Beth Carvalho
Encontrei essa foto tirada de um antigo programa do José Machline chamado ‘Por Acaso’.
Nossa madrinha Beth Carvalho havia me convidado pra cantar com ela ‘Saudades da Guanabara’, samba que já contei aqui, ela muito ajudou na criação.
Em 1994 quando lancei meu primeiro CD - Vitória da Ilusão - a faixa tÃtulo foi gravada por ela em especial participação no trabalho.
Alias, rodando o calendário, antes, 1990, no disco ‘Intérpetre’, muito dedicado a sambas-canções, fui incluido no repertório com a música ‘Feito o Mar’, parceria com meu querido Aldir Blanc.
Depois veio ‘Flores em Vida pra Nelson Sargento’ gravado por ela no disco ‘Brasileira da Gema’ até, mais recente, contar com seu timbre único no samba ‘Divina Mangueira’, parceria com o mestre Paulo Cesar Pinheiro, feito para o ‘Batucando’, o último disco.
A primeira vez que pisei na quadra da Mangueira estava em sua companhia.
Também foi com ela, Beth, que conheci a tamarineira do Cacique de Ramos, em oitenta e poucos.
Alegando muitos compromissos, estou escrevendo histórias curtas e dedicando os posts.
Uma noite dessas, rara, fui visitar a madrinha na sua bela casa em São Conrado. A vista é tão deslumbrante que as horas se perdem no horizonte do nosso oceano. Talvez isso explique a razão dos encontros neste lugar sempre acompanharem o nascer do dia.
Bem, ‘tô’ eu sentado no sofá, desavisado, quando desce a escada Beth Carvalho de mãos dadas com o Nelson Cavaquinho.
Achei que fosse um delÃrio causado pelo som das ondas que ritmavam sobre a regência dos mares: - a maré.
Fomos parar numa mesa perto da cozinha. Eu, bebendo uma garrafa de uisque por dose, não conseguia disfarçar minha ansiedade e, quando a Beth apresentou um violão, a pressão subiu.
Ouvi a dois palmos de distância aquela voz rascante, dedilhado único, cantando o samba ‘Cuidado com a Outra’ aquele do dia das mães.
Beth pediu que eu mostrasse alguma coisa e ele ouviu impaciente até que a madrinha, na função de proteger, me sussurrou: - Toque alguma coisa dele…
Apelei pro ‘Folhas Secas’ e solei também o ‘Palhaço’ que tempos depois acabei gravando no ‘…Voz & Violão’.
Foi a senha pra ser recebido por ele com um novo amigo.
Saà de lá, clareando o dia, ouvindo no corredor do meu coração um verso final:
- O Sol, ha de brilhar mais uma vez…
Tags: Beth Carvalho, Nelson Cavaquinho
13 de julho de 2009 às 10:33
Moa, meu irmão, suas palavras colocam a gente dentro das historias, o sentimento de estar lá nos é evidente, me deixa muitas vezes com saudades do que não vivÃ. abraços fraternos.
Dudu Neves
14 de julho de 2009 às 14:04
Fala Moa,
que belo encontro, hein?
Sua narrativa neste belo post nos remete ao encontro fazendo a gente sentir o mesmo que ti na ocasião.
Abraços
Boa viagem ao RS.
A gente se vê por aÃ.
14 de julho de 2009 às 19:47
Me delicio nos seus contos….Tem sabor de coisas boas e gostosas .
Genial o seu “tecer”, eu chego a visualizar …..
Maravilhoso!
Bjão
*Tô na area…voltei!