Praça Mauá, Que Mal Há?
Não sei onde escrevi essa confissão, mas minhas primeiras idas ao Cordão da Bola Preta tinha um motivo óbvio: - poder beber as sete da manhã sem culpa.
Ainda existia o Carlito’s que se chamava ‘Moringuinha’ em frente ao teatro Rival e a turma se reunia ali quando amanhecia o sábado do desfile, pedia um clado de mocotó na tijela e na outra mão, a sem talher, ja encostava um chopp pra comemorar o carnaval.
O dono do bar, Antônio, hoje, imperador da rede Belmonte, inventava com barris e madeira um balcão na calçada e quando o trombone anunciava ‘…Quem não chora, não mama…’ metade dos foliões estava bêbada.
O bloco arregimentava um mÃnimo de adeptos. Dava pra fazer a curva já na Rua do México.
Hoje mal se consegue arranjar um centimetro quadrado na concentrção da Cinelándia,
Melhor assim.
Num dos posts desse blog eu falo sobre o Escravos da Mauá, o bloco que adotei depois do ‘Nem Muda Nem Sai de Cima’ na Tijuca.
Nascido entre os bairros que receberam pela vez primeira o samba trazido de mares baianos, dizem alguns, Saúde, Gamboa e Praça Mauá, o Escravos mudou a face incógnita daquela região.
Pois é. Nesta sexta-feira que passou fui visitar a ‘agremiação’.
Cantei alguns sambas na roda do ‘Fabuloso’ até chegar ao último verso engasagado de emoção com o carinho dos amigos.
Eu tinha chegado do show do Dobrando a Carioca no Rival, outro projeto que mexe fundo comigo nessa estrada chamada Música.
O Dobrando comemorando dez anos da primeira apresentação manteve o repertório original de 1999. Por isso confirmei que a minha paixão pelo ‘Escravos’ também é antiga.
No show, cantamos ‘Praça Mauá, Que mal Há?’ samba que fiz com o meu querido Aldir Blanc pra contar do encantamento que aquele convÃvio nos proprocionou.
O samba é irmão gêmeo do enredo que compus pro bloco,e nos dois a mesma pergunta: - Que mal há?
Talvez a dúvida inconsciente do vazio social que esse reduto carioca se encontrava até ressurgir o primeiro tamborim convocando o samba e, de novo, a cidade ancorando nas águas da Praça Mauá; a Rádio Nacional merecidamente no topo da ‘Noite’ dando picos de audiência com as nossas melhores músicas, a Pedra do Sal guardando no mineral o calor do dia pra esquentar a madrugada dos foliões, dos estivadores, dos apaixonados por essa magia chamada Rio de Janeiro.
Ah, me diz aÃ; mas que mal há
Em ir lá pra Praça Mauá
Relembrar…
Se eu tô sem brio e estrela guia
Se há no barco uma avaria
Vou pra lá…
Meio adernado meu navio
Retomo o rumo, encontro o fio
Num samba do melhor que há
Meu porto ta lá
No cais eu ressurjo
É como se o Meier brotasse a beira-mar
Que sacanear
Encaro e não fujo
Eu sou marujo da Praça Mauá
Em São Francisco da Prainha eu gostei
De uma cabocla da Pedra do Sal
Que, incentivada pela grande Nora Nei
Tentou a vida de cantora ali na Rádio Nacional
Seu nome: Conceição feito a igreja
fazia um peixe com cerveja
atras da Sacadura Cabral
que João da Baiana
louco por matizes
provou com caiana
depois pulou no mar
encontrou Netuno
com tres meretrizes
e foram juntos pra Paquetá !
- Um dia vi iemanjá!
- cantando num dancing lá…
- Me diz aÃ: que mal há
- Em ser da Praça Mauá?
Tags: Aldir Blanc, Escravos da Mauá

26 de outubro de 2009 às 10:37
Excelente show no Rival Moa, pretende te ver em breve em uma boa roda…
26 de outubro de 2009 às 16:35
Sem dúvidas, o Escravos da Mauá é de deixar qualquer um arrepiado!
27 de outubro de 2009 às 14:32
O blog do Moa é a cara do Rio, um ambiente fantástico de divulgação da música carioca e espaço de cultura e diversão. Parebéns Moacyr Luz.
3 de dezembro de 2009 às 20:53
melhor que escravos da maua,e a concentracao no largo da prainha.suja,decadente,mas tem um feijao amigo…no copo o mesmo copo que vc toma a cerveja sagrada.e logo ali ao lado tem a pedra do sal.la so tem um boteco,mas vale apena.o samba e redondo da comunidade.praca maua, rio branco,volta pela acre…