Mulheres
8 de março de 2010 por Moacyr Luz
Uma energia especial ilumina o dia de hoje, Dia Internacional da Mulher.
Passei a manhã lembrando com um emocionado agradecimento a importância com que as vozes femininas trouxeram às minhas músicas.
A primeira das canções gravadas se deve a Lana Bittencourt.
Paricipei de um forte festival em 1979 - Rodada Brahma De Música Brasileira - que oferecia, entre outros requintes, os arranjos para orquestra do maestro Gaya.
Fui um dos finalistas. Lana defendeu a música e depois a gravou num Compacto Simples.
A emoção desse registro me indicou um rumo na vida: - ser compositor.
PerÃodo de discos independentes, as próximas gravações foram com Solange Kfuri e FabÃola.
Em 1984, ouvi uma música minha no rádio. O coração sentiu a viciante adrenalina.
Era ‘Lembrando de Você’ na voz de Elba Ramalho.
Um luxo no meu repertório.
Corajoso, fui acolhido por outras vozes, diferentes gerações, eternas musas da nossa história musical.
Gravei com Rosa Passos, Leila Pinheiro e Nana Caymmi.
De cada uma, um aprendizado.
Rosa é doce, Leila, vibrante e Nana, toda a sinceridade.
Em 89, dois pressentes: ‘Saudades da Guanabara’ com nossa valiosa madrinha Beth Carvalho, e ‘Coração do Agreste’ por Fafá de Belém.
Beth é um curso de rio aparte na minha carreira.
É impossivel desenhar um caminho no samba aonde ela não tenha pisado. Me apresentou a Mangueira, Nelson Cavaquinho, ao Cacique de Ramos e me abasteceu de vida gravando seis sambas meus.
Fafá me deu o sorriso, um Prêmio Sharp e uma sensação definitiva: estou sendo ouvido.
Estrada longa, contei com a generosidade da inspirada Fátima Guedes, guardando em seus discos, um cantinho pra minhas músicas. E foram tantas… Adoro ouvi-la cantando ‘Restos de um Naufrágio’.
A forma arrojada de interpretar da eterna Leni Andrade deu personalidade a sambas como ‘Mandingueiro’ e ‘No Pedaço’, e fez de ‘Aquário’ uma das minhas preferidas.
Sim, elas, as mulheres, vêm me levando pelo braço,na garganta, o que consigo andar nessa vida.
Agradeço a Amélia Rabello, Clarice, Yone Papas, Ana Costa, Simone Moreno, Célia, Vania Abreu, Juliana Amaral todas, cúmplices da minha sobrevivência.
O afeto com que Maria Bethânia trata minhas melodias com Aldir e, em poucas palavras, grava ‘Medalha de São Jorge’, ‘Rainha Negra’ e ‘Remanso’.
À guerreira Dorina, passo a passo, indagando ‘Que Batuque é Esse?’.
O corpo que acorda e cuida do próximo. É genético, é ancestral.
Por isso hoje, agradeço.
Como sou masculino, acabarei sendo injusto e esquecendo nomes.
Obrigado Alcione por ‘Meu Nego’. Obrigado Marti’nalia por ‘Beleza em Diamante’.
Pra amenizar esse texto possessivo, dedico o dia de hoje a Dona Ivone Lara, o grau mais alto da mulher brasileira.





