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Bares Cariocas

Essa mania de twitter vai me transformar em síntese, opinando em 140 caracteres, mas…
Outro dia me deparei com o grande Marcelo D2 na salinha e o assunto desaguou na lembrança do querido Juca, dono de vários botecos pelo Rio, inclusive o Serafim que sobrevive, segundo alguns, saudoso de sua administração.
Lembrei de um sofrido porre vivido nas mesas desse bar. Cismado com alguma coisa, liguei pro amigo Roberto Moura e ele, ofegante, disparou: - O Rafael Rabelo morreu!
O Orelhão dessa ligação margeava a esquina da Rua Alice, Laranjeiras, rua do Serafim.
Atravessei a calçada, o último movimento lúcido, e bebi cerca de dois litros do maracujá da casa.
É bom que se diga, bar foi feito pra isso. De preferência, passar o dia ali, bebendo, vendo a tarde escurecer, os vasilhames formando fila no canto do balcão, sem ter medo de fazer vergonha, mesmo com água na bainha da calça.
Você se achando educado, mas a voz já está rouca de tanto falar.
Há a opção de permanecer mudo em definitivo, sintoma que alguns deprimidos afloram na primeira tulipa.
O bar da foto fica em Santa Tereza, Bar do Mineiro.
Morei no bairro por dois anos, em frente a esse santuário de cervejas geladas e pastéis de feijão.
Nos finais de semana a freguesia cresce de tal forma que a lista de espera invade o bondinho no vai-e-vem do percurso.
Curioso disso tudo é notar o outro bar quase gêmeo do ‘Mineiro’. Não entra uma mosca.
Um dia, entre doses de gengibre, Beltrano, amigo íntimo, reparou na parede uma bela coleção de quadros originais pintados a óleo. Uma preciosidade.
Se achando o máximo, o rei da cocada preta, ligou pra um entendido em arte:
- Meu camarada, acho que encontrei petróleo a céu aberto! Tenho certeza que o dono nem sabe o que tem nas máos. Pega o bonde, urgente!
Meia hora depois, Beltrano e o ‘manager‘ com ar de pouco caso, puxam assunto com o dono do bar:
- Pois é meu amigo. Esses quadrinhos aí, venderias?
- Sim…Vendo
- Ah, é? E por quanto o amigo pensa em pedir?
- A coleção toda posso fazer por quinhentos…
- Quinhentos reais?
- Não. Quinhentos mil dólares. A vista…
Bem, nos dois anos que morei de porta com a casa, nem Beltrano, nem Sicrano foram vistos na redondeza.
Essa é uma história carioca, conto com emoção por essa cidade.
Acho que meu mapa astral está sendo regido pelos elos olímpicos em sua constelação.

A foto é do craque Américo Vermelho.

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10 Comentários para “Bares Cariocas”

  1. Vanessa Dantas Diz:

    Ei Moa!
    Acabo de postar uma foto tirada no Bar do Mineiro em complemento a este post. Aparece lá: http://www.adisparatada.blogspot.com. O título é MAIS DO MESMO.
    Não fui ao seu show. Fiquei na vontade, mas o horário (muito cedo) não ajudou! Paulistana quando vai ao Rio é assim mesmo, não consegue sair cedo da praia. Queria taaaanto…
    Beijo.

  2. Bruno Alvaro Diz:

    Um parágrafo teu que me fez aumentar a saudade do Rio de Janeiro: “É bom que se diga, bar foi feito pra isso. De preferência, passar o dia ali, bebendo, vendo a tarde escurecer, os vasilhames formando fila no canto do balcão, sem ter medo de fazer vergonha, mesmo com água na bainha da calça.”
    Meu caro, estar longe de casa é pesado…

    Abraços

  3. Pedro Landim Diz:

    Assino com o Bruno Alvaro o elogio ao referido parágrafo. Aliás, texto inteiro que emociona, como às vezes a gente se emociona, dos olhos se encherem d’água, num pensamento qualquer que pega a gente desprevenido, vendo a tarde escurecer, os vasilhames formando fila…

  4. nenel mombrini Diz:

    Petroleo a céu aberto. O pré-sal que não deu certo.
    Moa: Só tenho seus cds baixados no youtube. Aqui em Vitória só tem Bruno e Marrone.
    Quero comprar pela internet. Me endique. Grato.

  5. Moacyr Luz Diz:

    meu amigos Bruno e Landim,
    estou me inspirando em vcs pra entender o espírito dessa cidade..rs..
    Nenel,
    meu último CD saiu pela Biscoito Fino…eles vendem por internet..
    os 2 anteriores, pela Deckdisc..
    e, outro, pela Lua Discos…
    todos tem site de venda..
    obrigado pelo interesse..
    moa

  6. Paulo Revoredo Diz:

    Grande Moa, vc como nosso mestre na arte de conhecer vários bares desta cidade ainda maravilhosa, poderia aqui no blog, nos brindar sempre que possível, com dicas de bares fora do circuito padrão. Um abraço e parabéns pelo blog nota DEZ!!!

  7. Romaine Carelli Diz:

    Realmente, bar foi feito pra isso, afogar mágoas, ver o céu desabar em chuva, e se tornar amigo de infância de pessoas que acabaste de conhecer.
    Não conheço um terço desses bares maravilhosos do Rio, mas todos que venho conhecendo ao longo do tempo me trazem sensações impares a cada um que passo.
    E quanto aos cds do Moa, faça uma busca no buscapé que você vai achar muita coisa, principalmente no site do Submarino.

  8. Nelson Diz:

    Fala Moa,
    Tudo ok?
    Acabei de ler suas últimas postagens e descobri que seus textos estão também me “prendendo”, como sua música já faz há muito tempo.

    Ainda estou aqui no meio do mar, mas volto em breve.

    Sempre que embarco me dá uma enorme saudade da minha nipônica esposa e eu sempre escrevo um ou outro texto pensando nela. Postei um recentemente lá no blog, se puder fazer uma visitinha ficarei honrado.

    http://sambaseoutrasbebidas.blogspot.com/

    Abraços

  9. Zé Katimba Diz:

    Olá, Moacir!!!
    Estou precisando das músicas “Paixão de Candongueiro e Lara” se possível me encaminhe o mais breve possível.
    Um beijo no coração
    Zé Katimba
    e.mail. ze.katimba@hotmail.com
    Tel: 9740.3681

  10. Moacyr Luz Diz:

    zé, meu mestre
    não paro de pedir cópia das musicas ao produtor executivo…
    acabei de mandar outro mail ameaçando buzinaço na porta do prédio dele…
    abs forte
    moa

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