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Arquivo para dezembro, 2009

Tulípio

31 de dezembro de 2009

Ainda da séries textos publicados, transcrevo minha participação nesse super publicação chamada TULÍPIO. Revista de bolso, blog, site, piadas em miniaturas, frases ideiais para se repetir em nossos butiquins mais vagabundos, o pescoçudo nasceu em São Paulo e, sem precisar esperar licitação do trem-bala, pôs os trilhos nas nossas biroscas carregando nos vagões craques como Aldir Blanc e Jaguar. Segue minha modesta contribuição incluída na edição de número 9, lançamento recente.

“Acompanhando a tendência mundial de crises, depressões e outros arredores da mente humana, tenho também minhas taras, meus fetiches.
Resolvi confessar o mais latente: - sou fanático  por dono de bar mal humorado. Babo na gravata!
Aqueles que não acham graça nem do Chico Anísio em início de carreira, não esboçam qualquer reação mesmo ganhando a sena, aliás, nem na megasena. Nada. Sobrenome: Sisudo.
Meu amigo Baiano repete a história do Seu Ernesto, dono da única birosca de Caraúbas, distante reduto  da Paraíba. Diz que o sujeito era tão grosseiro que quando a esposa falou dos fundos da casa se podia por a sopa no prato, ele respondeu: - Ponha não, jogue no chão e traz varrendo.
Aqui no Rio, pude conhecer o Jóia, dono do bar do mesmo nome, escondido atrás da Central do Brasil. Ele detestava que chamassem o estabelecimento de bar, preferia casa de pastos. Na minha primeira visita ao quase museu etílico, querendo ser gentil, perguntei se podia sentar na cadeira. E ele:
- O meu amigo, se preferir sentar na mesa e por os copos na cadeira, é opção sua.
Ainda escutei mais dois foras até me apapixonar de vez. Só pode ser doença.
Falando sério. Dono de bar muito prestativo, no limite do puxa-saco, me dá cansaço. O buteco fica sem personalidade.
Frequentei um botequim aonde o dono, sabendo dessa minha mania de escrever, insistiu que eu revisasse um rascunho manuscrito com pretensões de virar livro. Título já tinha: Fregueses e Suas Imbecis Perguntas.
Algumas frase eu memorizei.
- A pescadinha tá fresca? A cerveja está gelada? Tem muita batata nesse bolinho de bacalhau? O pãozinho é de hoje?
Ele apontava a folha, gesticulando:
- Será que o gajo quer que eu diga a verdade? Não, tô servindo o peixe, mas ele tá podre! Ou, olha, meu amigo, no momento nosso estoque só dispõe da cerveja Vesúvio: sai em lavas, fervendo e esse bolinho é bacalhau puro, da Noruega, o lombo!
Abro um parênteses por pertencer à mesma calçada. Também não tenho paciência pra taxista íntimo, aquele que te cutuca na perna, aperta o teu braço e põe o rádio alto numa estação evangélica. Desses que querem te convencer de absurdos como, o Pelé é branco, e faz um itinerário estilo Julio Verne: A volta ao bairro em 80 minutos.
Outro dia chiei do ar-condicionado. O motorista garantiu que em cinco minutos estaria tinindo - Um polo norte! Passado o tempo, eu suando mais que personagem de Nelson Rodrigues, pergunto pelo ar, e ele responde:
- É que o senhor entrou com o corpo quente…
- Meu querido, se eu estivesse com o corpo frio teria feito sinal prum rabecão, tá?
Voltando ao balcão.
O Brasil descobriu o valor de um botequim. Hoje, qualquer restaurante fino quer incluir no letreiro essa insígnia: Buteco. Os bares têm o mesmo formato das cadeiras estilo Bar Luiz, mesa com tampo de mármore encerada pra sugerir restaurada, mas feita há meia hora na marcenaria da esquina. Colocam uns jilós a preço de caviar numa tijela de balcão, abrem uma cristaleira com cachaças mineiras e ficam definitvamente ricos, achando que São Jorge é São Benedito.
Me transformei num caçador de biroscas. Quanto mais pé-sujo, mais a boca saliva. De preferência com o dono na caixa, emburrado, de camisa encardida.
Minha tara.”

Azeite, Orelhas e Tainhas - Carlinhos Sete Cordas

28 de dezembro de 2009

Amigos, as festas de fim de ano nos ocupa prazerosamente de um nada absoluto que, nem reza, nem promessa a São Nelson Rodrigues, nos devolve e inspiração. Como o sil^ncio do blog incomoda, recorro a um texto que escrevi para o meu querido Carlinhos Sete Cordas, publicado na revista Batucadas Brasileiras.

Outro dia tropecei em mim mesmo numa calçada de preconceito:
- Sambista adora azeite, não é, cumpadre?
A resposta foi curta: - A gente gosta é de comer bem, Moa…
Fiquei a ver navios, desses que chegam da terrinha carregados do sagrado óleo, feito pandeiro bem tocado, adornando qualquer prato de bom paladar.
O parceiro tem razão. Alguém já reparou a técnica com o que o mestre Paulinho da Viola disseca um osso de rabada no maravilhoso filme Partido Alto, ou num antigo clipe do Zeca Pagodinho, onde a turma toda devora um cabrito em homenagem a Geraldo Pereira?
Dá água na boca, marcha-rancho de Assis Valente.
Aliás, por falar em caprino, se algum desavisado propor em dividir com o Paulão 7 Cordas essa iguaria no Capela, é capaz de apanhar na entrada, sem ao menos ver o Cícero oferecendo a mesa dos fundos.
Retiradas desse couvert as azeitonas porque os dentes só são meus porque os paguei, quero fazer uma reverência a um craque chamado Carlinhos Sete Cordas.
Um exemplar completo do Batucadas seria pouco pra tanta efeméride gastronômica proporcionada pelo meu amigo de Vila Isabel, uma fera tocando mundo afora com diferentes personalidades da música brasileira como Beth Carvalho e Paulo Moura.
Acontece que a conversa aqui é comida. E da boa.
Olha o perfil:
Conto uma visita de surpresa feita pelo Carlinhos à minha antiga casa da Tijuca.
A cachaça estava separada pra ocasião, eu e três gatos pingados, dobrando o corpo na única direção da sala: - uma pequena travessa amparando a cabeça de um dourado cozida no tomate, cebola e pimenta de cheiro. Saborosa estava, mas o cumpadre das sete cordas achou que era mínima a quantidade e mandou guardar a pinga pra outra semana na promessa de algo com mais sustância.
Sete dias depois, entra Carlinhos na cozinha com uma cabeça de melro. Limpa, ela pesava 14 quilos e, as espinhas, pareciam, afiadas, as espadas de São Jorge, pra serem usadas na imagem do Campo de Santana. Foram três dias de peixada, só a cabeça, claro. Tanto exagero que meu irmão Luiz Carlos da Vila caiu no chão escorregando na gordura que escorria das travessas.
Algo próximo aconteceu no extinto quintal da casa dele na Viana Drummond.
Empolgado com partes suínas defumadas de forma artesanal encontradas numa viagem pelo sul do país, Carlinhos resolveu fazer um feijão comemorando qualquer coisa que pudesse saborear tal descoberta. Eram vinte pezinhos e vinte orelhas de porco, todas já sequinhas. Pra arredondar a conta, o parceiro comprou uma manta de charque, oito repolhos e duas abóboras, peças inteiras. Coisa pouca também tinha: - maxixe, jiló, vagem e aipim. Se fossem quadrúpedes, esses legumes seriam pesados em arrobas.
E foi Pedro Amorim que chamou a atenção:
- Rapaziada, tem fogão pra isso tudo?
Pois bem. Às cinco da tarde aporta de Niterói um equipamento com tubo de hidrogênio, um maçarico usado pra encher grandes balões e uma panela de uso exclusivo das forças armadas com um metro e oitenta de altura e dois de diâmetro.
O que não coube no blindado virou salada crua.
Até Teresa Cristina, nossa cantora portelense, mostrou um apetite de pastora.
É isso, meus amigos.
Dia desses tomo fôlego e descrevo o festival de tainha que ele inventou pra dar cabo as quarenta que ele comprou numa promoção habitual do Mercado de São Pedro, depois da ponte.
E vou pedir ao Nei Lopes o mapa do tesouro pra, de sobremesa, se lambuzar de goiabada cascão.

Ana Costa

21 de dezembro de 2009

São seis horas da manhã. Trocando meus 140 caractéres com a grande cantora Ana Costa, me dou conta do tempo dessa amizade.
O repertório de fatos abre o roteiro numa vazia noite de quarta-feira, na Lapa.
Aos que estranharam o vazio, uma explicação: - esse dia tem uma data perto de 96/97, num bar chamado Antiquarios 100, algo assim, com novos músicos cantando sambas sob a regência sublime do meu querido Lefê.
Não era moda. Era vida.
O lugar ainda possuia a característica ‘um’ da região - loja de móveis usados - e funcionava assim durante o dia.
A noite, as antigas cadeiras à venda serviam de assento pra um platéia primeira da Lapa Moderna.
Abrindo espaço no salão, algumas delas fincavam vazias no teto da ‘quadra’, o que me dava uma sensação supersticiosa: - No alto deveriam estar sentadas as entidades maiores desse enredo, de Noel a Pixinguinha, Gerldo Pereira e Silas de Oliveira.
Desvio de uma cristaleira, esbarro na cômoda que divide o ambiente até encontrar um samba tocado por meninas de apurado talento.
Ali estava Ana Costa.
Não me joguem pedras, mas empunhadura do violão era de homem. Pegada forte, acorde de mão firme, as unhas curtas marcando nota nos trastes oxidados.
Os microfones são de mesa, uma simples base como se o samba fosse tocado em forma de palestra, muita sinceridade em poucos recursos.
Ali nasceu uma amizade. As meninas batizaram o grupo de ‘Roda de Saia’, e, como qualquer fantasia carioca, reduziu-se pra ‘O Roda’.
Lembro de ter ido a uma festa na antiga sede do Cordão da Bola Preta, na Treze de Maio.
A cerveja chega gelada no tampo de toalhas vermelhas. Do palco, Ana Costa e Alceu Maia.
Reconheço na introdução um samba meu, ‘Pra Que Pedir Perdão’, e fico comovido com a homenagem.
é preciso entender essa emoção. Era a nova geração cantando o repertório. É muito significativo.
Lancei o ‘Samba da Cidade’ e, entre dois chopes num pé sujo na Tijuca chamado Marajá, fiz o convite pra ela vir com a gente nos primeiros shows desse trabalho.
Coisa pra poucos, durante um bom tempo, me dando cobertura nas vozes, as estrelas de Analimar e Ana Costa.
Dessa temporada uma alegre recordação. Após o show no Teatro Municipal de Ntéroi seguimos em carreata pra São Gonçalo comer uma costela com agrião organizada pelo meu maestro Carlinhos Sete Cordas. Foi um porre inesquecível!
Também, como registro, o dia que nos apresentamos no Bem Brasil da TV Cultura.
O programa era ao vivo, nas manhãs de domingo. Pegamos um vôo quase de madrugada a tempo de passar o som e tocar as dez em ponto.
O que nos confortava estava no outro camarim: Dona Ivone Lara.
É isso. A gente dividia o palco com essa dama de ouro.
A Tijuca ainda nos proporcionaria outros encontros.
No mesmo Marajá combinamos um texto para seu primeiro disco solo - Meu Carnaval - e conferi no label, faixa 12, o ‘Pra que Pedir Perdão’ com a participação maravilhosa do craque Oswaldo Cavalo.
Essa dupla fez história no Carioca da Gema.
Quando escrevi meu primeiro texto pra revista Batucadas Brasileiras, ocupei quase toda a lauda pra sinalizar a importância de assistir a possante apresentação da Ana Costa na abertura dos jogos Panamericanos. Era a consagração de uma geração.
Ainda fui coroado nessa história de amizade, com a sua participação na gravação de ‘Saudades da Guanabara’ para o DVD Samba Social Clube -2. uma festa e tanto.
São as trilhas dessa vida.
Aproveito pra transcrever a letra de ‘Desfile da Saudade’ minha única parceria com o poeta Délcio Carvalho e gravada pelo ‘O Roda’ no CD Coisas do Amor em 2003.

Olhando o desfile da saudade
Que sem dó vai se apossando de mim
Que já dominou meu coração
E anda no meu pensamento
Matando a razão.
Um perfume, um canto de alegria.
Um adeus quando existia o amor
Um amor que tanto desejei,
Que como um cego pela estrada, abandonei.
Que foi bem mais do que ilusão
Que fez brotar mil versos de canção
E a saudade a desfilar
O prazer de torturar,
                    Sorrindo…
Traz o remorso pra mostrar
Que não há mais como parar
De viver sempre me iludindo.
E sem poder recomeçar
Me pergunto onde andará o amor
Que faz sorrir, que faz cantar…
Que faz a flor desabrochar
Que faz da vida festa de prazer.
Onde andará quem me prendeu
Neste recanto de saudade
                        Onde vivo eu.

Twitter

18 de dezembro de 2009

Amigos, estarei nesse fim de semana cantando alguns sambas ao lado de Tiago da Serrinha, um fera na percussão. Será sábado a tarde, quatro da tarde na Rua do Riachuelo. É isso.
Embora corado, presumo eu, de cabernet e malbecs, a saúde anda rateando.
Como os chopps e destilados foram postos de lado, do outro lado, o distante, descobri o twitter pra ter com quem  dividir a conta no meu íntimo butequim.
Também companheiro, faço do blog um exercício aos neurônios que sobraram. É sincero.
Parêntesis.
Uma vez entrei no Bar Samba, em São Paulo, e fui recebido com uma generosa introdução pelo grupo Dose Certa.
Alemão, integrante da mesa, puxou um samba em minha homenagem, versos  que me deixaram intrigado até a segunda parte: - que samba é esse? pensei.
Era meu mesmo, ‘Samba de Fato’, e logo uma parceria com Paulo Cesar Pinheiro.
Esta é a minha memória.
Voltando ao ‘tuíter’, escrevo frases para passar o tempo, não existe da minha parte um conteúdo intelectual, nada. As palavras soam feito um comentário vespertino após fechar o primeiro engradado de cerveja encostado na cadeira. Quase parecido com: - É…vai chover…
Isso já me bastava.
Numa dessas tardes caseiras, twitter e chá verde, vejo entrar no nosso bate-papo o craque Marcelo D2. No cumprimento tive a certeza que era mesmo o amigo rubro-negro.
Marcelo foi logo no início do Samba do Trabalhador. No dia da sua visita descobri que Darci, presença constante na roda, era sua tia.
Moradora do bairro, o carioquíssimo Andaraí, Darci influênciou muito a personalidade desse artista genial.
Trocamos figurinhas algumas vezes até, na casa da tia, repetindo Andaraí, falarmos de música.
Eu havia terminado um samba, um som qualquer sei lá, e as rimas  caberiam no mesmo dicionário do Dedois. Havia um ritmo familiar.
Minha inspiração nasceu depois de um encontro com o Robertinho Silva e Negreiros, no ‘Batucadas Cariocas’.
Quanto ritmo.
Darci faz umas festas na vila onde mora de fazer o subúrbio respirar aliviado, orgulhoso.
Na mesma mesa come-se frutos do mar, feijoada e bife de fígado. A bebida pode ser Campari, escoces ou vinho de garrafão. O importante é confraternizar.
Foi nesse ambiente que cantei pro Marcelo D2 a minha versão à capela de ‘Estranhou o Que?’,
a tal inspiração percussiva.
Internautas, guardamos nossos emeios até, um dia, tarde de samba no Renascença, receber um telefonema do amigo dizendo que gravaria a música.
Áudio e vídeo, subimos a Serrinha na casa da Tia Maria, quintal de intensa energia aonde descobrimos o batuque dessa história.
‘Estranhou o Que” era um jongo.
A dica veio do querido Pretinho, um mestre nesse assunto, o víés desse encontro.
Está tudo registrado e guardadinho.
Combinamos entre 140 toques do twitter que um dia vamos mostrar o resultado.
As fotos eu achei no blog do Marcelo D2, carioca da gema.

Preto pega surf, pega praia
pega jacaré
Preto ve vitrine, olha o magazine
compra se quiser.
Preto põe sapato, usa pé de pato
porque tem os pés
Come sashimis, bebe champagne e,
também tem rolex
Estranhou o que?
Preto pode ter o mesmo que você
Estranhou o que?
Preto pode ter o mesmo que você
Preto come carne, joga charme
Preto tem chofer
Anda de avião, craque de gamão
troca de talher
Preto lê Exame, ferias em Miami
Prêmio Moilere
Pede uma suíte
roupa de Boutique
Preto da rolé
Estranhou o que?
Preto pode ter o mesmo que você
Estranhou o que?
Preto pode ter o mesmo que você.

Wilson Moreira

16 de dezembro de 2009

Meu querido Wilson Moreira  completou 73 anos agora em dezembro.
Uma das merecidas comemorações se transformou num belo show realizado no Teatro Rival com a presença no palco de sete mulheres cantando seu repertório.
Eu conheci o Moreira ainda voyer. No filme que Leon Hirszman fez com o mestre Candeia aonde o nosso compositor aparece dançando o miudinho com prato e faca na mão.
Anos depois perguntando sobre esse cena, Moreira descreve esses encontros na casa do autor do ‘Dia de Graça’ como épicos. - Duravam dias! Muito samba e uma famosa batida de limão, receita da esposa do anfitrião.
Fui me chegando a essa entidade.
Nas primeiras rodas feitas na Dona Maria, ele prestigiou.
Também lembro do antológico bar Lapases em frente a ACM.
Numa época em que nem Madame Satã aparecia mais no bairro, o Lapases fincou uma programação de samba sob a liderança do maravilhoso Monarco fazendo história na redondeza.
Eu gravava meu disco ‘Vitória da Ilusão’ na joaquim Silva, rua paralela.
Saia do estúdio a galope pra assistir essa aula de elegância com o enredo.
Tempos depois, Wilson Moreira recebeu a batuta do espaço. Com grande emoção fui um dos convidados nessa temporada.
Corro um pouco o relógio desse post e agradeço aos céus pelo convívio desses craques.
Anos depois, com a autorização de Monarco, vesti o terno branco da Velha Guarda da Portela e desfilei no último carro da escola, numa homenagem ao queridíssimo Lan.
No carro alegórico, tive  honra de me sentar ao lado dele, Wilson Moreira.
Entrando os anos 90, organizei com Roberto Moura um projeto chamado ‘Samba Falado’, encontro de duas personalidades da cultura carioca falando sobre samba.
Num dos shows, o bate-bola era com Sergio Cabral e Wilson Moreira.
Após o primeiro ensaio, uma conversa de amigos se estendeu nascendo a inspiração pra uma parceria.
Depois de uma visita à deliciosa vila da Praça da Bandeira, o habitat desse gênio de ritmos, nosso único samba juntos ficou pronto: - ‘Briga de Família’.
A gentileza do amigo letrando a simples melodia é insuperável.
A música está gravada no CD ‘Samba da Cidade’, um dos trunfos da minha biografia.
Em 2004, fizemos um projeto muito especial no Canecão com convidados ilustres em tres edições. Na noite de estréia as primeiras participações foram de Dona Ivone Lara e Wilson Moreira.
Que emoção ve-lo erguer os braços pra cantar ‘Senhora Liberdade’
Aliás, a dupla Nei Lopes e Moreira é das mais importantes e ricas de toda a música brasileira.
Vamos assim fazendo essa tabelinha de amizade e admiração.
Eu continuo revendo o ‘Partido Alto’, filme, ouvindo o ‘Partido em 5′, disco, e entendo cada vez mais como essa estrada é longa e sagrada pra ser caminhada com dignidade.
Parabéns, Moreira!

Hoje eu conheci  Maria Adelaide
irmã de Zoraide
Ela me chamou
prum comes e bebes; que tinha de tudo
Foi lá na Zenaide, uma das irmãs
da Zoraide e Adelaide
Mulher estressada, cheia de mania
esposa do Dante
Sujeito parrudo, todo corpulento:
tamanho gigante
mas bom elemento
pessoa sensata
família pacata.
Entrei na jogada
sem deixar mancada
vi o fino trato…
Peguei no cardápio
arrumei o prato
todo caprichado.
Quando eu fui sentar
veio alguém chamar
era a Zenaide, com muita arrogância
aquela  do Dante
e deu a carraspana
eu não gostei.
Nos desentendemos
e veio ao polícia
mas me livrei
saí com malícia
e é tudo com eles que vão virar notícia.

Em tempo: a bela foto é do Bruno Villas Bôas.