Pequenas Histórias: Jards Macalé
Era uma das nossas viagens com o show ‘Dobrando a Carioca’.
Curitiba, bela cidade, todos embarcaam de volta após show na Casa da Música. Menos eu e Jards Macalé. Vamos curitr!
Aos domingos tem um feira de artesanato no centro antigo de casario restaurado que vale a pena bancar uma diária e passear entre as barracas.
Estou entretido com uns talheres de madeira quando Macal se aproxima carinhoso:
- Mõ, pra você não se aborrecer mais na vida aceite esse presente. Um basta.
Abri a caixinha, era um grilo feito da haste de um pregador de madeira, desses do passado.
Mantive esse grilo até pouco tempo no escritório, como salvaguarda, sempre pensando: - Melhor ele, que outros.
O parágrafo é simples, serve pra desenhar nosso cotidiano quando em nossas viagens ficavamos os dois depois das apresentações, rondando os subúrbuios e vanguardas dessas nossas cidades.
E o convÃvio trouxe essa conclusão, Macalé é subúrbio e vanguarda.
Ele prova que nasceu no maciço da Tijuca, mas também é o rei do Suvaco do Cristo na zona sul. Comeu maçã num festival, com o mesmo interesse que tocou violão ao lado de Nora Nei no espetáculo Rosa de Ouro, em 1967.
Ficamos muito amigos.
Numa dessas tardes esperando os atrasados vôos e portões trocados em aeroportos, falamos de Moreira da Silva. Jards fez dupla com o criador do samba de breque por mais de vinte anos.
A voz de Macal surpreende cantando “Acertei no Milhar”. Pensei alto:
- Meu irmão, até o tÃtulo é bom! ‘Macalé canta Moreira”…
E assim, dividindo os arranjos entre os maravilhosos Vitor Santos e Jayme Vignolli, o disco completou a trilogia de apresentação da Lua Discos ao mercado carioca.
Importante dizer das participações especiais de Zeca Baleiro, Chico Caruso e Tim Rescala, dando um suingue de vanguarda e subúrbio no trabalho realizado.
Dois anos depois trabalhamos juntos na invenção do CD ‘Amor, Ordem e Progresso’, sonoridade intimista, repleto de novidades nas mãos de Victor Biglone, Robertinho Silva e Arismar EspÃrito Santo, um trio-orquestra.
Mantendo a tradição fomos pra Penedo por dois dias escolhendo músicas, vivendo fundamentos de uma amizade.
Uma pequena história, fundamental na minha carreira.
Pra tudo não virar memória, estaremos juntos em agosto no projeto Sete em Ponto realizado no teatro Carlos Gomes.
Tags: Chico Caruso, Jards Macalé, Tim Rescala, Zeca Baleiro
10 de julho de 2009 às 9:43
A Amizade continua e o grilo desapareceu!!!
10 de julho de 2009 às 12:39
Caro Moacir
Lembro muito bem, ainda era garoto, (1980), quando minha irmã mais velha e meu cunhado, me levaram ao show do Jards aqui em Campinas, onde ele tocava sozinho seu violão, sentado em um vaso sanitário branco. Foi muito legal, porque até hoje me lembro da “peça rara”. Feliz você, que pode conviver com ele até hoje.
Grande abraço
Ernesto Tambaschia
Campinas
11 de julho de 2009 às 21:12
Grande Jards… Precisamos mesmo é de muitos Jards … irreverentes e independentes….