Na Galeria
A convivência com o meu querido Guilherme de Brito na época da gravação do ‘Samba Guardado’, nosso primeiro projeto juntos, me aproximou de um repertório pouco conhecido de grandes autores brasileiros.
Preciso também registrar a presença do jornalista e amigo Braulio Netto nesse movimento.
Eu estava apaixonado pela Araci de Almeida e sua personalidade. Guilherme lembrava uma dupla de compositores que a ele ajudara no inicio de carreira: Waldemar Gomes e Afonso Teixeira.
Araci tinha gravado deles um samba lindo chamado ‘Coberto de Ouro’.
Construindo o mosaico, participei de um almoço de adesão à campanha do presidente Lula dando a sorte de sentar na mesma mesa do eterno Mario Lago.
Voltei encantado com a conversa. À noite, assistindo na tevê um programa antigo do cantor Gilberto Alves, escuto um samba do Mario com outro craque que eu admiro muito, Roberto Martins.
Uma declaração de amor, dessas que não precisa introdução, ‘Leva Meu coração” assinada pela dupla, fica definitivamente rondando minha cabeça, uma dessas canções que passam dias assobiando dentro dos nossos ouvidos, a gente cantarolando até em velório.
Mais pedaços de uma idéia.
Lan, o cartunista, me chama de raspa do tacho, um último grande amigo.
Ele me conta da época que varava noite nas estreitas ruas de Mangueira com o Cartola e Carlos Cachaça, ouvindo ainda inéditos, os famosos sambas chamados de meio-de-ano.
Lembra, saudoso, do Verdes Periquitos, bloco dessa época.
Guinga é um dos maiores compositores que já conheci na vida. Não bastasse, toca violão como poucos e esteve presente como intrumentista em históricas gravações do João Nogueira, Clara Nunes e também do Cartola. Me fala de uma tarde passada com Candeia e da música ‘Prece ao Sol’ feita logo após o incidente que o pôs para sempre numca cadeira de rodas.
Tudo isso se arquiva como um caleidoscópio pra se formar o disco ‘Na Galeira’ gravado pela Lua Discos em 2001.
Ainda recordando a idéia do projeto, uma história de carinho vivida na Serrinha, berço do Império Serrano.
Participei de uma homenagem a Dona Ivone Lara dentro de uma série de shows promovidos pelo MIS no Rio De Janeiro. Cantei junto com a Velha Guarda do Império o samba ‘Anjo da Velha Guarda’ e a emoçao tomou conta do número.
Fim do show, dois amigos, Zé Luiz e Cizinho, me chamam num canto:
- Moa, amanhã vai rolar um feijão na Serrinha. A gente faz questão da presença.
Minha ansiedade me fez acordar em Madureira, entre as ruas Mano Decio e Silas de Oliveira.
Recebido pelo inesquecivel Toninho Fuleiro, bebi tudo que havia na redondeza até sentar no quintal maravilhoso da famÃlia imperiana pra ouvir mais sambas e me enfeitiçar com o tempero do feijão.
Já era noite quando foi cantado  ’Tantas Primaveras’ obra prima de Mestre Fuleiro, um samba dos mais nobres de toda uma época.
Era o que faltava pra minha galeria.
O disco foi gravado em dois dias no estúdio da Lua Discos em Moema, São Paulo.
Meus queridos Beto Cazes e Carlinhos Sete Cordas são os únicos músicos nesse trabalho.
Preciso agradecer muito a Juliana Amaral, super cantora que fez a voz guia dos sambas enquanto a gente, do ‘aquário’ construia os acordes dessa história.
Disco pronto, fui beber um choppe no Pirajá e o destino fez o mestre Elifas Andreato estar em mesma sintonia de paladar. As cartelas muravam nossa mesa quando a coragem chegou de peito aberto:
- Meu amigo, fiz um disco inspirado no teu cumpadre Paulinho da Viola. Quer ouvir?
Com o nome escolhido, Na Galeria, recebi a capa uma semana depois a tempo de passar o Natal com o CD na vitrola.
É um dos meus favoritos.
Tags: Beto Cazes, Carlinhos Sete Cordas, Elifas Andreato, Juliana Amaral
27 de maio de 2009 às 19:39
Moa,
A história do CD é realmente linda.
Foi ótimo reencontrá-lo aqui em BH.
Grande abraço,
Dudu Nicácio.
28 de maio de 2009 às 10:34
Que história maneira, Luz, mais uma de uma série deliciosa que vc vem apresentando no blog. No desenho do Elifas, você tá a cara do João Bosco, mas é vc ali, claro, inconfundÃvel e soberano.
28 de maio de 2009 às 10:57
Olá, Moacyr.
Venho fazendo um trabalho de pesquisa sobre o tema MÚSICA x FLAMENGO, procurando músicas que citem ou homenageim o clube, além de artistas da música que sejam rubro-negros. Não sei exatamente onde, mas já li em algum lugar que você é torcedor do Flamengo. É isso mesmo? Sou um apaixonado pelo clube, colecionador e procuro estudar sua história mais que centenária. Com isso comecei a descobrir essa devoção de diversos artistas que usaram a música para demonstrarem sua condição de torcedor do clube. Em cima desse trabalho, pretendo colocar em prática alguns projetos, onde o primeiro deles seria um livro. Agradeço se puder me responder.
Grande abraço.
Paulo Tinoco / Macaé.RJ
28 de maio de 2009 às 12:44
Caro Paulo
sou torcedor apaixonado pelo Flamengo, ok?
abs
moa
28 de maio de 2009 às 14:30
Salve, Moa… venho agradecer pela gentileza de colocar nosso link no seu blog…
Abraços e saudações rubro-negras..
Conrad Rose
office-boy e marujo
28 de maio de 2009 às 15:47
Moa , lembro de uma audição na sua casa do Galeria em uma daquelas maravilhosas sextas feiras…me apaixonei pelo CD na mesma hora e percebi neste trabalho que crescia tb um cantor cuidadoso com sua voz e de personalidade !!!! bjs Xanduca
28 de maio de 2009 às 15:57
meu querido Xanduca,
inesqueciveis sextas-feiras..
vamos seguindo…
abs
moa
30 de maio de 2009 às 19:52
Em nossa juventude todos sonhávamos em ter uma música gravada por um grande nome da MPB e ter um disco, ou participar de um disco com capa do Elifas, que na década de 70 era imoral de tão competente e criativo. Só o disco de Clementina e os da Fátima Guedes, sem contar os do Paulinho já valiam horas e horas de sonhos, de admiração. E eis que voce conseguiu um disco com capa de Elifas e outro com capa do Lan….
Tu que tens te pertence. E só voce, e quem dividiu e divide essa jornada, sabe o quanto lutaste.
Vai fundo, com toda luminosidade.
Célio
2 de junho de 2009 às 16:55
tomamos um fuguete no Original na véspera da gravação e naquela noite escutei a teoria de “um certo úmido nos olhos” quesomente algumas pessoas tem. Abração, Edgard