Saudades da Guanabara
Está fazendo 20 anos da gravação do samba ‘Saudades da Guanabara’ pela amiga e fundamental cantora Beth Carvalho e, por isso, repito a história dessa inspiração.
Eu fazia reuniões semanais na minha casa da Tijuca, recebendo importantes artistas brasileiros. Acaba sendo pomposo, fazer o quê? É real! Guinga, Fátima Guedes, Leila Pinheiro, Sueli Costa, João Nogueira e até Lenine eram presenças constantes. De cantoras, Itamara Koorax, Leny Andrade, Selma Reis e Beth Carvalho marcavam ponto na roda musical. Na lista de letristas, Sérgio Natureza, Paulo EmÃlio, Paulo Cesar Pinheiro e Aldir Blanc. O samba Saudades… já existia, com uma letra minha mas, sinceramente, truncada demais.
Num pequeno silêncio de canções e sambas dolentes, fui à cozinha abrir uma gelada nos bons tempos de fÃgado zerado. Beth se aproxima e elogia a melodia do Saudades…
– Mas a letra, Moa…Tantos parceiros…
Uma insônia me consumiu o resto da semana até receber um telefonema do mestre Paulinho Pinheiro. Ele tinha terminado um samba nosso. Estava perto do bairro, viria mostrar os versos. Avisei ao Aldir, vizinho de prédio, da bela surpresa, a presença do autor de ‘Viagem’. E meu parceiro Blanc prometeu descer “prum†papo a três.
A tarde caindo, talvez feito um viaduto, eu puxando o assunto da madrinha Beth:
- Aceitam refazer a letra?
Meia hora depois o Aldir sobe pra buscar mais cervejas guardadas na geladeira do seu apartamento, o 402. Demora uns vinte minutos, tempo que eu apostei como certo o seu desaparecimento daquele encontro.
Toca de novo a campainha trazendo à mão uma folha rabiscada que mais parecia carta psicografada por algum médium suburbano.
Era a primeira parte do ‘Saudades da Guanabara’.
Paulinho se despede muito calado pra uma tarde etÃlica levando no bolso uma cópia das estrofes.
Foi tudo muito rápido. Logo, telefone no pescoço e mão esquerda anotando, vejo a segunda parte do samba chegar cortando o meu peito carioca de uma emoção que ainda sinto agora, relembrando.
Ligo pra Beth e peço uma opinião sobre a nova letra.
Um mês depois, em setembro de 1989, Beth Carvalho lança pela Polygram o disco ‘Saudades da Guanabara’.
Aconteceu há 20 anos.
Num dia de bagunça:


11 de março de 2009 às 13:05
Saudades da Guanabara, de um tempo em que o Méier era mais calmo, mais sereno e seu shopping era reconhecido como o primeiro do paÃs.
Saudades tem história e se tornou uma das músicas mais marcantes feitas sobre essa cidade partida e repartida, entre pardais e quero-queros, entre sabiás e carambolas.
Um blog para bombar.
Célio Albuquerque
Um dos depoentes no processo de aposentadoria de Moacyr, desde o tempo em que tocava no terraço de seu prédio ao lado de feras como Fernando Merlino
11 de março de 2009 às 13:56
Bom saber dessas histórias, muito bom mesmo.
Serei frequentador assÃduo aqui.
Já adicionei seu blog nos links do meu blog!
Abração
11 de março de 2009 às 16:04
Querido Moa,
Ao chegar pela primeira vez no Samba do Trabalhador, na terceira edição, Renascença com cerca de 30 pessoas, ouvi o Luiz Carlos da Vila cantando Além da Razão, e , a seguir, você entrou com Saudades da Guanabara. Parafraseando ” DelÃrios da Baixa Gastronomia” foi de se ouvir chorando e de joelhos… Parabéns por esse hino ao Rio de Janeiro.
11 de março de 2009 às 18:07
Moa, velho de guerra. Bom te ver no blog. Bom te ver sempre. Estamos juntos.
11 de março de 2009 às 18:14
Grande Moa! Pode ficar certo que vou por olho em vc sempre por aqui. Parabéns pelo blog e pelo inÃcio com “Saudade da Guanabara” e a riquÃssima história cheia dos detalhes.
11 de março de 2009 às 18:26
Vontade de Guanabara,sinto vontade dessa Guanabara quero um pouco mais dela…
11 de março de 2009 às 18:27
Que bom você estar aqui, estará mais próximo dos amigos e dos fãs e nos deliciará com suas histórias e opiniões. Tinho (com menos 50). Abs.
11 de março de 2009 às 20:04
Moacir, sou louco por esta música desde que a escutei pela primeira vez, mas sou ruim de ouvido. Onde posso encontrar os acordes cifrados para tocá-la?
Parabéns pelo blog e um abraço
11 de março de 2009 às 20:10
pedro,
a partitura está com cifras. foi um arranjo feito pro show do prêmio Shell em homenagem a dupla bosco & blanc.
11 de março de 2009 às 21:36
Salve Moa! Você é destes que fazem a gente ter fé na vida e na arte, fundindo essas, não permitindo que nossos sonhos envelheçam!
Salve o blog, salve Moacyr Luz!
Grande abraço,
Augusto Martins
11 de março de 2009 às 23:16
Moacyr:
agora já dá pra matar a saudade de você por aqui. Que maravilha, rapaz! Foi uma bela surpresa, essa.
Como gosta de dizer, com pureza, o nosso Gabrielzinho, “Obrigado por tudo, meu irmão!”
Grande abraço, grande Moa, segunda estamos lá em Copa, pra mais um lançamento do Batucando, tá pensando o quê?
12 de março de 2009 às 0:07
Não gosto de ficar falando de qual samba é o melhor ou o mais importante, essa coisa toda. Isso não serve pra nada.
Só sei que Saudade da Guanabara e Senhora liberdade de Nei Lopes e Wilson Moreira, são os dois sambas que mais me emocionam, sempre que eu ouço. Não importa onde, não importa quem cante.
Eu já o ouvi cantando, em Campinas, no Tonico´s Boteco e me arrepiei, como sempre!
12 de março de 2009 às 9:01
Parabéns pelo blog e muitos aplausos pelo Saudades da Guanabara.
Um forte abraço
Chicão
12 de março de 2009 às 11:26
Moa querido!
Que bom o blog. Já li, já amei, já sou fã.
Bom te ler além de te ouvir.
Bjs e sucesso.
12 de março de 2009 às 12:10
Grande Moa, velho amigo.
Que bom você nesse blog. Eu que acompanhei várias reuniões na sua casa e tenho uma pequena responsabilidade no disco Saudades da Guanabara, pois trabalhava com a Beth na época, fico feliz e emocionado. Saudades…da Guanabara, do Flamengo do Zico, AdÃlio e Andrade… e dos chopes vadios. beijo.
Nei Barbosa
12 de março de 2009 às 13:06
Não vivi a Guanabara plenamente, mas por esse samba da pra sentir como era, principlamente quando falas das praias da “minha” Ilha do Governador.
Abraço,
Tuninho Motta
12 de março de 2009 às 17:50
Moa… isso é um hino, Moa…
13 de março de 2009 às 8:28
Uma DelÃcia o blog Moacyr luz,
vamos nos apresentar. eu so Beto Fonseca la do Ex- Café Brasil de São Pedro da Serra, onde você fez um show fantastico, com a petelha da Laurinha te torrando o saco. Mas o show foi lindo.
Adorei ter a partitura de Saudades da Guanabara, ontem mesmo lembramos esta perola numa roda aqui em Macaé. Vou aproveitar para corrigir algumas coisinhas.
Saudades da Guanabara e euque sou tijucano, mais saudades ainda: das peladas na João Alfredo, do So cana, do Bar das Pombas, da Xavier de Brito de tantas namoradinhas de banco, do Lourenço Filho, do Paulo Emilio, do Rio Maracana, ( minha primeira trepada com uma baianinha as pressas, dentro do Rio.), da Rua Uruguai, do Borel, da muda e da Usina, onde eu passei toda a minha infancia e adolescencia. que delicia lembrar disso.
Um abraço e ate breve
13 de março de 2009 às 11:14
Moacyr Luz, estive no seu show no Teatro Rival. adorei.
tenho um Site de variedades, e escrivi sobre o quanto gostei do swow.
Ontem o Marcelo me enviou o seu Blog, e estou tomando a liberdade de te enviar o que escrevi, espero que goste. Sem ter a pretenção de ser crÃtica, escrevi o que senti.
abraços.
basta clicar
http://www.portalhojemaisbonito.com/embalo_musical_de_sabado_a_noite.html
O meu Site: Portal Hoje Mais Bonito- Visite-nos
http://www.portalhojemaisbonito.com
14 de março de 2009 às 14:52
Querido Moacyr,
Você conhece o Jorge Benzé, pode me falar dele?
16 de abril de 2009 às 1:41
Moacyr:
Sou aluno do Evandro Barcelos aqui em BrasÃlia. Sempre que posso ir ao Rio estou no Samba do Trabalhador, roda de altÃssima qualidade. Parabéns pela sua música, seu trabalho. Descobri esse blog hoje 16/04/2009 e estou achando maravilhoso poder me “aproximar” um pouco mais… Sou mais um fã.
Valeu!
30 de julho de 2009 às 10:00
Moacyr, antes de mais nada parabéns pelo trabalho e pelos 20 anos da Saudades da Guanabara. Com certeza a riqueza da nossa rica musica brasileira é apresentada nessa belissima canção.
Parabéns, felicidades e que Deus o abençoe sempre.
Milton
28 de setembro de 2009 às 4:55
[...] numa roda de samba no paraÃso da Praia do Sono, no Ouvidor, Lapa ou qualquer lugar da Guanabara. Nesse texto, Moacyr conta a história da composição. Eu sei que meu peito é uma lona armada, nostalgia não [...]