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Ãlbum de Retratos

Se aproxima a primeira sexta do mês, dia de Samba, Luzia.
Em dezembro a gente completa tres anos, uma história que deu certo.
Já recebemos a visita de guerreiros como Toninho Gerais, Dorina e Dudu Nobre, Beth Carvalho, Alcione, além do querido Arlindo Cruz.
A foto foi tirada no show que fizemos em outubro, fez um ano, no teatro Rival.
Conheci Arlindo através da madrinha Beth, eterno traço de união.
Nossa cantora organizava alguns saraus na sua bela casa em São Conrado e durante bom tempo fui assíduo.
Parece mentira, mas ali cantei pro Nelson Cavaquinho e vi chegar, versando da escada, a figura marcante de Beto Sem Braço.
Arlindo e Sombrinha cantavam sambas de harmonias rebuscadas. Já era nítido uma qualidade diferenciada.
Quando gravei com ela, Beth, o ‘Saudades da Guanabara’, pude encostar um pouco mais na turma, sempre respeitando número baixo.
Num fim de semana ensolarado fomos a casa que a nossa madrinha mantinha em Maricá.
Entre os motivos que não fazem esquecer esses dias, um mommento delicado: - parado no carro numa rua próxima ao encontro, vi um caminhão passar feito um trator por cima de mim. Por sorte só quebrei dois dentes da frente, nada que me fizesse voltar à cidade.
Passei dois dias banguela num quintal repleto de sambas e amigos.
Arlindo gostava de um samba-canção recem composto com o parceiro Aldir e devo te-lo tocado algumas vezes na mesma tarde. Se chama ‘Feito o Mar’.
Pouco tempo depois, confirmando um amuleto, a música foi gravada no disco “Intérprete’, um trabalho mais intimista que Beth Carvalho registrou em 1990/91.
No dia desse show no Rival, casa cheia, lembramos dessa festa no outro lado da baía e, quieto, senti a forma que o tempo constrói a nossa vida.
A estrela do Arlindo sobe numa cauda invertida, pra cima.
Eu, na minha levada, vou seguindo entre as músicas que a minha emoção tatua nessa história, a devoção e  o agradecimento ao que o samba tem feito por mim.

Você é feito o mar
na lua cheia o orgulhoso mar
senhor que não consegue parar de bater
mas fica entregue a pobres grãos de areia.
Em cada onda o mar
recebe o espelho que contém seus gestos
você e o mar tem coisas que eu detesto, sim
mas eu não te amaria se não fosse assim.
Você e o mar às vezes são ferozes,
vocês têm tantas vozes
quantos albatrozes vi passar,
ou guardam aquela calma doentia
que pressagia a grande tempestade
e quando a gente pensa que partiram
retornam cheios de saudade.

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5 Comentários para “Ãlbum de Retratos”

  1. Marina Mendes Diz:

    E os nossos agradecimentos ao samba e o
    que vc tem feito por nós!
    obrigada!
    abração

  2. Nego Chandi Diz:

    Historias como as suas é que fazem novos compositores como eu a seguir o que manda o coraçao, O Samba.
    Grande abraço e muito Axé

  3. Paula Diz:

    Estarei por lá! Saudades do samba maravilhoso, enriquecedor de minha alma e que enche minha vida de tão belas poesias e canções. Nós quem agradecemos e saudamos sua sensiblidade e talento.
    Um beijo carinhoso

  4. Diogo Diz:

    Olá, Moa! É sempre um prazer ler suas histórias por aqui.
    Quero pedir uma ajuda. Sou fã do Aldir Blanc desde pequeno. Ouvia suas parceiras com João Bosco e sempre me encantaram.
    Fui crescendo com essa admiração por ele, pelo talento com as palavras, pelo modo como “letrava” a vida.
    Há um tempo lançaram um documentário sobre ele e, infelizmente, não consegui assistir, tampouco adquirir.
    Já tentei em vários lugares, mas nunca encontro. Como vocês são amigos, pensei em procurá-lo. Você sabe onde eu poderia comprá-lo ou encomendá-lo?
    Obrigado, Moa!
    Aquele Abraço!

  5. hélio jesuíno Diz:

    Grande Moa!

    Não conhecia essa tua faceta de cronista. Digo em prosa, já que os grandes grandes sambas são, eles também, crônicas desses mares em que vc navega tão bem.

    Se não chega a ser uma surpresa é, pra mim, uma boa novidade no meio de tanta coisa chata …

    Valeu, fiquei fã, grande abraço!

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