Bença, Nã-Buruquê
Um amigo me pergunta sobre os colares.
Na Tijuca, meu bairro querido, eu zanzava diariamente um itinerário pessoal, banca de jornais e Bar da Dona Maria, na mesma calçada da Garibaldi, rua.
O carinho na banca era visivel. Gentilmente vendia meus discos e livros do parceiro Aldir.
Na dona Maria, um cantinho entre os conhaques e anis estrelado era reservado pros lançamentos da dupla.
Parêntesis.
Numa tarde de sábado, segundo engradado de cerveja na mesa, um novo amigo pede no balcão mais duas geladas e o LP ‘Moacyr Luz - 1988′.
As garrafas chegam com uma notinha dobrada de dez cruzeiros, valor do disco.
TÃmido de aceitar o dinheiro, dedico na capa um sincero agradecimento quando escuto uma
sugestão:
- O Môa, ‘tá’ sem jeito, joga no bicho a milhar da nota…
Belinho, um motorista em fim do expedinte aceita levar o palpite no apontador da outra rua.
Há testemunhas.
A milhar deu na ‘cabeça’, no primeiro prêmio. Quase que o sábado vira domingo naquele bar de horário caseiro. E ainda paguei alguns penduras que moravam no prego do lugar.
Voltando.
Estou saboreando as manchetes do dia, uma dica do signo, coisas menores, até ouvir meu grande parceiro de vida mangueirense, Professor Bebiano, gritar parabéns:
- É pelo dia de hoje, dia de Sant’Ana, Nã-Buruquê!
- Meu dia?
- Sim, da tua música Bençã, Nã-Buruquê. hoje é dia 26 de julho, estou indo à uma cerimônia.
Confessei minha inocência nesse assunto, ao mesmo tempo que forte intuição religiosa me acompanhava diariamente.
O destino daquela manhã nunca mais esqueci.
Fomos parar em Nova Campinas, um bairro muito simples dentro de Duque de Caxias.
Casas pequenas e muitas ruas cruzadas, era sim o mapa desenhado.
Chegamos num centro religioso, de um quintal lindo, guardando um silêncio emocionante.
Era dia de festa. Apenas o fogão mantinha atividade, pirão e sarapatel.
Passamos o dia todo na casa bebendo e ouvindo histórias resumidas em frases de intenso aprendizado.
Na saÃda, Oswaldo, guardião do lugar, me prometeu um colar. Pediu que esperasse, mas que chegaria.
Seis meses depois, zanzando entre a banca de jornais e o Bar da Dona Maria, escuto a voz familiar do Bebiano:
- O Môa, trouxe teu presente.
O cordão veio envolvido e terra preta, lindo, preto também na cor.
Está no meu pescoço completou dez anos.
Agradeço, inocente a Nana-Buruquê, agradeço sempre ao meu parceiro Aldir Blanc.
Tem tanta folha aqui pra varrer
Ai, Nana-Buruquê
Ifá me ajuda com o opelê
Ai, Nana-Buruquê
Oxumaré e Obaluaê
Bença, Nã-Buruquê
Vou mascarada pra Gueledê
Com Nana-Buruquê
A chuvarada verga
A espinha da favela
Nanã Santana varre
Eu sou a filha dela
O temporal passou
Restaram lama e lodo
Por isso é que Nanã
Recria o mundo todo.
Mel, inhame e dendê!
Salubá-Buruquê!
Ontem, hoje e amanhã
Salubá-Shapanã!
Tags: Bebiano, Dona Maria
4 de dezembro de 2009 às 9:19
que bonito, amigo!
vou correndo mandar o link para uma amiga filha de Nanã.
beijos!
4 de dezembro de 2009 às 9:23
Saluba!
4 de dezembro de 2009 às 21:02
Grande Moa, pegando carona nas lembranças de músicas que estão presentes nesse belÃssimo disco que ouço agora (Vitória da Ilusão), ainda ontem, estava eu no Rio de Janeiro, mexendo na mala para voltar para Aracaju e minha noiva perguntou (eu não consegui responder): “Onde será que o Moacyr Luz tirou essa foto da capa do cd?”
Dá uma luz?
Abração!
5 de dezembro de 2009 às 9:19
querido bruno,
uma pequena historinha: - tinhamos ido ao pão de açúcar tiras fotos pro disco ‘vitória da ilusão’ por toda uma tarde…na volta pra minha casa da tijuca resolvemos sentar no rei do bacalhau na praça xavier de brito…a luz estava bonita e resolvemos tirar mais fotos por ali…me encostei no portão da escola soares pereira e foi assim que a urca mudou pra muda…
abs
moa
5 de dezembro de 2009 às 11:11
quanta história boa, Moa. Vai ter resenha assim, bicho…
5 de dezembro de 2009 às 11:42
Valeu Moa… a famÃlia agradece! rs
6 de dezembro de 2009 às 20:51
Mengooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!