Luiz Carlos da Vila
Se estivesse vivo meu querido Luiz Carlos da Vila estaria completando nesta terça 21 de julho, 60 anos.
Acho que o conheci em meados dos anos 80, talvez na casa da Beth Carvalho, talvez numa das reuniões dentro do ECAD brigando pelos poucos direitos autorais que recebemos.
Mas, amigos, desses insubstituíveis, viramos em 95 quando fizemos nosso primeiro show juntos.
O título do espetáculo era ‘Carvão e Giz’: ele o giz, eu, o carvão.
Não tenho receio de apostar que fui o compositor que mais se apresentou ao seu lado.
Outro inesquecível parceiro roterizou a dupla: Roberto Moura.
Com ele fizemos shows em pequenas casas de Botafogo até estrear pomposo no extinto JazzMania.
Depois, em 1996, rodamos o nordeste com o Projeto Pixinguinha.
A temporada guarda histórias que me deixam ainda incomodado com a sua morte prematura.
Numa das capitais, Natal, recebemos uma polpuda bilheteria e resolvemos comemorar com todo o grupo num trailer de praia aberto exclusivamente pra nos receber.
Foram 12 horas de peixe frito e purinhas diversas vendo o sol nascer e se por no morro do Careca. Uma beleza.
Já tarde, lembramos um compromisso oficial com prefeito e intelectuais da região.
Como chegamos não lembro, mas nossa sinceridade arpoou forte um produtor cultural que nos recepcionava. No fim, deu tudo certo.
Em outra cidade, após longo discurso, fomos confundidos com Moacyr Franco e Luiz Carlos Vinhas.
Na chegada a Aracaju recebemos a notícia de que nosso primeiro samba juntos ‘Anjo Vagabundo’ estava sendo gravado pela Simone Moreno.
Dá saudade. Acho melhor não me aprofundar.
Num dos meus aniversários Luiz me presenteou com uma panela de mocotó.
Quando chegou sua festa no Cacique de Ramos retribuí fazendo umas anchovas na brasa.
No dia que dubutei na sua casa na Vila da Penha sentei agradecido naquele quintal que tempos depois virou um terreiro de samba dos mais respeitados.
Minha querida Jane trouxe um prato com palmitos. Luiz olhou e observou:
- Ô Jane, o Moa gosta de coisa pesada, tá!
Num passe de mágica o tira-gosto se transformou no melhor pé de porco que já comi. Em seguida, uns jilós fritos trouxeram apetite pra uma garrafa de cachaça que acabou antes de embebedar. E foi algo parecido que senti quando ouvi de uma enorme gaiola um passarinho solfejar uma estrofe do ‘…A chama não se apagou..’
Meus amigos Thiago e Paulinho Figueiredo podem atestar quantas vezes subimos juntos o palco do Carioca da Gema. Era uma festa.
Abrimos uma temporada no Traço de União em São Paulo. Os shows aconteciam na sexta-feira, mas raramente voltávamos no dia seguinte. Os porres se estendiam pelo Pirajá ou no Giba, ambos do mesmo signo, fartura.
Fizemos o ‘Esquina Carioca I’, um dos mais festejados eventos das nossas vidas.
Em Campinas também estivemos juntos algumas vezes.
É muita coisa, meus amigos.
Dividimos o mesmo quarto na Holanda e em Cuba, já contei algo por aqui.
Lembrei de um telefonema do amigo Zé Renato pedindo um samba para o projeto ‘Samba pas Crianças’. Por sorte minha o Luiz estava na minha casa da Tijuca.
Em meia hora saiu o ‘Pique esconde na Internet’, gravado depois no disco pelo Pedro Miranda e Lucinha Lins.
Também me emociono quando rememoro um papo no Circuito Militar, na Urca:
- Moa, nosso samba ‘Benza, Deus’ vai ser o título do meu disco novo…
Tem a vez que, convidados, assistimos ao craque Zeca Pagodinho gravar o ‘Cabô, Meu Pai’ pro DVD Gafieira 2.
Quis o destino que sua última apresentação fosse comigo.
O show aconteceu no Sesc Vila Mariana, tem imagens no Youtube.
No dia seguinte pedi ao Luiz que ficasse pro lançamento do livro ‘Botequim de Bêbado tem Dono’.
Na festa bebemos o que foi possível.
Esse dia está pintado no meu coração.
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21 de julho de 2009 às 10:10
Grande Luiz Carlos da Vila!
Que deus o tenha!
21 de julho de 2009 às 11:38
Grande Luiz! Como sempre, ótimas as histórias.
Abração Moa!
21 de julho de 2009 às 14:18
Inesquecível aquele encontro no Pirajá. Você ainda bebia direitinho e o Luiz estava partindo, quem poderia imaginar?
Só um adendo: o correto não seria você o “giz” e ele o “carvão”? rs
Beijo
21 de julho de 2009 às 17:01
Nas dezenas de vezes em que vi o Luiz Carlos se apresentar, daquele jeito informal das rodas - o melhor jeito, aliás - me emocionei só por estar ali, tão perto, “cantando com” ele. Um cracaço das letras, das melodias, das levadas do samba.
Eu, que não fui amigo dele, sinto muita saudade. Imagino (ou melhor, não imagino) você, querido Moa…
Abs.
21 de julho de 2009 às 19:08
REALMENTE LUIIZ CARLOS DA VILA ERA UM DOS MAIORES.
MUDANDO UM POUCO DE CONVERSA, ESTÃO ROLANDO UNS BOATOS AQUI EM SÃO LUÍS-MA QUE O AMIGO ESTARÁ AQUI EM OUTUBRO É VERDADE?
TOMARA QUE QUE SIM ! E NÃO SE ESQUEÇA DE TRAZER SAUDADES DA GUANABARA, CABÔ MEU PAI, DIVINA MANGUEIRA E FLORES EM VIDA.
UM ABRAÇO E ATÉ BREVE.
21 de julho de 2009 às 19:18
Caro Aristides,
to aguardando orientação do partido, mas querendo muito rever a maré de olho d’água.
abs
22 de julho de 2009 às 0:59
Grande lembrança, ainda lembro das tres apresentações de Luiz Carlos no Café Brasil Lotado, em São Pedro da Serra e me Lembro quando ele me disse numa dessas apresentações vamos trazer o Moa pra tocar aqui.
A Jane Esteve na Serra há 15 dias atras, amigos me disseram que ela lembrou das apresentações, do Café e daqueles momentos. Senti lisongeado a agradecido por ter vivido tudo isso.
Abraço e Benza Deus
22 de julho de 2009 às 2:47
Realmente uma pena o Luiz Carlos ter nos deixado tão cedo. E vi seu post hoje, justamente quando ouvi várias coisas para relembrar do grande rubro-negro João Nogueira. Eu que sou de Macaé, me lembrava de um dia em que fui ao Rio lá nos anos 80, na Conde de Bonfim na Tijuca e vi o João, todo de branco, andando pela calçada. Num dia como hoje me arrependo de não ter tido a coragem a época de ter dado um alô pra ele ou falado qualquer coisa. Mais curioso disso tudo é que eu cresci ouvindo rock pesado e rock progressivo. Não ouvia samba, e graças a minha paixão pelo Clube de Regatas do Flamengo é que isso mudou. Me permitia cantar samba somente quando estava no Maracanã e posteriormente comecei a ouvir o estilo após iniciar uma pesquisa sobre o tema Flamengo x Música, os artistas rubro-negros e suas obras.
Grande abraço.
Paulo Tinoco / Macaé.RJ
22 de julho de 2009 às 3:11
Paulo,
escrevi um post sobre o nosso querido João.
É recente..
abs
moa
23 de julho de 2009 às 14:58
Roberto Moura foi uma das pessoas mais bacanas que conheci . Uma vez encontramos com ele na feira de São Cristovão, eu e Sonia ele e Cristina e embora não fossemos próximos , ele como sempre muito generoso , ficamos bebendo juntos ali e eu bebendo nas suas palavras musicais…Deixa também muitas saudades !!!! bjo Xanduca
27 de julho de 2009 às 12:20
garnde ”moa” estamos de volta
putz que historia se passoa em minhas terras potiguares
quando pintar novamente na area avisa abraco
1 de agosto de 2009 às 9:01
Ehhh, saudades de doer a alma! Fiquei todinha arrepiada ao ler esta postagem e com os olhos cheios de lágrimas, pois vc sabe que acompanhei tudo isso aqui em Sampa, muito de perto, GRAÇAS A DEUS!Parafraseando:”melhor não prolongar”…
Beijos grandes