Renascença
Em maio de 2005 eu voltava de uma turnê pelo Projeto Pixinguinha cego de saudade dos amigos mais vagabundos. O Renascença estreara uma roda de samba aos sábados e a gente, com uma sede de anteontem, chegava cedo, antes do primeiro tamborim, pra saborear alguma novidade etílica, inventar um tira gosto, até o samba roncar no cair da tarde.
O clube entre outras tradições, servia um feijão na lenha que nem os deuses ousavam imitar. Jorge Ferraz, nosso presidente, tratava os salgados feito caviar de um banquete elegante e o resultado era sempre o mesmo na abertura dos trabalhos: - Um suspiro de prazer.
Lembro de uma festa feita na quadra em homenagem ao meu querido Nei Lopes por conta da entrega da Medalha Pedro Ernesto. Feijão na lenha e muito samba eram a base do cerimonial. Foi em 1999, guardo a data por motivos profissionais: - Eu vinha de São Paulo com o jornalista João Pimentel depois de uma longa entrevista sobre o primeiro Esquina Carioca. Na viagem, de carro, paramos na estrada quando notamos uma barraca vendendo goiabada cascão em caixa, bem descrito pelo Nei: - É coisa fina, Sinhá, que ninguem mais acha!
No sábado da nossa história corria solto o aniversário do Ivan Mobílio, amigo e parceiro, meu padrinho na ala de compositores da Unidos de Vila Isabel.
Pra variar, preparei uma panela de jilós.
Sentado embaixo da caramboleira que protege o clube, a fruta servindo de abrideira, notei o Jorge, nosso presidente, de longe, em pé na porta da cozinha olhando o movimento do clube.
Melancólico da viagem, desejei que aquele momento de confraternização durasse para sempre. Essa combinação de amigos, uma purinha, algo saboroso de se provar e um samba de cadência elegante daria , entre carbonos, a química ideal de felicidade.
Como somos feito de idéias, nasceu uma: - Fazer uma roda de samba pra se comemorar a amizade. Algo despretensioso, feito, quem sabe, numa segunda-feira e, de preferência, cedo, pra não dar problema em casa.
Encostei no Jorge:
- Mestre, tu abriria o clube pra uma roda de samba feita numa segunda-feira começando as duas da tarde?
- Já é! Faço uma costela com batata, quer?
E assim, vinte dias depois, nascia o Samba do Trabalhador. Dia 30 de maio de 2005.
Segunda agora, o samba completa 4 anos.
O que essa história virou, conto nesse santo dia, segunda que vem.
Tags: Ivan Mobílio, Jorge Ferraz, Nei Lopes, Renascença
29 de maio de 2009 às 10:26
Abençado seja o Samba do Trabalhador!!!!
E haja “volta no patrão” rsrsrsrsrs!
29 de maio de 2009 às 11:16
Tão longe e tão perto. mesmo daqui de Belem, sinto o aroma da feijoada com o saboroso caldo de acordes. Que banquete!!!.
abraços.
Dudu Neves
29 de maio de 2009 às 12:04
Nossa pra mim era maravilhoso….ehehhheheh
colocava as crianças na escola…e ia pra minha
terapia semanal.
E qdo falava pra onde iria, as pessoas incredula duvida da minha palavra.
Bons momentos trago no meu peito…
Vcs surgiram no momento em que travava um situação pouco delicada…
SEPARAÇÃO!
E com vs lá tive a minha SUPERAÇÃO!
Valeu !
bjs e bom final de semana!
PS: Qd ia tinha pouco mais de 50 pessoa…sei lá…
mas na ultima vez que fui tinha pra lá de 800 pessoas….ahahahhah
Como cresceu!
29 de maio de 2009 às 12:33
Meu querido Moacyr.
Nada do que eu fale ou escreva (e olha que já o fiz, muito, muito lá no blog e em colunas no Tudo de Samba) é capaz de descrever o que sinto pelo Samba do Trabalhador e pelo Renascença, por aqueles músicos que vc sutil e sabiamente comanda, mantendo alta a bandeira do samba e da carioquice.
Assim como o amor e a paixão, é quase impossível descrever o que eles - o Samba do Trabalhador e o Rena - significaram (e ainda significam) pra mim, em segundas-feiras me-mo-rá-veis, principalmente entre 2005 (comecei a ir em agosto/05) e 2007, quando, graças a um horário madrugador no trabalho, ia toda segunda-feira pra lá…
E qual não é minha surpresa ao ler agora que esta segunda o samba completa 4 anos. É exatamente a segunda na qual tenho programada, há tempos, uma folga devida no trabalho. É claro que está certa minha ida - tóc, tóc, tóc, na madeira - ao Rena!!!
Pra mim é terapia, alegria, samba, um outro jeito possível de levar a vida, apesar dos enfadonhos trabalhadores compulsivos que nos olham de lado, muitas vezes.
A gente se vê, meu bom Moacyr. Qualquer hora dessas te mando por e-mail o texto “Adeus, meu samba clube”, no qual falei um pouco do que sinto sobre aquele chão de cimento e afeto no Andaraí.
Um beijo, Moa, e até lá.
29 de maio de 2009 às 16:52
Grande Moa, sei que você deu uma parada brusca nas branquinhas, mas é bom atualizar sua idade no blog. A
ssim como este seu amigo, sei que você já está na 51 e não 50, como diz sua breve biografia do lado direito do blog.
Sei também que a caninha 51 nunca foi sua preferência nacional, mas…
31 de maio de 2009 às 14:32
Grande Moa!!!
Me reencontrei com o samba no Rena…
Passava por momento “erquisito” da minha vida quando descobrir
o Samba do Trabalhador.
Vou praticamente toda segunda e o mais “dificil” é explicar para meu pai e meu chefe essa roda de samba nas segundas… Mas rsrsr
Adoro muitooooooo!!!
bjs e parabéns!
31 de maio de 2009 às 14:40
Moa,
Como princípio de vida tenho que, tudo aquilo que é simples e capaz de me deixar feliz deve ser resultado de alguma energia boa (sem querer ser presunçosa..rs). SINTONIA, essa é a palavra que me identifica com o RENA…adoro aquilo lá!! Acho simplesmente perfeito!!! Parabéns pelo lindo trabalho..Parabéns à toda a equipe!! Ando meio afastada devido aos estudos, mas as férias estão chegando..rsrs (Graças à Deus!!). Obrigado pela chance de agregar aos meus momentos de felicidade…bjss
18 de setembro de 2009 às 21:00
TENHO UM AMIGO AQUI DO GUARUJÁ-SP QUE ESTÁ PASSANDO AS FÉRIAS NO RIO JÁ PEDI P/ ELE MARCAR PRESENÇA NO RENASCENÇA E ME TRAZER ALGUMAS FOTOS QUE “INVEJA DELE”
19 de setembro de 2009 às 6:24
ronaldo,
pede pra falar comigo…rs
estarei la todas as segudnas, agora
abs