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Samba do Trabalhador

A primeira roda do ‘Samba do trabalhador ‘ recebeu perto de 50 convidados. A entrada era franca, não havia equipamento de som, nem garçons, porteiros, bilheteiros, seguranças, nada.
Lembro do Tantinho da Mangueira versando e tocando pandeiro. Lembro do Bandeira Brasil cantando um samba inédito feito pra disputar um concurso de meio de ano na Portela.
Um grande amigo e intérprete, Luciano Macedo, levou uma garotada nova pra dar base ao samba e a roda foi formada.
Minha intuição sinalizava uma energia muito boa naquele encontro.
Convidei o Cícero Castilho do Bar Samba em São Paulo e um parceiro jornalista, Hugo Sukman.
A idéia era jogar na contramão dos hábitos  combinando de começar sempre as duas da tarde encerrando as oito da noite sem direito a bis.
Na segunda semana a público aumentou pra 100 pessoas. Jorge Ferraz e Paulinho Chiclete prepararam uma carne seca e eu, por superstição, fiz uma bandeja de jilós e maxixes, inclunido no cardápio duas garrafas de Magnífica, bela cachaça do Rio de Janeiro.
Esse número de pessoas já causava fila na única caixa do clube, os banheiros já se assustavam com o movimento.
Meu parceiro Aldir Blanc me telefona pedindo sugestão:
- Moa, vou fazer uma gravação com o João Bosco para o filme em homenagem ao Betinho. Quer ir com a gente? Ná Maria, sei lá…
- Parceiro, não quer fazer essas imagens no Renascença aonde estou fazendo uma roda assim,assim…?
Essa gravação trouxe um status de cultura por nosso projeto e ainda ganhamos à reboque a presença do Luiz Fernando Vianna correspondente da Folha de São Paulo que, acompanhando a filmagem com o Aldir e João, resolveu escrever sobre essa locura carioca, um samba as duas da tarde em plena segunda-feira.
Com um mês de Samba do Trabalhador nosso público superava 500 pessoas por evento.
A cerveja acabava ainda de tarde, as filas pareciam as mesmas dos ingressos no Maracanã, uma multidão ao redor dos músicos e, principalmente, um astral impressionante de felicidade.
Era a alegria de olhar um balão japonês subindo.
Eu, com as minhas cismas, consagrei o jiló e a cachaça como marca oficial da mesa. Os músicos sentariam no mesmo lugar,  posição mantida até hoje e teriamos um samba como encerramento dos trabalhos - O  Poder da Criação.
Quem conhece o nosso ‘terreiro’ sabe como é.
Convidei os diretores da Lua Discos pra nos visitar numa segunda dessas que somava na porta perto de mil pessoas a cada semana.
Os banheiros lotados, as filas da cerveja dando volta no quarteirão e os sambas inaudíveis.
Meu mestre Wilson das Neves, numa canja sensacional, reclamou:
- Sem microfone, Moa, como você aguenta?
Já era hora de mudar.
Hora também de registrar esse momento que beirava à fenômeno, quando passando pelo portão ,contamos 1500 pessoas presentes na festa.
No dia 29 de agosto de 2005, tres meses depois de criado, gravamos ao vivo o Renascença Samba Clube - CD e DVD, com Luiz Carlos da Vila, Toninho Gerais, Efson, Marquinhos Sathan, Riko Dorileu, Luciano Macedo, Zé Luiz  do Império Serrano, Bandeira  Brasil, Gabriel Cavalcante, Wandinho da Mangueira, Luiz Dionízio, Bira da Vila, Adilson Bispo, Pedrinho da Flor, Renato Milagres, Wanderley Monteiro e eu, encerrando o disco com Cabô, Meu Pai.
Nos Extras pro DVD as presenças maravilhosas de Surica, Pecê Ribeiro, Ernesto Pires, Bruno Salles, Claudio Camunguelo e Diogo Nogueira, cantando ‘O Poder Da Criação’ que fechava todo o projeto.
Somando o cast, nossos belo músicos Daniel Neves, Wladimir Silva, Abel Luiz, Daniel Oliveira, Junior de Oliveira, Luiz Augusto, Sergio Pitó, Nilson Visual, Winter Junior e Jorge Alexandre, o único ausente nas rodas de hoje.  E o mestre Rildo Hora regendo a trupe, claro!
Quando lançado em novembro do mesmo ano, tivemos de portaria perto de 3 mil pessoas.
Agora o Samba do Trabalhador completa quatro anos, mas a sensação de estréia permanece. Cada pessoa que me cumprimenta no quintal do samba renova o sonho do balão japonês: - Torcer pra subir. 

O resto, os ventos da vida se encarregam.

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8 Comentários para “Samba do Trabalhador”

  1. Célio Albuquerque Diz:

    Inacreditável. Fantástico, extraordinário. Só quem foi lá e viu sabe o que é.
    Eu fui e vi.
    Amamos sua força em acreditar que numa segunda-feira algo ia dar certo. Deu e continua dando.
    A cara do Rio. A força de Moa e seus moinhos.
    Célio Albuquerque

  2. marina mendes Diz:

    Faço minhas a suas palavras Célio…
    MARAVILHOSO!!!
    bjão

  3. Elika Takimoto Diz:

    Moa,

    Você só não tem noção de quantos amigos eu tenho que já mataram serviço para poder ir ao “Samba do Trabalhador”.

    Muitos se cumprimentam assim lá: “Qui qui tu disse lá?”. Lá, obviamente, significa “para o patrão”.

    E aí, meu amigo, é uma coleção de desculpas esfarrapadas. Aliás, fica a dica: colocar um mural de coisas possíveis que poderemos dizer aos nossos patrões. Assim, evitaria o mico de ir ao enterro da mãe duas vezes no mesmo ano, como aconteceu com o Zé. :-)

    Grande beijo e parabéns pelo sucesso.

    Elika Takimoto

  4. Moacyr Luz Diz:

    Tenho histórias engraçadas sobre isso:
    Uma vez um funcionário ligou do samba pro trabalho alegando estar engarrafado na Barra e o patrão o chamou de mentiroso, dizendo:
    - Ô malandro, tb no samba! To te vendo desde que chegou…
    Outra: No iínicio do nosso samba várias pessoas chegavam depois de doar sangue, pois esse gesto em algumas repartições ganha-se o ponto.
    A última: A esposa pediu pro marido ligar ao meio-dia pro trabalho fingindo ser da creche e avisando que o filho caiu no chão e se machucou.
    Demais!!

  5. Simone Franco Diz:

    No dia da gravação do DVD, me lembro muito bem Moa, o Galeão estava um caos desde muito cedo e acabaram cancelando meu vôo de volta à Goiania!
    O que a “ANAC” não podia imaginar, é que o meu Diretor também tinha ido ao Rio aquele final de semana e pasmem !, conseguiu embarcar na 2a feira pela manhã, sem nenhum problema!

    Vai entender, né ??

    Ah ! E no Rena ? Foi lindo… rs

  6. Serginho Corrêa Diz:

    Marquinhos Santanna me ligou dizendo que teria um samba pra apresentar inéditas no Rena, em plena segunda! Era a segunda ou terceira semana, não sei ao certo.
    Sei que foi a primeira de muitas vezes em que eu fui.
    Não ousei apresentar nada meu. Tinha Da Vila, Bandeira, Efson, Riko, Adalto…

    Ainda me recordo de uma vez, em que entraram no clube, Aldir e Mari. Eu em uma mesa na esquerda. E o Aldir resolveu sentar comigo e falar dos meus textos.

    E alguns sambas que são cantados como oração, com todos os devotos do santo compositor, mãos pro alto, olhos semicerrados, implorando para que nunca se acabe…

    Parabéns, Moa, não só pelo bom samba, não só por renascer o Rena, não só por apresentar os compositores que alguns não conheciam, mas por me permitir sua amizade…
    Depois desse dia

  7. RONALDO BARRETO Diz:

    PRIMEIRAMENTE GOSTARIA DE CUMPRIMENTÃ-LO SR. MOARCYR LUZ PELA OBRA PRIMA QUE É ESTE DVD RENASCENÇA AQUI ENTRE AMIGOS E FAMILIARES GOSTAMOS DE FAZER UNS SAMBAS DE RODA E POSSO LHE GARANTIR MUITO DO QUE SE FAZ POR AQUI É REMETIDO à ESSA SUA OBRA PRIMA DO SAMBA MUITO OBRIGADO EM NOME DE TODOS QUE GOSTAM DE SAMBA REALMENTE PORQUE NO RENASCENÇA SÓ Hà ESPAÇO PRO VERDADEIRO SAMBA SÓ MAIS UMA PERGUNTA QUANDO TEREMOS O 2º 3º …?
    UM GRANDE ABRAÇO DE UM GRANDE FÃ E ADMIRIDOR E QUE DEUS CONTINUE O ABENÇOANDO P/ QUE NOS PRESENTEIE POR MAIS 100 ANOS COM O MELHOR DO SAMBA…

  8. Moacyr Luz Diz:

    meu amigo
    quase que no ano passado consigo gravar o segundo ‘renascença’, mas aí surgiu o disco novo ‘batucando’….
    é isso
    um hora acontece
    abs

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