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Perdidos na Tijuca

Eu me achando o ‘Guia Quatro Rodas’ do bairro fui parar com a Beth Carvalho numa entrada do morro do Salgueiro.
Explico. Conheci a madrinha em 1984 no auge da campanha das ‘Diretas, Já!’ Lembro que a acompanhei no violão numa manifestação pelo voto no Circo Voador.
Nessa época ficamos muito próximos. Levado por ela, ainda peguei uma grande roda no Cacique de Ramos com o Fundo de Quintal na mesa.
Pouco tempo depois, ela me avisa que o Jorge Aragão, cabelo black-power, está fazendo uma temporada no Porão 80, Largo da Segunda Feira, Tijuca.
- Conhece, Moa?
- Claro! Sou tijucano, Beth, manjo tudo do bairro.
A ida foi mole. A casa de shows ficava no fim da Conde de Bonfim, impossível se perder.
O samba estava maravilhoso. Se eu não tivesse bebido a minha memória diria até o nome dos músicos, todos craques.
Três da manhã, hora de voltar na carona da Beth, resolvo inventar um itinerário subindo aleatoriamente a primeira à direita. Moral: entramos num estreito caminho, sem luz, explicitamente perigoso. Numa ré de filme de ação, fomos parar num valão também de cinema. O carro, um Del Rey, ficou com duas rodas submerso na água negra, da cor da noite, quando uns sujeitos se aproximam do nada.
- Que beleza, einh Moa?
Rente a porta, o mais alto pede pra acender a luz do carro.  Foi a sorte.
- Beth Carvalho!!
Ficamos até de manhã tentando içar o carro no meio do precipício, todos ajudando com um macaco-jacaré. Acho até que rolou uma cervejinha numa birosca aberta as pressas pra receber nossa cantora.

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2 Comentários para “Perdidos na Tijuca”

  1. Nininho Diz:

    Imagino a cena!

  2. Armando Paiva Diz:

    Muito boa, com certeza só poderia ser com você meu querido!!!
    Abarção

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