranto no banto que dança tanto assim
Alafim de mim.
Dança no fundo de mim meu alafim
Dança no fundo de mim meu alafim.
Tags: Chico Cesar, Gerald Seligman
8 de dezembro de 2009 às 17:38
Moacyr,
Em BrasÃlia, alguns anos, fui presenteada por um amigo sambista, carioca da gema brasiliense de coração, com um disco seu…o primeiro de outros que vieram e que fazem parte da minha “vida sonora” rs…o mais interessante, depois de conhecer este blog é notar que sua vida, suas histórias sua musica são entrelaçadas, vibrantes e impar!
a vida é generosa sempre e você foi contemplado!
parabéns