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A verdade sobre o painel do Senado

30 de novembro de 2009

No dia 1º de novembro, o governador José Roberto Arruda deu uma entrevista ao repórter Kennedy Alencar, para o programa ‘É Notícia’, da Rede TV.
Revendo o terceiro bloco do programa, no site da emissora, é espantoso como Arruda – dizendo que a mentira o incomodava – continua mentindo.
E o pior. Mente, e deixa a entender que o criminoso foi um morto: o senador Antonio Carlos Magalhães.
Vamos aos fatos.
Em 2001, o  senador e empresário Luiz Estevão sofria um processo de cassação no Senado, pois sua empresa era a construtora do prédio super faturado onde funcionaria a Justiça do Trabalho, em São Paulo, presidida pelo famoso juiz Lalau.
A punição contra o juiz era ponto de honra para ACM, que estava numa cruzada contra a corrupção. E a punição de Estevão era do maior interesse de Arruda, pois os dois disputavam votos na mesma cidade e eram antigos rivais.
Arruda, engenheiro de profissão, foi quem sugeriu a ACM a violação do painel. Não fez sozinho, pois necessitava do aval do presidente do Senado para solicitar a ilegalidade aos funcionários da Casa.
Portanto, a idéia foi de Arruda, e as providências foram tomadas por ele. Tanto que o envelope, com o voto de cada um dos senadores, foi entregue a ele, e não a ACM. Ele mesmo confessa que leu o relatório primeiro e, depois, foi ao gabinete do presidente.
Portanto, seu crime não foi apenas o de ler um papel que deveria ser sigiloso. Ele foi o arquiteto do crime, e mentiu durante cinco dias dizendo que nada sabia sobre o assunto.
Arruda é homem bastante inteligente e a violação do painel do Senado, na verdade, foi um golpe de mestre.
Ele queria ter apenas uma certeza: a de que Luiz Estevão seria cassado.
E por isso violou o painel.
Estevão era poderoso, articulado e temido por todos, além de pertencer a maior bancada do Senado. Portanto, tinha chances, através do voto secreto, de livrar-se da cassação.
Se Estevão fosse absolvido, Arruda subiria a tribuna, com a relação dos votantes, e diria que recebeu o envelope de um anônimo em seu gabinete.
Ao exibir os votos, estaria provada a violação do painel, e a absolvição de Estevão seria anulada.
Nova votação seria marcada, com tempo suficiente para pressionar, politicamente, aqueles que votaram com Estevão.
Como o senador foi cassado, Arruda perdeu o interesse pelo voto de cada um, já que seu intento já havia sido alcançado.
Por isso, levou o papel imediatamente ao presidente Antonio Carlos Magalhães, político experiente, mas que adorava um fuxico.
Foi a indiscrição do todo poderoso ACM que fez o caldo entornar.
O poder de Antonio Carlos não o bastava. Era preciso exibi-lo. E durante meses ele fez comentários sobre aquela votação.
E Arruda, que mentiu descaradamente durante dias sobre o assunto, acabou - junto com ACM - tendo de renunciar ao mandato de senador, onde era líder do governo FHC, para evitar a cassação por seus pares.
Portanto, o crime de violação do painel foi idealizado, solicitado, e recebido por um único homem: José Roberto Arruda.
Na época ele mentiu, em parte. Hoje, com ACM morto, sua mentira foi ampliada.
Mentir para ele é fácil.
Chorar também.
O difícil será conquistar um novo mandato.
Arruda simboliza hoje o que existe de pior na política brasileira.

Arruda e o recordar é viver

29 de novembro de 2009

No dia 1º de novembro, o governador José Roberto Arruda foi entrevistado para o programa ‘É Notícia’, da Rede TV, pelos jornalista Kennedy Alencar.
Eis alguns pontos:
1. Arruda nasceu em Itajubá, Minas Gerais, É o segundo dos cinco filhos de uma família modesta cujo chefe da casa, seu pai, era  ferroviário. Lá ele formou-se na Faculdade de Engenharia – a única da cidade. Para conseguir se inscrever no vestibular,  vendeu uma bicicleta, mas como faltavam 40 ou 50 cruzeiros para a inscrição, ele foi a delegacia da cidade, junto com o pai, e conseguiu um Atestado de Pobreza, o que o isentou da taxa de matrícula. Na época aquilo foi, para ele, “uma grande humilhação”.
2. Seu primeiro emprego, ainda com 17 anos, foi de professor de Matemática em um  cursinho pré-vestibular. Ou seja: Arruda é bom de fazer conta.
3. Ele chegou a rodoviária de Brasília  levando apenas “uma mala de papelão e um alma repleta de sonhos”.
4. ”Eu já vivi momentos muitos difíceis, tanto na vida pessoal, quanto na profissional. E tenho testemunho pessoal que há uma energia superior – cada um chame como quiser - mas acredito muito na força da oração (…) As vezes você tem um problema e, por mais que você se considere inteligente, estudioso, você não vê saída no campo racional. Quando você se eleva para o plano superior, como que por mágica, como que por encanto, as circunstâncias mudam, assim como mudam o formato das nuvens. E aí aparece uma saída e os problemas se resolvem”. É o que Arruda deve estar procurando no momento.
5. “Eu acredito cada vez menos no poder, no dinheiro, nos bens materiais, na vaidade. E acredito muito no plano superior. Existe uma passagem na Bíblia que diz o seguinte: “A quem muito é dado, muito será cobrado”. Eu planto o bem pois quero colher o bem”.
6. ”Cuido muito da alimentação e faço exercícios físicos todos os dias. Parto do princípio de quem é careca não pode ser barrigudo”.
7. “Brasília deveria ter uma placa na entrada da principal da cidade com os dizeres: “Aqui é proibido se pensar pequeno”.
8. “Vou construir um arena multiuso e o custo será em torno de R$ 500 milhões. Na verdade, não vou reformar o estádio Mané Garrincha. Vou destruí-lo e construir um novo”.
9. “O que me levou a mentir (no episódio da violação do painel do Senado em 2001) foi ser igual a todos os políticos brasileiros. Eu estava ali inoculado por esse virus que ataca a classe política”.
10. “Eu me recuperei porque admiti o meu erro. E disse: “Eu errei, e não quero ser igual a todos os políticos que vivem mentindo”. Meu erro não foi de corrupção, nem de desvio de dinheiro público”.