Sergio Cabral
Um dos orgulhos da minha vida é poder, vez por outra, trocar mails com o genial Ruy Castro. A conversa é das mais coloquiais, Flamengo, pessoas que entram com enormes mochilas no avião decepando todos os passageiros sentados,até ousadas consultas sobre a arte de escrever.
Pura pretensão, quero contar em breve um pouco da história do Bar Pirajá, sua importância no conceito de bares e, sem exagero, os valiosos encontros de cultura acontecidos no charmoso salão paulistano.
Que volta, meu velho!
Permanecendo no terreno do orgulho, lembrei de um lançamento, livro & disco, que dividi com o super amigo Sergio Cabral, pai, nesse bar.
Antes.
A convivência com o mestre Sergio é antiga.
Quando o Albino Pinheiro fez o convite pro Seis e Meia, João Nogueira e Moacyr Luz, ele, Sergio, estava ao lado. Guardo até hoje um bilhete escrito por ele, quase apradinhando o encontro, na estréia do show.
Em alguns dos meus aniversários na Rua Garibaldi, Sergio aparecia com o sorriso sincero e uma sacola de uisques que ajudavam em muito na afinação dos nossos gogós.
Tenho fotos, so preciso achar.
Mais. Quando fiz as primeiras músicas do projeto ‘A Sedução Carioca do Poeta Brasileiro’, fui de violão à sua casa de Copacabana, mostrar o material na espera de sua aprovação.
A cena é inesquecivel.
Sentamos numa mesa de botequim, dessas clássicas, tampo de mámore, ‘pé’ de ferro aguardando uma secretária que, na bandeja, apresentou uma garrafa de uisque.
Ela já estava aberta, algo parecido com meia dose no máximo de consumo.
Sergio argumentou:
- Já aberta? Olha que nós estamos com sede!
Veio então um litro fechado. Meu anfitrião, cortando o lacre, ‘zuniu’ a tampa pra longe da sala, serviu as doses e finalizou:
- Vamos nessa que a conversar vai ser longa!
Não sobrou nem o gelo.
No dia do lançamento no Pirajá ficamos hospedados no clássico hotel San Rafhael, Largo do Arouche.
Na entrada, o porteiro de sobretudo vermelho e chapéu de brigadeiro, nos recebia curvando o corpo com respeito.
Meu querido Sergio Guzman, chará do nosso personagem no post, vem nos buscar num Ford Galaxie azul, do tamanho do iate ‘Lady Laura II’. Sentados no enorme estofado nos sentimos uma autoridade qualquer durante o trajeto, talvez presidentes da boemia.
A festa foi maravilhosa. Eu lançava em CD o disco ‘Moacyr Luz 1988′ e meu querido Sergio alguns livros fundamentais como Ari Barroso’ e ‘As Escolas de Samba do Rio de Janeiro’.
A foto que abre reproduz o convite dessa noite.
Aqui ao lado, a descontraÃda mesa com a nossa querida Beth Carvalho usando um chapéu com as fitas verde-e-rosa, sem contar o auxÃlio luxuoso de AluÃsio Maranhão, ás do violão.
Tags: Aluisio Maranhão, Beth Carvalho, Sergio Cabral, Sergio Guzman
15 de julho de 2009 às 12:41
Moa,
Sérgio Cabral, pai, é enredo da ParaÃso do Tuiuti pro carnaval do ano que vem.
Abraço!
15 de julho de 2009 às 14:55
Moa , vou modestamente me incluir neste dia na casa do Sérgio Cabral …o ano ia em 1996 e ele, de quebra, me ofereceu , autografado, o seu livro biográfico sobre o grande Ary Barroso . Ah daquele uisque eu também bebi !! Só voce mesmo prá me proporcionar uma porrada de momentos como esse !!! bjão Xanduca
15 de julho de 2009 às 15:29
Querido Alexandre,
naquela época vc era do Rio…
depois, mudou pra Bahia…
abs
moa
17 de julho de 2009 às 13:08
Mas essa passagem foi voce que me deu, rsrsrrsrsrs !!!!!!!! abs Xanduca
19 de julho de 2009 às 21:24
Por ultimo e começando em primeiro quero lhe dizer que vc é demais.Amo suas musicas, está meio complicado ouvir coisas novas hoje em dia mas ouvi Marcio Local,com quem pode pode e gostei,tomara que o samba não morra né mesmo.Abraços.
20 de julho de 2009 às 21:44
Moa,
Lendo todas essas suas histórias me lembrei do livro do Mario Prata: “Minhas mulheres e meus homens”, acredito que você também deve ter pelo menos uma história interessante com cada pessoa da sua agenda telefonica e/ou com personalidades do mundo do samba. Abraços.