Cachaça, Árvore e Bandeira
Não sei qual motivo me fez visitar o salão nobre da Quadra da Mangueira em 1996. Lembro que no jantar um casal se destacava pela elegância : Dona Nena e Guilherme de Brito. Ali assinamos nossa amizade. Como bebi parte da memória, não sei se foi numa placa, um busto, mas descobri que o salão se chamava Carlos Cachaça, presidente de honra da escola. Confesso que essa reverência me emocionou.
Rendo outra homenagem: - a primeira vez que fui em Mangueira, 85, minha anfitriã era Beth Carvalho.
No recuo. A tal história do salão mexeu comigo de um jeito diferente, comentei com o Aldir num dos nossos telefonemas matinais (uma média de tres antes do meio-dia).
Aldir, salgueirense, aceita escrever sobre o assunto no nosso próximo samba.
Uma pausa sobre compor.
Todas as músicas que fiz na vida ou sairam de cara ou, empurrando com a barriga, não vingaram.
Essa é a inspiração.
Autorizado, samba pronto em meia hora, entreguei a fita ao parceiro e fui à padaria da Conde de Bonfim. Fila extensa de pão quente e mais dois cumprimentos de rotina, pego o caminho da Garibaldi quando sou chamado pela Dona Maria, dona do bar que frequentei até 2005:
- O Aldire ligou te procurando!
A história é pre-celular.
Corri no orelhão em frente e, do outro lado, Aldir me cantou:
Gênio da raça
Carlos Cachaça
Dos Arengueiros à Fina Flor…
Desabei.
O samba foi gravado em 97 para o disco Mandigueiro e regravado em 99 no clássico Velha Guarda da Mangueira e Convidados.
O amigo e músico Pedro Amorim, um dos arranjadores do meu disco, visitou o seu Carlos em Mangueira. Na hora do lanche ele mostrou o CD:
- Fizeram em minha homenagem…
Pouco antes de morrer, seu aniversário foi comemorado num grande evento em Niterói e lá fomos, eu e Aldir, cantar o samba, dobrados de emoção.
Ainda disputei na escola um samba-enredo dedicado a Chico Buarque, mas esse é outro capítulo.
A foto é de um convite feito pela família do Carlos Cachaça já no tempo da saudade.
Tags: Aldir Blanc, Carlos Cachaça, Pedro Amorim

22 de março de 2009 às 9:19
Bacana conhecer a história dessa linda música.
22 de março de 2009 às 9:24
Tuninho,
marcando presença…
vou aproveitar o espaço contar das “inspirações”..rs
grande abraço
moa
22 de março de 2009 às 11:20
Está entre os teus sambas que mais me comovem, sem dúvida.
22 de março de 2009 às 11:40
Muito boa essa história e a música é demais!
Abração!
23 de março de 2009 às 9:08
Excelente história. A música é linda demais!
Um beijo,
Manu
23 de março de 2009 às 9:20
Manu,
essa história de blog vem clareando minha memória sobre essas inspirações..rs
enquanto der vou escrevendo…
bj
moa
23 de março de 2009 às 10:38
Moa,
Belíssima música.
A homenagem (flores) deve ser prestada em vida, como fez com o inigualável Guilherme de Brito, na produção de seu maravilhoso disco “Samba Guardado”.
A propósito, parabéns pelo blog, pelo maravilhoso CD “batucando” e excelente show em BH.
Grande abraço.
Eduardo (Platini)
23 de março de 2009 às 14:45
Pô Moa teu blog tá muito bacana !!! Legal relembrar boas histórias e tardes na ” Maria ” … Voce, Mandingueiro de Primeira !!!!!!! Beijão Xanduca
23 de março de 2009 às 18:55
Moa, gênio da raça, passando pra registrar aí nossa modesta homenagem, um ano atrasada, aos teus cinqüentinha, tendo o Batucando como gancho… Saiu hoje no http://www.diariodonordeste.com.br. Como diria o homem: Vê se gostas… E salve Cachaça!
Abs e volte logo!
23 de março de 2009 às 22:30
xanduca,
um dia vou contar no “suburbanas” histórias que mais parecem delírios vividas na Dona Maria.
amigo Henrique, obrigado pela crítica do disco!!!!assim irei de novo a Fortaleza, lugar maravilhoso…
moa
24 de março de 2009 às 10:19
Opa!!
Primeiramente parabéns pelo blog Moacyr.
Uma correção apenas .. o samba “Cachaça, árvore e bandeira” foi gravado no disco “Velha Guarda da Mangueira e Convidados”.
Grande abraço.
25 de março de 2009 às 10:02
Rafael, ja corrigi. É o que dá essa minha sobrieade, esquecer o título o disco que participo até como intérprete.
Fique à vontade pra comentar possíveis vacilos.
abs
moa
30 de março de 2009 às 13:49
Faleceu ontem o velho sambista Basile. Cantor e compositor, Basile era um boêmio tímido - não tinha um tique sequer de fanfarronice –, mas era orgulhoso de seu talento. Foi encontrar-se com outros bambas, como o Diniz, que perdemos também há pouco tempo. Basile, de memória prodigiosa, sabia de cor enredos dos carnavais mais remotos; poemas de rara tessitura que a gente não ouve mais.
Vai com Deus amiguinho! Por aqui, ficamos mais pobres de alegria e poesia.
Tania
30 de março de 2009 às 13:59
Basile foi um grande amigo. Tenho muitos momentos vividos com ele, muitos. Um, por acaso, está incluido no post Teatro Odisséia e Dia de Feira. Nas cenas do vídeo, a presença dele me ajudando a organizar aquela saudável bagunça. Hoje, no Samba do Trabalhador, vamos dedicar alguns sambas.
moa