Pequenas Histórias: Casquinha
Eu conhecia o Casquinha das primeiras feijoadas na casa da Surica.
O disco ‘Partido em 5′ era, e é, um dos meus favoritos nesse timbre de samba sincero, feito de verdade. Outro é ‘A Voz do Morro’, um clássico na minha vida.
Um elo entre esses dois trabalhos é o meu querido Casquinha.
Num ele canta ‘Preta Aloirada’ e no ‘..Voz do Morro’ participa como compositor em ‘Recado’, samba que ingressou Paulinho da Viola na ala dos compositores da Portela.
Eu adorava ouvir a história dessa parceria, me emocionava aquele jeito simples de tocar a vida, um sambista tão completo.
Trabalhei bastante com o querido Cabelinho, e era através dele que conseguia notÃcias do portelense.
Com o aceno da Lua Discos, o nome do Casquinha brilhou feito seus olhos quase verdes.
Sentamos numa tarde dessas que param o mundo pra gente ser feliz escolhendo um repertório guardado num caderno escrito à mão.
Um dia inesquecÃvel vivido na casa do amigo Mauro Diniz.
No fim, comemos uma peixada na companhia do padrinho Monarco, ficando acertado a participação da velha guarda no samba ‘O Ideal é Competir’, maravilhosa parceria com Candeia, um gênio da raça.
Outra presença ilustre no trablho, Aldir Blanc, dividiu os versos do samba das primeiras horas, ‘Recado’, e o CD ganhou o tÃtulo de ‘Casquinha da Portela’, um orgulho.
Um dos shows de lançamento foi realizado em Campinas, numa praça de conveniência.
Durante a apresentação, notei um olhar instigante do Casquinha sempre na mesma direção.
Depois do bis, perguntei ao craque o que o incomodava. A resposta:
- Um camarada ficou me encarando o show inteiro sem aplaudir um samba sequer. Aquele lá em cima.
- Casquinha, meu querido! Impossivel uma pessoa te ouvir sem se arrepiar. O sujeito lá em cima é um manequim! É de gesso!
Saimos rindo, ele com as pernas arcadas de antigo jogador, eu, tentando aprender como falar de natureza, sujeito de suas grandes inspirações.
Tags: Casquinha, Mauro Diniz, Paulinho da Viola, Velha Guarda da Portela
8 de julho de 2009 às 10:00
SENSACIONAL!
Abração meu poeta.
Ricardo Vila - JundiaÃ/SP
8 de julho de 2009 às 10:27
Moa, esse é um dos meus discos de cabeceira. Quando quero botar a vida nos eixos, ver as coisas com mais clareza, descomplicar a praça, é a ele que recorro. Além do mais, ainda ouço o Aldir, que canta como o quê. Abraço, Marco.
8 de julho de 2009 às 11:15
Hahaha, eu me lembro dessa passagem! Grata lembrança!
8 de julho de 2009 às 16:23
Olá Moa,
As histórias estão fantásticas.
Sempre que posso dou uma lida no blog. Essa colcha de retalhos de lembranças da nossa música / cultura brasileira tá ficando preciosa.
Depois vale até uma publicação em outros meios, né?!
Um abraço,
Dudu Nicácio.
11 de julho de 2009 às 13:17
Eu tambem estava presente, e neste mesmo dia Valter Alfaiate fazia show no Tonicos, pra onde fomos depois.
Moa, meu grande amigo, voce tem historias fantasticas, so de Campinas ainda tem muitas, hein…..rsrsrsrsrsrs.
beijao meu querido
Paulo Henrique